Poesia Completa e Prosa

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⁠SETEMBRO

Mês dos perfeccionistas. Dos carismáticos. Dos que fazem da integridade seu ponto de equilíbrio. As cores desabrocham junto ao trescalo apaixonado fronteirando com a próxima estação e conclusão de mais uma fase. O horizonte que alvorece intenso em meio aos céus plácidos, faz jus ao momento de transmutação; para você que não deixou apagar sua chama cruzando pelos dias frios, resistente, e fez da dor combustível para continuar.
Para existir. Para reencontrar forças e renovar os caminhos da sua jornada. Setembro é o mês que traz a certeza de que tudo na vida é transitório e se renova. O mês da maturidade marcado pela colheita do aprendizado após as temporadas invernais, trazendo consigo o calor, o vigor e a profundidade. Que possamos buscar nossa plenitude aceitando as eventualidades com sabedoria, mesmo que por dentro nosso coração esteja exausto. Que diariamente renovemos as esperanças em meio aos tempos sombrios, encontrando beleza na simplicidade das flores que brotam em nosso caminho, e na restauração da nossa natureza, o reequilíbrio, o brilho e coragem.

⁠Ilhéus
Sim, fui para Ilhéus
e pude sentir
a magia e os encantos
da feliz cidadela.

Cheguei em Ilhéus
Senti o cheiro do mar
sabor do chocolate
do cacau que nasce nela.

Andei por Ilhéus
terra de Jorge Amado
do Bataclan, do Vesúvio
Onde a vista pro mar é bela.

Voltei de Ilhéus
de suas ruas calmas
lugares que fazem
lembranças da forma mais singela

Voltarei para ilhéus
cidade de gente querida
terra da poesia
casa de Gabriela
Cravo e Canela.

⁠⁠os animais que mais possuem formas de defesa são os mais sensíveis;
tais como as tartarugas em seus cascos ou as borboletas antes de se desprenderem de seus casulos, assim são os seres humanos: Passam parte de suas vidas amedrontados fechando seus corações para o mundo afim de se protegerem, e na esperança de que algum dia possam se libertar e voar.

⁠A redenção é a morte

há alguns dias não tenho vontade de me levantar, permaneço deitado com os cobertores ate o queixo no escuro com minhas cortinas blackout puxadas

a televisão ligada sem volume ou com o volume no minimo me sugere as horas, é ínicio de madrugada agora, ha alguns dias foi meu aniversário, daqui ha alguns dias terá o feriado de 7 de setembro, através da internet não fico alheio completamente sobre os dias e meses

a passagem do tempo no entanto se mostra morosa, rude e angustiante, algo dentro de mim se levanta em súplicas por dias de sol e aroma de flores da primavera, então lembro que essa sensação de súplicas tambem me acompanhava no verão passado e na primavera passada

aa sendas escuras do meu quarto anunciam corpos mortos chovendo pelo teto e deitando-se nas feridas da minha cama empoçando jardins de flores pisoteadas

tremulam versos rotos e sem rimas do sangrar dos meus labios queimados pelo sol de inverno que não encontra fresta alguma na alma deste quarto escuro

suspiro, aspiro e respiro mendigando sonhos em clarões brancos de escuro desolação

respiro um acreditar dentro do meu corpo morto, em algum lugar ela toma entre suas doces mãos sua xícara de café e suas duas fatias de pão, sim duas fatias

no jazzer do meu cadáver ensurdece-me o pranto das paredes de olhos ardendo ante o odor fétido que exala do meu corpo morto

ocasionalmente meu corpo morto sente o aroma de terra molhada onde dançam lembranças de uma infância vivida, uma vida Amada e de uma velhice abortada

em algum lugar os mendigos tomam cachaça e consomem crack amortecendo suas vidas mortas, prostitutas em banheiros de motéis ajeitam a maquiagem para ir de encontro a seus proximos clientes mortos

neve escura se espalha e congela o quarto preparando minha sepultura

as ruas tossem vírus mortais, milhares caminham nestas mesmas ruas onde já não resta quase ninguém para morrer, estão mortos ha muitas luas, eu enfim junto-me a eles, não ha redenção, talvez nunca ouve..

A facada

​ontem a tarde foi otima, taças de vinho e brindes entre conversas por vezes descontraídas e as vezes sérias sentados em um lençol na grama sob o sol de inverno, passarinhos caminhando entre nós, como se pertencessemos à uma mesma convivência diária... a vida fica muito boa as vezes, a gente abre uma garrafa, se senta e espera pelo que pode acontecer...

hoje lembro de ontem e pela janela olho lá fora um céu azul louco, tento fazer um círculo com a fumaça azulada do meu charuto barato, sem sucesso...

ergo minha cerveja num brinde silencioso ao que restou de mim, bebo mais um gole dos oceanos da minha dor enquanto lembro que independente do que eu pudesse dizer ou sentir, alguem de fora do nosso céu passou a faca nas asas do pássaro azul do meu peito, ferindo-o mortalmente..

