Poesia do Preconceito Vinicius de Morais
ENVELHECEU COMIGO
Quando, à primeira vez, me vi na poesia
Que foi lá pros tempos da longe meninice
E quedei-me à paixão de quem sentisse
Sede n’alma, emoção e razão na grafia
E depois, fantasia e ilusão, a vê-la, disse:
É moço o poeta é enroupar-se de ousadia
O sentimento aceso, estro, sedução e cria
Hoje a sinto entre as sensações da velhice
Cá de caneta e papel, trancos e solavancos
Vejo-a idear as mãos em prosa, terno abrigo
De venturas e os hostis versos saltimbancos
E ao apreciá-lo assim, inteiramente, digo,
Vendo-a poetar com meus cabelos brancos
A poesia, realmente, envelheceu comigo...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
14 setembro, 2021, 17’07” – Araguari, MG
POESIA ETERNA
Poesia és dona de mim, prosa me pertence
E, nesse poético cativeiro, deliro por inteiro
Cá nos versos sinto sussurrar tão verdadeiro
Que nada me cabe no pensar, ou algo pense
Cada trovar meu, o versejar me convence
Que cada canto no seu canto é passageiro
E que num piscar o devaneio é tão ligeiro
E o destino, uma ilusão na arena circense
Mas, então, se tem sensação, então tem aba
Do desejo, a velha afeição, emoção sentida
Que em uma poesia, o poeta, então se gaba
Sonhos, as lágrimas, a chegada e a partida
Ah! se existe no coração fusão, nada acaba!
Pois, o amor que eterniza a poesia da vida...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
17 setembro, 2021, 15’18” – Araguari, MG
AMOR E VINHO
O amor é vinícola, é poesia
Degustação, prazer, carinho
E, não nos faz ficar sozinho
É buquê, o querer, harmonia
Embriaga de alegria, fantasia
Que transforma, um cantinho
Um eternamente enamorado
O sedutor cochichar baixinho...
Provar do amar e ser amado
Saboreando o vinho!
Como é bom o apaixonado! (Tim Tim)
Assim, branco, tinto, espumante
Total combinação, sentir alado
De ser poeticamente amante!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
18/09/2021, 10’34” – Araguari, MG
ÁVIDO
Guardo alegria n’alma e na vida poesia
Uma sempiterna empolgação no amor
Cheio de sonho, e de contente fantasia
Que enlouquece, me traçando pecador
Perpasso junto ao destino sem profecia
No jeito de tê-lo, vou e ofereço uma flor
Na romagem da sorte quero companhia
Assim, no sentir estar em um tom maior
E nessa mais furiosa sensação peregrina
No trilho do sentimento nem se imagina
O bem, o bom, sangrando afetos imortais
Então, sempre digo com doçura e calma
Estes versos que vibram de minh’alma
Com paixão, emoção, no querer mais...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
14/12/ 2020, 09’28” – Triângulo Mineiro
Rosa, cor-de-rosa
O dia com poesia para acordar
Arranco um olhar fácil da vida
E mais outro, como vale amar.
Na mesa o café, em acolhida
O pão com manteiga, a prosa
É ela ali tão erguida...
No jardim, a rosa cor-de-rosa
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
15/12/ 2020 – Triângulo Mineiro
poema do cantinho
sabe aquele cantinho, o lugar
um recanto, onde quando fatigado
a poesia possa nele criar
refastelar, todo ele almofadado
inspirado, de sonhos, letras, flores
cá para as bandas do cerrado
cheio de charme, de cores
os amores... verso alado
tão mansinho
simples, sofisticado
emocionante e, com carinho...
na imaginação imaculado
apenas um cantinho
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
28/04/2020, 10’25" - Cerrado goiano
MINHAS SAUDADES
As minhas saudades! A todas elas fio
Na poesia, arrendadas da lembrança
Entre os dedos coando o sofrer vadio
Do falto, eis que me vou nesta dança:
- Não queria ver-me, assim, neste estio
De poética rimando o pesar em aliança
Hora por hora, em um sentimento frio
Sem quem me adore, sem esperança...
Pranto e choro! Ó solidão, triste prece
Um poetar no morto papel de fatuidade
Num aperto, que tudo inda estremece!
