Poesia Felicidade Fernando Pesso
Dominador
“Sou minha originalidade e faço desta minha maior qualidade, a intensidade. Muitas vezes queimo etapas, atropelo opiniões e faço o que penso no primeiro estalo. Outras vezes "quebro", mas insisto, pois a vida não tolera os que somente olham e apreciam...
Eu pego pra mim, mesmo que seja gente.
O Duque
Herança
Quando você deixa ir,
observa os equívocos
cometidos, o principal,
a escolha de dar amor
a quem nunca o
conheceu.
e.u.
Olhares
Algumas vezes
tento interpretar
seu olhar e
me perco.
Com o tempo
aprendo que
nem todo olhar
deve ser interpretado
ou invadido,
Que cada um
tem seu momento
de alto interpretação,
de estar tão e somente
em si mesmo.
e.u.
Oceanos
A vida poderia, de fato, ser mais densa,
mas já que não é possível, naveguemos
pela líquida.
Marcelo HB
Inesgotável
Quanto mais te amo, mais te amo!
-O que fazer então?
-Continue a amar, não existe mais
nobre sentimento.
Márcia A. Prazeres
Nossas dores
Algumas vezes
o que dói é saber
que fazemos nosso melhor,
mas que infelizmente não
conseguimos agradar.
Talvez falte amor,
talvez não se reconheça um amor,
talvez não se aceite amor,
talvez não se saiba amar...
Algumas vezes dói!
Jorge B Silva
Universal ser
Quando vejo seu despertar,
vejo brilho nos olhos que
não posso ver agora,
mas senti-lo lampejar,
Vejo um coração alegre,
a mente refrigerada,
renascendo para um vida
de melhores pensamentos.
Quando vejo seu despertar,
vejo a luz de sua áurea,
agora colorida
e resplandecendo
o que de melhor possui;
fé e esperança
num amanhã melhor.
Quando vejo seu despertar,
alegro-me nas lembranças,
e deixo o universo conspirar
com seu cuidar num
aprimoramento do seu
poder feminino
Despertar...
Jorge B Silva
Mito
Na minha utopia de amor,
amo sem cansar.
Sorrio sozinho
ao lembrar
deste louco amar
que guarda em mim
as marcas do namorar,
do junto estar
e o mesmo sonho sonhar.
Na minha utopia de amor,
o preto e branco dão lugar
a translúcida cor do mar.
Jorge B Silva
Não é a vida que é injusta, mas as pessoas que desaprenderam o gostar de amar.
Damas e cavalheiros
No mundo em que vivemos hoje, seco de
emoções e sentimentos despedaçados,
a troca de gentilezas são iguarias que
independem do poder aquisitivo.
O Duque
Fantasia
Tudo que lembro de bonito não cabe
dentro de mim, então expando -me
e banho o céu com estrelas.
Márcia A. Prazeres
Simples beijar
Quero beijar-te até sufocar-me em teu suspirar.
Beijar-te assim, num trocar de energias, num
acasalar de auras.
Beijar-te, e entre um e outro beijo,
amar-te direi, emendando logo em
seguida, e sem vírgulas, outro beijo,
e outro, e outro ...
Porque tudo que quero é
afogar-me em seus lábios.
Mário Sérgio
...e
...e porque não vem pra cá depois do almoço,
pra gente se curtir, se beijar engolindo um
ao outro e matar toda esta saudade que não
cabe no sentido das palavras,
...e porque a gente não inicia de onde paramos,
e as teorias que se explodam bem longe
de nosso querer que é profundo, sincero
e lindo como o céu azul de verão de Vitória
no Espírito Santo ou o de Copacabana no Rio de Janeiro,
...e porque não deixa este "Deusão" trabalhar
no meio de nós, cuidar do nosso amor,
cuidar dos nossos espinhos com seu
carinho tão harmonioso,
...e porque não me fala de ti, não pergunta
de mim, não se enrola na minha poesia
sem rima, meio bandida, meio inocente,
meio homem, meio mulher, meio pássaro,
meio anjo, meio eu, meio você, meio nós
num inteiro daquele sonho de padaria,
...e porque...?
