Poesias para um Futuro Papai

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⁠A Ausência dos Meus Excessos


Um dia, meus excessos sumiram,
sem alarde, sem vestígio.
Não deixaram saudade,
pois ninguém sente falta
daquilo que nunca coube direito.

Talvez os pássaros saibam,
as aves, sim, talvez cantem baixinho
em algum céu de lembrança,
que um dia eu tive asas
— mas bati demais.

O excesso não pesa como a falta.
O cheio, a gente desvia.
Mas o vazio... ah, o vazio
grita no silêncio do quarto,
dói no espaço onde eu era demais.

Não houve pranto pela minha ausência,
nem uma cadeira vazia no jantar.
A escassez marcou presença
onde o excesso foi apenas visita.

Fui demais nas palavras,
no riso alto, no gesto largo,
na vontade de estar,
na esperança de ficar.
Mas o mundo ama o contido,
o que cabe na medida certa,
o que não transborda.

E eu, feito mar em dia de fúria,
nunca soube ser maré baixa.
Minha presença era tempestade
num copo que só aceitava goles.

Agora sou ausência —
dessas que não incomodam,
dessas que não se nomeiam.
Sou o eco do que fui,
numa sala onde ninguém chama.

Mas ainda há beleza no que sobra,
mesmo quando falta tudo.
E se um dia alguém notar
a ausência dos meus excessos,
que perceba:
era amor, era sede, era alma
em carne viva.

Inserida por nereualves

⁠Sexta-feira da Paixão: o dia em que crucificamos o Amor
Hoje é Sexta-feira da Paixão. Um dia para parar, silenciar e refletir…
Porque foi nesse dia que a humanidade matou o maior Amor do mundo.
Crucificamos o Filho de Deus. Julgamos, condenamos e pregamos na cruz Aquele que criou a Terra. Ele veio até nós como um amigo, como médico das nossas feridas, advogado nas nossas causas, irmão nas lutas, pai no cuidado, Salvador das nossas almas, Rei do nosso coração, sacerdote do nosso espírito e profeta da nossa história.
Ele era tudo o que precisávamos — e ainda é.
E mesmo assim, conseguimos matá-Lo.
Hoje, olhando para a cruz, o que estamos fazendo de nossas vidas?
Quem temos crucificado com nossas palavras, atitudes, indiferenças?
Onde foi que nos perdemos?
Quando foi que trocamos o Amor pelas coisas do mundo, pelas vaidades que passam, pelas brigas que não valem a pena?
Essa sexta-feira não é só um dia triste. É um espelho.
Um chamado à consciência.
Uma pergunta direta ao nosso coração:
Estamos vivendo como quem reconhece esse sacrifício?
Ou como quem continua a levantar cruzes por onde passa?
Mas também é dia de esperança.
A esperança da ressurreição.
E com ela, a chance de sermos melhores.
Mais justos. Mais humanos.
De amar mais o próximo — e de nos amarmos também.
Que esta Sexta-feira da Paixão nos desperte.
Nos limpe por dentro.
E nos lembre que o Amor venceu — e sempre vencerá.

Inserida por nereualves

⁠O Herói Que Nunca Foi
Há quem precise de um herói,
mesmo que seja de mentira,
mesmo que a capa esconda ruínas
e a máscara disfarce a ira.
Fecham os olhos para o óbvio,
adoram o brilho do falso altar,
não importa o que ele destrua,
desde que os faça sonhar.
Talvez jamais foram crianças,
daquelas que acreditam no bem.
Talvez a infância lhes foi negada,
e agora não confiam em ninguém.
Talvez viveram na ausência
de ternura, de luz, de calor —
e agora se alimentam do medo
e de um discurso sem amor.
O herói que seguem é o avesso,
não salva, não cura, não guia.
Onde pisa, deixa rastros de cinza,
de dor, desamor e agonia.
Mas eles aplaudem, defendem,
com fervor quase irracional.
Sabem que é tudo mentira,
mas preferem o mal ao real.
Porque dentro de si há um vazio
que o tempo não soube curar.
E ao verem alguém feliz,
fazem de tudo pra derrubar.
Dizem “Deus” com a boca suja,
com a alma vendida à vaidade.
Usam o nome do sagrado
pra espalhar crueldade.
E assim seguem cegos, de joelhos,
bajulando quem só destrói.
Acreditam num falso profeta
que prometeu, mas não constrói.
E o mundo assiste, calado,
a essa farsa com cheiro de dor.
Enquanto os verdadeiros heróis
seguem em silêncio — com amor.