Ó inspiração, tu que sopras estas dores
nos poemas onde só queria suavidade?
Assim, só trama saudade dos idos amores!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
Maio, 12, 2021, 20’46” – Araguari, MG
SONETO SENTIMENTAL
Eu poeto e poetarei sempre como poeto
Uma poesia de amor é o bem que se tem
Cheio de encanto, e da poética vai além
Onde nos há de ser aquele sentir secreto
Porta da sensação, que se abre no soneto
Sentimento de poesia e paixão, também
Nos acolhe, e pro viver, nós faz tão bem
Porém, tem de afazer do medo discreto
Um amor! que bravo, que bom que belo
Ali está a emoção, o ter, vamos facilitá-lo
A estimar-nos em galardão de estimá-lo
Assim, não se pode versar sem conhecê-lo
Pois, é singular querer haver, e ganhá-lo!
E, és sentimental até na ilusão ao perdê-lo
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
25/05/2021, 13’02” – Araguari, MG
RELÍQUIAS
Nestas velhas páginas amareladas
Duma poesia de outrora, de amor
Retalhos das prosas tão choradas
Sussurro em verso, versos de dor
Relíquias... eram ilusões doiradas
Que cá versam nostalgia e clamor
Os restos de poéticas enamoradas
Num soneto sofrente, sem pudor
Ai! verso a verso, vai, e tudo parte
A ideia se apaga, e vem outra arte
Nas lembranças, que doridas são!
E, passo a passo, que se esquece!
Tudo envelhece! e assim, fenece...
Deixando o seu cunho no coração!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
03 agosto, 2022, 05’40’ – Araguari, MG
ENTRELINHAS
Se o ledor pudesse ler as entrelinhas da poesia
Minha, que cada surpresa do fado me reservou
Entenderia os suspiros, a dor e toda a antinomia
Dos versos agridoces, que no meu versar chorou
A desdita está em cada poética, tanta a agonia
Imbuídas naqueles perdidos sonhos que sonhou
Cada desejo, num gesto que não era de alegria
E sim, apertos no peito, que o causar idealizou
Poeto sentimento, o sentimento inteiramente
E nunca indiferente, e tão pouco eternamente
Devaneio, amo, idealizo, busco ir sempre além...
Porém, do calvário não se pode ficar sem nada
Cada qual com seu traçado e com a sua estrada
Tudo passa! E do destino aquele servo e refém!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
04 agosto, 2022, 20’22’ – Araguari, MG
SONETO INCOLOR
A poesia, que um dia me cobriu de amores
Hoje silente na sensação e tão cheia de não
Entoando transgressão pra versos pecadores
Tão perdidos e tão desamparados na solidão
Inquieta. Mas vai aonde o romantismo fores
Pra então sentir e auscultar a voz do coração
E assim carregar os poemas e as singelas flores
Do jardim da imaginação, sem morrer a paixão
Dores, rumores, temores, no versar presente
Que deixa a rima despovoada, nua e ausente
Quando se só queria a emoção dum amador...
Na sofrência que voa duma dura imaginação
A tristura, chama está, duma rude desafeição
Então, poetando o acaso num soneto incolor!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
11 agosto, 2022, 20’40” – Araguari, MG
PERDIDO AMOR
Na poesia, eu te chamava com teimosia
Saudando-te com um tal próprio jeitinho
Eram versos de sentimento e de alegria
Que nos quais eu te sussurrava baixinho
Era uma sensação que, muito, eu sentia
E já sabia da emoção que viria, carinho
Pois, em cada rima, de ti uma melodia
Urgia e, o tempo passava devagarinho
Por onde andara meus versos agora?
Sem ti, se só há lembrança de outrora...
