Poesias de Gregorio de Matos Guerra
- Você é feliz?
- Essa é uma boa pergunta... Nunca me perguntei sobre isso.
- Por que?
- Não sei explicar... Como se faltasse algo em mim.
- Partiram seu coração?
-Também, mas o que mais dói é a falta de alguém que foi embora mesmo querendo ficar.
- Por que não ficou?
- Porque não era a hora dele, eu acho.
- As pessoas são estranhas não acha?
- Sim, mas é bom ser estranho, é ser e viver diferente dos outros.
-Não digo nesse sentido, mas, no sentido de permanecer... Por que que uma pessoa iria querer ir embora mesmo querendo ficar?
- Medo, insegurança ou não sentir do mesmo jeito que o outro.
-Mas... Deveria ter ficado, os sentimentos mesmos que sejam diferentes, podem fortalecer juntos, só basta querer.
-Você tem razão, talvez ele não quisesse ficar ao meu lado.
-Se ele não quis foi burro de mais, a senhora parece ser uma pessoa incrível.
- Queria ser essa pessoa, talvez só aparento ser, mas to quebrada por dentro.
-Então se reconstrua, não devemos nos prender ao passado.
Você estragou meu livro favorito,
aquele que eu resumia cada capítulo
para você.
Nem consigo abri-lo,
por saber que a post-it nele
destacado para você.
Eu odeio saber que cada verso que faço é para você,
mas o que me resta são esses versos,
de sentimentos e prazer.
São eles que me fazem lembrar de você.
Tirar as pessoas do seu passado dói,
dói mas ainda quando é você que sabe o motivo,
você fica feliz e ao mesmo tempo triste.
Te ver feliz me deixa feliz,
mas é um feliz tão triste.
Bem longe de mim, te quero ter.
Fases
Concentre-se no meu olhar
Será que você consegue me decifrar?
Algo diz-me que devo te esperar...
Não sei quem veio me falar
Mas a voz faz-se presente no meu pensar
Mais um dia querendo entender o além
Sabendo que não me contento com a conclusão de ninguém
Quero dormir em paz, não aguento ouvir sussurros cheios de desdém
Hoje, finalmente pude rir de verdade
Minha planta favorita sentiu solidariedade
Ela não quis ser regada com as minhas lágrimas, então me encantou com sua bondade:
Floresceu, entardeceu, morreu!
Nesse momento pude perceber como a vida é cheia de fases.
A caminhada te acolhe
Dizendo o horizonte à percorrer
O silêncio sauda
Combatendo o medo
No universo das incertezas
Uma pausa não é um luxo
Equilíbrio do corpo e mente
Uma escada, uma ponte
Vida de pensador e sonhador
Vitalidade e persistência
Para recomeçar de novo.
Quando morre o apego
Que pouco nos tem falado,
Nasce um novo sentimento
Sem amarras, e alado.
É a centelha da liberdade
A verdadeira riqueza
Um despertar de verdade
Um "choque" da natureza.
Um universo novo se mostra
Sem angústia, sem pressão...
O que te oprimia e cobrava
Não fala mais, ao coração.
Morreu tarde, o apego...
Não deixou nenhuma saudade
Pois onde foi sepultado
Nasceu um pê, de liberdade.
Quando tudo fica desorganizado por dentro, eu quero apenas ficar em silêncio.
Até que tudo esteja organizado novamente.
Eu não sei o que esperas
O seu silêncio me tortura
A brisa do mar veio me acalmar
Ela disse pra eu não me magoar
Mas esse conselho foi se atardar
Sinto que existe um mar entre ambos
Isso afoga às minhas esperanças
Mais uma vez me encontro à deriva
Boiando num oceano de dúvidas e feridas
Deveria ser pecado amar-te
Não quero ter que renascer para entender
Que eu não fui feito pra você
Prometo consertar esse meu desencontro
Resolver os meus confrontos
Mas não agora
Vou embora
Na dúvida
Se vou
Sobre
viver
A lua e sua misericordiosa aurora:
Enquanto desliza pela minha garganta o último gole de espumante,
Inclino para trás a cabeça e vejo a lua piscar não mais tão pujante.
Minha visão está turva, a obra já não me parece mais tão nítida
Seria o pecado culpado de nossa cegueira tão explícita?
Quando passamos a negar o transcendental e alegrar-se no vulgar trivial,
A lua deixa de pulsar o brilho através de ti, e torna a apagar-lhe com o mau.
Sendo a sombra do homem sempre maior que ele próprio,
Raro será quando este recorrer à lua por uma parcela de seu piedoso clarão visório.
A agonia do enigma
O novo diabo do século se mistura, mas não deixa ser visto;
Exerce controle mundial, mas não tem um cargo definido;
Provoca sintomas de angústia profunda, mas o remédio é o veneno e a cura uma incógnita para todos;
Ele turva olhos justos e os lança no calabouço das incertezas;
Silencia bocas corajosas e realça palavras vazias e infelizes;
Faz facínoras lançar pânico ao vento por regalias sociais e políticas;
Seus meios demoníacos uniformizam personalidades e descarta exclusividades;
O novo diabo do século cria e educa seus próprios filhos, e à ti continua não familiar?
