Poesia de Mae para meu Filho Homem
MEU ADEUS
Não me lembro, que disse adeus
p'ra ser levado, com esse olhar...
De olhos chorados.
Nem disse adeus pra ficar,
com esse olhar de arco esticado...
Essa flecha pontiaguda
de caminho enterrado.
Não me lembro, que disse adeus
aos olhos seus
aos olhos meus...
Aos olhos blues do branco Deus...
Adeus meu... Adeus meu...
Adeus meu, meu Deus!
Antonio Montes
MEU DESERTO
Deserto?!
Deserto é o meu certo incerto...
Que as vezes me desacerto,
sem água e sem caneco...
Penso esta no caminho certo
mas nem de perto eu acerto
e quando em meu ímpeto desperto
estou perdido no meu deserto.
Antonio Montes
" Mergulhei e vi apenas o vulto de um abraço
em meu corpo o frio e a incerteza
não posso aceitar a distância
nem o adeus que agora vivo
o voo perdera o encanto e hoje o sol não consegue brilhar
eu não sei se o erro foi somente meu
quando debochei da tua inocência e me joguei
hoje continuo mergulhado, pensando em ti
nos momentos que passamos
nas possibilidades que iriamos ter
resta-me a serenidade de pensar em uma virada
que traga novamente tua presença e teus encantos
não adianta
não vou desistir,
sou apaixonado...
Encanto
Despretensiosamente
Assim como quem nada deseja
Encanto todos ao meu redor
Pois no fundo
Este alguém tudo almeja
Talvez seja este o problema
A grande falta de expressão
Ou talvez seja a sorte
Pois cativei sem querer
Querendo o seu coração
Aos cães que ladram sobre meu corpo:
Fiquem e se regozijem com meus ossos.
Lambujem-se com minhas carnes
Matem sua sede com meu sangue,
Mas deixem meus sonhos em paz!
Desistir nunca insistir
Desde sempre procuro pelo meu amor
Desejo que surja, sem muita preparação
Me sorrindo com os seus olhos
Me falando com o seu coração
Já acreditei que tivesse encontrado
Mas que pena, foi só uma ilusão
Que mascarada me escondia os olhos
E com mentiras, partiu meu coração
Me canso desisto
Descanso e insisto
Devagar retomo ao mesmo caminho
Ainda esperando o amor encontrar
Pois todos no mundo tem o direito
A um amor, para juntos caminhar
Um lindo sorriso me chamou a atenção
Cabelos loiros, a destacam na multidão
Mas me trouxe muita tristeza e tribulação
e para quem quer o amor, isso é uma violação
Me canso desisto
Descanso e insisto
De volta em minha busca
Ainda acho ser possível
Alguém que venha somar
Que queira ser feliz comigo
Dessa vez tinha alma pura e o mais belo sorriso
Na certeza que era ela, me encantei!
Seus cabelos vermelhos sinalizavam, encontrei!
E o fogo que incendiava meu coração, confirmei!
De maneira linda e pura, amei!
Sem mesmo nunca amar ela
Mas de novo, como um bobo me enganei
Pois o amor deve querer seguir lado a lado
E infelizmente, nossos caminhos foram separados
E de novo sozinho pelo caminho eu fiquei
Nunca pensar em desistir
Nem desistir em insistir
Pois esse amor verdadeiro
Um dia ainda há de vir
Lembranças
Em meus sonhos insisto em lembrar sua imagem
E te rever enternece meu ser
Reinvento a cada noite o final
como se nunca o fim nunca tivesse existido
É que os sonhos reinventam a realidade
E o passar dos dias trazem constantes recomeços
Teu nome fez-se epígrafe dos dias vindouros
E a tatuagem do nome lapidada na pele tingiu a alma
Lembrar a sonoridade desperta a memória em forma de litania
E encanto-me como se fosse normal essa eterna lembrança
Consisto em ti
Como nos sonhos mais secretos
Ou nas lembranças mais ousadas
E erige o que já estava perdido
Então lembro que estava consútil em ti
E os sonhos tonam-se meu heróis
É que a possibilidade do esquecimento faz-se impossível
Sonhos, memórias, lembranças despertam meu passado
E o passado então invade o presente quase que inconscientemente
E rumino cada momento como se tudo que me restasse fosse lembrar você.
" Sinto na pele a ousadia de amar,
enquanto meu sorriso permanece,
para que você esteja exposta,
a sensação é de poder sonhar.
Sinto um arrepio no fundo da alma,
Toda vez que penso em você,
e isso é sempre...
Eis uma vaga trova,
bem leve, e como vaga,
a minh'alma renova,
meu coração ela afaga!
Penso num vago amor,
vagando sempre sozinho,
do qual se pode supor,
vago amor, vago carinho...
DIGA QUE ME AMA
Meu amor...
Mesmo que seja mentira
ou.. Sei lá, desvio, curto pavio,
quem sabe, ato mesquinho...
Diga que me ama...
A razão... A razão não importa!
Seja para varrer, abaixo do tapete
ou para se esconder atrás da porta
mesmo que não seja de você essa trama
... Se você não se importa em dizer,
então diga... Diga que me ama.