Inserida por nereualves

⁠Palco do Silêncio
Por Nereu Alves
Um dia brilhou como estrela na aurora,
salão imenso, janelas abertas, luz que aflora.
O palco, infinito em sonho e criação,
morada da arte, da vida, da imaginação.
Ali dançaram ideias, versos e canções,
ecoaram risos, palmas, gerações.
Cenário de peças, recitais, emoção —
cada ato, um sopro de transformação.
Ainda está lá, firme, sobrevivente,
com vida que pulsa, embora diferente.
Mas algo o abafa, o cerca, o silencia,
como um véu pesado que cobre sua poesia.
Ergueram ao lado um gigante sem alma,
frio, sem história, que rouba a calma.
Um elefante branco de concreto e vaidade,
que engoliu a luz, abafou a verdade.
O vizinho tombou, não por tempo ou idade,
mas pelo descaso, pela falsidade.
Assassinaram paredes cheias de memória,
e enterraram ali um pedaço da história.
Agora o palco, mesmo em uso e movimento,
vive ofuscado por fora e por dentro.
Resiste em silêncio, com dignidade,
mas luta contra a sombra da modernidade.
Não é preciso demolir pra matar —
basta sufocar, fazer o brilho apagar.
E onde antes brotava beleza e união,
fica a sensação de lenta extinção.
Mas há quem veja, quem guarde, quem clame,
quem sinta que a arte é chama que inflame.
Enquanto houver alma, memória e razão,
não se fecha jamais o grande portão.
Abram-se janelas, cortinas, corações —
que o palco renasça em mil gerações.

Nereu Alves
Dedico este poema à Irmã Maria.

Inserida por nereualves

⁠Espelho
por Nereu Alves
Se você conseguir ser justo em um mundo injusto…
Se for capaz de ser honesto em meio à desonestidade,
Se conseguir ser bom num tempo em que a maldade impera,
Se você ainda for humano num mundo cada vez mais desumano…
Se você sorrir quando tudo e todos esperam o seu choro,
Se conseguir ser feliz onde a felicidade alheia nasce da infelicidade do outro,
Se for incorruptível num mundo onde a corrupção é regra,
Se fizer o bem sem olhar a quem,
Se der valor ao que realmente tem valor…
Se tiver princípios, meios e fins…
Se viver com o propósito de construir um mundo melhor —
Para todos, sem exceções —
Se for fiel à verdade de que Deus é um só
E que esta vida não passa de uma breve passagem,
Uma viagem curta, um fim de semana…
Então você entendeu.
Porque muitas vezes não haverá uma segunda chance.
E para a viagem seguinte, você não levará nada —
Nada além do espírito.
Como chegou, assim partirá.
A carne fica. O corpo cessa.
E tudo o que permanece é o que não se vê.
Que o seu espírito seja leve.
Que o seu espírito seja luz.
Que o seu espírito seja santo.
Porque o seu espírito… não é seu.
É de Deus, que te deu a vida,
E te colocou para caminhar por essa terra de mortais
Com a missão de, ao partir, deixar algo maior do que o que pegou.

Inserida por nereualves

⁠Entre as estações

Havia um jardim pronto para florescer,
mesmo antes da primavera chegar.
As mãos cuidaram da terra,
anteciparam o sol,
acreditaram no perfume antes da flor.
Mas o vento mudou o rumo,
e uma estação inesperada varreu as folhas.
Não houve tempestade,
só um frio que entrou sem avisar
pelas frestas do silêncio.
Ficou um banco vazio de tarde,
um livro aberto numa página bela,
mas inacabada.
Ficou um passo preso entre o que foi e o que seria.
E eu fiquei ali,
com as mãos cheias de espera,
o peito coberto de brisa,
e o tempo…
sem saber se avançava ou voltava.
Não gritei ao céu,
nem fechei o portão.
Apenas sentei no tempo
e deixei que o silêncio contasse o que doeu.
Se houver alguém que ainda ouça o canto dos pássaros,
mesmo em dias nublados,
talvez entenda
que nem toda ausência é partida.
E que algumas raízes… esperam o tempo certo pra florir outra vez.

