Poesia Felicidade Drummond
Sombra presente
A sombra tornou-se minha porta-voz
Aquela que fala por nós
E que aqui dentro ocupou um território extenso
Dando-me certeza de onde pertenço.
Nômade com certeza absoluta
Mas com um fraco pelo que assusta
E que vagueando pelo solo de folhas mortas
Entendeu ser fruto de manipulativas cordas.
Amante da noite luxuriosa
Com desejo por momentos quentes que não tem volta
E com o vento gelado socando a minha cara
Percebi que felicidade sempre é rara.
O peso do mundo nunca é suportável
A alegria? Inalcançável
E quando Deus parece ser menos bondoso
O fruto proibido se torna mais saboroso.
Símbolo de rebeldia
A noite que derrota o dia
E que doce como o pecado
Diz que às vezes prazeroso é ser errado.
É que o belo nascer do Sol ao fundo
Que faz esquecer de quanto aqui é imundo
Pinta o céu de laranja as seis
E então, a falsa esperança se fez.
Honesto mesmo é o entardecer
Afinal quando as trevas dentro de mim começam a crescer
Vem a tona os crimes que eu
Jurei nunca, em hipótese alguma, cometer.
A intimidade é o caminho para a individualidade.
A individualidade é o caminho para a alteralidade.
A alteridade é o caminho para a coletividade.
A coletividade é o caminho para a humanidade.
A humanidade é o caminho para a totalidade.
A totalidade é o caminho para a unidade.
A unidade é o caminho para a diversidade.
A diversidade é o caminho para a intimidade.
Tudo é Caminho.
É no ir que está o descobrir.
É no tentar que está o experimentar.
A errância que nos move a algo maior que o conhecido.
A Mensagem que se torna independente do Mensageiro.
Que se materializa, que se humaniza, que se eterniza.
Tudo o que acontece fora é uma emanação do que acontece dentro.
A vida é como uma grande bola de espelhos, refletindo o Todo a cada momento.
O corpo é o resultado de quem somos em todos os planos de existência.
Olha no corpo: tens lá todas as respostas.
Em cada decisão tomada, há uma nova lição a ser retirada.
Em cada lição aprendida, há uma nova missão a ser cumprida.
A imaginação é a etapa primeira da materialização.
Tudo o que existe materializado um dia foi imaginado.
As respostas só te podem ser reveladas quando abres espaço dentro de ti, isto é, quando te esvazias e silencias. Só no vazio e no silêncio podes receber as revelações.
Lembra-te:
– A cada instante, só te é revelado o que precisas de saber. Nem mais, nem menos.
Por isso, esvazia-te das tuas certezas, sê paciente com a revelação das respostas e fica sempre aberto à sabedoria do instante.
Lembra-te:
– A vida só se revela a cada instante.
Alguma morte dentro de ti
Precisa de ser plenamente vivida
Pois só assim poderás morrer
Definitivamente
Nesta vida
o que vês fora
vês dentro
há tanto que vês sem ver
e tanto que não vês vendo
tudo se mostra a seu tempo
leve uma, duas ou mais vidas
- qual seria a graça de ver tudo de uma só vez?
No ato da Criação
Não há um começo
Mais certo que o outro
Qualquer começo é válido
Começa por onde quiseres
Começa
Simplesmente
A Criação é infinita
Faz a tua parte
Que já é Imensa
Consegues Entender que és tu
o Criador?
Consegues Entender que és tu
a Criação?
Não precisas sequer de o Entender
Porque tu já o És
o que sei não é proporcional ao que sinto
o que sinto não é proporcional ao que sonho
o que sonho não é proporcional ao que vivo
o que vivo não é proporcional ao que sou
o que sou não é proporcional ao que somos
o que somos não é proporcional ao que É
Nesta era do fazer, o convite é DESFAZER.
Nesta era do aprender, o convite é DESAPRENDER.
Nesta era do tagarelar, o convite é SILENCIAR.
perante um não querer mais forte que o querer
a ideia que se esbate nela mesma
o silêncio - fundador de tudo
Unir Céu & Terra é a solução para uma vida equilibrada.
Para o equilíbrio entre o que nos é pedido executar e o que nos é devido cumprir.
Memórias e mais memória, para que te quero tanto?
Lá se foi mais um lindo dia
Com o meu som preferido
Elevando a poesia
E você ao meu lado
Querendo colar a sua boca na minha
Lá se foi o meu pior dia
Quando tudo parecia neblina
Com o som desligado
E você já não estava ao meu lado
Nem bocas coladas, nem abraços apertados
E talvez a memória esteja compadecendo comigo
Estou lembrando dos lindos dias
Que tudo fora tão estrelado
Dos beijos infinitos, dos abraços simétricos,
Do meu olhar ao teu, e o seu ao meu
Essas memórias sim
Que devem ser intermináveis.
A realidade é a tua interpretação da tua realidade.
Portanto, como contar a tua história de forma isenta e factual?
Vivendo-a, sem mente interpretativa.
Não te apegues ao mundo, nem sofras por antecipação.
Há planos maiores impossíveis hoje à nossa compreensão.