Em Busca
Eu não sei como dizer
Eu não sei pra onde correr
E essa saudade vai doer...
Mas não vou me esquecer:
Do amor que sinto por ti
Do quanto eu fui feliz
De tudo que você me fez
De tudo que eu não fiz
Mas eu irei de prosseguir
Pra onde Deus me guiar
Pra onde o vento me levar
Prometo não desistir
Sei que não sou um bom guri
Mas não sou de menti
Sentirei falta dessa terra Santa
Da chuva diária, da nuvem nublada
De mainha gritando: não se atrasa
Das mangueiras e praças
Dos meus portos seguros, de onde tanto tirei forças para não desistir
Mas aqui sigo
Olhando para trás
Com o coração em busca de paz
Na esperança de um dia
Rever minhas amadas
Beijando-a pelas docas e sendo abraço pelo vento do rio, perante o Mangal das Garças
Nas Estações que permitam declarar-me diante do pôr-do-sol da praia
Firmando que o nosso amor não a de desencarnar.
Ele está vencendo-me
Meus olhos perduram a derramar lágrimas por quem não as merece
A imagem do meu corpo sem vida no chão não livra minha mente, apenas a obscurece
A fantasia sombria cobre minha pele de calafrios, temo que seja uma premonição da minha vindoura realidade
Mas me deste tantos dons a oferece-los... Eu ainda teria após isso legitimidade?
Ó Pai, sabes que um abraço seu significaria à mim, tal miserável, um ultimato à morte e avivamento do mais belo quadro...
Dessa forma, lembre-se de meu sorriso quando lançar-te insultos,
Afinal,
Meu amor imutável por ti não há de se transfazer imuto.
O sonho ilusório
Seu abraço sempre foi imperceptível e frio, ainda sim pude senti-lo em um sonho vívido...
No sonho, seus braços cobriram me de calafrios em um curto regozijo,
Transformando minha insuficiente ilusão em um momento de real fascínio.
Mas fora um sonho criminoso que após segundos de aurora roubou a de mim e destruiu me como num violento latrocínio.
No fim, talvez seja esta a definição de subir e descer do paraíso.
Minha esperança em vê-la só se aquietará quando do céu caírem as estrelas e tamanho brilho eternamente cessar,
pois,
acredito na lua e em suas providências de um dia novamente nos aproximar.
Mas temo que seja apenas um delírio, ou tentativa de reviver algo que jamais ao menos fora recíproco
Pois tive de abrir meu coração e dele derramar o sangue que formou estes versos agoniantes descritos.
Lhe emprestei o que me mantém vivo, agora aguardo por ti para que me prove que não foi em vão meu sacrifício.
A anestesia do pecado
Inoculo debaixo de minha língua o veneno torpe
Sinto meu coração se fartar com anestesia, enquanto minha alma se dissipa da presença divina
Ora, entendo que sua silhueta não deve ser confundida com a do pecado
Mas sem atender á meus ídolos de pó, meu nome na sepultura já estaria prostrado
Meus dias andam inférteis como o vale da morte
Quando a esperança parece alcançar-me, estremecido, o Diabo e sua fúria vem a galope
É como se tivesse com seus próprios punhos, ó senhor, desfigurado minha face
E ao cobrir meu rosto com um véu, acusasse me de vaidade
Mas murmuro como filho, membro da noiva que aguarda por seu eminente resgate.
Vencido outra vez pelo anjo, o veneno inoculado retorna a escorrer pelos meus lábios
O vórtex do pecado, no fim, tarda minha percepção do dano por mim mesmo causado.
À todas as mães
Como são belas
todas as mães,
com suas mãos que afagam,
por todo o amor
e todo carinho.
Se sou passarinho,
voei de tuas belas mãos,
minha velha mãezinha,
e és o meu pouso
seguro e tranquilo
de volta ao ninho.
Como são belas
tuas mãos enrugadas,
minha velha mãezinha,
pois nelas há um mapa,
para cada etapa
dos meus caminhos.
Osman Matos
Seja um raio⚡:
Rápido, Brilhante, Forte, Admirável, S/limites e Sensato, quem faz por onde, chega até lá!
Talvez tenha o mundo razão por tais castigos
Fazendo desvanecer-se a lealdade n'aqueles amigos
Que apesar de confiadas tamanhas ideias
Por achar ser amizade verdadeira
Diante de minha cegueira
Me provoca esta dor passageira
A dificuldade de uma confiança,
oprime a felicidade,
agoniza nossa alma,
oprime nossas mentes,
nos submete a infelicidade.
O passado é o culpado,
as nossas inseguranças,
os nossos bloqueios.
Amar...
Nos liberta da culpa,
da desconfiança.
Mas, amar...
Nos trás riscos,
é como um oceano revoltado
se você se debater de mais, morrerá.
Mas se ter a calma, viverá.
Amar não mata,
mata quem se deixa morrer.
Me pegaria encostada em seu peito,
ouvindo até seu ultimo batimento.
Me perderia em cada sorriso seu,
aonde encontro á paz.
Me manteria em seu abraço,
onde me sinto segura.
Não soltaria sua mão,
nem nos lugares mais movimentados.
Atravessaria a rua,
só para esbarrar em você.
Te prenderia a mim,
para não perde-lo de vista.
