Poesia Felicidade Fernando Pesso
O sedentarismo cognitivo
está cada vez mais epidêmico
e a atrofia do pensar
um dado de fato sistêmico...
Há cérebros imóveis
como corpos no sofá
deitados nas certezas
e afogados em telas
que piscam e calam...
Pensar cansa
sentir dá trabalho
imaginar é perda de tempo
num mundo que lucra
com a pressa
e com a distração contínua...
Mentes antes acesas
hoje pisoteiam o ócio criativo
com rotinas programadas
para não questionar...
A palavra vira ruído
A dúvida um defeito
O silêncio um incômodo...
E o pensamento
atrofia em repouso
sem uso
sem impulso
sem pulso...
Mas o cérebro
Ah!
O cérebro precisa dançar
com ideias novas
quer sangrar versos
errar teorias
enlouquecer de beleza
e de dúvida...
O cérebro necessita sentir
sede de perguntas
não se embriagar
com respostas prontas...
O perigo
não é a ignorância
é a inércia
é o conforto da mente
anestesiada
pela repetição...
Despertar dói
mas viver em coma
é o fim do pensamento
e da sua poesia...
✍©️@MiriamDaCosta
Pois Quero.
Quero te beijar como o sol beija o horizonte.
Quero te amar como a areia ama o Mar.
Quero te tocar como as raízes das arvores tocam a terra.
Quero me deitar ao seu lado como as sombras se deitam no chão.
Quero te Iluminar como a Lua faz.
Quero te cobrir como o lençol.
Te proteger como o maior dos Escudos.
Quero te ver viver como a vida.
Te ver cair pelo fracasso.
Te levantar como amigo.
Te beijar como amor.
Te amar como seu.
Ser seu como a Vida.
Transfiguração das Cores
Sempre fui fiel às primárias,
à urgência do vermelho,
ao azul que carrega o silêncio,
ao amarelo que arde sem pedir licença.
Cor pura, sem concessão.
Cor como grito inaugural.
Fugia das misturas —
como quem foge do engano.
Preto e branco?
Nem isso.
Ausências demais.
Um, silêncio sem fundo.
Outro, claridade que cega.
Preferia o mundo onde tudo começa:
a cor em estado bruto.
Mas algo mudou.
Veio um verde que cheira a memória,
um lilás que murmura coisas que não sei.
Um rosa — que nunca convidei —
se assentou na borda da tela.
Será que estou virando romântica?
Será isso… ou será que a cor
também sabe onde ferve o inconsciente?
Não sei se é hora de confiar.
Quem pinta com tons que não conhece
não caminha, atravessa.
E o que vem por aí —
não vem calmo.
Vem pirando tudo.
Porque criar
é deixar que a ausência fale,
que o excesso se cale,
e que a cor — enfim —
nos revele
onde estamos por dentro.
Nella città V - Vestal
Ergui-me entre autos, decretos e selos,
um número, um nome à pena do Estado.
Eis-me: carne julgada em papel amarelo,
alvura que a ferrugem envelhece.
Mas tu, que és fogo, sê chama sem dono,
não te prostres à mão que molda o aço.
Pois só no caos é que o homem tem sono,
sonhos, alma e pés.
Queijo de Minas
A tua origem ancestral
eu reconheço,
Queijo de Minas como
Patrimônio Nacional
eu te celebro,
O teu precioso sabor
é digno sempre
de poesias de amor.
Farofa
Farofa divina Farofa
brasileira és poema
que se come rezando
com um bom Feijão
e com tudo aquilo
que se põe na mesa,
Farofa divina Farofa
que sempre faz a diferença.
Pamonha
Antes de ser chamada
de Pamonha se chamava
em tupi de Pamunã,
Muita gente nem sonha
que ela foi criada
por nossa gente originária,
Tanto faz comer Pamonha
quente ou fria,
Comer Pamonha em qualquer
época do ano é poesia.
