Poesia Felicidade Fernando Pesso
A minh'alma feminina se esconde
nas rendas e nos versos:
respira, sente e escreve a poesia,
que brota da alma florida.
Não resisto ao amor à moda antiga
Sou uma doce cantiga,
que só com a gentileza combina.
Por mais que venham as nuvens da rebeldia,
não consigo mantê-las para sempre.
Intimista subverto a escuridão em clarão,
e semeio as rosas sem espinhos pelo chão.
Sei de mim e sei de você,
o tempo tem o seu próprio tempo
de fazer brotar a paixão.
Nos perscruto, nos escuto e nos perpasso
a fim de percorrer contigo todos os nossos
- espaços. -
Vou te adorando solenemente a cada passo
- estou nos namorando -
e com a minha poesia te envolvendo
em meus carinhos, beijinhos e abraços...
Tenho por nós o zelo extremo
como a chuva que rega terra
para que a semente brote;
desejando que o amor e a paixão nunca nos falte.
E o sonho infindo de juntos nos banharmos
nessa doçura de dois conduzindo-nos
rumo ao apogeu do amor,
e que nenhum pouco refeitos nunca nos
faremos satisfeitos de nós dois;
E as frações de segundo são e sempre hão de ser
a fiel e teimosa expressão da eternidade.
Melhor do que escrever poesia,
Tu bem sabes como fazê-la;
Adorei a tua grata surpresa!
Ontem, invadiste-me o corpo,
E inundaste o meu coração,
Não é exagero escrever,
Que você sabe como instigar
A minha poética inspiração.
O coração vibrou de euforia,
E o meu corpo de excitação,
Quero você compulsivo,
E vibrando com a nossa paixão,
As tuas saudades são como as minhas;
Estás inteiro em meus versos,
Poemas e tens invadindo-me
Com a tua magia.
Recolhida fiquei imaginando
O nosso encontro de regaços,
Nossos suspiros e a nossa intensa
Sinestesia - uma primorosa vinha.
Quero a tua ternura bem fogosa,
Estendida bem entregue à minha;
E por fim, pertinho de você
E bem abraçadinha,
Bem carinhosinha - e muito levadinha...
A poesia te busca na escuridão,
Estou no exílio, e só na imensidão;
Sem a tua companhia o ar é solidão,
Vivo procurando por tua atenção,
Um pedaço teu é do meu coração.
O coração erradio busca pelo teu colo,
Está na hora das nossas destrezas,
Desfrutaremos de todas as sutilezas,
Estrearemos o nosso espetáculo íntimo,
Com uso e fruição de todas as belezas.
A aventura que busco é a alegria
Renovada a todo instante e a dose
Equilibrada entre elegâncias
E as boas safadezas
- nossas -
Poéticas indecências,
Nirvanizaremos as nossas malemolências.
A abóbada celeste incita que eu escreva
Daqui do exílio tudo isso e mais um pouco:
Ela tem um pouco dos olhos do tripulante
Dos meus sonhos e desse desejo
Que se expande deliciosamente louco...
Surgiu um pedido
teu por poesia
Como um luminar
descido na terra,
Perfumando
a atmosfera íntima.
As tuas palavras
são um par de tentação
Plenas de provocação,
não temo ser tua,
E sei que não é vão;
irei mergulhar inteira
No teu coração.
Fazes o quê bem
queres de mim,
Bem, sabes que
estou em tuas mãos,
Estou sob o jugo
da tua sedução,
Dizer que estou aborrecida:
é o jeito que criei
Para ser atendida,
é o meu grito
Poético pedindo
para ser por ti aquecida.
Bem sabes que o teu
eu Dionísio
Pegou de jeito
a Atena distraída,
Ela estava adormecida, e se viu
de estalo renascida
Colhendo o lírio
mais precioso: o teu lindo amor
Para que não te
ponhas em retirada,
Ela te abrigou no Olimpo - protegido.
Para não se fazer
por ti esquecida,
Ela mudou o olhar
perante à vida.
A poesia não sumirá,
ela surgiu com a tua
Lira poética
que é capaz de fazer de Atena
Uma poetisa do doce
transe de ti - endoidecida.
Perfumada, arrepiada,
apaixonada, apimentada,
E nem por um instante
arrependida de pertencer à ti.
Atena, deusa vestida
de versos intimistas,
Despiu-se desavergonhadamente,
enluarou-se dionisicamente,
Lançou-se desejosamente
para satisfazer como um lírio branco
O teu desejo
ardente por poesia.
O amor de Atena e Dionísio
é cercado por todos os lírios:
poéticos, iriais, épicos, musicais, Espirituais - e infinitos...
Estamos construindo
a nossa poesia
Experienciando todo dia
Sabemos que nos viver
é sabedoria
O mais saboroso
do amor é livre
O nosso voo é
acompanhado
Sabemos que o nosso
amor é sagrado
Estamos nos conhecendo
pouco a pouco
Aprendendo um com o outro
Diariamente nos amar
nunca será pouco
Saber que você aprecia
a minha poesia
É a melhor forma
de me querer
Não deixa de ser
um jeito
De cumprimentar o dia
Somos dois anjos flechados
e ensolarados
Vivemos projetando beijos
O Universo mantém
os nossos corações Irradiados
Moramos no mais belo país
No país da poesia tudo pode
Só o nosso amor nos sacode
A poesia é um país de gente feliz
Você é um sonho que eu sempre quis
No país em que a freira se perde
Em meio a estação invernal
E depois se encontra feliz
No país onde a santa vira meretriz
Só para te endoidecer e te ver feliz
No país da poesia, estamos a sorrir
Estamos à espera do lindo porvir
Somos habitantes do país da poesia
No país da poesia a espera é alegria
É desculpa para escrever versos e poesias
No nosso país da poesia
O caminho da perdição é um prazer
Incito com as minhas palavras
Escrevo sobre nós para você não se esquecer
Que viver no país da poesia só cabe eu e você
No país da poesia tudo é normal
Tudo pode, até devaneio
Até prazer carnal no meio da perdição
Acaba virando celestial
Somos parte de um todo angelical
No país da poesia não há traição
Somos um do outro, verso e dedicação
Sonhos cheios de imaginação
Somos eu e você, um projeto e um só coração.
