Poesias de Gregorio de Matos Guerra
Tempo nublado
Sonho dourado
Frio gemido.
Corpo cansado
Olho o passado
Fico perdido.
Foi tudo ligeiro
No tempo de um raio
Perco o sentido.
Gene Hackman
Ninguém bateu à sua porta
Sua amada, jaz morta,
Não presenciou sua aflição.
Era um retrato que respirava
Sua vida se desfiava
Sem Câmera, sem Óscar, sem Direção.
Tudo é tão insignificante ante a morte. E
não importa se vivemos por alguns minutos, ou por mais de cem anos.
Dizem que somos frutos da paixão de duas pessoas.
Mas o meu caso é diferente:
sou fruto de duas pessoas
que nem sequer sabiam o significado de tal palavra.
Cresci sem o privilégio do silêncio;
dormia ao som de gritos
e acordava ao som de prantos.
A frase “eu te amo” era dita com sarcasmo,
e os beijos eram apenas forçados.
Meu caso complicado
Você não sabe, mas eu quero descobrir por que você me atrai, por que meu coração dispara ao ver você, eu quero saber que gosto você tem, quero suas mãos tocando meu corpo, quero ver você revirar os olhos enquanto minha boca te leva a loucura, quero olhar no fundo dos seus olhos e enxergar sua alma, quero saber qual é o mistério que você oculta que as pessoas não veem, quero me perder ao beijar sua boca, quero suas mãos puxando meu cabelo, quero seu corpo colado ao meu, eu não quero ficar nesse chove e não molha, eu quero mesmo é que a gente se misture e pegue muito fogo!
Meu caso complicado
Já tinha muito tempo que eu não sentia borboletas no estômago, mas bastou o meu olhar cruzar com o dele para eu sentir essa sensação novamente, ele é tão alto que eu tenho que olhar para cima para poder falar com ele, o cabelo dele é lindo, a boca dele é um pecado que eu não teria medo algum de cometer, eu imagino as mãos dele percorrendo meu corpo, tento ocupar minha mente sempre que lembro dele, mas quando eu percebo, já estou imaginando todas as loucuras possíveis que eu poderia fazer, ele é um cara complicado, me lembra muito um quebra-cabeça da noite estrelada de Vincent Van Gogh de 500 peças que eu comprei e ainda não consegui montar, o olhar dele é profundo e marcante, eu não consigo entender por que ele me afeta dessa forma, ninguém me interessa, mas ele, ele não, me faz sentir um misto de emoções, ele me deixa nervosa, me faz não saber o que falar, ele é tão confiante, eu adoro como ele fala sem receio e sem medo, a forma como ele se expressa me cativa, mas ainda sim é um cara complicado, então eu sinto que preciso me afastar pois eu sei que se eu entrar no mundo dele eu vou me perder, mas admito que ele é irresistível e eu adoro me meter em problemas, e cá entre nós, ele é um problemão (duplo sentido).
Meu caso complicado
Admito que está sendo difícil te admirar de longe
A sua postura séria e seu olhar marcante
Fazem meu corpo pegar fogo, e ficar mais ofegante
Quando você olha para mim a adrenalina sobe
Não consigo entender por que você me causa esse efeito
Parece que você sabe como me fazer perder a postura
Sabe como me fazer te desejar
E fica me provocando com essa forma de me olhar.
Seres obsoletos
Cópias sem correção
Felizes alienados
Animais sem opinião.
Aceitação, calmaria
Singularidade padrão
Caricaturas deprimentes
Aves de arribação.
Liberdade é privação
Privação de desejos
Desvios de direção.
É conter os sentimentos
Não caber na tentação
Consolar o inconsolável
Reprimir a repressão.
Todo esforço
Toda superação,
Nada mais é, que um alento,
Um prêmio de consolação.
Somos fadados ao fracasso
Vivemos por ilusão
Alimentamos o ego
Enquanto imploramos perdão.
Ao final a dor vai vencer
As lágrimas, testemunharão,
E aquele esforço medonho
Valeu... mas foi tudo em vão.
O poeta se "desgarra" da vida
Foge dos seus sentimentos
Busca nas dores alheias
Respostas pra tantos lamentos.
O silêncio é a voz mais ouvida
Cala n'alma, a cavalgar no vento,
Resquícios de velhas lembranças
Já amareladas com o tempo.
E o vazio, se enche de saudade,
No Natal, essa dor é latente,
Quanto mais se acendem as luzes
Mais penumbra há dentro da gente.
É Mãe, é Vó é Bisa...
É tudo que tem valor
Se derrete em elogios
Desabrocha, vira flor.
Amor nenhum cabe nela,
Pois é ela o próprio amor.
Não sigo padrões de conduta
Repetir, limita e emburrece...
Viver, já é muito custoso
Liberdade, não rima com prece.
Esperamos por bônus
Recompensas celestiais...
Enquanto apenas morremos
Insignificantes mortais.
O que teremos, é a morte
Como prêmio no final...
Contente-se em morrer "bem"
Eis o teu bônus real.
Somos meros repetidores
sedentos e fragilizados
cópias de seres medíocres
corrompidos e idiotizados.
Somos legiões sem controle
nos chamam de "seguidores"
nesse curto palco da vida
nesse festival de horrores.
Tudo é efêmero
vida, desejos, pecados...
não há distinção, tudo acaba
com a mesma velocidade.
Aprendemos a sofrer tanto
com tanta intensidade,
que talvez seja por isso
que inventaram a saudade.
As mães nunca jogam enfeites de Natal fora.
Nem que seus filhos cresçam, ou vão embora,
elas sempre guardam numa velha caixa e esperam que voltem.
E mesmo que digam que eles jamais voltarão, e alguns não voltam, elas nunca jogam os enfeites de Natal fora. E elas sempre estão certas!
Quando chovia e era Natal
meu coração explodia...
Nos dias de chuva
a alegria era incontida.
E eu corria... e como corria.
A felicidade era tanta
que em mim não cabia.
E nas noites de Natal
mesmo quando não chovia,
eu era apenas uma criança
e era eu que chovia... e como chovia.
Quando a dor te faz companhia
Te perseguindo como um cão
Dia e noite, noite e dia
Parecendo assombração.
É um aviso da alma
Que caminha na contramão
Implorando uma atitude
Te puxando pela mão.
Refaz teus passos com calma
Constrói de novo teus planos
Renova os teus velhos sonhos
Abraça os teus desenganos.
