Poesias de Gregorio de Matos Guerra
Seja um raio⚡:
Rápido, Brilhante, Forte, Admirável, S/limites e Sensato, quem faz por onde, chega até lá!
Talvez tenha o mundo razão por tais castigos
Fazendo desvanecer-se a lealdade n'aqueles amigos
Que apesar de confiadas tamanhas ideias
Por achar ser amizade verdadeira
Diante de minha cegueira
Me provoca esta dor passageira
Superar e esquecer, são coisas totalmente diferentes.
Ao superar algo, você evolui e segue em frente.
Ao esquecer, você está fadado a cometer os mesmo erros.
A vida tem o "dom" de nivelar...
Cedo ou tarde, seremos todos nivelados
Com a justa aceitação dos destemidos
Ou a resistência fugaz dos condenados.
Não são minhas tristezas que me matam,
nem minhas angustias ou frustrações.
Não são meus medos que me atormentam,
nem meus pecados ou contradições.
Mas a certeza da saudade que não tarda, inevitável ao coração.
E o observar dores alheias impotente, estático como um cão!
A culpa é sempre má companhia!
Nela, só se enxerga a noite, nunca há dia.
É irmã siamesa, que vicia,
contamina a alma e silencia.
É água que, por mais que se beba, nunca sacia!
Não comemoro frivolidades,
nem me deleito com elogios,
renego seres supérfluos, previsíveis...
cultivo a realidade sem floreios,
nela encontro algum sentido.
Sintonias improváveis
sem qualquer explicação
olhares que se visitam e falam
como um caos na escuridão.
Reencontro de almas nuas
que remetem à paixão
te arrastam sem piedade
sem remorso e sem razão.
E o enigma se instala
num sentimento pagão
perde-se a cor e a fala
bate asas, coração.
A mãe veio ao mundo
Pra fazer valer a pena...
Ensinar que uma dor grande
Pode se tornar pequena.
Que a vida vai aprontar
Que as quedas vão ocorrer,
As lágrimas, escorrerão...
Mas ela vai sempre estar lá
Grudadinha em você.
Sorrindo ao nosso lado
Para a gente perceber
Que embora ela chore por dentro
Vai sempre te defender.
Que o amor que ela entregou
Jamais vai cobrar de você,
Nem as dores que ela sentiu
Você irá conhecer.
Aí, aprendemos a decifrar os sorrisos
compreender melhor os olhares
interpretar os gestos e atitudes sutis,
tanto, que as palavras quase não importam.
As vezes a sanidade me foge
- a pouca que me restou -
e fico alheio, quase mudo...
como um cão faminto,
que revira o lixo e se alimenta,
apesar de tudo.
É sem o burburinho das multidões
E sem os olhares deslustrados da plateia,
Que o homem se descobre em solidão
Se reconstrói, se reinventa e se revela.
Somos as vítimas culpadas,
feras mal domesticadas
doutrina e doutrinador.
Somos a indiferença macabra
a curva, a encruzilhada...
o sorriso a insensatez o pavor.
A vida tem o "dom" de nivelar...
passar por cima das vaidades
igualar as discrepâncias
te sacudir, te ensinar.
A vida tem o "dom" de nivelar...
Cedo ou tarde, seremos todos nivelados
Com a justa aceitação dos destemidos
Ou a resistência fugaz dos desgraçados.
O que eu tenho a fazer é bem pouco,
logo, a vida não importa tanto...
Sei que fui riso e fui lágrima
Que deixei saudades nalgum canto.
A ilusão não mais me guia
a esperança morreu, como deveria,
como uma fogueira que se apagou
em noite extremamente fria.
Somos eternos prisioneiros
- vez em quando nos soltamos -
mas com dependência doentia
ao cárcere logo voltamos.
A poesia aponta caminhos
te livra da velha mesmice
privilegia o desapego...
Te leva a um novo universo,
extenso caminhar de sonhos
enigmas e desassossego.
Amar de fato
amar intensamente,
não tem a ver comigo ou com você...
Mais com o que o outro, vai fazer na gente.
É tudo o que se disse, sem abrir a boca
tem a ver com a forma que teu olho brilha,
com o sorriso, que só há pra ti...
Tem a ver com o abraço enquanto o outro dorme,
tem a ver com cheiro...
Tem um que de dor e de poesia,
tem aquela música que nem se conhecia
mas que hoje, só ela, tua alma acaricia.
É a tempestade, que não amedronta
é a solidão plantada em cada canto,
com a certeza ingrata, de ser colhida um dia...
É a lágrima solitária, que fugiu do pranto,
e se refugiou pra sempre, numa noite fria.
