Poesia Felicidade Fernando Pesso
Ouvindo o som da jiricada
por ora lembrei da primeira
picada aberta na mata
pela heróica mão pioneira.
Alto Bela Vista nasceu
de amor à primeira vista
de quem veio de longe
para construir a vida.
Um amor tão lindo
quanto o beijo do riacho,
Uma beleza que abriga
no Vale do Contestado
um carinhoso abraço,
lavoura e toda a poesia.
Alto da Bela Vista és filha
das três quedas d'água
do Rio Velho Vicente,
linda História que nunca
se fez distante e ausente.
Só sei que na travessia
desta vida só sei que
sou ponte e encontro
onde os rios Pelotas
e Peixe se reencontram,
e as matas sempre festejam.
Anchieta
Do Extremo Oeste
a esperança italiana
ternura semeou o lar
e é toda a herança.
Anchieta uma jóia
nomeada na missa
e trecho da rota
dos Cânions erguida.
Peguei o meu balão
e lá fui passear,
No Rio Araçá
eu fui mergulhar.
Anchieta querida,
a tua beleza brinda
os olhos da gente
e dá ânimo na vida.
Anita Garibaldi
Olhei para a copa
de uma araucária
e lembrei que fostes
Rincão dos Baguais,
Há tanto tempo faz
por todas auroras
amorosas que meu
peito te ama todos
os dias ainda mais.
Passaram tropas,
a tua memória
nunca se apagou,
Tua gente carinhosa
o futuro abraçou.
Imigrantes italianos
e alemães ergueram
com força do campo
uma cidade bonita,
Não é a toa que tens
o nome de heroína.
Há muito o quê fazer
na Cachoeira do Taimbé,
na Gruta de Nossa
Senhora de Lourdes
onde o povo sempre
busca aumentar a fé,
E na Trilha Geremia,
nos teus lagos e
na Usina Velha valem
cada passeio da alegria.
Anita Garibaldi és
da nossa heroína
a fiel seguidora
que honra sempre
a primeira professora,
e aos olhos brinda
com a tua paisagem sedutora.
Antônio Carlos
Onde o Caraguatá
floresce esplêndido
na Mata Atlântica,
Ali está o sonho
vindo da Renânia
que cruzou com bravura
o oceano, se estabeleceu
e com fé gigante ergueu
uma cidade bonita.
Construiu igrejas, grutas
com marianas virtudes
e recantos acolhedores
onde as palmeiras gentis
e os coqueiros dialogam
com as poéticas araucárias
dos amorosos destinos.
O meu amor por ti
é tão precioso quanto
a bromélia na mão
do descobridor,
E você sabe com
orgulho no teu íntimo.
Na Serra das Congonhas
onde nasce o Biguaçu,
com ternura abraço
os teus Rachadel, Farias,
Ribeirão Vermelho,
Louro, Saudades
e encantos infindáveis.
Antônio Carlos adorada,
por estes rios que te beijam
e por todas as quedas d'água
que dão graças a vida e festejam,
O meu coração repousa
em ti e meus sonhos se erguem.
Sempre rezo a São Francisco
no Morro dos Müller por nós,
para a linda Antônio Carlos
repleta de povo amigo,
para todo este paraíso de beleza,
de pilões e alambiques
que têm tudo o quê é preciso
nesta vida para ser feliz contigo.
Apiúna
Apiúna minha adorada,
a tua Maria-Fumaça
faz muita gente
enfrentar esta estrada.
O teu sabor de tangerina
e o teu perfume dão
motivos para a alegria.
Aquidaban é onde
a história e a vitória
se encontraram,
E também foi teu nome.
Na Serra do Mar
o meu peito a inspiração
sempre vive a encontrar.
Cabeço negro catedral
do tempo o teu nome
eu honro para sempre,
e amo amar a tua gente.
Nos teus morros, cachoeiras
e nas tuas corredeiras
estão os meus poemas
Onde está o belo Cânion
do Vale Ribeirão Neisse
entrego ao Altíssimo a prece
por esta cidade e hospitalidade.
Apiúna minha amada,
que nunca esquece
da herança botocuda e europeia,
tens todo este apreço
porque a tua gente que merece.
Araquari
O meu coração é uma locomotiva
imparável de sonhos por ti,
A margem esquerda do Rio Parati
me encontrei e não te perdi.
