Poesias Pequenas
Quem não examina a origem dos próprios valores pode passar a vida defendendo como verdade aquilo que recebeu apenas como herança.
A vida somente revela sua arquitetura quando olhamos para trás; mas exige que avancemos para a frente, mesmo quando o futuro ainda não possui nome.
A existência guarda forças que permanecem invisíveis enquanto apenas pensamos sobre a vida; certas verdades só aparecem quando finalmente nos arriscamos a vivê-las.
Talvez o primeiro problema da filosofia seja descobrir se a vida merece ser abandonada antes que tenhamos compreendido por que desejamos abandoná-la.
Filosofar talvez seja aprender a contemplar a morte sem permitir que ela transforme a vida em mera antecipação do fim.
Quanto mais acumulamos para facilitar a vida, mais complexa parece ficar a arte de simplesmente viver.
Quanto maior o poder de uma afirmação sobre a vida alheia, maior deveria ser a exigência de evidência para sustentá-la.
A vida é importante demais para ser levada a sério: breve, absurda e irrepetível, exige a lucidez de quem compreende sua finitude sem precisar encontrar sentido em tudo, e a leveza de quem aprende a sorrir diante do abismo.
Se a vida não possui sentido pronto, pelo menos nos poupa do constrangimento de descobrir que escolhemos o sentido errado.
Levar a vida excessivamente a sério talvez seja a forma mais sofisticada de não perceber que ela está passando.
A vida distribui oportunidades de maneira curiosa: alguns recebem privilégios e chamam isso de mérito; outros recebem obstáculos e chamam isso de destino.
Uma vida que jamais interroga a si mesma pode existir biologicamente, mas permanece intelectualmente incompleta.
Quem não examina a própria consciência corre o risco de passar a vida obedecendo a pensamentos que jamais escolheu.
Entre preservar a própria vida e trair a própria consciência, Sócrates ensinou que existe uma forma de sobrevivência que pode custar ao homem aquilo que torna sua existência digna.
O Estado encontra sua razão de existir na proteção da vida, da liberdade e dos bens, e não na transformação do cidadão em objeto de sua autoridade.
A vida que não interroga suas próprias certezas transforma a existência em hábito e a consciência em espectadora de si mesma.
A literatura pode ampliar nossa capacidade de imaginar a vida de outra pessoa e, assim, humanizar a aplicação do Direito.
A vida terá batalhas, mas tenham esperança. A vitória será dos que sonham, dos que agem, dos que acreditam. A vitória será dos que arriscam para alcançar o alto da montanha.
A linguagem é também um espaço de construção da vida social e de produção de consensos juridicamente relevantes.
