Poesia Felicidade Fernando Pesso
Cicatrizes que Florescem
Eu carrego o peso dos dias não ditos,
os ecos de passos que não me pertencem,
fragmentos de uma estrada sem destino,
onde a dor se enrola nas raízes do tempo
e floresce como cicatriz que canta.
Há um grito em cada gota de chuva,
uma confissão no som que corta o vento.
A alma se espraia pelos campos secos,
e o coração, inquieto,
brota em flores que não pediram cor.
Sou rio que deságua na própria margem,
meu curso incerto entre pedras e paus,
correndo por entre trilhas rasgadas
que costuram minha pele ao chão da existência.
Não há ponte que atravesse o que sou.
Em noites de silêncio denso e cru,
a lua sussurra verdades que não quero ouvir,
desvenda os espelhos internos,
onde sou herói e vilão,
onde luto contra meu próprio reflexo
até me tornar pele, osso e vontade.
E quando o sol, ao fim de seu fôlego,
se deita sobre os montes quebrados,
meu corpo, feito de sonhos e poeira,
abre os braços para um horizonte que se dissolve
no vão entre ser e querer ser.
Eu permaneço inteiro
na tempestade que arranca galhos secos,
pois sou árvore que cresce do avesso,
raiz que abraça o abismo
e flores que desafiam o solo.
Sou também a calmaria que sucede o caos,
a certeza que nasce do chão devastado,
o tronco que se curva, mas não quebra,
que desafia o vento com sua seiva viva
e canta, mesmo quando a dor ecoa.
Entre o Assassino e a Vítima
Quem sou eu?
Um humano imperfeito,
destroçado entre o espelho e a carne,
cometendo crimes contra mim mesmo,
atentados sutis que corrompem a alma
e rasgam a pele da consciência.
Sou vítima ou assassino
daquilo que me tornei?
Voluntário no ato de me ferir
ou involuntário na arte de desmoronar?
Sou necessidade que enlouquece,
psicose que se veste de razão,
ou um delírio lúcido que encena
a tragédia de ser quem sou?
Sou mesmo louco?
Ou a loucura é a máscara
que uso para não ver a verdade
do caos que me habita?
Sou mesmo eu?
Ou sou um espectro fragmentado,
uma nota dissonante
na sinfonia do que jamais fui?
Indizível.
Como nomear o vazio que preenche
os espaços entre meus gestos?
Como afirmar com certeza
que sou algo além do que falha
ao tentar existir por completo?
Se a dúvida me define,
sou tanto a ferida quanto a lâmina,
a mão que acolhe e que esmaga,
o vulto que se esconde atrás de um rosto
que mal reconhece sua própria sombra.
E se o espelho estilhaçado
reflete múltiplos eus
que coexistem na fissura do real?
Serei eu o caco que corta
ou o reflexo que sangra?
Sou a colisão entre o ser e o não ser,
o vértice do abismo onde a dúvida ecoa
e a própria identidade se desfaz.
Há um grito que rompe o silêncio,
uma palavra que treme na garganta,
como se nomear-se fosse desabar
e aceitar-se fosse um pacto
com a dor que me habita.
E no limiar dessa guerra interna,
sou o paradoxo que respira,
uma verdade que mente para si mesma
enquanto tenta sobreviver ao próprio fardo.
Ser é ser incompleto.
Sou a imperfeição que sobrevive
no abismo entre razão e caos,
desafiando a lógica
com um coração que ainda pulsa
mesmo quando a mente implora por trégua.
Eu nasci entre ouros e diamantes
Onde a história se faz presente
Em cada rua, em cada instante
Minas Gerais, minha terra contente
Orgulho de ter nascido aqui
Onde as montanhas tocam o céu
Onde a poesia me faz dormir
E a cultura enche meu coração de mel
Brinquei perto do céu nas montanhas
Em cachoeiras, em matas verdejantes
Onde a natureza é minha companha
E os pássaros me fazem diamantes
Ouvia poemas para dormir
Recitados com muito carinho
Onde a palavra é um dom a se fruir
E a literatura é um tesouro em meu caminho
E eu deoccaratolamo para o mundo ouvir
Com orgulho e com amor no peito
Tudo que Minas tem a oferecer
Em cada canto, em cada jeito
Minas Gerais, minha terra amada
Com tanta beleza e diversidade
Com sua cultura tão valorizada
Minas Gerais, minha felicidade.
Nossas dores
Algumas vezes
o que dói é saber
que fazemos nosso melhor,
mas que infelizmente não
conseguimos agradar.
Talvez falte amor,
talvez não se reconheça um amor,
talvez não se aceite amor,
talvez não se saiba amar...
Algumas vezes dói!
Jorge B Silva
Universal ser
Quando vejo seu despertar,
vejo brilho nos olhos que
não posso ver agora,
mas senti-lo lampejar,
Vejo um coração alegre,
a mente refrigerada,
renascendo para um vida
de melhores pensamentos.