Os meus sonhos fazem Stammtisch
sempre que for necessário
para fazer te sorrir, fazer feliz
e ter força para na vida prosseguir.
As mãos africanas e as lusitanas ergueram o teu destino
em terras sul-americanas
e honramos as tuas heranças.
O meu coração é um maracujá
perfumado de tanto amor
que virou festa por louvor,
e vê esperançoso o sol raiar
na Praia da Barra do Itapocu.
As mãos dos colonos e pescadores
corajosos ergueram a tua História
em belas terras catarinenses,
por ti eis estes versos perenes.
O meu coração faz ninho
de papagaio e refúgio
por ti com amor e carinho,
e também faz Ponte Pênsil
da Barra do Itapocu
correndo para os teus beijos.
As mãos da gente fervorosa
fundaram a festa por ti
em total agradecimento
ao Senhor Bom Jesus de Araquari.
O teu mangue misterioso
é fonte de todo o desejo,
é dele que se faz a festa
popular do Caranguejo,
a tua herança açoriana
desta memória jamais esqueço.
Araquari, minha adorada,
és jóia preciosa e rara
do Norte Catarinense,
e para sempre por nós será amada.
O amor surgiu
bem mais claro
que cristal puro,
Desde a primeira
vez senti que era
você o meu mundo;
Vivendo a entrega
perfeita e mútua
aqui estamos
a cada segundo.
Araranguá Poética
Ventos do Extremo Sul erguem
as areias, as conchas e as ondas,
poesia aberta pelas patas
das heróicas mulas dos tropeiros
ergueu-se e fez Balneário
Morro dos Conventos
por beleza, por agraciada natureza
por um povo cheio de grandeza
e foi escrita a Araranguá poética.
É no rio desaguando no oceano,
nas trilhas românticas
nas dunas bailarinas,
no penhasco poético,
nas falésias contemplativas,
no mágico Balneário Ilhas,
no farol do teu olhar me encontro
e na imensidão do mar
do teu amor eu me entrego.
Inscrição perpétua e sambaqui
trago em mim a vibração guarani,
xokleng me faço intrépida
e cerâmica poética do amor
eterno que passou e se perpetua
com a fé da tua gente originária
e com fé de quem veio de longe
e fez a primeira capelinha,
assim és a Araranguá infinita.
Pelas mãos indígenas, africanas,
europeias continentais e açorianas,
encantadoras prósperas e artesãs,
que enfrentaram o mar e por ti
se fizeram herança na lavoura,
na cultura na pesca
e na memória afetiva,
e por tudo isso e muito mais:
és a minha Araranguá poética.
Araranguá
Cada verso feito de areia
preta segue o curso do Rio
e a tranquilidade das lagoas,
Para que não se esqueça
da beleza do Vale das Araras.
Pássaro bonito eu vôo contigo
porque em ti é o meu lugar;
Este poema de cerâmica
que nem o tempo irá quebrar,
Araranguá você é meu lugar.
Na Lagoa dos Bichos a gente
marcou para se encontrar,
na Lagoa do Cortado a gente
de uma vez vai se declarar.
Na Lagoa Dourada a gente
com ternura irá se abraçar,
Na Lagoa da Mãe Luzia
de mãos dadas vamos namorar.
Na Lagoa do Caverá a gente
vai marcar para se casar,
Quando Rio Araranguá cantar
sem medo vamos atravessar.
Porque o amor da gente
é urgente e não pode
mais esperar pela Lua de Mel
que virá para nós na beira do mar.
Armazém
Uma vez filha do Rio
sempre será filha,
O teu nome filial é Capivari,
e não é por acaso que eu te escolhi.
Por acolhida foi prêmio ao herói
que lutou contra os rebeldes
e viraste Armazém:
- Te quero como tu me queres.
Capítulo de ouro
das efemérides do Padre,
És tesouro, amo teus ares
e todos os teus lugares.
Dos tropeiros foste o destino
e mãos gentis alemãs e portuguesas
ergueram uma cidade de gente
calma, gentil e ordeira;
Nasceste de tudo o quê
há de mais lindo em liberdade.
Arroio Trinta
Pedra fundamental
por mãos caboclas,
É Riacho pequeno
beijo de amor infinito
no Vale do Rio do Peixe.
