Poesias de Pedro Bandeira Mariana

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Aos onze anos, todo mundo sabe como consertar o mundo. Aos setenta, você olha para trás e vê que não conseguiu consertar nem mesmo o menor dos seus próprios defeitos.

Derrubar um governo tirânico com a ajuda militar é bom, derrubá-lo pela via parlamentar é melhor, derrubá-lo pela pura iniciativa popular é a perfeição da democracia.

A perfeição é atingida não quando não há mais nada a acrescentar, mas quando não há mais nada para tirar.

Quer ser feliz? Observe as crianças. Elas não lamentam o passado e não se preocupam com o futuro. Elas simplesmente aproveitam o presente com tudo que ele oferece. Se dói, choram. Se é bom, distribuem gargalhadas contagiantes. Simples assim. Liberam seus sentimentos e vivem.

Quanto ao amor por outra pessoa, sou radical: ou é tudo ou é nada, não aceito migalhas. Ninguém merece ser amado pela metade...

Quando veres dois burros debatendo, interfira imediatamente, quando veres dois psicopatas debatendo, afaste-se já.

Uma noite com álcool deixa um clima filosófico, atrevido, e pouco a pouco vai se transformando num punhado de histórias pra ficar matutando em memória.

A história de amor mais inocente começa com um olhar, passa ao sorriso, chega ao aperto de mãos às escondidas e acaba com um beijo e um sim.

Há tanto casal errado e portanto tanta infelicidade no mundo porque pais avarentos ou burros combinam antes bens que caracteres.

Quem ler e entender o Evangelho em Espírito e Verdade, encontrará nele Deus e o céu, os Anjos e o próprio paraíso, tudo a nos esperar, aguardando que façamos a nossa parte, para recebermos o prêmio da felicidade.

As crianças ricas brincam nos jardins com seus brinquedos prediletos. E as crianças pobres acompanham as mães a pedirem esmolas pelas ruas. Que desigualdades tragicas e que brincadeira do destino.

O analfabeto funcional lê todas as sentenças em sentido absoluto, material e chapado, como se fossem juízos atomísticos num manual de química. É insensível às nuances, imprecisões e ambigüidades que tornam possível a linguagem literária. Objeções levantadas por um analfabeto funcional são irrespondíveis, pois versam sobre objetos da sua própria invenção, alheios àquilo que ele imagina questionar.

Há duas maneiras de abrir a cabeça de uma pessoa: ler um bom livro ou usar um machado. Recomendo o de Assis.

Só os covardes e os preguiçosos não sabem suportar o mal nem recuperar o bem. Limitam-se a desejá-lo e a energia de sua pretensão lhes é tirada por sua própria covardia

"A mais extrema burrice é a sensação de inteligência: a incapacidade de suspeitar que o interlocutor talvez saiba algo que você não sabe."

O critério infalível para identificar um idiota é que ele fala da espécie humana com ares de superior desprezo olímpico.

Ela teve uma vida solitária, mas se esforçou ao máximo para viver. Sempre com um sorriso, determinada a ser feliz.

Um homem não há de gostar de uma mulher que não pode passar sem ler. E que levanta para escrever. E que deita com lápis e papel debaixo do travesseiro. Por isso é que eu prefiro viver só para o meu ideal.

Carolina Maria de Jesus
Quarto de despejo: diário de uma favelada. São Paulo: Ática, 2014.

Homens pensam que qualquer coisa que saia da boca da mulher é um problema para ser resolvido. Não entendem que gostamos de conversar sobre o assunto, trocar umas ideias e esquecer. Os homens preferem ação.

A crise nada mais é do que um mal do crescimento por meio do qual se exprime em nós, como no trabalho de parto, a lei misteriosa que da mais humilde química à mais elevada síntese do Espírito, faz com que todo o processo rumo a uma unidade maior se traduza e se transmita, a cada vez, em termos de trabalho e de esforço.