Poesia de Pureza

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⁠Tem boca que fala bonito,
Tem boca que beija bem.
Tudo junto, é raro...
Mas porque tens,
Me cala fundo!!

MABUJES




No deserto quando eu era menino
Uma voz bem ao longe sussurrava
Que a verdade não estava no destino
Mas em cada passo que eu dava.


Cresci sobre dunas de areia
Aprendi com a observação
Segui a luz que clareia
Na candeia da intuição.


Vi homens brigando por certezas
Que julgavam ser a única verdade
E outros chorando de tristeza
Por terem confiado em falsidades.


Não estão no fim da jornada
As respostas que tanto procuro
Elas estão nas várias pegadas
Que deixo nos longos percursos.


E a voz que me chama
É o outro eu que reside
No âmago das entranhas
Que minha mente não atinge.


Vi impérios desmoronarem
E o poder deixar os poderosos
Vi pessoas se digladiarem
Por conceitos religiosos.


Servi sem esperar recompensas
Ouvi opiniões contraditórias
Aprendi sobre os pais das crenças
E sobre personagens da história.


Mas foi no templo do silêncio
Que encontrei as respostas
Aos muitos questionamentos
Que pesavam em minhas costas.


A luz que o peregrino
Anseia encontrar
Só estará no destino
Se lá ele a colocar.


O viajante que junta azeite
Nos trajetos que permeia
No destino encontra deleite
Ao ver brilhar sua candeia.

Limpe o vidro do espelho
Até que ele consiga
Revelar o ser mais belo
Que seu interior abriga.


E caso ele se quebre
Não interrompa a viagem
Porque o que ele reflete
Vai além da sua imagem.


Ele exibe o outro eu
Que sua essência ilumina
E que o liga a Deus
Por ser centelha divina.


Não no fim, mas no caminho
Está a chance de redenção
Para quem nos pergaminhos
Anota sua evolução.


Se a noite roubar as cores
Das flores que você plantou
Deixe o sol devolver às flores
As cores que a noite roubou.


Seja guia e inspiração
Para quem caminha a esmo
Porque no fundo todos são
Peregrinos de si mesmos.


Eduardo de Paula Barreto
02/04/2026

Não existem vítimas ou culpados, o que existe são seres humanos vivendo realidades diferentes.

⁠O não merecimento

Amar é para os fortes
Não se iluda com palavras bonitas, elas podem partir de um coração sujo
Foi você quem me ensinou isso
Não vale render-se ao amor de alguém que mente
Não vale a pena dar frutos a algo que está podre
Melhor é servir ao Senhor
Este é sempre justo e perfeito.

⁠As melhores conexões é você quem faz.
Ou somos autores de nossos destinos ou somos conduzidos pelos pensamentos alheios.

⁠Todos os dias
Escolho seguir em frente
Os pensamentos me traem
Trazendo memórias às quais peço esquecer
Olho o futuro como um quadro branco
Mas não entendo por que ainda recordar o que passou
Vidas bagunçadas, trocadas
Mágoas que ainda existem aqui, na memória
E tudo continua como um grande ponto de interrogação.

⁠O amor não tem cor
O amor não tem idade
O amor não tem gênero
O amor não tem religião
O amor não tem classe social
O amor é e pode estar em qualquer lugar.

⁠Ir à igreja não faz de você santo
Ler a bíblia ou decorá-la, também não
Além de palavras, a vida de um cristão é baseada nas ações
No caminho reto e direito.

⁠É no errar e reconhecer, que muitas vezes se encontra o norte da vida.
Quem julga que não erra, jamais o achará.

⁠TENTAÇÃO

Enfeitava-se de lantejoulas
E vestia uma espécie de ceroulas
Sobre um corpo muito moreno
Pequeno,
Quase ao chocolate negro,
De púbis atena
Com cheiros de açucena
Muito farfalhuda
Negra, barbuda
Como as do pirata
Primata
Dos sete mares
Sentidos
Mas não percorridos.
Nestes meus invividos
Ares
Altares
Sem fé de sentir
O doce do fruto maduro
Sem ser só pão duro
Neste mundo inexplicável
Por tanto inextricável
Do que foi
E do que está para vir
Como um boi
Puxa a carroça da troça
Doente, por não poder fugir.
E a pequena esfinge
Egipciana
Era uma mulher que finge
Estar comigo na cama
Da ilusão,
Apenas, cruel tentação!

(Carlos De Castro, in Poesia num País Sem Censura, em 10-08-2022)

⁠ÁGUA NOSSA
Água nossa, que estás na terra,
Vivificado seja o teu nome,
Venha a nós o teu manancial,
Seja feita a nossa vontade
Assim sempre neste mal.
A água pão de cada dia nos dai hoje.
Perdoa-nos os crimes cometidos
Contra a natureza-mãe,
Que nós não sabemos perdoar
Aos ofendidos;
Nunca nos deixes sem uma gota
Que seja do teu bem.
............................................
E o povo rezava e o mundo orava
Aos deuses da água...
Mas a água não não veio.
Voltou o povo a rezar e o mundo a orar
Às luas das águas...
Mas as águas fugiram.
Então, o povo e o mundo não rezou mais!
Vieram todos e choraram,
Carpiram ao mesmo tempo
Em louco lamento...
Depois, a terra seca
Ficou inundada de água
Das lágrimas caídas
Vertidas
Pelo povo infecundo
E pelo mundo.
Amém!
(Carlos De Castro, in Poesia Num País Sem Censura, em 16-08-2022)

⁠“QUANDO AS GALINHAS CANTAVAM ÓPERA

Linda, a pastora penuda que comigo ia,
Calcorreando tão verdíssimos prados,
A pastar o gado da nossa fantasia,
De beijos, abraços e mais pecados.