A imigração italiana
plantou lavouras
de ternura e fez
do destino uma cidade.
Arroio Trinta, adorada,
tu bem sabes que te amo
muito mais do que trinta vezes,
além das das horas, dias, horas
meses e por todas as auroras.
A minha oração nas grutas
e no mirante é por ti
e por toda a sua gente,
que ama, luta e segue em frente.
Arvoredo
Ventos do Oeste
me trazem para
este torrão celeste,
Arvoredo é terra
de gentil segredo.
Pelas rotas da vida
os filhos da Itália
ali tropeiros em ti
encontraram acolhida.
Eles encontraram
o pouso da esperança
galopando ao redor
dos Rios Irani e Ariranha
para ser cidade erguida.
Seguem honrando
e dão tudo de si
com a força do Cedro,
a beleza do Angico,
a ternura da Cabriúva
e a poesia da Bracatinga.
Deste Alto Uruguai Catarinense
e Vale do Contestado,
tudo o quê a vida pede o teu
povo corajoso tem abraçado
do anoitecer a aurora
no ritmo constante do Leão e do Poca.
Escrevo para
correr riscos
que me levam
pelos bosques,
E me envolver
com(paixões)
em longas noites;
Se não fosse
pela poesia
tais riscos
nunca correria.
"Xinjiang Uyghur"
Onde o presente tem
reinventado o capítulo
mais cruel do passado,
Todo e qualquer cuidado
é sempre muito pouco,
e ter esperança também;
Campos de concentração
em Xinjiang os pérfidos
fingem que nunca veem.
Querem cordilheiras além
das plantações cordiais
de algodão e de lavanda
para o seu próprio bem.
As cercas elétricas gritam
devastação cultural e étnica,
demoliram os sinais de fé
e incineraram toda a poética.
Querem aquilo que não
se pode ao autoritarismo dar:
o silêncio como palanque
para a voz da História se calar.
Para se ter um romance
verdadeiro não é preciso
ter alguém por perto,
é deixar livre o coração
com a paz das pétalas
das papoulas esvoaçantes
pelos prados e estradas.
Caminhando no rumo,
rastreando o teu aroma,
alcançando o destino
que permita te encontrar
e nas tuas mãos colocar
a fortaleza do meu amor.
Para viver um romance
é sentir estando distante
com esperança papoula
superando em primavera
as memórias da guerra,
ter a bênção de ser louca
e a valentia de ser poeta.
Dançando no abismo,
sendo a tua galáxia,
teu Sol e dama absoluta
das tuas noites de Lua,
tomei a tua bandeira,
ocupei terreno e fiz-me tua.
Para ser o romance
é um inequívoco silêncio
em acordo com o tempo
sem quebrar internamente
a discrição do juramento
de entregar a existência
assim que passar a tempestade.
Este mundo sendo
virado do avesso,
sem medo confesso
que sonho o tempo
inteiro com você,
e assim te carrego.
Na janela da sala
o infinito da espera,
meditando a entrega,
o aroma das rosas
beijou o meu rosto:
não escondi o jogo.
As adagas da Lua
imortalizando sinais,
o céu rompendo
com o impossível
e abrindo caminhos
para o amor possível.
No jardim secreto
das noites de seda
as estrelas como
centáureas brancas
soltas na Via Láctea,
e eu hipnótica e nívea.
Os quadris no ritmo
do vento ao encontro
do teu como destino,
em festivo encanto
celebrando morada
e canção sussurrada.
Não temendo nada,
trazendo à tona
a vontade represada,
como uma pagã
convertida a religião
entreguei o coração.
Mesmo que você não saiba quem eu sou,
e eu não saiba quem é você,
sei que o meu romantismo e a minha poesia para ti importam,
e que o restante se encaminhará quando o destino
nos colocar no evidente caminho.
Quando você surgir na minha vida
só de amor que quero falar,
porque para mim
é o quê realmente importa.
Com delírio de amor
eu hei de te trazer para mim,
com todo o requinte
que a paixão pleiteia,
E assim plenos
na dimensão oceânica seguiremos.
Podem chamar de delírio
Pois não ligo, e assumo:
A espera de quem se prepara
Para você e o nosso amor.
