Poesias de Raul Seixas
Tem gente que passa a vida inteira travando a inútil luta com os galhos, sem saber que é lá no tronco que está o coringa do baralho.
No fundo do oceano existe um baú que guarda o segredo almejado desde a aurora dos tempos por gênios, sábios, alquimistas e conquistadores. Eu conheci esse baú num estranho ritual revelado a poucos. Hoje eu posso enfim revelar que essa busca de séculos foi em vão.
Arrumei a mala e deixei as perguntas na minha gaveta. Procurei saber o horário do próximo cometa. Me agarrei em sua cauda e fui morar em outro planeta...
Enquanto você se esforça pra ser um sujeito normal e fazer tudo igual... eu do meu lado aprendendo a ser louco, maluco total, na loucura real.
Olha o céu, ja não é o mesmo céu que voce conheceu...não é mais...vê oi que céu é um céu carregado e rajado suspenso no ar, vê é o sinal é o sinal das trombetas dos anjos e dos guardiões, oi la vem Deus, deslizando nos céus entre plumas de mil megatons oi, olha o mal, vem de braços e abraços com o bem num romance astral...amém.
"Perdido, dividido, dirigido, carcomido e iludido, tem nos olhos o cifrão. Disfarça na fumaça e acha graça, sem saber que a rua passa entre a massa e o caminhão."
"Formado, reformado, engomado, num sorriso fabricado pela escola da ilusão. Tem jeito de perfeito no defeito, sem ter feito com proveito, aproveita a ocasião."
Aprendi a amar a vida e dar a ela o seu real valor e é justamente por isso que não desistirei dela até meu último suspiro.
De picos e pedras É feito os caminhos da vida só resta cavar a vida toda pra remover sem sofrer a dor da vida.
Gente é tão louca e no entanto tem sempre razão. Quando consegue um dedo, já não serve mais, quer a mão. E o problema é tão fácil de perceber, é que gente nasceu pra querer.
Quando a pandemia passar, se der tudo certo vou ao show do Zeca pagodinho. Se der tudo errado vou ao show do Raul Seixas.
Em cinco minutos o jornal dizia o que Raul já anunciava que a gente já era. Que a estrada é comprida e tem sempre um chato querendo mudar minha via. Depois num trem a beleza partia e eu na estação a ver fumaça enquanto sumia.
Era uma vez, um dia em que as pessoas pararam, o mundo parou, todos se uniram, muitos se doaram, aqueles que mais lhe eram negados foram enfim recompensados, a aparente humanidade foi surpreendida por aquilo que seria estratégico, pois lhe foi um dia negado por amor. Foi um tempo, em que a tal paridade parecia por fim existir. Em que a paz de espírito salvou muita gente. Era tudo muito diferente, parecia bom. A natureza se recuperava, os pássaros e borboletas voltavam a brilhar, o céu era a única e mais bela estrela, e todos olhavam enfim para ele.
