Poesia do Preconceito Vinicius de Morais
Falar tudo o que tem guardado, o coração rasga e pula do peito quando quem fala éo sentimento. Quem diz é o tempo: a vida seu maior alimento. Quando grito é porque tenho o meu direito. Quem é que me impossibilitará de Deus invocar? Ele se apresenta em cada ato o recado, um aviso a quem tem me observado, um aceno a quem tem se integrado. Olhares que escondem o vazio, a mente diz o que quer: com ela eu me esvazio. Calado, concentrado, lutando com o diabo, aquele que meu reflexo no espelho tem mostrado. Meus pensamentos em cacos; minha vida que se dissemina entre a existência. É tudo parte de um plano. Só quem é sabe. Só nos resta esperar. Talvez essa seja a cobrança, o chamado.
Me perguntaram o que eu sinto? Respondi: tu queres saber o que tenho omitido? Sonhos num caderno rabiscado; avisos em um texto sublinhados. Versos que tem me guiado. Ouvidos que entendem o recado. A vida se resume na matéria preencher o vácuo. Na existência evoluindo de dentro pra fora. Assumindo todas as direções, cores e formas. Olhar que reforma. Mente que se conforma. História que remonta. Tempos que vivem no agora.
Imagens que aparecem na minha frente: se dizem ser a realidade, pensamento altera o cromossomo. O escriba, o conhecimento e o recurso necessário. Fragmentos da vivência expressas nas paredes. Cultos, humanos ociosos tentando tapar o vazio da existência. Quando elevo o pensamento procuro a mais bela manifestação humana. Quando minha alma chora: declama, inflama! Quem tem se subordinado? Ancorado a fatos remontados. Declarações autônomas. Mente em estado de coma. Vidas que vivem em baixo ou em cima da lona. Se eu posso pensar diferente de qualquer ser vivo, me restava escolha: se faço o máximo ou se faço o mínimo?Declarações do raciocínio. Diários do fascínio. Ligar os raciocínios. Antes que as mentes estabilizem na sintonia das máquinas e alegorias do mundo físico.
Mente livre, que fala o que pensa: o que sente. Não deixa tudo guardado na mente. Depois culpa a serpente. Cura as mágoas na cachoeira de aguardente. Escravo que balança as correntes. Não deixa que o vassalo lhe entre na mente! Olhar da águia que nos observa dos céus. Cruzando os mares. Enviando mensagens. Sociedade nunca existiu de verdade. Tramoia e crocodilagem. Guerra pelo poder, e a massa fica nesse impasse. A mente cria até sua própria morte. Quem fala pelos cotovelos, deseja que sejam atendidos suas súplicas e apelos. Apego ao dinheiro. Vida humana que emana desespero. O poder de escolher como viver, faz do sonho pesadelo.
Virei a página do milênio. Consultei mais um gênio. Fiz da vida meu maior engenho. Me esforcei comtodo desempenho, pensar que tudo tem o seu momento. Abrir a janela do tempo e costurar o agora. Por toda a eternidade, até encontrar minha verdadeira identidade. Quem diz que sabe, pouco sabe. Mente que revela sua fraqueza. Tem que existir o feio pra que aja beleza. Consulta nos horóscopos, logo ponha as cartas na mesa. Criaturas e suas presas. Pessoas e empresas. Represas, conforme o tempo deixa. Só quero a sensação de liberdade, já que nunca a terei de verdade. Me liberto na escrita: pra cada mistério uma premissa. Em cada derrota extrair uma conquista.
Não existe derrota sem glória, vida sem história. Existe mente que explora. Valorização pro que tá fora. Vou olhar ao redor e encenar com senhores e senhoras! Num mundo onde se cria o que a mente imagina. Cada pensamento puro da infância gera um mundo onde o tempo não interfira. Aonde o vazio habita entre átomos, cromossomos… Seres humanos e seus planos. O pé que pisa também é a formiga que está se autoexterminando.
Trago histórias novas a serem contadas. Histórias que ficam presas no passado, nos servido de aprendizado no futuro do passado.
Ensinamento de momento pelo tempo repassado. Continuidade do legado. Espírito alfabetizado, problemas contabilizados. Enigmas e seus recados. Sem cardápio. Extraindo luz preenchendo com matéria o vácuo.
Mente livre se controla. Camaleão se adapta à flora. Corpo desacordado, alienado, acostumado com o que tá fora.Coração que pela palavra se conforta. Mente torta se descontrola. Correspondente, espiral e circular feito mola. Conexão do passado com o agora. Síntese da história. Aprendizado na lida e na vida, entre idas e vindas à escola.
Verso livre, que inclusive libertou escravos, reis e seus vassalos. Leis criadas pelos beneficiados. Assinei contratos. Disseram que eu deveria ter me rebaixado. Detelescópio observar o abstrato. Agora tirei mais um retrato. Quebrar a barreira entre o lógico e o inimaginável. Desvendar o enigma da vida que é instável.
De onde vem a voz que fala no insight? Mensagem atemporal. Age, controla o vendaval. Abre fenda no tempo, mais discreto que o vento. Condução do pensamento. Escrevendo na rocha, no reflexo na água me reconhecendo. Minha vida no fio do aço da espada. Subir o próximo degrau da escada. Timbre que toca o tímpano, relâmpago que acalanta o âmago. Triturador de sonhos. Falsificação de tronos. Plastificação de faces. Miragens e oásis.
Contatos pelos povos entre os tempos pela escrita. Literatura progressiva. Reflexão momentânea que se eterniza na tumba pelo escriba.
Esculpindo a fisionomia da vida. Pincelando tinta dando forma singular ao abstrato. Ondas sonoras ecoam entre obstáculos. Atuações compõem o espetáculo.
Desde a traição, ano após ano Cronos vem se alimentando. Devorando seus filhos. Até que Gaia trama um plano e salva um de seus netos. Esse bebê se chama: Zeus!
Como diria Heráclito: “tudo muda” - mesmo assim, muitos querem conservar imperfeições, são poucos comprometidos com a construção do novo mundo.
Me deixa me embrenhar de incertezas enquanto houver dúvidas sobre a mesa, sou grato por cada acontecimento, de tudo extrai o tesouro da sabedoria do ser que vive sem buscando um porque.
A perda é a inacessibilidade absoluta. Momentos são fragmentos de incertezas. Rejeições são possibilidades. Erros são professores. O passado é um mercado: entre marcas, escolho o que é necessário, controlo o desejo do que me controla. De tudo que já tive, o que mais me falta é o amor, atenção - irão chamar de carência, talvez seja, melhor dizer o que sinto do que entregar minha vida de bandeja.
Deixa eu te contar uma novidade, do amanhã tenho saudade. Vivi agora uma vida de segundos programados, frames de uma vida orquestrada. Uma escada com degraus que elevam ao céu, da vida sou réu, do quadro o pincel que espelha s tinta, a tela é s vida, percorro veias pelo sangue que circula, sou distração pra vida dura, outro alguém que ocupa espaço e influência, direitos todos temos, mas poucos exercem, muitos se esquecem que a vida tem um porque que não procuramos. Se for busca pelo prazer racionalizar e o que nos impede de viver.
No mundo pós-moderno, ainda vivemos sob o pensamento retrógrado e conservador do pré-renascentismo.
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