Poesia Felicidade Fernando Pesso
Toda a poesia é
como uma Saicanga
nas linhas da correnteza
de um rio bravio
escrevendo com a sua
poligrafia silenciosa
sobre a vida e sendo
resistência pacífica
em nome daquilo
que a impele e acredita.
José Boiteux
Minha amada José Boiteux,
esta poesia é feita da tua
gente kaingang, guarani
xokleng e germânica,
E vem se erguendo
como plantação de fumo
nas tuas folhas,
florescendo na primavera
e balançando sinfônica
como árvores nas matas.
Nas tuas cachoeiras
conheço o meu rumo,
Cidade linda onde
o meu coração tem prumo
e por ti muitas histórias
da tua gente brasileira
com toda a paixão
e gentileza hei de escrever.
Extraordinária José Boiteux
no vai e vem das estradas,
não nego para que minh'alma
por ti vive encantada,
Em ti tenho o meu enleio
e o meu doce sossego;
Vivo por ti construindo
os meus planos que só aqui
seguirei vivendo com
o meu coração cantando por ti.
Timbó Poética
Do Médio Vale do Itajaí
tu abriga a poesia,
o endereço da Casa do Poeta,
a minha alegria de te ver
esbanjando cada melodia
e a gentileza de sempre
que que me dá força
fazendo com que surja
um poema novo todo o dia
que tu me leva pela mão
para passear por cada rima.
Tem a poesia própria
A exaustão do povo
Buscando uma solução.
Sem resposta insisto,
Continuo escrevendo
Para saber de você.
Tem a poesia própria
O mau líder que os alucina,
Estabelecida a tal covardia.
Sem notícias persisto,
Continuo escrevendo
Para saber aonde está você.
Tem a poesia retrógrada,
A eleição imposta,
Para mandar o sonho embora.
Quero saber
Se você está inteiro e vivo,
Pois já é passada a hora...
Você não imagina,
Não é fantasia,
A poesia é íntegra,
É cheia de motivação.
Real é a intenção
De converter
A tirania evidente
Em plácida libertação.
Virão mais poetas,
Porque a história
Nos pertence,
É secular a redenção.
Ao inocente os louros
da glória evidente,
Aos poetas a vitória
Na imensidão,
Ao povo o direito
de restituição.
Para desmistificar o amor
e o estado de amizade
que carregamos no peito
a poesia sentou praça:
para falar de quem
forage de si mesmo
e por ambição está
querendo ignorar
quem merece valor.
Pois neste mundo
que não há mais
tantas distâncias.
Quem se exime
de dar satisfação
de uma vida que
está em suas mãos,
não tem condição
de reger uma Nação,
E não pode nem um pouco
se queixar de rejeição.
Onde falta
a tolerância
é por onde
a poesia
deve caminhar,
Para despertar
a esperança
quando o teu
o coração
se cansar;
Que preces
por ti
não faltem,
Para que
contigo intacta
permaneça
a sabedoria,
Os meus versos
são canetas
bicos de pena
que escrevem
mil pedidos
de justiça
porque de ti
todos nós
queremos notícia.
Por vinte e quatro
primaveras,
A minha poesia
autoproclamada
porta-voz do amor,
que por notícias
está a espera,
Sabe que
ele suporta
as tempestades,
e vai além
de todas elas,
Porque o amor
é uma primavera
que não passa,
E quem disse
ter se fundido nele
espalhado pelas ruas,
Não pode concordar,
E tampouco se calar.
Do lado da história
assim é a poesia
ao reverberar que
tudo na vida é
repleto de circunstância
que nem sempre
representa os fatos,
por isso o recomendável
é se colocar no lugar
de cada um e sem
preferência de escolha.
Não tenho dificuldades
de viver o que preso,
e nem de dar razão
a quem quer que seja;
Não há mais como
'esconder' mesmo
com tanta ausência
de cartas sobre a mesa,
excesso de dedos
apontadose a justiça
que não tem sido feita.
Não aceito mesmo
estando na condição
de poesia estrangeira,
e preocupação sincera,
aberta e continental,
Pois onde se prende
uma tropa inteira
por notório ardil,
e todos se contentam
de maneira submissa,
Até a fé já nem
é mais derradeira.
Sempre onde houverem
presos políticos,
serei poema que não
cala e não deixa
jamais ninguém se calar.
Rodeio, a poesia dos arrozais
Moro no Brasil
e você não viu
que estou entre
os brotos sempre,
nas mãos dos
nossos colonos
e nas colheitas
eis-me igualmente.
Você não sabe
que sou toda
esta linda História
de amor indo
em frente há muito
tempo silente
e corajosamente.
Sendo quem sou,
eles me sendo e nós
a Deus agradecendo:
Assim somos Rodeio,
a poesia dos arrozais,
com tradição e paz.
Caxambu do Sul
Onde o perfume de melancia
não se apaga da memória,
A minha poesia tem memória
originária e italiana,
Caxambu do Sul és minha Pátria.
Onde os ventos do Oeste
assobiam a melodia da História,
O meu poema é tambor enorme,
Caxambu do Sul eu honro o teu nome.
