Poesia Felicidade Fernando Pesso
Barra Bonita
Pluma poética levada
pela gentil ventania
do Extremo Oeste
como asa delta decola
no Morro dos Ventos
sobrevoando nostálgica
a História das origens
que ergueram unidas
este destino catarinense.
Da tua herança italiana
e germânica que veio
do Rio Grande do Sul,
se ergueu orgulho
cidade e memória,
e este povo acolhedor
que não nega amor
a lida e gratidão ao Criador.
Da tua piscicultura
eu sou o teu peixe,
da tua agricultura
eu sou a colheita,
da tua pecuária
o poema do rebanho,
e de tudo isso sou
eu a força da tua gente.
No teu Rio das Antas
prevejo nas tuas águas
o futuro dos sonhos
feitos dos lindos olhos
predestinados a ser
a cada dia mais meus
em tons de todas
as sedutoras alvoradas.
Das tuas matas
eu sou o perfume
envolvente dos dias,
da tua passarada
eu sou o cantoria
dos desafiadores dias,
e sou o teu céu aberto
que traz noites alegres.
O teu Rio Barra Bonita
manhoso como viola
que encanta as moças,
carrega nas correntezas
a canção perene e gentil
que me faz querer
bem aos que te amam
estância bonita deste Brasil.
Cada letra poética minha
tem sido Inconfidente,
onde ninguém aprendeu
a lição e se valoriza
o pior para a nossa Nação.
Ninguém aprendeu a lição,
todo o peso dos poderosos
sempre é colocado
no lombo da população
e nos tornamos sem reação.
Ninguém aprendeu a lição,
todo o peso da injustiça
sempre é a vida mais
humilde que aqui se sacrifica.
Ninguém aprendeu a lição,
conspira-se, julga-se,
prende-se e se faz justiça
com as próprias mãos
criando sempre novos Tiradentes.
Ninguém aprendeu a lição,
por ingenuidade, comodismo
ou até mesmo ambição:
não sei o quê será desta Nação.
Ninguém aprendeu a lição,
viramos Tiradentes perpétuos
por omissão de quem teria
o dever de fazer e outros
são Tiradentes até sem perceber.
Ninguém aprendeu a lição:
Tiradentes perdeu a vida
por não querer mais a colonização,
e foi feito patrono civico da Nação.
Ascurra Poética
Nascida de uma História
de glória para reverenciar
outra glória esta cidade
gentil sempre faz História.
Ascurra adorável vizinha,
de lindas vinhas e do arroz
saboroso que eu encho
com todo o gosto o prato.
Eu, poetisa desta Rodeio,
sem cruzar as fronteiras,
saúdo a Ascurra poética
e suas linhas pioneiras.
Ascurra poética e terna,
a tua gente simpática
sempre me ganha fácil,
e quem te visita se encanta.
Ascurra, minha adorada,
não precisa ser feriado
para dizer o quanto
por mim és inteira amada.
Eu, poetisa desta Rodeio,
te levo no peito por ser
quem és e o teu povo ordeiro,
és a catedral de escudos cristalinos.
Quando as Raízes do Tempo
me tiram para dançar
é quando sempre me lembro
que aqui é o meu lugar.
Belmonte, minha relíquia,
a Coluna Prestes aqui passou,
tens histórias para contar
e muito calor humano para dar.
Mãos de origem polonesa
ergueram esta cidade
aqui tem memória que
também é feita de saudade.
Belmonte, meu bonito lar,
és o meu orgulho de verdade,
Belmonte, minha linda cidade,
você sabe que te amo de verdade.
Benedito Novo da minha vida,
os teus ribeirões e cachoeiras
valem mais do que meu poemas.
Benedito Novo cheia de belezas,
do africano que buscou a liberdade
assim sagrou-se com nome e mística.
Benedito Novo do meu peito,
amo os teus sabores postos na mesa
e a tua força de encontrar jeito.
Benedito Novo imensa e repartida
com Doutor Pedrinho,
não há quem não louve esta honraria.
Benedito Novo, cidade gentil,
a tua gente ergueu cidade preciosa
no Médio Vale do Itajaí deste Brasil.
Blumenau Poema
Este poema é bem
mais antigo do que
você imagina,
e no teu rosto fez
uma suave carícia.