Olhos de um estranho


A ti ,criatura vil que habita em meu peito.



Aqueles olhos incertos,inquietos e distantes
mas quando se prende aos meus
se tornam belos diamantes, luminosos, penetrantes que não posso descrever com perfeição.
São bravos à primeira vista,
que à fúria faz alusão;
Ás vezes são preguiçosos ou zangados sem motivo ,sem razão ;
São sombrios em seguida como um mar negro de solidão.
Mas se eu tento olhar com mais cautela, eles se tornam fontes ,fontes meigas de inspiração,ramos floridos da prima-vera.
Às vezes até me desconcerto tentando disfarçar a emoção, vê-los assim tão de perto, faz pulsar forte o coração.
Oh ,aqueles olhos ..
Meus olhos de tentação, quero senti-los todos os dias, sua luz ,sua paixão.

⁠Escrevo

Meu sentimento se perdeu no vento.
Por isso escrevo.
Nos dias tristes, alegria canto... em cada verso, o riso leve descrevo.
O sonho lindamente sonhado...
No papel é cuidadosamente desenhado.
O medo é enfrentado.
O choro... consolado.
Escrevo e fim.
Não importa se toca em você ou apenas em mim.

Lealdade

Sê, ó amigo, como a cama
Que com a alta lealdade
Espera todos os dias sua ama

Sê, ó caro, como o nobre cão
Que mesmo maltratado
Tira seus donos da solidão

Age como o tronco caído
Mesmo sabendo que morrerá
É leal ao machado que o fará

Mas não sê como o fraco
Que chora quando sofre
E não cumpre seu trato

Ou o traidor imundo
Das palavras em vão
Do escárnio profundo

Cultiva a tua lealdade
E abre teu coração
Para a alma da bondade.

O espelho

Um labirinto misterioso e profundo
Encara os olhos atentos do homem
Indagando sobre si e o mundo

A poeira pisada do dia de ontem
E os passos incertos do ser
Abrem as portas para ele viver

Viver em si, em sua própria imagem
Olhando o espelho, e vendo seus olhos
A face da alma, uma grande miragem

A cortina se abriu, e veio a atuação
Sorriu e chorou, colheu os espólios
Mas quando se fechou, viu a enganação

O homem se via um grande rei
Mas o abismo do espelho o despiu
E revelou o ser oco e vil.

Paciência

Tenha paciência, meu amigo
Cultive esse bem da alma
Mantenha sempre a calma
E estará em paz consigo

Receba o ar da montanha
E ouça a sua música
Ouça a estranha melodia
Os tambores da África

Pinte a sua noite de branco
E se cubra com o manto
Que cobre as estrelas
E descobre donzelas

Não libere o monstro em você
Navegue com o tempo
Faça-se sempre viver
Voe com o vento

Sua alma é como uma grade
Que prende duas aves
A cinza da noite e a azul da tarde
É apenas sua a chave

Se a ave cinza voar
Sua música vai se calar
Mas se a azul o fizer
Você terá o que quiser

Então, alimente o seu bem
Viva para ir além
Espante a ira e a tristeza
E faça do seu mundo só beleza.

Felicidade

Não olhe a tristeza dos outros, pois eles já destruíram,
A sua própria felicidade olhe sim, a beleza que brota...
Quando a chuva cai a, pois é um dia quente.

Não imagine a poluição dos mares e suas praias
Imagine uma água cristalina e que nela pode haver
Um golfinho com seu nado sincronizado.

Não fique triste com um amor que partiu seu coração,
Mas fique alegre com os amores que estão por vir,
Pois a tristeza de um homem destruindo, uma.
Floresta, e que a chuva ácida queima o frescor.
Da beleza e sua felicidade.

Veja a felicidade nas coisas simples, pois a felicidade.
E simples, não tente complicar uma coisa simples,
Pois a simplicidade e o carinho, talvez sejam o.
Melhor lugar para a felicidade.

REENCONTRO

Além entre os abraces têm raios de sol,
Já sinto A brisa morna, aquecendo, levando o frio,
Que permanece e silencia,
Calando as setas do sol...

Há tempo que não há vejo,
Talvez por falta de tempo,
Aguardemos mais uma quadra,
O sol mais alto o dia aquecer...

Mal posso esperar,
A alegria suavemente solene,
Aguardando a existência,
Com tal carinho lhe reencontrar...

