Poesias e poemas sobre Silêncio
Aprendi a sobreviver em terrenos áridos, onde o afeto era escasso e o silêncio, regra. Hoje, mesmo diante do amor, a leveza ainda me causa estranhamento, como se meu corpo tivesse desaprendido o descanso.
Existe um ponto da dor em que as palavras deixam de servir, e tudo o que resta é o silêncio contemplando as próprias ruínas.
A tristeza mais funda não faz alarde, ela se senta ao lado da alma e a convence de que o silêncio também é um idioma.
O silêncio nunca foi vazio, ele apenas aprendeu a esconder tudo aquilo que as palavras seriam pequenas demais para carregar.
Envelhecer talvez seja assistir, em silêncio, ao desaparecimento gradual de todas as pessoas que um dia fizeram do mundo um lugar reconhecível.
O tempo apenas consome o ego que fazia daquela pergunta uma questão de vida ou morte. O silêncio do tempo não é esquecimento, é desapego forçado.
Cheguei à fase da vida em que o silêncio vale mais que o desgaste, e a paz pesa mais que qualquer recomeço. Já me doei demais... Hoje, aprendi a me poupar.
No Alentejo a planície estende-se e
dissolve-se em silêncio: como um sonho que se recusa a terminar.
Acho que histeria é o nosso silêncio diante deste grande episódio de solidão em massa.
(Referente aos anos 2020/2021)
"O temor dos homens repousa no silêncio do fim, enquanto ignoram o fardo do agora. É um equívoco da alma temer a partida; pois, se a jornada da vida é tecida em tribulações, a morte nada mais é que o repouso onde toda dor se desfaz."
"O silêncio diante da injustiça não é prudência, é cumplicidade; calar-se frente a outra covardia é vestir a mesma armadura do opressor."
Às vezes, meu cérebro parece implorar por silêncio: meus olhos se perdem em algum ponto, o mundo fica distante e, por alguns instantes, tudo parece querer desaparecer ao redor. Mas eu me agarro ao pouco que ainda me mantém presente, como se precisasse lutar contra a vontade de me desligar, porque, mesmo exausta, ainda não quero me perder de mim.
Voto de pobreza, silêncio e obediência são escolhas. Pobreza, silêncio e obediência, imposições. Escolho me impor votando consciente!
Nesta madrugada, entre o brilho e o silêncio, equilibro a balança das escolhas. Cada passo no limite é um renascimento, uma medida entre o ser e o tempo. No contrapeso da vida, aprendo que o amanhecer é o lugar onde me torno mais leve, mais forte, e mais eu. A procura de repouso, a procura de paz, a procura de além. Quero encontrar o monte e subir, tocar no céu, ver do outro lado aquela vida. Na encruzilhada de escolhas, o vento sussurra um segredo, cada passo um compasso, na corda que me leva além. Entre a brisa e o silêncio, sigo, buscando o meu lugar, onde a paz se torna o meu lar.
