Poesias de Animais de Estimação
CONSCIÊNCIA
O ser humano quando se olha no espelho reconhece a sua imagem. O animal, um cachorro, por exemplo, se assusta quando se olha no espelho, supõe até que seja outro animal. O homem sabe o que vê no espelho, o animal não sabe. Eu diria que o homem é consciente e o animal é inconsciente.
Acredito que a consciência está em tudo que é manifestado, porém em níveis diferentes. Até uma rocha tem uma consciência latente, não manifestada.
No nosso plano de existência, o ser humano é o que tem a consciência em níveis mais elevados, pois sabe de sua existência como ser vivo, sabe das necessidades sociais, do meio em que vive, inclusive sabe que a Terra é sua morada.
Entretanto, nem sempre a consciência vem acompanhada de boas ações. Se assim fosse, inevitavelmente, o homem passaria a respeitar o meio ambiente e tudo que o envolve, e os criminosos não existiriam.
As distorções que ocorrem se devem aos níveis diferenciados de consciência, daí a razão de uma Madre Tereza de Calcutá, Mahatma Gandhi, Francisco de Assis, Irmã Dulce, bem com Adolfo Hitler e Jim Jones.
"Quanto mais elevado o nível de consciência maior é a percepção do mundo que nos rodeia, bem como de tudo que envolve o nosso ser. O propósito da vida é fazer-nos conscientes. A própria evolução da vida, em si mesma, é tornar-se cada vez mais consciente", dizia um grande sábio.
LEMBRANÇA
A casa era branca como a lã branca. Nos fundos: o cachorro rottweiler, as mangueiras, carambolas, forno a lenha, varais, ruínas do cantinho deleitoso da finada Narda e o chiqueiro. Centro de Mucurici. Os coqueiros-imperiais a chilrear um canto melindroso acompanhados dos sinos de Fátima compunham as auras interioranas.As solidões de pores alaranjados já enterneciam o poeta da família. A casa era branca como a branca neve. Na varanda: verde-mato. Vértices e colunas prestes a desgarrar da construção. Vez em quando, sentíamos a noite. Branco-breu, sem fundos, sem varada, sem mato. Mas havia a cadeira de balanço e nela vovó sentava-se.
Feche os olhos, trabalhador miserável.
Escritório é lugar de ensinado,
onde se viu cachorro comer em prato?
Aceite o salário, lhe ofereço um quarto.
Meu senhor, trabalhador também sonha,
casa própria e um bom salário,
minha família padece. Aceito o quarto,
o salário não cobriria aluguéis tão caros.
Está contratado! Começa hoje seu trabalho,
apronte-se, final do mês te pago.
Direitos trabalhistas, converse com o sindicato, se tiver disposto a ser afastado.
Entendi, chefe, serei adestrado.
Mês do pagamento.
Onde está o quarto?
Aqui está, um quarto do salário.
Hoje olhei pro meu cachorro
E se encaramos por 1minuto. Meus olhos encheram de lágrimas, Ao lembrar que um dia, eu e ele, Vamos morrer.
"Qual o sentido de abraçar uma árvore? Qual o sentido de conversar com um cachorro? Qual o sentido de admirar uma flor?
A resposta é a mesma para todas.
O sentido é a comunhão com a vida. Viver e conviver com o que nos cerca de forma harmoniosa é estabelecer o bem no mundo."
Eu faço dos meus sentimentos meu segredo
por que o mundo é igual um cachorro
ele pode sentir seu medo...
Sou a mão que acaricia o peito esquálido do cachorro
Enquanto ele me encara agradecendo o doce afago
Sou as mil borboletas presa no estômago teimando em avisar
Das mazelas que estão por vir e prefiro não acreditar
Sou o cabelo arrancando lágrimas doídas involuntárias
Pq cai em cascata na testa e nos meus olhos resolve fazer morada
Sou a vontade acima da vontade de me afogar no mar
Sou o canto da sereia embanando meus próprios sentidos
O cachorro late no portão
e tenta desesperadamente
passar algo além do focinho.
Ele quer sair
e mijar nos postes
com os outros cachorros.
Mas ninguém entende.
Ele pertence aos donos do portão.
Então ele grita.
Acham que ele é bravo.
