Poesias Infantil de Chico Buarque
Não importa a matiz que ostenta a pele, todo sangue é vermelho e o leite materno branco. O grande artífice autor da vida em sua arte infinda nos coloriu com as mais lindas nuances. O ser humano é que complica as coisas com seus caprichos individuais, quando na verdade, somos todos iguais.
As palavras sem o exemplo podem até comover, mas o que arrasta multidões são os testemunhos de vida que falam com propriedade de causa.
Jamais saberá o sabor do fruto se dele não experimentar, como também, não podes julgar, a alheia que traz na alma alguém a dor.
O racismo é a amplitude do egoísmo, do indivíduo se achar o centro do universo, como sendo a pessoa mais importante dentre todos os demais, independente de vários fatores socioeconômicos ou culturais.
Por mais que se estude a mente humana, mentiras vão subsistir. Porque a verdade agride os que não querem a ouvir. Por isso preferem a mentira e seguir vivendo a se iludir.
Eu amava e sofri, por não mais tê-la em meus braços, chorei. Muitas noites em lágrimas eu dormi, de muitos prantos enfim, acordei.
Muitos acham serem donos de alguma ou muita coisa, mas a grande verdade é que nem o próprio corpo lhes pertencem. Somos um amontoado de poeira cósmica bem ajustados com a função de habitar o sopro de vida.
Buscando calmaria, noutros mares que não me lancem à arrebentação. Paz interior, descanso para o combalido coração.
Os risos são as melhores máscaras para disfarçar uma alma deprimida. Quem se vê sorrindo jamais imagina o quanto sua alma está chorando. E de repente você interpreta um personagem na vida real, com tanta maestria que ninguém consegue perceber que para você já deu e está cansado de ser o protagonista desse enfadonho seriado.
Miseráveis homens que somos, quando medimos os outros com a nossa régua de santidade ou moralidade , e julgamos nossos semelhantes como se fôssemos perfeitos. E não adianta a palavra nos advertir, que Deus não vê como nós humanos, porque na nossa presunção, achamos capazes de aferir a vida alheia como que tivéssemos o poder de esquadrinhar os corações.
Eu quero a sinceridade do clima, suas nuances sazonais, regado às intempéries do tempo, incerto mas honesto em sua marcante apresentação ante o espetáculo da vida.
Só mesmo contemplando a natureza para esquecer os problemas mil, as mazelas que assolam nossa amada pátria Brasil.
O sentimento que o mundo chama amor, não passa de lascívia da alma soberba, que só pensa em ter vantagem em tudo, e sobre todos.
A melhor companhia é estar consigo mesmo em plena paz interior. As vezes estamos em meio a tanta gente e mergulhado numa solidão, qual peixe fora do seu habitáculo, sem oxigenação.
Inúmeros são os problemas que nos aflige na vida, e de repente, os problemas se acabam, para aqueles que partem desse plano. Resta saber, se em algum lugar da eternidade, estarão isentos de alguns acertos de contas.
No mundo a gente chora de tristeza ou rir para não chorar. A fragilidade da vida é como um perfume que se esvaece pelo ar.
O nada não existe, tudo subsiste perfeitamente compreendido no seu devido lugar na vastidão desse universo infindo.
Avançamos, mesmo não querendo e ainda que prostrado. Seguimos em frente sim. Porque o amanhã se transformou em hoje e o presente virou passado.
A ignorância é peculiaridade humana. Ninguém sabe tudo e poucos sabem muito, entretanto, somos todos ignorantes. O problema todo é que alguns ignorantes se acham capazes de contestar o conhecimento científico sem nunca ter pesquisado ou debruçado sobre enigmas colossais, desafios até então intransponíveis a mente humana, no que concerne o aprofundamento de tamanha busca pelo conhecimento. São séculos de estudos acumulados para avançar o desconhecido.
Quantos ensoberbecidos, senhores de si. Quantos se achando poderosos neste mundo aqui. Somos meros mortais, subsistindo a natural sucumbência. Seguimos rumo a extinção de nossas consciência. Não há nada que possamos fazer, capaz de impedir nosso perecer. Estamos de passagem, seguimos em viagem. Destino presumido, porém humanamente ignorado.
