Poesia do Preconceito Vinicius de Morais
TRISTURA (soneto)
Triste é redigir a poesia, com sofrência
Daquele amor que se conheceu um dia
O amor inteiro, de cortesia, de quantia
Vê-la desvaísse sem qualquer anuência
Triste é ter prosa na saudade, chateza
Daquela ausência que já fez suspirar
Do coração calado, outrora a palpitar
É ter o verso murmurante de tristeza
Triste é tanto silêncio, falta no versar
É o amor sem a poética para se amar
São os cânticos poetizados com ilusão
Triste é a recordação sem recapitular
A inspiração que não quer mais falar
É redigir a poesia, triste, sem paixão!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
24 setembro, 2022, 22’05” – Araguari, MG
SEM CULPA
Na poesia se alivia o estado de pecador
Com os versos molhados em um pranto
De uma paixão, do ciúme, dum amargor
Completando a alma com prazer, tanto!
Tivesse a poética o afago, o dado amor
E tudo mais de um olhar, o seu encanto
Se fosse a prosa perfumada, com ardor
A sensação seria e não mais entretanto
No alívio no cântico, a arte e a fantasia
Que transborda em uma rítmica magia
De sentimento sem qualquer desculpa
Então, pulsa na poesia um lírico sonho
Imaginado... Com aquele valer risonho...
Doando ao poeta, calmaria sem culpa!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
29 setembro, 2022, 11’46” – Araguari, MG
ENLEVO NA POESIA
Não quero por saudades na poesia
Quero é ter nos versos só sensações
Aquela alegria com ternas emoções
E um pouco de poética em quantia
Não quero por tristuras com clamor
Na prosa, eu quero a rosa, a paixão
Para, então, com a sorte ter razão
E, assim, narrar em versos, o amor
Preciso da poesia causando sentido
Não aquele sentimento tão dividido
Quero um olhar, os gestos, enfim,
Ter os cânticos sensíveis e o agrado
Sem temores, sim, o enlevo velado
Aí, tendo-a eu, e ela tendo a mim!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
29 setembro, 2022, 21’46” – Araguari, MG
POESIA DECAÍDA
Hoje, redijo uma poesia descaída
Onde minha poética a ti confessa
Os sentimentos de uma dor doída
E a agrura que tua falta expressa
Ah! solidão negra, que burla a vida
Corrói todo o pensamento, à beça
No silêncio, numa ausência sofrida
Do amor perdido e sem a remessa
A noite é longa, a emoção na proa
Brumas nos olhos, truncada pessoa
A sensação demora na monotonia
O que me pareceu o versar eterno
Que no peito pulsa ameno e terno
Hoje, na poesia, decaída, só agonia!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
05 outubro, 2022, 13’31” – Araguari, MG
CANTANDO EM VERSO A SAUDADE
Este vazio de uma poesia sem um feito
Essa lembrança poetando com espinho
É igual a uma aflição pinicando o peito
O que era a dois, depois, virou sozinho
E, os versos ardentes jazem no passado
Escrevendo a tal dor de uma despedida
A poética indigente... o poema cansado
E em cada ênfase uma emoção partida
É aperto em cada canto rimando a sina
Em compasso aflitivo que não termina
Sussurrante a uma ausência que brade
É uma linguagem suspirada da solidão
Da nostalgia, fria, do pesar do coração
Carecido, cantando em verso a saudade...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
07 outubro, 2022, 17’57” – Araguari, MG
DUELO
Como é triste a poesia sem um amor
Sem desprender as sensações do belo
Sem sedução, sem o carinho ao dispor
E no sussurrar um sereno tom singelo
Essa condição acende no verso o ardor
De emoções sentidas e agrado paralelo
Deixando o poema com particular teor
Então, assim, entre olhares, aquele elo
Sinto aperto, amarga rima esfarrapada
Com apoucada emoção na madrugada
Murmurando as questões de um flagelo
Digo, ao nada, do qual a poesia é fadada
Pra se ter sentido numa prosa aperreada
E não a ilusão e a solidão... em um duelo
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
08 outubro, 2022, 15’11” – Araguari, MG
(Chiaroscuro)
"Qualquer coisa de obscuro permanece"
Na poesia torpe que escreve a tristura
Na sombra de uma lágrima rude e dura
No opaco que uma desventura refece
“Aranha absurda que uma teia tece”
Que fia a desilusão de uma amargura
Em uma trama duma ressentida figura
Com a sensação em sua amorfa messe
"Mas, vinda dos vestígios da distância"
Essa saudade que o peito muito sente
Suspira forte, vestígios de importância
"Remiu-se o pecador impenitente"
Dessa dor que na alma é constância
Indigente, “chiaroscuro”, persistente...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
09 outubro, 2022, 15’11” – Araguari, MG
parceria com Fernando Pessoa
INDA
Inda a minha alegria é a poesia
Inda sonhos perdidos na lonjura
Inda aquele verso que procura
Inda a poética, o olhar à revelia
Inda a sede e uma livre fantasia
Inda na terna prosa a aventura
Inda uns tais versos com doçura
Inda aprendiz, o canto e magia
Inda a inspiração d’alma escoa
Inda a presença... bem vinda!