Jorge B Silva
Rosas
Nossos espinhos,
nossa defesa,
nosso perfume
abraço.
É preciso
entender o
contexto e
suportar
ambos.
Márcia A. Prazeres
Mais uma vez...
Amar é igual a
compartilhar a vida;
simplesmente
compartilhar e
vivê-la.
Márcia A. Prazeres
Singular
"Em sua mente não serei lembrado,
mas revivido!
.
.
.
Não é uma questão de ser o melhor ou
inesquecível, mas sim visceral."
D'Ante
Palavras Alheias
Gritos mudos, atordoam.
Palavras não ditas, ferem.
Amores mal resolvidos, castigam.
A vida, só te ensina.
A poesia, te dá esperanças.
A poesia, só dá a direção a um Eu já perdido.
O que quero dizer com meus poemas?
O que interpreto?
Ora, me digas tu.
Minha liberdade poética,
És sua liberdade de pensar.
Cativeiro das Palavras
Nunca sei o que escrever.
As palavras chegam sem aviso,
como pássaros desorientados
que pousam no peito
e logo se lançam ao vazio,
deixando o silêncio
como única companhia.
Sempre há dúvida.
Onde estão as inspirações?
Onde se esconderam os sorrisos
que um dia iluminaram o caos?
Talvez seja apenas questão de tempo,
tempo que não há,
tempo que se dissipa
como névoa em manhãs febris.
Mostre-me as lágrimas
que tais sorrisos trouxeram consigo,
como marcas discretas
nas dobras da memória.
Entre tantos sentimentos vazios,
confusos e desgastados,
é difícil encontrar algo verdadeiro,
algo que não se dissolva
na vastidão dos dias incertos.
Demônios Internos
Não há demônios sob a cama,
nem monstros à espreita
nas frestas da escuridão.
Procure-os dentro de si
e os encontrará,
enraizados na alma,
como raízes densas
de medos nunca podados.
Eles se alimentam
do silêncio amargo
das noites insones,
bebem das culpas
que se ocultam
nas sombras da consciência,
crescendo nas rachaduras
dos segredos sufocados.
Não há monstros lá fora,
não há presenças que assombrem,
apenas os fantasmas
que nós mesmos criamos
com os escombros
das verdades que tememos.
Eles não gritam,
não quebram portas,
não urram no escuro.
Sussurram
na voz da ansiedade
que ecoa dentro do peito,
esperando que um dia
tenhamos coragem
de encará-los
sem medo do reflexo.
Início do Fim
A morte
não é um golpe final,
nem o apagar abrupto
de uma chama que ardeu em vão.
Ela começa
no primeiro sopro de vida,
como um murmúrio ancestral
gravado na espinha dorsal do tempo,
uma promessa silenciosa
de que tudo que nasce
traz em si
o prenúncio de partir.
Somos nós
quem tenta adiá-la
ou apressar sua chegada,
como se a permanência
fosse um direito herdado,
como se o fôlego
fosse posse
de quem o exala,
esquecendo que o ar
é só um empréstimo
da eternidade.
Entre o nascer
e o desfolhar da última pétala,
somos intérpretes falhos
de um roteiro
traçado pelas mãos do acaso,
dançando na corda bamba
do existir,
prolongando cada passo
como se a terra
não estivesse sempre
a um deslize
de nos tragar.
A morte
não é antítese da vida,
mas sua sombra inseparável,
um vulto paciente
que nos acompanha
até o instante
em que já não há mais corpo
para projetá-la,
quando o vazio,
enfim,
reivindica o espaço
que sempre lhe pertenceu,
e nós,
como poeira,
nos dissolvemos
no ventre do universo.
