Poesias de Dor
E se duas pessoas sem vontade de continuar a viver encontrarem-se na beira de um precipício e, em vez de saltar, derem as mãos e caminharem na direção oposta à dor?
Todas as formas que eu sinto sua falta é confusa. Era o primeiro sorriso depois de um dia cheio, era o primeiro desabafo depois de uma lágrima escorrida pela face, era a primeira ligação do dia, a última da noite, e pela madrugada com voz de sono e exaustão era o único consolo, era o colo distante, era o abraço sincero, era o beijo que preenchia, as vezes te culpo, mas também sempre tive a minha parcela por isso ter escapado e saído do controle, por duas vezes, duas vezes acreditei em mudanças, mas te via a cada minuto se afundando mais, seus amigos e os bares são testemunhas disso. Por inúmeras vezes eu chamei, eu até gritei, eu escrevi, eu liguei, eu pedi, te livrei... mas você nunca quis ouvir, você não dava a mínima porque como você mesmo disse “eu não te amo e foi isso que eu tentei chamar, gritar, escrever, ligar, pedir e livrar o mundo”, apenas eu não queria acreditar apenas eu sabia e não queria que fosse real. Eu pedi tanto isso para de vez te deixar ir, só não calculei que seria tão dolorido ouvir.
A morte só doeria por um momento, o que não era tão ruim quando se considerava o quanto e por quanto tempo a vida doía.
Minha mãe me ensinou que a coisa mais nobre a se fazer era encontrar uma necessidade e atendê-la. Encontrar uma dor e curá-la.
Tudo na vida é um grande ciclo. Assim como a felicidade não dura para sempre, a tristeza também não, embora seja fácil esquecer isso. A dor tende a aparentar não ter fim, mas isso não muda o fato de ela ser, sim, finita. E depois de uma longa tempestade os raios de sol brilham com o dobro de intensidade.
Positividade é uma coisa difícil de se ter e manter. Tem dias que a gente só quer ficar em silêncio, olhando pro teto, sentindo nada.
Julgar é fácil, difícil mesmo é interpretar um sorriso, desvendar um olhar, reconhecer um grito de socorro, mesmo que diante do mais estarrecedor silêncio.
Parece que estou num círculo vicioso. Acho que não aprendi a lição e por isso vida insiste em respetir a mesma prova.
Atualmente, estamos desconectados com a natureza, perdemos o contato com a nossa origem. O resultado do nosso afastamento é a dor e o sofrimento.
Se você se desvencilhasse de todas as suas correntes, se destruísse com os muros de seu castelo de areia, se o brilho de seus olhos não fossem ofuscados pela neblina de sua mente, se o amar fosse a sua inspiração. Quão mais alegre nossos corações seriam. - Ginger
"A distância que as tuas escolhas fizeram separar nossos corpos, une cada vez mais os nosso espíritos e seu amor avassalador - inseparável!"
Memórias são o auge da poesia apenas quando são lembranças de felicidade. Quando roçam em feridas sobre as quais cicatrizes se formaram, elas se tornam uma aflição dolorosa.
Nós também somos feitos de espaços em branco. Nosso corpo não é uma massa densa. É preciso lembrar disso. Há centenas de cavidades, buracos, esconderijos, zonas mortas, terrenos baldios. A medicina nunca procurou curar a dor dilacerante nesses não lugares da massa corpórea. As drogas não agem no vazio. Eu sinto profundamente cada um desses espaços. São abismos internos. É preciso cuidado para não se perder.
A experiencia de um trauma se expressa através de sintomas que desembocam no psicossoma para manifestar suas memórias dolorosas e mal elaboradas mediante a exteriorização de uma doença psicossomática que foi eliciada por uma vivência traumática.
Se guardares mágoas para ti, ela te perturbará com tumores. Se falares demais sobre a escuridão, ela te amaldiçoará com dores.
De mágoa em mágoa, cavastes um profundo poço e dele, não pretendes sair, pois estás acostumado com a lama, o frio e a má postura de alguém sozinho, trancafiado em seu mundo de dor, sim, mas conhecido.
Somente aqueles que são verdadeiramente livres, não se agarram nas dores das decepções ou perdas para justificarem suas escolhas ou existência.
A chuva cai lá fora, mas aqui dentro também chove. Minhas lágrimas, caem ao ritmo das gotas da chuva, as trovoadas pesam a cada instante o que se assemelha ao meu peito carregado de dor. Se não fosse tão doloroso seria belo a um texto qualquer. Sinto que estou perdendo o ar aos poucos, ao mesmo tempo o vento se torna forte. Parece que esse tormento nunca vai acabar, nem aqui e nem lá fora.
Nós só podemos lutar para esquecer nossas dores e nossos sofrimentos, para superá-los, mas nunca vingá-los. Agarrar-nos a esperança, por menor que seja, e, entretanto, de vez em quando, só de vez em quando, tentar voltar a se sentir como uma mulher.
