Poesias de Gregorio de Matos Guerra
Todos os dias, temos que levantar nosso corpo em direção ao céu. Eretos, vamos caminhando em direção ao horizonte dos nossos desejos, garimpando as possibilidades e enfrentando os obstáculos com velocidade e destreza. Caímos, mas, novamente, devemos nos erguer.
As novas tecnologias digitais intensificam as exposições, fragilizando identidades e aumentando a infelicidade devido à comparação constante, à pressão por uma imagem idealizada e à busca de validação externa.
A internet não dissipou distâncias; em vez disso, criou guetos virtuais onde indivíduos se isolam em comunidades fechadas, limitando a troca de diferentes perspectivas e perpetuando bolhas de concordâncias.
A reverência como virtude está perdendo espaço na sociedade contemporânea, em detrimento da ênfase na fluidez das relações interpessoais, na busca pelo sucesso individual e na desvalorização dos valores tradicionais como humildade, respeito e admiração.
Concentrar-se no presente ajuda a reduzir a ansiedade ao direcionar a atenção para o momento atual, aliviando preocupações com o futuro ou remorsos do passado.
Os seres humanos têm uma baixa tolerância à indiferença devido à sensação de exclusão, rejeição e desvalorização que isso provoca, resultando em desconforto emocional.
Uma vida longa acarreta passar por perdas ao longo do caminho, refletindo a complexidade e os desafios da experiência humana.
A ambição busca melhoria e crescimento, enquanto a ganância busca apenas acumular recursos para si, levando à corrupção ética.
Às vezes, usamos a falta de tempo como um pretexto para encobrir a pouca importância que atribuímos a alguém em nossas relações interpessoais.
Viver plenamente implica experimentar todas as emoções, inclusive o desespero diante de perdas ou fracassos. O ideal de felicidade que evita o sofrimento é desastroso.
A depressão é o grande desafio do nosso tempo, pois a falta de interesse pelo mundo e pelas pessoas é uma das piores experiências que podemos enfrentar.
O status na era das redes sociais está associado à felicidade, uma tendência que já estava presente nos quadros de retratos na estante, mostrando férias felizes e sorrisos constantes.
A aparência de felicidade é mais valorizada que a felicidade genuína, especialmente nas redes sociais, onde ser feliz é visto como um símbolo de status, incentivando a falsificação da imagem e autoimagem.
Vivemos em constante conflito entre estabilidade e liberdade, desejos divididos sem solução definida.
A vida não é mais vista como uma progressão no tempo, mas sim como uma série de eventos, fragmentados ao longo da existência.
A tristeza pode ser transformadora, mas a depressão paralisa, fazendo-nos sentir um misto de medo da vida e da morte.
Na depressão, o passado se torna distorcido, o presente é preenchido por vazio e desespero, e o futuro parece sombrio, sem esperança.
Com a fragilização dos valores e das instituições que nos sustentavam, os indivíduos na sociedade pós-moderna enfrentam maior suscetibilidade ao vazio, tédio, descaminho, incertezas, tristeza e depressão.
Na sociedade pós-moderna, a pressão constante para se tornar um empreendedor de si mesmo gera uma cultura de busca incessante por sucesso e felicidade, promovendo uma visão extremamente individualista e egoísta.