Como uma vereda
que vai seguindo
o seu próprio curso,
vou escrevendo
em prosa e poesia
até a próxima
estação do destino
que será o encontro,
a convergência
e a alegre festa
de ir até a janela,
e ver o Universo
inteiro aceso
quando cair a noite,...
Mesmo sem ter
sequer uma sacada,
para apreciar
as tempestades
e as noites
sem teus abraços;
Tenho a gentileza
da minha janela
e a doçura do quintal
que me ajudam
a superar a dureza
da vida e das nuvens
que encobrem
dias ensolarados,
céus estrelados
e as noites de Superlua
que delas não escapam,...
Cheia de utopia
em preparação
para vencer a si própria,
derrubar egos e totens
e libertar povos deste século
dos campos de concentração:
abri para você o meu coração.
Um Beija-flor-tesoura,
uma deidade de asas
cauda e poesia,
Sendo para a flor
adorável companhia
trazendo inspiração
alegria todos os dias.
O Rabo-branco-de-sobre-amarelo
apareceu junto com a claridade,
É poesia voando para todos os lados
espalhando sementes de girassóis,
Ninguém domina nada o tempo todo
nem a mentira, nem a verdade,
nem a voz e nem mesmo o silêncio:
(Indomável mesmo é a liberdade
mesmo aquela que se acha que
pode controlar por certo tempo).
O Eremita-do-planalto
e sua Helicônia dizem
muito sobre o encanto
e a poesia continental
em um dia de céu azul
na nossa América do Sul
(Só o tempo irá dizer se
você é para mim
ou se eu sou para você).
O Limpa-casa posou
com toda a poesia,
E agora estou bem
mais feliz a cada dia,
Assim tenho escrito
o poema dos dias...
Brasilaelia purpurata cárnea
poesia de amor da Via Láctea
na terra encarnada e florescida,
Peguei a tua beleza emprestada
para me tornar mais desejada
e poema de amor inesquecível
no afã de fazer alguém ainda
amoroso, sedutor e imparável
para que de impulso e impulso
me torne o desejo incontrolável.
Se for para me entregar
a escuridão que seja
sob a luz dos teus olhos
e vestida de poesia
Brasilaelia tenebrosa
aos beijos da paz amorosa
que podemos nos dar
e nos conduzir as altitudes
ao ponto das estrelas
do Hemisfério Celestial
cantar, contar e recontar
e aos beijos nos declarar.
Bifrenaria tyrianthina
eflorescida poesia
sob luz do Sol dando
a sua cortês despedida
para as estrelas iniciarem
o seu baile pela Via Láctea
em noite de Lua Cheia
que está para se erguer
com tudo aquilo que presenteia
a minh'alma folclórica,
sensível, sedutora e amorosa,
e pronta para as nossas
mãos traçarem o risco das rotas
que pretendemos juntos nos perder.
A Hoffmannseggella cinnabarina
cortejada pela tempestade,
Enquanto eu escrevo a poesia
que fala destes lábios lindos
que por eles sou capaz de entregar
o meu amor e a minha vida.
O Manacá quando
flori é pura poesia
paranista a encantar,
A sua recordação
faz do mesmo jeito,
Em ti há muito tempo
eu tenho morado dentro.
Pinhão
Não tem como ser
infeliz no Inverno
com Pinhão alegrando
o prato, com poesia
e o coração apaixonado.
Avança a Ucrânia passos
a frente com baixas,
e a minha poesia Motanka
continua a mesma
bordada de esperança.
A evacuação dos mais
frágeis segue com dificuldades,
não me esqueço das milhares
de crianças sequestradas
que foram levadas
para o território inimigo
e estão sem ter uma luz
que as devolva ao destino,
Olhando o caminho aprendi que:
- No mundo dos adultos
não existe nenhum heroísmo,
o asfalto e apagamento está
para qualquer um que esteve vivo
e sempre cada um busca justificar
uma causa para um genocídio.
E segue cada um fazendo
o seu show com os ouvidos
fechados a todos os apelos
enquanto milhões de vidas
escorrem entre os dedos.
A morte do mercenário
concedeu olhar a vida
por ângulos inusitados
e me fez ler e embalar
as estrofes de um poema
doloroso de Brodsky
colocado no túmulo
durante o funeral
praticamente oculto.
Com todo o realismo
possível a moral bem
marcada deste momento
que ficou no pensamento
merece ser meditada:
Enquanto um mercenário
baixa honestamente
a sua arma seja lá por
qualquer que seja o motivo,
Os tiranos não param
nunca com os seus esgotos
de palavras que seguem
assassinando todos os povos.
Ter a minha orelha
enfeitada por você
com uma fresca
Sorriso-de-Maria,
Ler um livro de poesia
na sua companhia,
Colher castanhas
em terras paraenses,
Dizer olhos nos olhos
que as tuas manhas
fazem a minha cabeça
e embalar a sua rede
até que você adormeça.
Estrelinha branca
nascida no Céu de ouro,
Poesia brotada
no meio da imensidão,
És tu a Flor do meu pendão
e do Capim Dourado
que tem de mim o quê
há eternamente mais apaixonado.