Inserida por nereualves

⁠A Estrada da Vida

A vida é uma estrada sem fim.
Quando uma termina,
outra começa —
como um rio que se desfaz no mar
e renasce em nuvem lá no céu.
Nascemos.
Crescemos.
Vivemos.
Aprendemos.
Caímos.
Nos levantamos.
Seguimos.
O sol nos guia em dias claros,
a esperança brilha no retrovisor.
À noite, as estrelas são faróis silenciosos,
sussurrando que não estamos sós.
Há momentos de retas longas,
tranquilas, quase monótonas.
Mas também há curvas fechadas,
acidentes de percurso, desvios.
Há paradas inesperadas,
há trechos em obras dentro de nós.
Às vezes a estrada tem mão dupla —
e encontramos quem vem ao nosso encontro.
Outras vezes, é sentido único,
e só nos resta continuar.
Existem atalhos que seduzem,
mas nem sempre levam ao que buscamos.
Há buracos.
Há placas confusas.
Há dias de neblina
em que não se enxerga o próximo passo.
Mas seguimos.
Porque dentro de nós mora um motor —
feito de sonhos,
de saudade,
de fé e de coragem.
A estrada passa por vales e montanhas,
por desertos e florestas.
Cruza pontes invisíveis
entre o que somos e o que seremos.
E quando pensamos que acabou,
que não há mais chão,
um novo caminho se abre,
como quem diz:
“Continue. Ainda não é o fim.”
E então compreendemos:
não é o destino que importa,
mas o que vivemos no caminho —
os encontros, os olhares, os aprendizados,
os abraços à beira da estrada,
os silêncios que também ensinam.
No fim, a estrada da vida
nos leva a um só lugar:
à própria viagem.

Inserida por nereualves

⁠Um pouquinho
Um pouquinho pra descansar,
um pouquinho pra respirar,
um pouquinho pra namorar,
um pouquinho pra caminhar.
Um pouquinho pra descansar,
um pouquinho pra relaxar,
um pouquinho pra deitar,
um pouquinho pra abraçar.
Um pouquinho pra beijar,
um pouquinho pra caminhar,
um pouquinho pra contemplar,
um pouquinho pra te olhar.
Um pouquinho pra andar,
um pouquinho no abraço,
um pouquinho pra almoçar,
um pouquinho pra jantar,
um pouquinho pra tomar o café da manhã.
Um pouquinho pra dormir,
um pouquinho pra não pensar,
um cantinho pra relaxar,
um pouquinho pra sonhar.
Um pouquinho pra ficar acordado, sem adormecer,
um pouquinho pra respirar,
um pouquinho pra amar,
mudar um pouquinho pra abraçar,
um pouquinho pra escrever,
um pouquinho pra dar,
um pouquinho pra receber.
Um pouquinho pra falar,
e um pouquinho pra ficar em silêncio.
Um pouquinho para tudo,
um pouquinho para nada.
Um pouquinho é tudo.
Um pouquinho não é nada.
Um pouquinho pode ser,
que um pouquinho, tudo é.
Um pouquinho, tudo pode.
Um pouquinho tem que ser.
Um pouquinho poder descansar,
um pouquinho pra esquecer,
um caminho pra amar,
um pouquinho pra cantar.
Um pouquinho pra fazer,
um pouquinho pra nada fazer.
Um pouquinho pra ser,
um pouquinho pra sonhar.
Um pouquinho pra ver o mar,
um pouquinho pra amar,
um pouquinho pra contemplar,
um pouquinho pra caminhar.
Um pouquinho pra dormir,
um pouquinho pra relaxar,
um pouquinho pra espreguiçar,
um pouquinho pra cozinhar.
Um pouquinho pra deixar a vida sim,
sem pensar.
Uma vida…
Um pouquinho pra viver,
um pouquinho pra esquecer,
um pouquinho pra lembrar,
um pouquinho pra amar, amar e amar.

Inserida por nereualves

O universo trabalha naturalmente na compensação e na abundância para todos.


Quando umganha mais, o outro perde, onde o lucro é como lograr enquanto Deus dorme.


O recebimento adequado seria independentemente de merecer, podendo apenas seguir e viver.

Inserida por paulocelente

⁠•|[UMA DICA]|•

— Todos nós temos um mentor na vida, aquele que se acha mestre de si mesmo, é o melhor aluno de um eterno idiota.