Quando vejo seu despertar,
vejo a luz de sua áurea,
agora colorida
e resplandecendo
o que de melhor possui;
fé e esperança
num amanhã melhor.
Quando vejo seu despertar,
alegro-me nas lembranças,
e deixo o universo conspirar
com seu cuidar num
aprimoramento do seu
poder feminino
Despertar...
Jorge B Silva
Mito
Na minha utopia de amor,
amo sem cansar.
Sorrio sozinho
ao lembrar
deste louco amar
que guarda em mim
as marcas do namorar,
do junto estar
e o mesmo sonho sonhar.
Na minha utopia de amor,
o preto e branco dão lugar
a translúcida cor do mar.
Jorge B Silva
Não é a vida que é injusta, mas as pessoas que desaprenderam o gostar de amar.
Damas e cavalheiros
No mundo em que vivemos hoje, seco de
emoções e sentimentos despedaçados,
a troca de gentilezas são iguarias que
independem do poder aquisitivo.
O Duque
Fantasia
Tudo que lembro de bonito não cabe
dentro de mim, então expando -me
e banho o céu com estrelas.
Márcia A. Prazeres
Simples beijar
Quero beijar-te até sufocar-me em teu suspirar.
Beijar-te assim, num trocar de energias, num
acasalar de auras.
Beijar-te, e entre um e outro beijo,
amar-te direi, emendando logo em
seguida, e sem vírgulas, outro beijo,
e outro, e outro ...
Porque tudo que quero é
afogar-me em seus lábios.
Mário Sérgio
...e
...e porque não vem pra cá depois do almoço,
pra gente se curtir, se beijar engolindo um
ao outro e matar toda esta saudade que não
cabe no sentido das palavras,
...e porque a gente não inicia de onde paramos,
e as teorias que se explodam bem longe
de nosso querer que é profundo, sincero
e lindo como o céu azul de verão de Vitória
no Espírito Santo ou o de Copacabana no Rio de Janeiro,
...e porque não deixa este "Deusão" trabalhar
no meio de nós, cuidar do nosso amor,
cuidar dos nossos espinhos com seu
carinho tão harmonioso,
...e porque não me fala de ti, não pergunta
de mim, não se enrola na minha poesia
sem rima, meio bandida, meio inocente,
meio homem, meio mulher, meio pássaro,
meio anjo, meio eu, meio você, meio nós
num inteiro daquele sonho de padaria,
...e porque...?
Jorge B Silva
Rosas
Nossos espinhos,
nossa defesa,
nosso perfume
abraço.
É preciso
entender o
contexto e
suportar
ambos.
Márcia A. Prazeres
Mais uma vez...
Amar é igual a
compartilhar a vida;
simplesmente
compartilhar e
vivê-la.
Márcia A. Prazeres
Singular
"Em sua mente não serei lembrado,
mas revivido!
.
.
.
Não é uma questão de ser o melhor ou
inesquecível, mas sim visceral."
D'Ante
Coexistir
Somos pedaços que se juntam,
cores que se harmonizam de
dentro para fora.
Somos reflexos do que fomos,
raios solares do que somos e
luz cinérea (da lua) do que seremos.
Somos simplesmente a complexidade,
fórmula Universal e Divina
misturada num gigantesco tubo de ensaio
chamado útero materno – vida.
Somos o explicável e o inexplicável,
o fácil e o difícil,
o desequilíbrio da balança,
mas o centro do Universo.
Alessandro Bous'T
Coexistir II
Somos muito mais que corpos,
somos muito mais que rostos...
Somos olhares,
somos pulsares,
somos luz e cores
que brilham através
do nosso prisma de carne.
Somos alma, espírito,
somos tudo o que podemos ser,
somos tudo o que viemos para ser;
somos universais...!
Alessandro Bous'T
Decem
-Dezembro...!
O que desejo
é saborear uvas
sem caroços,
pêssegos doces,
botões de rosas
rosadas entre suas
pernas pálidas.
Mário Sérgio - Série Intensos
-Sirva-me!
Célere
"No meu momento
imediato do agora,
o que desejo
é experimentar-te...
Te provar a alma
e tomar da tua brisa
entre o pálido vale
do teu ser."
Mário Sérgio - Série Intensos
Ecos de nós
Ontem nos víamos.
Hoje, só,
diferente do ontem,
me ouço duplamente;
mais complexo e
mais emocionante.
.
.
.
.
.
-Mentira!
Jorge B Silva
Eclipse
"Se existem amores impossíveis
com o do sol e da lua,
temos os eternos possíveis:
Arroz e feijão,
café com leite,
bife com batatas fritas,
homem e mulher...
O amor não deixa de ser possível
quando o querer afronta e vence
o medo de sê-lo."
Jorge B Silva