Um poema que fez
festa dançando só
nos pátios das aldeias
xokleng e carijó,
e virou notícia.
É o poema do "Poema
para o Índio Xokleng",
que esculpido pela Elke,
virou criptopoema
e ganhou forma revel.
Um poema que bebeu
muito dos ribeirões
Velha e Garcia,
e se inscreveu poesia
no Rio Itajaí-Açu.
Na campina florida
e do vento a sinfonia
solta foi assobiando
o quê seria a melodia
da primeira bandinha.
(Este poema é uma homenagem
ao casal Lindolf Bell e Elke Hering).
Blumenau Festiva
Uma cidade poema
chamada Blumenau
que te recebe de braços
abertos de verdade,
e só de olhar para você
pensa em Stammtisch,
porque te ter por perto
é razão para ser feliz.
Blumenau querida,
é na Vila Germânica
que a tua presença
se observa romântica.
Uma cidade poética
que as origens não nega,
e todas as gentes
com boas festas reúne:
amo tanto você que
não nego o meu ciúme.
Blumenau festiva,
na Festitália
e alma posta na mesa:
a minha alma delira.
Um poema cidade
chamado Blumenau
que para amar não
tem e nunca teve idade,
e na Oktoberfest
te leva pela mão
para rodopiar no salão.
O bonito Jacarandá-do-brejo
florescido neste Paraná,
traz tudo a respeito de nós
que por enquanto ainda não está
acontecendo e no silêncio
do coração só anda crescendo,
e por antecipação acredito
que já está conosco ocorrendo.
Floresce o Araribá-preto
no majestoso Paraná,
Continua vivo o desejo
de morar no seu abraço,
Cada meu poema diário
tem sido escrito com
o meu coração apaixonado
porque quero viver intensa
contigo o nosso amor devotado.
Petúnia do céu noturno
florescida no continente,
Traz para mim o augurio
de viver um amor contente.
Está nublado no imperceptível
esternocleidomastoideo
do Hemisfério Celestial Sul,
As estrelas estão se aproximando
para ajudar a trazer a cura
que na verdade dependerá
de cada um sair dessa ficção
produzida por uns que querem
nos atirar nos braços
da descrença e de um conflito
aparentemente sem saída
por não sermos autoconfiantes
e firmes em desarmar
bombas sociais internas,
Se não recuperarmos
a consciência coletiva
para nós só haverá queda.
Na Mata Atlântica do lindo
Rio de Janeiro floresce
o Jacarandá que faz o meu
coração encantado e faceiro,
Este belo e inesquecível
tesouro ocupa inspirador
cada verso romântico
e atlântico que declaro o meu amor.
21/07
Busque manter vivo
tudo aquilo
que não desligue o seu afeto,
para que no futuro
não passem por cima
do que é mais precioso na vida
para você e por você.
O Butiá-branco
balançando
pelo vento minuano
me faz intuir que
você está chegando,
e para você decidi
ir me preparando.
Um conceito para ocultar
a maledicência ou é
ignorância mesmo que
ainda persiste nos tempos
de hoje por parte de pessoas
que preferem suprimir páginas,
rasgar e queimar certos livros
em vez de ler e pesquisar
para o seu horizonte ampliar.
O caminho de volta
é possível sempre
que houver boa vontade,
Levar um Pau a pique
com folha de Bananeira
para assar no forno,
Memória brasileira
de uma infância feliz
e orgulhosamente roceira.
Aguardar pelo seu amor
como se aguarda
pelos frutos Butiá-açu,
É algo que dedicada
faço com louvor,
porque a intuição diz
que serei a sua amada.
Então parecendo uma
cena de série da televisão,
Numa noite depois
de uma volta na pequena
cidade do interior,
Veio a memória romântica
onde há anos atrás
eu beijava os seus lábios
cheios de sorvete de creme
numa noite de Verão
onde eu entreguei o meu coração.
Criam um caleidoscópio
de contradições
para provocar distrações
e nos dominar,
Se permita cultivar
a sua idiossincrasia,
Seja o seu Aloe Vera
e busque um ponto
de fuga para respirar.
Butiás-da-praia maduros
para colher são beijos
para a alma e o paladar,
Vou fazer um doce
que você vai amar.