Inda sensações que me povoa
Inda aquele versar na berlinda
Inda sentimentos, real, de boa
Ilusão, a paixão, o amor... inda!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
20 outubro, 2022, 06’34” – Araguari, MG
O MANTO DA POESIA
Depois de uma poesia, outra poesia
Onde eu sei que criei porque é criado
Tendo a inspiração e o incito ao lado
Então, podendo ser real ou fantasia
Selvagem, nasce de ousada travessia
Infiltra-se-lhe um estímulo imaginado
E, assim, no recamo que o é decorado
Transcrevendo sentimento e a magia
E, traduz-se-me em um desejo liberto
Excarcerado pelas mãos. Ah! encantado
Toma fôlego, um significado e a direção...
Depois da poesia o entusiasmo certo
E, essa vitória se gloriaria tanto, tanto
Se no leitor despertar a devida emoção!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
21 outubro, 2022, 15’04” – Araguari, MG
CHAMO
Sou eu! Não me ouves, poesia? Piedade
Sinta está sensação que pulsa no pranto
Olha este sentimento que me pesa tanto
Que brada, dói, que me faz pela metade
Pois, não vês a poética que traz saudade
E meus versos com versos sem encanto
E que o canto traz tristura no seu canto
Portanto, ouça-me, e não seja maldade
Quero prosa e agrado, não de centavos
Quero bravos, ver o verso maravilhado
E em cada versar um versar com ardor
Eu tenho mais que somente os agravos
Tenho o ritmo na alma tão cadenciado
E no coração a exatidão doce do amor!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
05 novembro, 2022, 17’20” – Araguari, MG
QUERO VIVER ASSIM...
Quero viver assim, numa poesia num arrebol
Inebriado com o canto da cigarra no cerrado
Na encantada tarde e aquele lindo pôr do sol
“Bonachado” sem arrependimento ou pecado
Minha vida é uma prosa e tão cheia de anzol
E, também, venturas, tal o som compassado
De um violino, cantante, da poética em prol
Sou um bardo dum presente e dum passado
Quero viver assim, poeticamente, ter valores
Olhar sedutor, rima a favor, as dadas flores
E que a minha maneira não me deixe ao leu
Sobre o meu fado um sentido e uma canção
Na certeza de que tudo é emoção, sensação
Em um renovo. Solto de sentimento cruel!
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
15 novembro 2021, 15'51" – Araguari, MG
SONETO DO AMOR QUE VIROU POESIA
E, cativo da prisão das ternuras
A alma com afinidade por perto
Pra conter em um coração certo
O desejo, a poética em longuras
Muito é o esmero, em companhia
Vestígio de carinho e sentimento
Com emoção, sensação, contento
Em prosa de satisfação e alegria
E neste meigo e atraente cuidado
Um sorriso, um gesto e ao lado
Aquele olhar que na paixão cria
A cada verso, que, assim, trovando
Tem vinculo na entrelinha rimando
O soneto do amor que virou poesia!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
12 dezembro, 2021, 10’43” – Araguari, MG
DOR
Desbotada, à rima da poesia sombria
Sobre a agonia da sorte predestinada
Tal qual a lua na noite, esbranquiçada
O versar na prosa é de pálida melodia
E nesse tom lúrido e de sensação fria
A inspiração pela solidão é embalada
No silêncio das ideias, cheio de nada
Onde cada verso, de agrura se vestia
Chora o verso, e o verso vai chorando
Sofrença palpitando, as quimeras indo
Da imaginação. A tortura no comando
Não rias da poesia, ó vil dita, convindo
Pois, o versejar vela a tristura rimando:
Com muitas lágrimas no papel caindo!