Écloga para Rodeio
Em Rodeio tem cultivos
de parreirais, bananais
e arrozais que dá
sustento a nossa gente,
Enquanto trabalham
não esquecem os cantos
nostálgicos da imigração,
Ver o heroísmo de manter
ainda vivos estes cultivos,
Mesmo silenciosa só consigo
agradecer por desfrutar
na minha mesa port udo isso.
Vaca atolada
Quem viveu a sua vida
caipira ou tem a herança
que dela se orgulha,
Sabe muito bem o quê é
tomar uma Vaca atolada
seja no frio ou até quando
é madrugada no lugar do café.
Madrigal para Rodeio
Eu ofereço um Madrigal
para a minha cidade de Rodeio,
Que é um pedacinho celestial
em pleno Médio Vale do Itajaí
que ao abrir as janelas
trata o olhar com cortesia
por ser repleta de beleza e poesia.
Curau divino Curau
a tua origem é
da África Celestial,
Agradeço e louvo
por engrandecer
a mesa brasileira,
O teu sabor é um
genuíno poema.
Epitalâmio para Rodeio
Não é exagero dizer
que sou casada
com a cidade de Rodeio,
Um Epitalâmio eu devoto
com todo o amor verdadeiro.
Forró das Estrelas
Quando o coração está feliz
até as estrelas dançam Forró,
Com você no meu coração
nunca estarei nesta vida só,
Ainda você não veio e danço
como você estivesse comigo,
Sei que no fundo a gente
namora um do outro escondido,
Quando tocar no rádio de novo
o Forró das Estrelas tenho
certeza que você estará comigo,
e toda a poesia nos dará abrigo.
Vejo pessoas de outros
lugares do mundo lutando
para ter direito a sua Pátria,
o seu Idioma, a sua Bandeira,
a sua Fé e a sua Cultura,
Há quem finge que não perceba
contribuindo com o aumento
do absurdo, da dor e da tormenta.
Mesmo diante das adversidades
nada é capaz de apagar
com o afeto e a ternura
de quem está no front da luta
do seu direito de existência.
Nós temos tudo e muito mais
para viver melhor e em paz,
e que para muita gente para ter
o direito de existir quanta falta faz.
Se você não gosta disso ou daquilo,
faça por si mesmo o quê que
você deseja sem ser depreciativo
com tudo aquilo que temos
e por tudo aquilo que foi construído.
Do século passado
e deste século sou
eu a dama mística
desta terra brasileira
onde cada verso
sempre busca o teu
universo secreto,
e neste mistério
nos encontramos
sob o florescimento
dos Ipês Amarelos.
Amada Cidade de Rodeio
Na Praça do Centro
da minha amada
cidade de Rodeio
o florescimento
dos Ipês Amarelos
inspiram olhar
para o tempo
e agradecer por
este coração batendo
de amor por você.
Agradeço
Depois de um dia
de calor intenso
sobre nossa amada
cidade de Rodeio
ao vento que encontra
a rota graças
ao Rio Itajaí-Açu
sempre agradeço,
porque é com ele
que me refresco,
tranquilizo e deito
encontrando o quê
preciso no sono noturno
para ter o meu corpo refeito.
Sementes de Pau Brasil
Cada verso meu tem
mais a ver com sementes
de Pau Brasil muito
mais do que você pensa,
É por isso que todo
o dia sou um novo poema.
Cidade de Alma Poética
A minha Cidade de Rodeio
é pequena como uma
semente de Pau Brasil,
De alma poética gigante
que muita gente ainda não viu
Cercada por um verde sublime
e quando o céu se abre anil
sobre o nosso Médio Vale do Itajaí
esplende de beleza fascinante
que só me faz desejar tê-lo aqui.
Moro em Rodeio
Alma de minha alma
sem te ver sinto
o seu coração preso
ao meu no mesmo
compasso do tempo.
Algo me diz que
para você é sentido
de igual jeito,
você sabe que eu
moro em Rodeio.
Onde a Écloga
perfeita se encontra
nos arrozais
e nos meus braços
a sua amorosa paz.