Ele grita mais.
Acham que ele incomoda.
Aí jogam água
e além de puto ele sente frio.
Pensam em adestrar
no Método Ludovico
mas sabem que no fundo
ele será sempre o mesmo cachorro.
Então, numa certa noite,
cortam suas bolas.
E o cachorro não late mais.
Não quer mais gritar.
Não quer mais sair do portão.
Não quer mais ver os amigos
nem mijar nos postes.
Só quer ficar velho,
doente e acabar logo com isso.
Soa familiar?
Você deve ter visto algum cachorro desses
em algum espelho por aí
ou em qualquer reflexo de vitrine.
Pois é…
Agora o portão fica aberto
e o cachorro olha pra rua
sem vontade de sair
nem de latir.
Setembro 2010 – “O Diabo Sempre Vem Pra Mais Um Drink”
Enterrei mais coisas nessa vida
que um filhote de cachorro
Nesse cemitério deserto,
uma pausa para respirar.
Olho em volta,
um sem número de covas abertas,
muita lama e poças de chuva,
e nenhum guarda para me parar.
O fato, amigo, é que enterrei mais coisas nessa vida
que um filhote de cachorro.
Talvez por herança genética,
de velhos lobos hoje tão non sense,
mas ainda assim,
um filhote histérico,
bobo,
desesperado
e nem por isso inocente.
Respiro fundo.
Tomo um gole antes de recomeçar
e dou uma boa olhada em volta.
Sei que o que é morto deve ficar morto,
mas é preciso
quando enterramos errado,
sem partes,
ou varremos dormindo e não falecido
pra debaixo do tapete,
de bruços ou sem pontos finais,
sem lápides ou fortes trancas nos caixões.
E como em uma gincana de crianças
onde achar uma pista leva a outra,
cada cova que eu abro
me leva exaustivamente a uma diferente
que ainda preciso abrir.
A garoa fina desce pelo rosto,
tomo coragem,
ergo a pá com um brinde
e vou para a cova seguinte.
"-Mais uma rodada?",
o barman pergunta.
"-Espero que a última...",
respondo com os olhos.
Pois esse cemitério que carrego
precisa dar descanso
a esse coveiro cansado
de enterrar erros
e fraquezas
e desculpas
e pesos
e medos.
01/03/2017
Vida de cachorro vira-lata não é fácil.
Basta um pratinho de comida, um pouquinho de carinho e ele vai te seguindo, se torna até seu melhor amigo.
É tão forte, não existe doença que o derrube, um cercado que o segure e nem um cão bravo que o iniba.
Mas passa uma cadelinha no cio e cadê teu grande companheiro? Se perdeu no mundo!
Sem rumo, brigando, passando frio e fome.
Vida de cachorro vira-lata não é fácil.
Seja como um Leão na vida, agarre sua presa com objetivo de conquita-lá
Seja como um cachorro, um grande amigo
Seja como os pássaros, sabendo voar ao seu habitar
Seja como a girafa, ande sempre com a cabeça erguida.
Seja como um sapo, de sempre um pulo
Seja como os pintinhos, siga atrás da sua mãe que ela te ensinará o caminho a seguir
Mas não seja como uma cobra venenosa pois destruirá e afastará todos de vc
É que eu morro
Quem sabe uma casa no alto daquele morro, pode ser legal ter um cachorro. Pode ser legal sermos unidos, eternos amantes, eternos amigos. Pode ser legal olhar no olho, repetir que te escolho. Pode ser legal amar devagar, se aconchegar nesse lar, amar por amar. Pode ser legal viver as histórias, relembrar as memórias. Pode ser legal fazer nossas vidas, juntar as feridas. Pode ser legal, reparas essas feridas, com as noites bem dormidas, com os beijos de saída. Pode ser legal viver cada segundo, como se fosse o fim do mundo. Pode ser legal, as crianças rindo pela grama, brincar no fim de semana. Pode ser legal, rirmos de nós mesmos, como merecemos. Pode ser legal, um sorriso da visita, admirando nossa vida. Pode ser legal, receber os amigos, relembrar os antigos. Pode ser legal, ir na formatura da minha cria, gravar esse dia. Pode ser legal, vê-lo crescer, saber envelhecer. Pode ser legal, chegar minha hora, do lado da senhora. Pode ser legal, termos vivido, sem termos nos arrependido. Pode ser legal, beijar-te pela última vez, como beijei toda vez. Pode ser legal, dizer que vivi, amei, sofri, ri, mas te amei, como cada pingo acompanhando o i. Pode ser legal, viver naquele morro, pois ao teu lado que eu morro.
