Poesia Felicidade Fernando Pesso
Abdicação
Toma-me, ó noite eterna, nos teus braços
E chama-me teu filho.
Eu sou um rei
que voluntariamente abandonei
O meu trono de sonhos e cansaços.
Minha espada, pesada a braços lassos,
Em mão viris e calmas entreguei;
E meu cetro e coroa — eu os deixei
Na antecâmara, feitos em pedaços
Minha cota de malha, tão inútil,
Minhas esporas de um tinir tão fútil,
Deixei-as pela fria escadaria.
Despi a realeza, corpo e alma,
E regressei à noite antiga e calma
Como a paisagem ao morrer do dia.
Hoje escuto musicas que me fazem lembrar você.
Mais na verdade nem precisava,porque você é inesquecível.
Isso é só um modo de me sentir próximo de você a todo momento.
Pois é você que eu quero,é a você que eu pertenço,você faz parte da minha rotina.
Dos meus sonhos,dos meus projetos,da minha felicidade.
Hoje eu vivo por você e acredito que um dia você viva por mim.
Escolhi e fiz escolhas infeliz
Fui feliz e magoei muitos
Estendi e fui entendido
Escondi e fui descoberto
Aconteceu e deixei acontecer
Vivi e fui a vida
Esperei a espera
Me dissera muito e disse mais ainda
Escutei e fui mudo por muito tempo
Mudei e mudaram
É a vida é cheio de coisas parecidas
Com atitudes diferentes
O mesmo que você faz agora não pode fazer depois
Mais você pode ser justo sempre !
"Eu não tenho rancores nem ódios. Esses sentimentos pertencem àqueles que têm uma opinião, ou uma profissão, ou um objetivo na vida".
(In Instabilidade - Extraído de "Fernando Pessoa - O livro das citações" - Organizado por José Paulo Cavalcanti Filho - Rio de Janeiro, Record, 2013)
A melancolia que toma a minha alma, Me destrói como um desastre.
A nostalgia de algo não vivido junto com a saudade de momentos antigos, Se juntam, E formam a tristeza de um homem solitário.
Eu quero amar a Deus fora da caixinha.
Fora da caixinha instituição. Fora da caixinha teórica. Fora da caixinha de achismos, quilômetros fora da caixinha legalista.
Palavras vem ao monte em minha cabeça,mais são muito simples para te descrever.
Como não consigo descrever o que sinto por vocé,isso é incrível que nem eu imaginava que existisse.
Nunca mude seus pensamentos,sua vida,sua rotina por ninguém que realmente não mereça.
Nos podemos viver sem alguem que achamos que precisamos,basta querer.
3 horas da manhã,pensando,e lembrando de você,ou melhor,não esqueço de você.
Tentando acreditar no que eu fui capaz de te dizer.
Para onde vai a minha vida, e quem a leva?
Por que faço eu sempre o que não queria?
Que destino contínuo se passa em mim na treva?
Que parte de mim, que eu desconheço, é que me guia?
O meu destino tem um sentido e tem um jeito,
A minha vida segue uma rota e uma escala
Mas o consciente de mim é o esboço imperfeito
Daquilo que faço e sou: não me iguala
Não me compreendo nem no que, compreeendendo, faço.
Não atinjo o fim ao que faço pensando num fim.
É diferente do que é o prazer ou a dor que abraço.
Passo, mas comigo não passa um eu que há em mim.
Quem sou, senhor, na tua treva e no teu fumo?
Além da minha alma, que outra alma há na minha?
Por que me destes o sentimento de um rumo,
Se o rumo que busco não busco, se em mim nada caminha
Senão com um uso não meu dos meus passos, senão
Com um destino escondido de mim nos meus atos?
Para que sou consciente se a consciência é uma ilusão?
Que sou entre quê e os fatos?
Fechai-me os olhos, toldai-me a vista da alma!
Ó ilusões! Se eu nada sei de mim e da vida,
Ao menos eu goze esse nada, sem fé, mas com calma,
Ao menos durma viver, como uma praia esquecida…"
Fernando Pessoa
E que fresco e feliz horror o de não haver ali ninguém! Nem
nós, que por ali íamos, ali estávamos. . . Porque nós não éramos
ninguém. Nem mesmo éramos coisa alguma.. . Não tínhamos
vida que a morte precisasse para matar. Éramos tão tênues e
rasteirinhos que o vento do decorrer nos deixara inúteis e a hora
passava por nós acariciando-nos como uma brisa pelo cimo de
uma palmeira.