Onde as músicas levantaram
lavouras, cuidaram de rebanhos
e alimentaram peixes
que até hoje alimentaram gerações,
Assim és cheia de amores e paixões.
Onde os ventos do Oeste melodiam
todos os meus caminhos levam
os meus versos que beijam cada um
que se deu e ergueu por esta cidade:
- Caxambu do Sul, te amo de verdade!
Chapecó Poética
Minha Chapecó Poética,
minha poesia caingangue
nada apaga esta herança
do teu heróico sangue.
Minha Chapecó Poética,
meu avistamento profundo
do caminho da roça
da onde me enredo
de amores por cada aurora.
Minha Chapecó Poética,
minha poesia crioula,
estância de paz concreta
e de honra duradoura.
Minha Chapecó Poética,
onde o Rio Uruguai trata
de ti com reverência,
ergueste em ti fortaleza
e cresceste com beleza.
Guaraciaba
Meu tesouro do Extremo Oeste
da Bela Santa Catarina
e rincão de paz e poesia.
Minha terra abençoada,
tu és em tupi-guarani
pelo Padre nomeada.
Meu Raio de Sol Poético,
tu és a minha Guaraciaba
e como destino a amada.
Minha terra de cinco rios
e afluentes que atraem
corações de fora e catarinenses.
Meu Santuário de Nossa
Senhora do Caravaggio
de braços abertos e acolhedores.
Minha Guaraciaba eterna,
que pela bravura da tua
gente pioneira foi erguida
és amor total desta minha vida.
Não apenas escrevo
frases para redes sociais,
Eu sou poetisa que
escreve poesia contemporânea
para quem sente demais,
e não quer fazer da vida
um tanto fez ou tanto faz.
Não escrevo poesia
para me mostrar,
Caminho com a certeza
que vamos todos
chegar no mesmo lugar.
Fui bem criada e seria
até pecado lamentar,
e eu conheço bem
na vida o meu lugar.
Sou convictamente
a poetisa dos invisíveis
que pelas mãos do Universo
continua a se guiar
e continua a acreditar.
O videopoema é o vídeo convencional de alguém declamando um poema ou poesia.
Entende-se por poema o corpo que é o texto e poesia que é a alma colocada no texto que leva a marca individual do poeta.
A videopoesia pode levar o texto declamado, escrito ou não levar palavra nenhuma.
Uma videopoesia ou videopoema pode se explorada a possibilidade
de se explorar a fotopoesia/fotopoema, pintura, escultura, escrita poligráfica colagem ou aquilo que a sua criatividade te permitir.
Videopoema, videopoesia, poesia visual, poema visual, fotopoema, fotopoesia são conceitos que variam de olhar para olhar de cada poeta ou artista, ou seja, aquilo que você se inspirou pode ser conceituado conforme o seu olhar.
Balneário Barra do Sul
Balneário Barra do Sul,
relicário da minha poesia,
a tua mata Atlântica
e todos os teus sinais
ainda me mantém viva.
Balneário Barra do Sul,
relicário da minha vida,
as tuas restingas, dunas, lagoa
e as ilhas dos Remédios,
Feia, Araras, Instriptinga e Islobo,
todas vivem nas minhas veias.
Balneário Barra do Sul,
relicário dileto meu,
o Canal do Linguado
leva o signo deste poemário
que é barco de pescador.
Balneário Barra do Sul,
relicário e taça festiva,
da descascadeira de camarão
da Festa da Tainha
feita de sabor, poesia e da tua
cultura portuguesa e indígena.
Balneário Barra do Sul,
relicário do Norte Catarinense,
do Linguado poético, da Conquista profética, do Pinheiros acolhedor,
da Costeira charmosa,
do Centro amoroso,
da Boca da Barra lendária
e da Salinas profunda,
és o meu Santuário de amor.
A Pátria não é minha,
mas dela sou a vizinha,
A tropa não é minha,
dela tenho sido a poesia,
A História não é minha,
mas a memória sou
a zeladoria para que
não se fale deles
nenhuma covardia.
Dói o meu tornozelo,
e eu não posso voar,
Bem que eu gostaria,
creio que a poesia
vem cumprindo
melhor a mística
missão de reclamar.
Ali estão detidos
13 membros
Da Aviação Militar,
é de desesperar;
Não se tem nem
ideia quando este
pesadelo irá acabar.
Não sei do General,
notícias dele não há,
Não sei nem se ele
está sendo tratado
bem o suficiente
para melhorar.
Comandante, eu te peço,
que me traga a tropa
e o General com vida
em nome da poesia reunida.
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O General está preso inocente
E outros companheiros de armas,
Nunca houve nada mais incoerente.
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O General e a tropa são os tais
prisioneiros das cinco letras,
E eu apenas escrevo poemas.
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O General está abatido fisicamente,
A tropa está igualmente enfraquecida,
E eu entristecida sou a que faz poesia.
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Não nasci ontem há gente
para tudo nesta vida,
Gente para brincar de usar
a imagem do General
de forma subjetiva.
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Canto contra a vontade do poder
todo o dia bem baixinho a história
de um povo, do General e da tropa.
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Discordar não é traição à Pátria,
152 militares presos nada,
Saber disso tem me deixado consternada.