E assim, lá íamos amantes babados,
Por entre folhagens e flores silvestres,
Almas puras, anjos sem pecados,
A não ser os fatais, dos terrestres.

Tudo era céu e luz brilhando,
Em piruetas de paixão vivida,
No colar de dois corpos, amando.

Oh, mas que cruel sina de vida!
A nossa, galo e galinha pastando,
Sem dentes para erva ressequida.

(Carlos De Castro, in Poesia num País Sem Censura, em 19-08-2022)”

⁠Um dia, pus uns óculos de sol, de lentes muito negras, para não ser conhecido.
Reconheceram-me todos, porque eu só uso óculos de sol, sem marca registada.

⁠SEGREDOS NA LUA CHEIA

Sempre vos quis segredar, ontem.
Antes que fosse anteontem.
Mas ninguém me ouviu.

Hoje, ouçam ou eu me agasto:
Fui feito da pedra de um crasto,
Minha mãe era a lua cheia
Meu pai era o brilho do sol
E desse amor, eu vim à boleia
Nesta estrada em caracol.

Segredo, guarda-se em cofre
Que tenha o coração ardente,
Se o não for, o confessor sofre
As penas de um ser demente.

(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 11-10-2022)

⁠EM MIM

Só agora, no fim, serei
O ser que não fui,
Porque errei no escolher
Da sorte, por não saber
Que ela só flui
A quem tem a coragem
De viver,
Sem querer entender
Se a vida é quadrada
Ou redonda
Como o mundo
Profundo
Entre a areia dourada,
A terra e o mar
E aquela onda malvada
Que nos arrebatou
E na tragédia nos levou,
Para um poço sem fundo.

(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 15-10-2023)

A dor da saudade em mim, ordena-me silêncio, reflexão e as luzes apagadas.
Tudo no escuro...




Carlos De Castro

Um pé de conversa que cansa e onde não se sente a verdade, por maior que seja a fôrma que forme o sapato, terá somente o tamanho de um pé de criança para os que detestam, como eu, a falsidade.











(©Carlos De Castro, em 02-09-2025, publicado no site PENSADOR.)

O PAI E A SAUDADE


Meu pai, foi-se cedo.
Fugiu.
Meu Deus, credo
Que meu pai partiu
Cansado,
Martirizado,
De tanto me ouvir,
Insistir,
Perguntar:
Porque me construíste, pai!?...
A mim, um vivo-morto
Cada vez mais vivo na morte
Que se fosse de outra sorte
Eu sentiria conforto
Se te tivesse comigo
Como aquele amigo
Que além disso é pai
E a gente pensa
Mesmo na descrença
Que ele, nunca, mas nunca se vai.


(Carlos De Castro, in Há um Livro Muito Triste Por Escrever, em 23-10-2025)

POEMA PARA TI
AVELINO FERNANDO DO COUTO RIBEIRO
(ou quando a morte fardada de roupagens negras se transforma em cristais de lágrimas puras que nem o sol consegue secar. © Carlos De Castro)
Há poucas horas te via
Na madrugada passar,
À minha porta.
Ias cedo, para o pão ganhar
Cedo ou tarde não importa
Quando o coração tem vida
Na noite que vai parir o dia.
E sou eu nesta elegia,
Neste paradoxo sem fim
Que afirmo com precisão
Que a morte é tão cobarde,
Se não,
Era fogo que não arde
E levava-me só a mim.
Assim, fico sem tino
Sem vontade de seguir
Esta vida, Avelino.
Pode ser que ao Divino,
Já no Reino do Eterno,
Possas rogar meu menino
Para que eu amado primo,
Jamais desça ao tal inferno.


(Carlos De Castro, in Há Um Livro Muito Trista Por Escrever, em 06-04-2026)

Tem um momento na vida em que a gente cansa de tentar caber na vitrine dos outros. Eu cansei. Cansei de olhar pro mundo como se ele fosse uma grande competição de quem ostenta melhor, de quem parece mais feliz por fora enquanto por dentro tá um caos parcelado em doze vezes sem juros. E foi aí, bem nesse ponto meio bagunçado da minha existência, que eu percebi uma coisa quase absurda de tão simples… eu nunca precisei de tanto assim pra ser feliz.


Porque a felicidade que eu encontrei não veio com etiqueta, nem com aplauso, nem com aquele olhar de aprovação alheia que muita gente persegue como se fosse troféu. Ela veio quieta, quase tímida, se instalando nos detalhes que ninguém posta, mas que sustentam tudo. Um momento de paz, uma mente leve, um coração que não vive em guerra… isso vale mais do que qualquer status que precise ser exibido.


E olha que curioso… quanto menos eu me preocupo em ter, mais eu sinto que já tenho. Já tenho o essencial, já tenho o suficiente, já tenho aquilo que dinheiro nenhum consegue comprar quando falta por dentro. Não é desprezo pelo dinheiro, é só maturidade pra entender que ele não manda em mim.


No fim, eu não quero ser rica de aparência e pobre de paz. Eu escolhi o contrário. E posso te dizer… essa escolha muda tudo.