Jmal
2013-08-30

Por Falar de Amor

Hoje me enrosquei em meio aos espinhos,
De uma roseira
de rosas vermelhas,
Tocado
fui e arrebatado
pelo suave aroma da flor,
Apaguei...
As
lágrimas da hegemonia,
As conservei,
em frascos pequenos,
Que não as apresentei...
Os anjos atinam pelos interstícios,
E eu aqui do lado de fora,
Testemunho a supervivência do agora,
Onde brota
há mais bela das belas,
Em botão germinar...
Meu coração ainda criança,
Puro,
ingênuo, se entrega,
quer dançar,
Em águas calmas,nas ondas do mar...
Bela princesa,em botão,em perfeito germinar,
Tomaste toda beleza, também o perfume,
De esta minha vida levar...
Naveguei,
viajando no tempo,
Entre mares revoltos, e ventos velozes,
De tudo provei,
Honra e glórias,
Também conquistei...
Amei, muito amei,
Amei,
O perfume das flores,
Amei,
O primeiro beijo,
Amei a vida,


Amei,
aquele perdoar / A me condenar,
Amei,
abundantemente sem pensar...
Senti saudades,
Dê toda aparência,
que governou sua ausência,
Perdi,
minhas ostentações,
e das aflições sobrevivi,
Do mais puro amor...
Na superioridade do amor, digo-te,
que muito amei.

Jmal

2013-08-29

IGUAIS e DIFERENTES

Somos diferentes iguais,
Pelas desenhadas diferenças,
Que riscávamos e combatíamos,
Sim somos iguais...

Iguais em tudo,
Diferentes em tudo,
Pensávamos iguais em tudo,
E em tudo éramos diferentes...

Essa igualdade das diferenças,
Que nos liávamos pelas igualdades,
Que pelo tempo, arremessávamos,
Em diferenças assim tão iguais...

Agora depois de tudo, e tudo,
Somos diferentes,
E iguais em tudo.

Jmal
2013-09-10

as estrelas no céu pintado de azul
uma a uma mostrando seu brilho
de uma luz distante e sem sentido

não podemos voar e tocá-las
na alegria triste de um suspiro
no conter-se de apenas imaginá-las

no êxtase da rebeldia
de contrariar a cada dia
o prazer e o querer se invalida

e assim,

reinventamos a vida.

palavras que calei em meus tormentos
agarrei-as pelas pontas dos dentes
enxugando as suas lágrimas com a língua

falavam de horror e do tempo de amor
de uma paixão que não se incrimina

vou te falar o que existe no meu pensamento
na libertinagem do encanto
talvez não fale quem amo tanto
por ser a obra do meus inventos

e em silêncio vou saciando
em mim vou te levando
na PALIDEZ DO TEMPO.

quero sempre estar por perto
do verão ao inverno
numa relação sem nada de eterno

pois enquanto existirmos de verdade
nas músicas e nas bebidas da sobriedade

falará mais alto a nossa amizade.
bem mais alto, bem mais alto,
mais alto que nossa mocidade.

Lembra de mim sem coação e tormento
pois tu estarás vivo do meu coração ao pensamento

não morrestes, apenas se esqueceu de te amar, meu solitário coração.

não há lágrimas e nem lamentos, tive que os deixar perdido no passado sem saber que ainda existo e vivo sem você e meus tormentos.

minhas mãos desaprendeu a rezar sob seu corpo trêmulo de desejos e minha boca condenada a nunca te beijar.

a sua voz está calada em meus ouvidos e meus olhos cegos não mais os ver, esquecestes que tudo se transformou em ilusão,

não morrestes, apenas se esqueceu de te amar, meu solitário coração.

o sol desabrochou feito orquídea no verão
o mar se ondulou e fez o barco sumir da imensidão
é a vida que soar meu coração

de amor, de amor

Ventos que sopram os cabelos da menina que se engraça
Feito passos de gente no calçadão que vai e vem
A delícia de se não ter ninguém

de amor, de amor

O sol nasce depois das lágrimas da noite
aquece depois de madrugadas de ventanias
E, nós, inebriados pela magia

de amor, de amor

Se Um Dia Eu Fosse Poeta

Se um dia eu fosse poeta
Comporia a tua imagem
Recitaria teu sorriso
Declamaria teus suaves movimentos
Poria em versos teu cheiro
E inspirar-me-ia em ti;
Em teus toques em mim.

Se um dia eu fosse poeta
Morreria de amor por ti
E, mesmo assim,
Ainda viveria contigo
Além de tudo, da vida,
Do que mais possa existir.

Se um dia eu fosse poeta
Falaria com o vento
Domaria tempestades
Acalmaria multidões.
Pararia o frio
E aqueceria o teu,
Tão meu, coração.

Mas, se um dia eu fosse poeta
Vestir-te-ia de ternura
Cobrir-te-ia de doçura
Cantar-te-ia amor sem fim.
Ah, se poeta eu fosse um dia
Se um dia eu fosse poeta...
Tudo em mim, pra ti,
Seria só poesia.

⁠Fome
A pobreza nos tornou Africanos.
Nossa África nos tornou vítimas da colonização.
Nós somos Africanos de raíz.
A pobreza nos faz acreditar no amanhã.
Nós somos pobres Africanos, a esperança nos faz crer no amanhã.
Nós somos pobres, pôs somos africanos.
Mas tenho que lutar sim
Lutar contra essa maldita pobreza, pôs sou Africano.
Sim acreditar no amanhã não sentirei mais fome.
Sim sou Africano ter esperança me faz não sentir a pobreza.