Inserida por Poetapegasus

Sobre perdas e danos

Nem tudo são perdas, nem tudo são danos
Mas entre um e outro
Sempre perdemos um pedacinho do coração
Às vezes também aprendemos, então
Se aprendemos,
Nada foi em vão
Desde que não tenhamos deixado
De demonstrar afeto e bom trato
Porque de tudo que perdemos
Ficam os danos e os ganhos
De tudo que aprendemos

Inserida por vivi_da_silva

Professor Inspira a dor

Que tipo de professor você tem sido?
Um mero orador eloquente?
Um belo vivente
Que repassa conhecimento aos seus pupilos?
Um artista,
Palhaço,
Malabarista,
Psicólogo,
Humano,
Amigo,
Excêntrico...?
Um professor pardal ou um aloprado?
Um verdadeiro sonhador
Que inspira
Que gera
Que reflete do âmago
O que há de melhor no ser humano?
Você faz a diferença,
Ou apenas abaixa a cabeça
E lê a cartilha
Sem nem ao menos prestar atenção
À reação dos seus alunos exaustos?
Ignoras os questionamentos,
Porque “vamos ver isso lá adiante” ...
Não obstante,
Você é cheio de teorias
Ou é daqueles que demonstra
A eficácia das suas próprias magias?
O professor competente,
Ou o louco coerente?
Você já parou pra pensar?
Já refletiu?
Já desistiu?
Daqueles velhos métodos arcaicos,
Daqueles exercícios débeis,
Daquelas discussões inférteis?
Você já insistiu
Num daqueles casos perdidos,
Que bem lá adiante
Num dia qualquer ficou sabendo,
Meio que sem querer,
Que tornou-se um homem bem sucedido?
Você já recebeu a visita de um aluno antigo
Que passou só pra te dar um oi
Um abraço, amigo
E agradecer pelo que você foi pra ele?
E você nem lembrou o nome dele!
Que tipo de professor você é?
Daqueles a serem lembrados,
Ou dos montes a serem esquecidos?
O que não quero?
Não quero a dor da desistência,
A dor da decadência,
A dor da incompetência!
Eu só quero que meus alunos levem de mim
Aquilo que lhes inspire a vida!

(Viviane Dona da Silva)
14 de agosto de 2014

Inserida por vivi_da_silva

O VALOR DA VIDA II

A vida vale muito
A vida é um risco
A vida é bela
A vida é um mito
Mas também pode ser um cisco
A vida tem o valor que você a dá
Ela pode ser longa ou breve
Boa ou ruim
Valer a pena ou não
Só depende de você
A vida vale o risco
Vale o sorriso
Vale a lágrima
Vale o gosto de mel ou de fel
Vale cada segundo bem vivido
A vida é infinita para os que esperam
Mas muito breve para os que amam
A vida é feita de contradições
A vida é feita de ilusões
Também é feita de desilusões
A vida é uma comédia
Ou uma tragicomédia
A vida é feita de dicotomias
Mas vale a pena ser vivida
Valorize tua vida
Agradeça pela tua família
Guarde tua saúde
Evite os excessos
Viva em equilíbrio
E quando desequilibrar
Tenha com quem contar
Porque na vida ninguém vive só
E a vida é uma só
Então viva
Viva!
Um dia de cada vez
Se bem vivida
A vida não tem preço
Pra quem tem apreço
Quando sentir-se impotente
Lembre-se que há pessoas que dariam a vida
Para ter a tua vida
Ou para voltar à vida
Seja forte
Mas não o tempo todo
Porque ninguém é
Seja feliz
Mas não o tempo todo
Porque ninguém é
Seja você
O tempo todo
Porque ninguém é
Tua vida vale muito
Ame-se
Deixe-se amar e ser amado
Cuide-se
E deixe-se ser cuidado
Procure ajuda
Aceite ajuda
Valorize a vida
De quem te trouxe à vida
Porque a vida só vale
Quando a valorizamos!

Inserida por vivi_da_silva

"Essa lágrima dedico a você
Que colocou um sorriso largo em meus lábios
E depois uma dor imensa em meu coração "

Inserida por vivi_da_silva

⁠Quem dera em outrora não tivesse ouvidos para ouvir?
Nem tivesse olhos para ver?
Muito menos um coração para sentir?!
Oh, sentimento ruim!