Então, um aperto na alma, um ardor
E, aquela atenção que era companhia
Que trazia cheiro, agora, é prosa vazia
Tentando esquecer um perdido amor!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
16, agosto, 2022, 19’46” – Araguari, MG
UMA MANEIRA
A cada prosa de uma nova poesia
A doce poética se revigora vigente
Enche a profunda obra de quantia
Onde cada sensação nunca mente
É muito bom a gente ter cadência
Sussurros da imaginação, a sonhar
Naqueles versos cheios de essência
Pois, serão ao poeta o valioso lugar
Amar, e amar, o inevitável segredo
Da trova que quer a afeição suspirar
Versado com a variedade sem medo
Um enredo, um sentido, uma maneira
Pra acelerar a emoção e fazer delirar
Senão, estás a perder a prosa inteira...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
20 de agosto, 2022, 21’20” – Araguari, MG
VERSOS ETERNAMENTE
Hei de poetar os versos eternamente
Do amor, e cantá-los em doce poesia
Para que se possa ter no que se sente
Um sentimento de quantia, de alegria
Assim, em busca da essência secreta
Do afeto, e a tal atraente companhia
Vou com emoção do romântico poeta
Pra na prosa escrever o amor de valia
E, então, neste caminho de paz e bem
Não me esgote o talento e a inspiração
Que d’alma no versar eu tenha paixão
E não seja, nunca, uma falsa sensação
Que tenha mais cor, cheiro e plenitude
E não aquela trova indiferente e rude...
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
26 agosto, 2022, 13’03” – Araguari, MG
MALQUISTO FINAL
Vejo a minha poesia sem ousadia
Quando olho a poética no cinismo
Carregada de acaso, de ceticismo
Toda revestida de pouca quantia
Sem outra escolha e companhia
Sem um sussurro ou um lirismo
Enodoada de incolor simplismo
Que tanto põe minh’alma vazia...
Vou de uma sensação bucolista
Nos versos contendo a saudade
Onde chora a essência do artista
Então, tão cheio de árduo ritual
O soneto é bruto e pela metade
Assim, tendo um malquisto final.
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
29 agosto, 2022, 21’15” – Araguari, MG
porfia
cadenciado, um pingo e outro
porfia quantia
a chuva no cerrado
refrescante poesia...
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
30 agosto, 2022, 05’48” – Araguari, MG
À REVELIA
De um amor, o capital fragmento
Da traição, nada, nenhum pedaço
A apaixonada poesia, tento o passo
E, em um compasso, o sentimento
Os acasos, então, ficam ao relento
De caso a caso, sedução, o espaço
Na conquista, também, no fracasso
Criando suspiro, sonhos e lamento
Assim caminha a variegada emoção
Do fado, cheias de veloces olhares
Onde há causa de um sim e do não
Aí, inventa e reinventa o outro dia
Imaginando a tão mágicos lugares
Para aí traçar sensações à revelia...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
31 de agosto, 2022, 05’05” – Araguari, MG
UMA POESIA
Por tempos eu procurei uma poesia
De amor, e ela sempre evitou a mim
Cheguei achar que a poética, enfim
Sequer iria inspirar-me uma alquimia
E de tanto buscar em vão, por fim
A trova vazia, em branco, arredia
Que nem bem surge, e vai, todavia
Palpita no meu coração, tão assim!
Mas, em outro tempo, foi-me além
Sussurrando n’alma aquele alguém
Que até hoje, sinto, mas se perdeu
Pois, ao querer bem, e mais amante
Veio o amor apenas por um instante
E em versos incessantes, prossigo eu...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
02 janeiro 2022, 04’55” – Araguari, MG
"La Fenice"
Versar é preciso, muito embora moído
A poesia dilacerada, sem imaginação
Pôr o sentimento de novo em criação
Surgir dos destroços, deixar o alarido
Refazer cada estrofe, ter o novo rumo
Ter na história aquele empenho valido
Aquela sensação marcada, um sentido
Ter na prosa ritmo e na ventura prumo
Quero a cadencia no verso, a boa sorte
A harmonia e a poética com um aporte
E quem sabe a felicidade, então, trovar
Renascendo das cinzas o verso esvaído
Chorado, sofrido, num agrado incontido
Tal “La Fenice” novamente poder causar
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
12/11/2021, 18'58" – Araguari, MG
PROPORÇÃO
Eu amo a poética e poesia
que faz uma inspiração ter
sonho, a ilusão e a fantasia
que a quimera põe a verter
A prosa, o verso, a rima
matizando a imaginação
dando cor, sabor e clima
desenhando cada emoção
A invenção e a realidade
tudo amo, assim, brado
pondo o meu contenho
O que sinto é alacridade
não tenho todo o agrado
mas agrado do que tenho...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
12/01/2022, 17’56” – Araguari, MG
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