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
04 de maio, 2023, 15’55” – Araguari, MG
MAL DE DOR
Toda poesia de agonia, por mais que doa
Na prosa de espera encontra recompensa
Toda aquela situação que causa sentença
Muda-a poeticamente em composição boa
A rima que fere, a inspiração que agrilhoa
Emoções não são que o tempo não vença
Apreço transforma em luz a penúria densa
Em um verso com sentimento nada magoa
Ai do poeta que sente, sem ter proposta
Escrevendo o mal de dor e de amargura
Negando o sim, e poetizando que gosta
Noutra parte, em vão, busca a ternura
Em um coração partido, sem resposta
Pois, somente com amor a dor se cura!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
23 maio de 2023, 14’16” – Araguari, MG
TONS
Minha poesia tem poéticas intensas
Suspiros, sussurros, claras cascatas
De emoções, e versos em serenatas
Canta o amor, com melodias densas
Assim, efetuadas com doces sonatas
Ritmando ardores e ilusões imensas
Trova, inspirando emotivas nascenças
Dando ao tempo, infinito, e não datas
São tais como os sentimentos imortais
Cheios de paixões, sofrimentos e mais
...mais que os desencontros tristonhos
Tem olhares, tem gestos, aquele sentido
Brandindo o verso e ao versar colorindo
Com os tons dos meus próprios sonhos!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
30 maio de 2023, 18’10” – Araguari, MG
ESTADO DE GRAÇA
A alegria, poesia, que hoje poetamos
Só pode ser com sensações descrita
Cheias de versos com poética bonita
E sentimental prosa, assim, estamos
Tão impregnados de afeto, possamos
E o coração, tomado de paixão, palpita
Que tudo fantasia, e sonha, e acredita
Assim, inundado de fascínio, sigamos
Todos estes versos de doce encanto
Que vemos na rima e em tudo vemos
Desabrocha do amor que nos é tanto
Que neste sentimento amável unamos
Mais... que cá nos versos escrevemos
Cada vez mais, ter inteireza, possamos!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
06 junho, 2023, 20’03” – Araguari, MG
ACROBATA POESIA
Sonha, devaneia, numa prosa que acalenta
Como a sensação dum coração enamorado
Nervoso, poético, em um versar encantado
Sentimental e de um desejo que apimenta
Versa a imaginação, com a alegria atenta
Agita a alma e, dum sentimento povoado
Salta, celebra, gargalha, frenético pecado
Sai e escorre pelas mãos, a trova sedenta
No movimento a inspiração se lança no ar
Do alvor do papel, e em piruetas a apontar
Viravolteando cantos de amor e de magia...
Saltitante pensamento, poeta, saltimbanco
De ilusão inquieta, num rumoroso arranco
Se arroja e se mostra em acrobata poesia!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
09 junho, 2023, 20’32” – Araguari, MG
PROCURANDO
Eu procurei, no íntimo, aquela poesia
Devotada para ti, sôfrego, procurava
Queria encontrar cada sabor, tentava
Nos achar em um verso cheio de valia
Corri fantasias, sonhos, perguntando
A toda a inspiração que me inspirava
Indagava, onde foi parar, investigava
E, assim, aos poemas fui mendigando
E nada deparei, e nem me respondeu
Quase chorando, caminhando no breu
Da saudade, senti minha alma perdida
Então, nesta sensação que eu bem sei
O sentimento disperso não encontrei
Mas, uma nova poética achei na vida!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
16 janeiro, 2023, 19’51” – Araguari, MG
CARNAVAL E POESIA
Mascarei-me de poesia
A inspiração de palhaço
Em cada verso a alegria
Nas estrofes jocoso traço
Rima em ponto de samba
De folião a prosa fantasiada
As trovas gênero de bamba
Numa tal poética encantada
Vesti-me de poema na folia
Sai no bloco da imaginação
Sambei com a arte e magia
Fevereiro, mês tão especial
Ao poeta: candência, canção
E, ritmo de poesia e carnaval...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
17 fevereiro, 2023, 12’42” – Araguari, MG
A VELHA POESIA
Modificou o tempo meu, está distante
Mas a velha poesia teima na saudade
Guardou cada rima dante e o instante
Daquele tempo, de poética felicidade
E agora, a velha poesia, claudicante
Passada... poetisa tudo sem vaidade
O sentimento, nos versos, arquejante
De tanto que penou e tanta soledade
Acho a velha poesia, então, tão igual
Mesmo envelhecida todos estes anos
Não perde aquele suspiro n’alma, real
De sensação cheia, cheia de fantasia
Ela peleja, ela nubla, tem desenganos
Mas, glorifica o amor, a velha poesia!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
18 fevereiro, 2023, 18’46” – Araguari, MG
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