Poesias de Gregorio de Matos Guerra
Essa coisa de não mais ver
de não poder, ou de perder
ou dormir, pra esquecer...
A saudade gasta a gente
nos derrete lentamente
e nos queima, sem acender.
Tudo em volta é desalinho
a mente procura um cantinho
pra fugir, pra se esconder.
Mas nada parece curar
dormir, vai te fazer sonhar,
mudou a forma de sofrer.
Já soube o que é ser amado!
Nem estava preparado, mas soube.
E hoje, já não me sinto...
Não com a mesma intensidade,
Amor de verdade, um dia também acaba
Amor de verdade, tem prazo de validade.
Ah, essas podres almas ditas nobres
Que de nobre mesmo, não têm nada,
Usam as mesmas falas, debochadas,
E se repetem dando as mesmas gargalhadas..
O sofrimento nunca acaba
o mundo não tem perdão
a humanidade, foi um grande erro
somos a própria aberração.
O pecado não tem morada
Não tem forma, cheiro nem cor
O pecado foi inventado
Por quem tinha medo do amor.
O amigo verdadeiro não é aquele que se propõe enxugar nossas lágrimas, mas sim, aquele que não permite que caiamos em pranto.
Há momentos tão "seus",
que só cabe a você, agir...
aqueles que nem as divindades
ousariam interferir.
Somos repletos de planos
verdades e desenganos
acertos e contradições.
Somos a imperfeição inquieta
a mente fecunda e aberta
certezas e frustrações.
Somos o alvo e o arqueiro
os medos e os receios
a eterna e infinita procura,
Somos o mal, somos a cura.
É só isso...
Sem floreios
Sem duendes
Sem seres alado.
E só isso...
Um ir e vir
Um vir e partir
Um eterno esperar.
Uma imagem
Uma ficção
Uma crença
Um não.
É só isso.
Somos espectadores
Nem sempre privilegiados,
Espectadores da vida
E tudo que não é encenado.
Por vezes trocamos de lado
E viramos os diretores
Somos também malfeitores,
Quando as coisas dão errado.
O certo, o inquestionável,
É que não haverá outro ato
Nesse espetáculo da vida
Morre-se dentro do teatro.
A casa de nossos Avós,
ou a casa de nossos Pais,
sem eles perdem o encanto,
nem deviam existir mais.
Lá, morre-se todos os dias,
sem um minuto de paz.
A saudade, é mesmo essa busca insana, quase desesperada, de encontrar no presente o que ficou perdido na estrada.
Sildácio Matos
Não possuímos nada...
não somos donos de nada...
nem somos nada, também.
Só há uma posse possível,
a de ser dono, pra sempre,
do coração de alguém.
Essa perfeição que exalas
que invade as casas e as salas
os bairros e os quarteirões.
Denunciam uma alma abalada
da verdade, desgarrada,
presa no próprio porão.
Tua vida não é um teatro
não és perfeita, de fato...
quebra as grades de tua prisão.
Natal: sorriso, abundância...
eram as guloseimas
que adoçavam nossas almas
e enchia-nos de esperança.
Aí, crescemos
e nos damos conta,
quão felizes fomos
naquela dança!
Mas o mundo avança
ficamos velhos
e a fé balança.
A dor não cansa,
nos roubam a dança
a inocência
e a tolerância.
Aperta a alma
maltrata, espanca...
A saudade é tanta,
que nos perguntamos:
por que fui criança?
Uma hora não terá mais nada:
Nada a procurar
Nada a antever
Nada a recordar
Nada a desdenhar
Nada a reclamar
Nada a contradizer.
Nada a soluçar
Nada a reviver
Nada a lamentar
Nada a arrepender
Nada a justificar.
Nada a esconder
Nada a mostrar
Nada a desfazer
Nada a reconciliar
Nada a proceder
Nada a compadecer
Nada a perpetuar
Nada a punir
Nada a redimir
Nada a morrer.
Nada a conceber
Nada a dizer
Nada a chorar.
Não são os segundos
Minutos, nem a última hora,
Que ditam o que fomos
Ou o que somos, agora.
É esse exato momento
Esse instante
Que nos deve encantar.
Enigma a se decifrar?
Seremos sempre seu refém
Quer estejamos mal
Quer estejamos bem.
O tempo afasta
Gasta, amofina.
A morte afasta
Nefasta, cretina.
A felicidade afasta
Outrora, menina.
É, meu amigo, tudo passa, tudo passa!
Enquanto os bons sofrem e choram,
Os maus comemoram, e acham graça.
Somos nós, os criadores...
Das alegrias, das dores
Benesses e frustrações.
Somos luz na escuridão
A brisa, a calmaria
A tormenta e a prisão.
Somos o punhal, a adaga
A flecha e a espada
A cicatriz, o perdão.
