Poesia de Pais de Pedro Bandeira
Presto atenção às entrelinhas...
O que se diz nelas,
é o que me parece essencial.
É onde está a Alma...
Muito além do visível e do audível;
é o que se percebe com os sentidos
do coração.
Cika Parolin
Mulher
A mulher e o único ser que escraviza o homem, não com força bruta mais com a sutileza de um sorriso e a graciosidade de suas curvas.
Sempre tristíssimas estas cantigas de carnaval
Paixão
Ciúme
Dor daquilo que não se pode dizer
Felizmente existe o álcool na vida
e nos três dias de carnaval éter de lança-perfume
Quem me dera ser como o rapaz desvairado!
O ano passado ele parava diante das mulheres bonitas
e gritava pedindo o esguicho de cloretilo:
- Na boca! Na boca!
Umas davam-lhe as costas com repugnância
outras porém faziam-lhe a vontade.
Ainda existem mulheres bastante puras para fazer vontade aos viciados
Dorinha meu amor...
Se ela fosse bastante pura eu iria agora gritar-lhe como o outro:
_____________________________________[- Na boca! Na boca!
"A vida é uma eterna primavera, sempre depois do inverno frio à caminho de verões intensos, nunca eternos.
Enfim meu bem, existir, qualquer um sabe, mas viver, viver é pra poucos.
A vida é uma fase de transição e entre altos e baixos vence aquele que vive de verdade, nem sempre quem sabe viver, mas sempre quem que tem coragem suficiente pra se arriscar nessa estrada rumo ao desconhecido que chamamos de viver"
Se me perguntares:
Aonde vamos amanhã?
Calarei. Ficarei muda!
Mas se teimar em insistir,
Perante uma seca relutância,
por fim, lhe responderei:
Trilharemos relvas desconhecidas
sob a proteção do silêncio.
Encostaremo-nos a um muro
do conhecimento que não se diz.
Descansaremos de um pensamento
que se expõe inconstante.
Beberemos da fonte da certeza
e nos entregaremos à sua leveza.
E então, você virá?
"A aventura da Alma Gótica – Parte V de um dueto com o Músico Petrificado":
Claro! Não sabias que Alma pode voar?
Através dos pássaros da imaginação
Colheu a flor da boca do penhasco
Mas não plantou com as margaridas...
Para flor tão especial, uma missão especial:
Homenagear o músico petrificado...
E para devolver-lhe a vida
Plantou a flor no violino.
Agora pétalas de notas musicais
E ecos de notas florais
Exalam do magnífico instrumento.
Não fiques triste pelo nobre sacrifício da flor!
Segredo: a música faz brotar jardins em almas.
E a nobre rosa vive num jardim musical...
Não quero mais chorar
não quero te fazer chorar
quero ler seu sorriso
ler sua respiração
pois quando leio você
posso sentir cada pausa
cada pulsar de coração...
Só eu que fico sem fôlego
e escrevo tudo sem vírgulas...
Terão coisas que dependerão só de você.
Mas primeiro saiba: este você,
não é você sozinha!
Tem alguém contigo:
Um doce anjo a lhe acompanhar pelo caminho.
A segurar sua mão perante o medo do vazio.
A lhe fazer voar por entre sonhos e verdades.
Só para lhe ofertar aquela tal estrela que há tanto queria.
Escute, ele sussurra aos seus ouvidos.
Fala apenas ao seu coração.
E lhe trará a certeza do amor,
a claridade da razão
e a determinação para seguir adiante.
É quando se experimenta o real sabor da felicidade que não se consegue contentar-se com nada menos que isto!
E quando menos se espera, a vida ainda é capaz de nos presentear com delicadas surpresas.
Mesmo que tudo, até agora, tenha sido sem sentido. Há sim, um sentido maior, além do que possamos entender.
Algumas mudanças chegam para nos sacudir. Retirar a poeira do comodismo. E até que enfim! Como é bom ressurgir!
Em sua profundidade: mistério escrito
em suma verdade: silêncios que gritam
surge o abismo entre o inefável e o sentido
por um lindo anjo em sua total dolência.
Janelas para uma alma que se guarda.
Caminhos viajam por um mundo íntimo
transcecendem a qualquer luz opaca
revelam segredos, até os mais ínfimos.
Meio de escape das emoções contídas.
Deslizam entre lentas gotas salgadas:
alegrias, tristezas, esperanças e partidas.
Profusão de cores, amores, sonhos e fadas
Sorrisos lhe chegam antes que nos lábios
Iluminam, brincam, distraem, embriagam!
A Virgem Maria
O oficial do registro civil, o coletor de impostos, o mordomo
da Santa Casa e o administrador do cemitério de S. João
Batista
Cavaram com enxada
Com pás
Com as unhas
Com os dentes
Cavaram uma cova mais funda que o meu suspiro de renúncia
Depois me botaram lá dentro
E puseram por cima
As Tábuas da Lei
Mas de lá de dentro do fundo da treva do chão da cova
Eu ouvia a vozinha da Virgem Maria
Dizer que fazia sol lá fora
Dizer i n s i s t e n t e m e n t e
Que fazia sol lá fora.