Primeiro de abril, ou não...
Eu não me importo a razão
essa frase... Eu te amo
invoca-me, me toca como cartas de tarô
e eu fico assim... Como cores de primavera
feliz, como despertar de um pesadelo,
desabrochar de uma flor,
ou, sonhar com o mundo inteiro,
diga que me ama
... Esse dizer de amor...
É bacana, e espairece a minha dor.
Antonio montes
"Meu peito rasgado grito calado.
A voz ecoa no silêncio do vale.
Mesmo fraco, sorriso no rosto.
Sorriso que tinha motivo, hoje busca razões.
Razões pra que? Pra entender?
Entender o que?
Solidão se faz, o destino capaz...
Palavra machuca, atitudes destroem.
Mas quem sabe um dia, um dia qualquer.. volto a ter razões e motivos para sorrir à toa, sem ser por conta de outra pessoa.
Busco em Deus o que os homens não podem me dar.
Fé e esperança, o que me resta.
Meu peito rasgado.. grito em silêncio."
AMOR SUJO
No fundo do meu mundo
eu não queria ter-te tido
agora descobrimos juntos
que nossa pauta é de fel
e nosso momento é bandido.
Se perto corremos risco
com palavras de fulgor
estamos perto de um cisco
fagulha nos olhos do tempo
lagrimas no olho do amor.
Uma palavra a explosão
nada mais que isso basta
quase saímos nas mãos
pelo espeto do jardim
e com mímica do tapa.
Essa desconfiança nossa
confiscou meu coração
temos, relâmpagos trovão
uma cisma de mentira
uma bomba de explosão.
Um tempo éramos peixe
nadando n'um lindo aquário
em meio de tanto queixe
viramos um jogo sujo
no carteado de baralho.
Estamos vivendo restos
em um ar todo macabro
deixa, disso, deixa disso
em fim, o fim ta marcado
esse amor, já é um lixo
fedendo para todo lado.
Antonio Montes 08/04/17
MODERNIDADE DE HOJE
Já que terceirizaram o meu trabalho...
Terceirize, minha crise, minha fome
o desando e desvio do congresso
terceirize também para mim...
O descarrilamento desse bonde
e esse imposto que me consome.
Terceirize minhas dividas
a fila da minha doença
os exames do INSS
a espera do INPS...
O desacreditar da política
a diversidade das crenças.
Terceirize o parlamento
a ética que lá não existe
o desvio dos impostos
nos trazendo tanta crise,
terceirize esse mal gosto
a crise de leste e sul...
Do oeste e do norte
Terceirize o golpe da foice
o suspiro da minha morte.
Antonio Montes
DESATINO
Esses gritos em desatino
horroriza o meu silencio
estraçalha meus timbres
como se fosse granizo
de pedras ou de papiro
demolindo-me por dentro
sacudindo os meus ouvidos.
Esses proscritos gritos,
no meu intimo, eu estico
não suporto ver engolido
esses meus frágeis ouvidos
com esses momentos de intrico
por gritos críticos atípicos.
Esses gritos sem tino
Adentram nos meus tímpanos
não duvido do meu digo
gritos são pétalas a mais
intuito de enguiço
ouça um grito, o que é isso?!
Um grito na estação
foi do apito do guarda
o trem gritará pelos trilhos
na hora certa se afasta
pra não causar descarrilo.
O que foi aquilo na noite...
Na sombra d'aquela rua
o urro do lobo na pedra
o risco no pio da coruja
os olhos e o meda se ajuda
no escuro... Deus me acuda!
No grito do desespero
a bomba matando irmãos
misera pelo mundo inteiro
ato estranho das nações...
Abandono da devoção.
O grito calado da noite
pelo amor que o tempo partiu
a alma brada o açoite
o peito, seu ato de foice
no silencio, ninguém viu,
Antonio Montes
PSIU! MEU CORAÇÃO
Cala-te o meu coração
não chore pelo presente ausente
enquanto o futuro nos espera
e nos faça menos inocentes
Não clame por alvoroço
deixe-me quieto em minha solidão
pois com ela poderei sonhar
e dar asas as fantasia de minha paixão.
Cale-te o meu coração
escute ao menos o silencio
a sua clamura me faz cego
e todo o clima fica propenso
Deixe um pouco dessa lagrima
para que venha derramar-se amanhã
assim meus olhos não secarão
e eu posso sorrir sobre o divã.
Cale-te o meu coração
para que eu possa entender
se a razão desse seu clamor
é a esperança para o meu viver
Não deturpe as imagens
gravadas na minha mente
arriba, arriba esse teu astral
deixe de ser tão inocente.
Antonio Montes
NÃO TRAGA PEIXE
Meu amor diz... Vá pescar...
Pode ir, vá!
Mas não traga peixe, para eu limpar.
Um certo dia, bem cedo, me levanto...
Pego as varas e os anzóis,
as iscas e as chumbadas, assoviando,
a moda da roda da ciranda, eu saio
com destino as águas, alagadas.