Não tínhamos época nem propósito. Toda a finalidade das
coisas e dos seres ficara-nos à porta daquele paraíso de ausência.
Imobilizar-se, para nos sentir senti-la, a alma rugosa dos
troncos, a alma estendida das folhas, a alma núbil das flores, a
alma vergada dos frutos. . .
E assim nós morremos a nossa vida, tão atentos separadamente
a morrê-la que não reparamos que éramos um só, que cada
um de nós era uma ilusão do outro, e cada um, dentro de si, o
mero eco do seu próprio ser. . .
Zumbe uma mosca, incerta e mínima. . .
Raiam na minha atenção vagos ruídos, nítidos e dispersos, que
enchem de ser já dia a minha consciência do nosso quarto...
Nosso quarto? Nosso de que dois, se eu estou sozinho? Não sei.
Tudo se funde e só fica, fingindo, uma realidade-bruma em que
a minha incerteza soçobra e o meu compreender-me, embalado
de ópios, adormece. . .
A manhã rompeu, como uma queda, do cimo pálido da Hora.
. . Acabaram de arder, meu amor, na lareira da nossa vida,
as achas dos nossos sonhos.. .
Desenganemo-nos da esperança, porque trai, do amor, porque
cansa, da vida, porque farta, e não sacia, e até da morte, porque
traz mais do que se quer e menos do que se espera.
Desenganemo-nos, ó Velada, do nosso próprio tédio, porque
se envelhece de si próprio e não ousa ser toda a angústia que é.
Não choremos, não odiemos, não desejemos. . .
Cubramos, ó silenciosa, com um lençol de linho fino o perfil
hirto da nossa Imperfeição. . .
Eu desisto de procurar, procurar por alguém que não me mereça, que não mereça ao menos o meu respeito !
Já sofri muito por amor, agora quero ser Livre e Feliz.
Viver Feliz, cansei de subir um degrau e cair dois, cansei de te procurar e não te achar.
Agora será diferente, eu estarei aqui esperando por você !
Deus, ele te colocará em meu caminho.
Mas, isso tudo no tempo dele, não adianta querer fazer o contrário.
Quando tiver de ser, será !
o sino da minha aldeia
O sino da minha aldeia,
Dolente na tarde calma,
Cada tua badalada
Soa dentro de minha alma.
E é tão lento o teu soar,
Tão como triste da vida,
Que já a primeira pancada
Tem o som de repetida.
Por mais que me tanjas perto
Quando passo, sempre errante,
És para mim como um sonho.
Soas-me na alma distante.
A cada pancada tua,
Vibrante no céu aberto,
Sinto mais longe o passado,
Sinto a saudade mais perto.
Aquele mundo que eu prometi te entregar,
bastasse um pedido teu, ainda está lá.
Mas você, onde está?
Hoje, esse mesmo mundo desconhece que
um dia existiu amor em nós.
você também.
@fer_machado_escritor
Tarde da noite, quarta-feira. Mais uma vez o sono me escapa, mas a tua lembrança não.
@fer_machado_escritor
Te dar créditos ao amor que senti foi ingenuidade minha. Achar que nunca seria tão intenso, burrice. Afinal, fui eu quem te ensinou a amar dessa forma. Isso vai acontecer em todas as vezes que eu amar alguém, porque é algo que transborda em mim.
@fer_machado_escritor
Acho que finalmente envelheci.
Hoje, quando o passado bate à porta,
não me viro mais, não paro para responder,
e continuo caminhando.
Aprendi que, quando tudo desaba
e a vida me desafia,
é apenas um lembrete: o tempo que me resta
é para ser vivido, não desperdiçado.
Carrego anos suficientes para saber:
o passado não é um lar, é uma lição.
Não se vive dele, se cresce com ele.
Não apago o que fui, nem renego o que vivi.
Mas entendi que há guerras que só se vencem
quando temos coragem de abandoná-las.
E a verdadeira vitória? Seguir em frente.
Fernando Garcia
Quero num dia de outono,
contar as folhas que caem do ipê,
Quero nas manhãs de inverno,
aconchegar-me ao teu abraço confortante.
Quero numa tarde de primavera,
contemplar o voo da borboleta.
Quero no verão de nossas vidas,
viajar rumo ao brilho do sol,
abrasando nossos corações e inebriando nossas paixões.
Se eu sou brasa, você é nitroglicerina
Se sou poeta, você é inspiração
Se estou sóbrio, você me alucina
E quando me encontro, você é perdição