Minha voz trêmula
se cala
em meus lábios.
Minha escrita trêmula
se encerra
em minhas mãos.
Apenas meus olhos contam.
Esperei tanto tempo ver você chegar
que mesmo cansada e quietinha,
vendo meu reflexo no vidro da janela,
Percebi o quanto sou importante para mim.
Vamos aproveitar toda aquela energia que um início de ano nos proporciona e vamos usá-la a nosso favor! Vamos gerar novas energias, vamos dar nova dimensão aos nossos dias, às nossas atitudes. Vamos nos entregar de corpo e alma ao que nos faz sentir vivos. E vamos viver!!!
Viva, sinta, ame!!!
Lutar contra os próprios sentimentos exige manobras perigosas, corremos o risco de "amputar" parte de nossa alma, de esquecermos parte importante de quem somos, de nossa identidade.
Em nossa ânsia por proteção e segurança, muitas vezes deixamos de viver... E viver implica em "dar a cara a tapa". Isto é, pode doer, mas e daí?! Que doa, então! Mas ainda assim, será melhor do que não sentir nada... do que permanecer inerte, dormindo acordado, morto em vida... zumbi dentro da nossa própria rotina, criada para nos proteger, proteger do quê?! Já esqueci.
Arrisque-se mais, saia da margem! Você vai sentir a vida fluir no pulsar de seu coração, no suor tentando abaixar sua temperatura, no sabor salgado da lágrima que certamente escorrerá de seus olhos tentando aliviar o aperto de seu coração, o nó de sua garganta...
Sim, é verdade, nem tudo é como a gente quer, mas nem por isso vamos desistir, nos entregar, deixar a tristeza e a amargura nos abater e derrotar.
E lembre-se: por mais que possa trazer alguma dor, amor que é amor de verdade - e AMOR só pode ser AMOR; traz consigo a cura. Cura para o egoísmo, solidão, tristeza... e muito mais!
Ame, independente do que for, sem nada esperar, sem nada exigir em troca... Ame, apenas por amar!!!
Ame, sinta, viva!!!
Eu hoje agradeço por tudo que desejei, por tudo que quis e não consegui, por tudo que sofri, por tudo que me despertou da morte da apatia...
Hoje posso dizer: sinto, amo e estou viva!!!
Quanto sabor!!! Café com gostinho de Natal,
cheirinho de infância,
sonhos penduradas na árvore da esperança,
Alegria, alegria!!!
Feliz Natal!!!
"A aventura da Alma Gótica – Parte III de um dueto com o Músico Petrificado":
E após reconfortar-se nas águas geladas
Alma continua seu passeio pelo jardim sereno.
No antigo tronco oco, de uma árvore ressequida,
Oculta suas antigas angústias.
Ora bem sabes: muito tempo guardadas viram veneno.
Tão triste e solitário jardim sereno!
Mas por sorte ou por desejo forte
Vem intenso e impassível: o vento!
Sopra sem piedade e varre num lampejo
O pouco que lhe resta da melancolia.
Não murcham mais as margaridas de seu pensamento!
É sempre belo e pleno, suave jardim sereno.
Não, neste lugar a noite nunca dormia...
Sob o véu do luar a Alma protegida
Vislumbra brilhos de estrelas escondidas.
Tão claro e precioso jardim sereno!
A aventura da Alma Gótica – Parte III de um dueto com o Músico Petrificado
"A aventura da Alma Gótica – Parte IV de um dueto com o Músico Petrificado":
Em seu contínuo e incerto caminhar
Não encontra nem o fim, nem o início.
Quando se depara então, com um precipício.
Lança sobre tamanha imensidão seu olhar
Vasto lugar para a música voar!
Preencher cada espaço vazio e inerte
Fazer ressoar sobre si cada eco em notas
Iluminar com canções este caminhar
Imaginação liberta encontra diversas rotas.
Oh, doce Alma delicie-se em seu belo jardim sereno!
"A aventura da Alma Gótica – Parte IX de um dueto com o Músico Petrificado":
Passaram-se dias, semanas, meses
Nada que valesse mais contar as horas
Apenas esperar o nascer das estrelas,
Apenas sentir o ecoar da luz de cada dia
Sobre as densas camadas de névoas...
No tempo do regresso nada precisou anunciar:
O doce perfume das novas flores
Exalavam amor aos sentimentos de Alma,
Despertando-a de seus devaneios.
Levantou-se e correu em direção à luz da clareira
Sentindo o som se intensificar
Ao compasso de seu coração.
Alma, enfim, encontrou Músico!
Não mais petrificado,
E sim um coração a fluir encantado
Pela singular beleza de Alma.
Notas de saudade, vida, paixão...
Selaram com um beijo,
Fogo purificador de toda emoção.
Nem café, nem almoço
nada muito trabalhoso
Talvez um brunch
um piquenique ao ar livre
tudo muito simples...
Eu, você, os campos,
as crianças brincando
Uma sombra e um violão,
felicidade plena em canção!
Um pouco de preguiça
e mais ainda de energia
Apreciar vivendo a vida
nas horas soltas de contemplação,
oportunidade de cada dia...
Serenidade, amor: uma oração!