Lá, protegido pela sombra do meu chapéu
arrumo um lugar na margem do rio e me assento...
Desenrolo a linha com chumbada isco o anzol
com a minhoca toda torta e diante d'aquela miragem... Bum! Lá esta...
A paisagem ao meu redor, o rio em silencio
sobre seu leito estreito o reinar da calmaria.
Tudo que se ouvia, era o chilrear dos pássaros
e farfalhar do vento, sob as folhas...
Não via, mas sentia o tempo escorregando
pelas horas, e o movimentos dos ponteiros
indicando a distancia do dia.
Água passando, peixe nadando, anzol com
sua volta as voltas com o remanso das águas
nele... Uma minhoca e nada de peixe pegar!
Com muito custo e nada justo...
Pega um... Lá vem o peixe, dando rabanadas
saindo da água com suas escamas e fato
agora de fato vou embora e vou limpar.
Antonio Montes
MEU VOOU
Como piloto...
Eu vou abordo de um voou,
no qual eu voou todo dia...
Voou sem asa, sem pena,
sem lacunas de sentimentos...
Voou de roda, rota e radar,
voou mais que os ventos
voou pelo ar, p'ra lá, p'ra cá,
vou voando por ai...
Com esse jeito estranho, de voar.
Voou de linhas aéreas traçadas ao tempo,
editado pelos controladores de voou
eu posso voar...
voou pelo alto, acima das nuvens,
quase que, lá no firmamento
vou de motor ou de turbina
como manda os mandamentos.
Quando voou estou rodando...
Pelo asfalto pela linha,
abordo estibordo, vou voando
espezinhando o ar...
Com motores e fumaça,
que pulmão, não podem respirar.
Voou quilos e quilos!
Da minha carne, da sua carne
até mesmo dos nossos animais...
Nossos empecilho de corpos,
nossos ossos com os ofícios,
das nossas entraves, e nossas...
Bagagens sentimentais.
O voou, é da forma que eu posso,
que você possa,
primeiro ele nos enche de felicidades
logo mais, ele nos enche
com o fedor de nossas fossas.
Antonio Montes
MANDO POSTO
De repente o imposto grosso
apontou para o meu posto
e apertou o tempo torto.
A firma com seu arrocho
mandou embora o seu moço
antes mesmo do aborto.
Tão logo o senhor doutor
no outro dia bem cedo
em segredo trabalhador.
Deu de cara com esse fato
no saco cheio desse ato
em um mato cheio de horror.
E de cara, mandou o cara
com a cara deslavada
e a vergonha que não sobrou.
Depois um outro mandou
e a coisa toda escapou
pelo que o moço falou...
Eu fui fera em minha hora
mandou-me embora agora
pelas coisas que não sou.
O que farei na verdade
com essa minha velha idade
e os atos que horrorizou.
Antonio Montes
O SINO (soneto)
Do alto do cerrado meu eco sonoro
Percutindo alarma de chamamento
Riscando no ar gemido em lamento
De sombrio ato, sofrença com choro
Da torre franciscana sou sentimento
Festo, de paz e bem ao som canoro
Saúdo a vida, com meu fado oximoro
O orante da ave Maria, às seis, atento
Canto, pranto, em ruído éreo, laboro
Trino o dia se pondo e no nascimento
Musicando os céus, e assim, o coloro
Com que júbilo planjo dobres portento
Me juntando aos anjos em um só coro
Sou crebros nobres, fé, no sacramento
© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
Abril de 2017
Cerrado goiano
GAVETA DA LEMBRANÇA
Fechei os olhos em meu sentido
e vasculhei a gaveta das lembranças
e sob as quinquilharias das recordações
... Nos meus guardados passado, estava lá...
Você, em noite de lua...
A prata orvalhada, do nosso amor,
o céu estrelado sob a, brisa romântica
o nosso cristalizado momento
e o blue límpido do nosso tempo.
Estava lá... O poste que iluminava
... O brilho dos nossos risos
as gargalhadas escancaradas
da nossa fiel juventude,
a altivez dos nossos rostos
a ausência das rugas e das verrugas
ao amanhecer cheio de gosto!
Estava lá... Aquele fôlego incansável,
saudável, afável todo jovem
a esperança e os planos palpitáveis
a alegria da vida
a vontade de vencer
a pureza de um meigo olhar
e todos os sonhos com você.
Estava lá, os planos inocentes
o lenço com rasto de lagrimas
o bilhete de um tempo onipotente
o guardanapo com o tom do beijo
a saudade nítida do presente
e o abraço cheio de desejo.
Estava lá... A vontade
que nunca deixou de ser
a seta da grande saudade
sob o alvo do alvorecer.
Antonio Montes
- Relacionados
- Poesia de amigas para sempre
- Poesia Felicidade de Fernando Pessoa
- Poemas de amizade verdadeira que falam dessa união de almas
- Frases de Raul Seixas para quem ama rock e poesia
- Frases de filho para mãe que são verdadeiras declarações de amor
- Frases de mãe e filho que mostram uma conexão única
- Poesias para o Dia dos Pais repletas de amor e carinho
