Poesias Infantil de Chico Buarque
A amizade verdadeira é um objeto relíquia, não tem preço. Diferente da amizade passageira, que é um objeto de descarte. Assim é a vida, faz parte.
A vida e o trem, algo em comum tem. A todo momento ao embarque e desembarque humanos vêm. Não pedimos para embarcar, muito menos sabemos para onde ir, mas certamente chegaremos ao lar. A qualquer lugar no porvir.
As vezes melhor é o silêncio que dar asas as palavras e estas se lançarem em voos distantes e comprometedores.
A mais nociva falsificação ocorre numa amizade, portar um falso sentimento, muito aquém da real sinceridade.
Sempre haverá um bom porquê, para você lutar e vencer. Mesmo cansado ou desiludido, oportunidades Deus tem nos concedido.
De quando em vez, humanos manifestam lapsos de lucidez, ainda que moral e ética estejam em escassez.
Qualquer dia vamos partir, mas um pouquinho de nós ficará nos corações de muitos que em verdade nos amaram.
Vou indo, mesmo sem querendo, viajando ao desconhecido, a cada instante me surpreendendo, até onde possa ter vivido.
Nos arranques bate ao peito, em constante contrações, vibra os corpos, supre as almas, batidas de bilhares corações.
Ser feliz em meio ao caos, ignorar os aflitos pelo mal. Quem pode suportar a tantas desgraças e se declarar, feliz sem com o próximo importar?
A ânsia de grangear as riquezas materiais desvia-nos das verdadeiras riquezas reais. Nessa louca odisseia, gastamos o que mais precioso existe em nosso finito tesouro, o tempo. E emriquecidos dos tesouros materiais, já não temos onde buscar créditos de tempo para desfrutar de todas as nossas conquistas pessoais, porque gastamos o precioso tempo que não volta nunca mais.
Dizem que tempo é dinheiro, mas o tempo é preciosidade como a vida, e tal como a areia na ampulheta, vai se esgotando naturalmente até ser extinta.
O tempo passa, as coisas mudam, e até o que outrora era imposição por castigo, um dia passa a ser opção de vida, literalmente.
O tempo passa, como a chuva que cai, suas águas seguem seu destino. Assim é a vida, as muitas vidas são como as muitas águas das chuvas, vários destinos sem retroceder nas suas respectivas jornadas. O tempo é riqueza para ser bem gastada, não tem crediário, o pagamento é a vista, imediato.
Viver, ouvir e ver, lutar e vencer. Vida em ação, rios que correm no ser, a jorrar em plural direção, impelido pelo emanador da vida, o coração.
A vida nesta terra se alimenta de ilusões, e não obstante, para seguirmos vivendo, precisamos muita das vezes, de lutar para realizar, alimentar o desejo de nos mantermos vivos, sonhando em alcançar as saudáveis ambições.
Dois lugares que insistimos tentar ir que não podemos. No passado que para trás ficou e no incerto futuro que podemos não chegar.
O culto à imagem, adoração ao que se conceitua como ideário, seja coletivo ou personalíssimo tem prazo de validade e o corpo perfeito se deteriora com a idade. Mas o bom caráter é perene, segue o ser até o fim, nos traços da sua personalidade.
Não quero ser melhor do que ninguém, senão, ao que fui até aqui. Superar minhas limitações, avançar no tempo que me é proposto, lutar e vencer as muitas adversidades da vida. Desprezar os que querem meu mal, regozijar com os que me querem bem. Erguer a cabeça, olhar para frente, avistar o horizonte que me é proposto, caminhar e enxugar a lágrima que flui em meu rosto. Porque não posso consertar o mundo ao meu redor, mas posso reparar as arestas de meu ser, e seguir lutando no que ainda me resta em viver. Que eu possa concertar com os ruídos, e elaborar a mais linda melodia, diligenciar as notas da vida em seus devidos graus de entonação, transpor as barreiras em harmonia, qual bela e sonora execução das mais sofisticadas notas musicais. O que eu quero mais? Graça e paz.
Vem, vamos seguir em frente, como as águas de um rio, que jamais retrocede. Seguindo, deixaremos um pouquinho de nós no caminho, qual a água do rio, que encharca suas beiras, hidratando árvores e plantas rasteiras, dando vida enquanto se despede do seu lugar original, se lançando a imensidão do oceano, de igual modo, nos adrentaremos na imensidão do acaso, no porvir, onde tantos quantos foram, não retornaram para nos contar como estão, que a vida é intensa em lapsos temporais, momentos únicos que não voltam jamais. Portanto, vida = viver intensamente direção ao além.