Selvagem dentre a matilia
Cachorro louco em noite de lua cheia
Uiva no cume da montanha
o líder canibal em meio a toca dos leões.
Palomita já não brinca com bonecas
agora guerreira armada com arco e flexas.
Porém sangue índio torna às raízes deixando as armas na aldeia.
O cachorro quente era sem verde e sem mostarda e o suco de abacaxi com hortelã.
Pela décima vez você trocou todos os detalhes e eu tentei te explicar que a mostarda é sim amarela, mas amarga o sabor do alimento. E que não é que eu não goste sem, mas a hortelã alivia um pouco o ácido do abacaxi.
A moça da lanchonete pergunta se quero trocar, e para poupar a pergunta:
- o lanche ou o namorado?
Rrespondo que pode deixar assim mesmo.
Até porque lá no fundo eu não troco o lanche para não dar mais trabalho e o namorado... Porque eu não troco mesmo?
Enquanto eu pensava no por que você me diz que eu sou fresca e ‘cheia de detalhes’. Nessas horas eu recordo Roberto Carlos e odeio os ‘detalhes tão pequenos de nós dois’. Odeio você por não se lembrar deles, me odeio pela minha mania insana de achar que você sempre vai se lembrar dos porquês, e odeio até a garçonete porque agora ela me olha com aquela cara de: “todo esse bico por causa de um maldito cachorro quente?” E essa é a pergunta que você me faz logo em seguida.
- Mas sabe Alfredinho não é o cachorro-quente, nem a mostarda, nem a hortelã. Não é essa droga de lanchonete que acaba com a minha dieta todo o final de semana. É você. São os detalhes. Os detalhes que você nunca percebe porque está ocupado demais pensando em si mesmo. Quer saber? Acho que vou trocar tudo!
De lanche, de casa, de namorado e de dedo se precisar... Para não errar mais de homem!
(texto: sem verde e sem mostarda/ autoria: Gabriela Noel)
Pronto!!!
Tirei a palavra você do meu dicionário...
fiz picadinho e dei pro meu cachorro comer
e ele... que não é nenhum tonto...
me disse que também não ia querer...
Em época de eleições é comum ver políticos até em
batizado de cachorro, não se assustem se os verem
chorando em enterro de gatos..
Feliz daquele que tem
crianças e cachorros
em sua vida!!!
Nota-se pela sensibilidade
no tratamento com as
pessoas as seu redor!!!
(Sueli E. Santo)
Vem... Vamos.
Chamou seu cachorro meio incrédulo da vida. Ao ajoelhar-se para acariciá-lo, sentiu o desconforto da cintura maior.
Queria outros ventos. Buscava uma vida sem rodeios e pessoas sem “nove horas”.
Estava farto de lirismo comedido, tanto quanto Bandeira.
E ao rasgar a foto em que usava gravata, talvez buscasse repetir Getúlio e entrar para a história ou, no fundo, no fundo mesmo, desejasse ser o Policarpo.
Contudo trocou de roupa.
Lustrou os sapatos. Abriu a geladeira, devorou meia fatia de melancia rapidamente.
Segurou com a mão direita o blusão no ombro esquerdo.
Uma última olhada no espelho.
- Outra pessoa - concluiu.
Nem percebeu a marca de patas no jeans.
Fechou a porta deixando a luz da sala ligada.
Não voltaria para apagá-la.
Com pequenos assovios chamou Serelepe:
- Vem... Vamos...
O amor dele é igual àquele cachorro carente que vai para os braços de qualquer pessoa, até que um idiota bate nele. Depois disso, o animal torna-se medroso, fugindo de tudo e de todos. Não quero isso para Felipe: um amor medroso. Não quero ser uma idiota maltratando seus sentimentos.
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[Invisível ao toque - Nat Bespaloff]
