Poesias Pequenas

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“A maior vitória do Direito não é punir quem destruiu uma vida, mas construir uma sociedade na qual destruir uma vida nunca seja fácil.”

“A dignidade é o ponto em que o Direito reconhece que uma vida vale mais do que qualquer cálculo de conveniência.”

“Quando a vida precisa provar perante o poder que merece ser protegida, alguma coisa essencial já fracassou no Direito.”

“O processo é a maneira pela qual o Estado declara que nenhuma vida deve ser condenada sem antes ser ouvida.”

“A civilização começa quando a sociedade decide que nenhuma vida será sacrificada simplesmente porque sacrificá-la parece conveniente.”

“O poder mais perigoso é aquele que consegue transformar uma vida humana em número, estatística, expediente ou caso.”

“A lei é necessária para organizar a vida; a consciência jurídica é necessária para impedir que a lei se torne maior que a vida.”

“Quando um animal morre na rua sem que ninguém responda por sua vida, não morreu apenas um animal: morreu uma pequena parcela da responsabilidade jurídica.”

“A verdadeira igualdade não apaga as diferenças; impede que elas determinem o valor de uma vida.”

No fim, talvez a grande pergunta não seja se existe algo depois da vida, mas o que fazemos com a vida enquanto ainda estamos aqui.

Quem controla a narrativa de uma pessoa pode não controlar sua vida, mas pode alterar profundamente o modo como os outros a enxergam.

A religião pode perguntar pelo sentido da existência, a biologia pela origem da vida e o agnóstico pode reconhecer que nenhuma dessas perguntas possui necessariamente uma única resposta demonstrável.

A evolução explica mecanismos da diversidade da vida; o agnosticismo lembra que explicar mecanismos não necessariamente resolve todas as perguntas sobre significado.

Nenhuma Constituição precisa decidir se existe vida após a morte; precisa apenas garantir que ninguém seja juridicamente obrigado a afirmar que sabe a resposta.

No Brasil, a liberdade religiosa protege o direito de acreditar em uma origem sobrenatural da vida; a ciência protege o direito de investigar sua origem natural; o agnosticismo preserva a honestidade sobre aquilo que ainda não sabemos.

Quando a ciência revela nossa continuidade biológica com outras formas de vida, o Direito é chamado a decidir quais consequências normativas essa descoberta pode legitimamente produzir.

A imaginação constrói pontes sobre abismos que a razão reconhece, mas que a vida cotidiana não pode esperar que permaneçam sem travessia.

Há pessoas que poderiam amar-se durante toda a vida precisamente porque jamais confundiram intimidade com coexistência permanente.

Há pessoas que nunca enlouquecem, talvez porque tenham passado a vida inteira ocupadas demais em se adaptar ao que as destruía.

Muita gente passa a vida interpretando personagens que aprendeu a admirar e só percebe tarde demais que nunca conheceu o próprio rosto.