Inserida por vivi_da_silva

⁠Se você é um colaborador, parte de um time que opera em condições de intransigências administrativas e controles radicais não se acomode.
A criatividade e as boas ideias pertencem às pessoas e não aos ambientes. Não desista nunca. Cultive-as, aprimore-as e apresente-as sem timidez. Em algum momento a poluição diminui e a luz da sua ideia vai aparecer em meio à bruma da mesmice, da rotina e da acomodação

Inserida por HDRUMMOND

⁠" O homem e o leme"

Um bom timoneiro continua a navegar mesmo com todas as adversidades e tribulações.

Inserida por bruno_cecim

Felicidade é degustar um momento de alegria inocente ...
É partilhar com os outros e mesmo consigo, uma satisfação que brota sem controle no fundo do coração.
É não conseguir evitar aquele sorriso de contentamento desmedido no canto da boca, na iminência uma gargalhada gostosa.
Felicidade é sorver mesmo que por pequenos instantes, o néctar delicioso do momento em que tudo acontece : Aquele sorriso da pessoa amada, o sorvete delicioso sendo degustado milimetricamente, o filme que curtimos assistir ou o lugar que adoramos visitar.
Não importa o motivo ou a fórmula mágica que usamos para chegar ao resultado da alegria.
O que realmente importa, é o quão precioso é para você compreender que não se pode viver sem estas pequenas coisas.
É como o orvalho que se forma toda a noite sobre as plantas, as quais absorvem sem pudores ou anseios. Apenas aceitam a dádiva que cai sobre elas e se regalam até o fim, aproveitando o momento mágico.
Felicidade ? Na verdade não sei como é ou o que é.
Apenas sigo na esperança de buscar mais destes momentos em minha vida, pois é neles em que me encontro feliz.

Inserida por Darcyvo

Um dia a dor passará. A tristeza passará. A desilusão. O fracasso. A perda.
Um dia tudo irá passar. Um dia. Algum dia. Eu sei. Preciso acreditar nisso.
Será um instante fundamentalmente criado para este fim. Gerado no momento exato para transformar, recriar, reinventar. Para renascer.
Como suportar até lá? Como carregar tamanho fardo no coração, na mente e na alma? Não sei.
Apenas dar um passo de cada vez. Viver em câmera lenta cada segundo, minuto, hora, dia, mês e ano. Viver devagar para sentir a essência da vida. Sentir a essência do amor. A essência do teu ser. Não provei deste amor, mas pude sentir seu aroma doce e inebriante, tomando-me de assalto e me transportando a uma dimensão longe da minha realidade e mais perto de você.
Neste momento reflexivo, me apego nestas palavras e respiro profunda e lentamente para tentar absorver o pouco que me resta desta essência, deste aroma que entorpece minh'alma e me eleva acima da minha vontade e da própria razão de ser e existir.
Assim como a água que transborda violentamente de um rio, está meu coração em pranto, transbordando de dores inconcebíveis, de sentimentos e ressentimentos incompreensíveis a mim mesmo, incontrolável e impossível de represar este incomensurável amor.
Assim como as águas intranquilas de um caudaloso rio, seguindo um curso errante em caminho desconhecido. Totalmente sem destino. Culminando em uma grande cachoeira de emoções.

Inserida por Darcyvo

A fuga da realidade,
Ilusão transitória da mente,
O temor da própria verdade,
Um coração insensato e descrente.

A covardia que esconde, que mortifica,
O desespero que expõe e enfraquece,
O amor que confunde e complica,
Uma vida que definha e empobrece.

Dúvidas que permeiam o meu coração,
Coração que quebranta o meu ser,
Sentimentos que sobrepõem minha propria razão,
Um amor que eu preciso tanto esconder.

Perguntas que expressam meu devaneio,
A insensatez que te move para longe de mim,
A flecha do medo que me atinge em cheio,
Que me fere e me deixa tão triste assim.

Emoções que me enloquecem,
Sentidos que entorpecem minha razão,
Sonhos vãos que me aquecem,
No limiar de uma grande paixão.

Um caminho sem origem ou destino,
Querer ser teu amado, querer ser teu,
Uma insensata ilusão de menino,
Uma esperança que um dia morreu.

Inserida por Darcyvo