Poesia Carinho Machado de Assis
Quarto escuro
As paredes perderam suas vozes
As janelas perderam suas luzes
Os dias perderam suas cores
Tornou-se um inverno aqui dentro
Tudo tá tão escuro e frio lá fora
A casa reflete os ecos da quarentena
O quarto tá vazio como uma sentença
Lá fora tá escuro, e vejo o reflexo das estrelas
Lá fora tá deserto, e sinto a distância das certezas
O quarto tornou-se um cubo
Vou fazê-lo um santuário de reza
Pra me conectar no meu refugio
Vou acender a minha vela
Nem mais, nem quais, vou me aquietar
Pra voz de dentro assim soprar
Os anseios, as perguntas, responder
O que nada pode garantir a não ser o poder de crer
A fé me guia com todo seu poder de oração
O quarto escuro tornou-se o lugar de iluminação.
O céu
Posso flutuar como uma águia
Posso flutuar como avião
Mas se não tiver asas
Tenho um céu magnífico na cabeça
Pra sonhar, pra imaginar
Pra almejar se chegar
No céu do infinito, no céu do paraíso
Sem limites, mesmo com os pés no chão
Para quem olha pra cima e sonha alto
Não há caminhos para pernas paradas
Não há esperança para mentes travadas
No céu moram os anjos para nos abençoar
O céu traz esperança pra caminhar
O céu traz o horizonte pra se enxergar
Quando suas cortinas de nuvens se abrem
Decreta um novo dia que irá começar.
A travessia
A vida vai te levando,
Experiente na sua jornada,
Com os olhos vibrantes,
Das corujas da noite,
e das águias do dia,
Por cima flutuam num longo tapete de sonhos,
E eu no meu carro pelas lombadas,
A sinalizar o chão de concreto,
Seja como for, será o condutor,
Por onde passar, terá sempre alguma coisa a vivenciar,
Na vida de estrada, no carro de sua alma,
Nas travessas de obstáculos,
De caminhos de escolhas,
Buracos imprevistos,
Atalhos cruzados,
Trilhas inesperadas,
Alguns passarão a fazer um drama,
Outros passaram a fazer a viagem eloquente,
Todos percorrerão,
Seja como for,
Será seu condutor,
Da travessia.
Feito de tentar
Coloco cada peça
Moldada em tentativas
Percorrendo os caminhos
No quebra-cabeças da vida
Nada nasce pronto
Anda pelo processo
A experiência a cada dia
Como passos de formiga
Às vezes nos iludimos
Em frente ao castelo
Almejado com esforço
Foi fruto de um sonho
Nada acontece pronto
Nada nasce feito
Cada tijolo é um efeito
De tentivas, erros e acertos
Cada passo tem seu tempo.
Mulher de cristal
Nela a beleza é decretada
Quando se olha é água da fonte
Brilhante como o crepúsculo celestial
Fascinante como o sobrenatural
O reflexo cega os olhos
Confunde os sentidos
Tanta beleza num só mirífico
Sereia desnuda
Ornamentada pelas águas
Com vestido de cascata
Cabelos de itororós
Coroa de gálio
Desfilando na angra de cristal.
A rosa
Seus olhos brilham como rubi
Refletem os verões e os invernos
As flores verdejantes e os aromas apaixonantes
A inspiração de se entregar
Imaginações inquietas tomam formas
Espelho inteiro que reflete a beleza do jardim
Onde só há concreto
E pedaços de raizes perdidas na calçada
A pressa exarcebada dos lobistas ansiosos
Seus olhos de vinho docificam o tônus da sua face
Suas mãos calejadas ficam suaves
Como brisa que arrepia a pele
Seus olhos são reflexo
De tudo que tem romance
Você é como uma rosa que permanece
Cheia de pulcritude e perfume
Colorindo o centro da sala.
Árvore de Natal
Natal está chegando,
E minha casa irei ornamentar,
Tempo especial que marca a passagem,
A árvore de Natal me faz lembrar,
O passado dos que estiveram,
O presente dos que estão,
E o futuro dos que estarão,
O Natal é um momento mágico,
O tempo mostra que é mais que uma data,
Uma noite de junção,
Da mesa colorida,
Dos enfeites colocados com entrega,
Da casa cheia,
E com o tempo vai esvaziando,
Quando se monta a árvore,
Bate a saudade,
Dos anjinhos pendurados,
Das bolinhas balançando,
Dos piscas-piscas,
Acendendo e apagando,
Como as estrelas,
Que enfeitam lá em cima o céu,
Que também acendem e apagam,
Com o tempo quem monta árvore,
Vai entendendo o significado,
Da noite de Natal.
Perfume
Quero sentir aquela única noite,
Com as luzes vibrantes,
Que nos refletiam na parede,
Quero ter a realidade dos sonhos,
Viver o calor real,
Quando os corpos se juntam,
Passaram-se dias,
Correram-se anos,
Nunca mais nos encontramos,
E meus pensamentos voltando,
Como déjà vu de emoções,
Indescritível,
Inesperado,
Intenso,
Guardo naquela rosa,
O aroma da lembrança,
Num vidro blindado,
Um frasco de cheiro,
O perfume cuidado,
Do que restou do romance,
Sua essência,
Que se impregnou em mim.
Efígie
Foi-se como um sonho,
Devaneio de prazeres proibidos,
Deusa foragida do paraíso,
Flecha que acertou o mais destemido,
Desbravador de Quimera e Basilisco,
Um lobo temido,
Que sucumbiu nas graças,
De uma predileção,
Agora resta os encantos,
Na caligem das guerras,
Na esbórnia dos lambareiros,
O cavalheiro tornou-se assisado,
De coração ameno e ponderado,
Aflorado de talentos adormecidos,
Um fabro mudado,
Sua obra aos poucos foi-se talhada,
Dotada de formas delicadas,
Fruto de paixão e inspiração,
Efígie que sobreviverá aos tempos,
Viverá aos atentos,
Encantados por seus condões,
Que embeleza, gera e transforma.
Aquela areia do passado é desmachada pelos ventos. Nada é como antes, nada fica igual, nem os grãos.
As dunas do passado quando assombram o presente, precisam de ventos fortes pra desmanchar e
abrir os caminhos. Tudo se integra e desintegra como areia para novos começos e recomeços.
Vestida de rosas
É um pouco das cores da primavera,
É um pouco do calor do verão,
As oscilações do outono,
E um pouco do frio do inverno,
Um pouco de mulher,
Um pouco de homem,
Um pouco de gay,
Muitas vezes intuição,
Muitas vezes razão,
Muitas vezes coração,
Que quebra em pedaços,
E aprende a andar pela passarela,
O levantar do dia e o cair da noite,
Um pouco de tudo,
As várias camadas do crepúsculo no entardecer,
Os prismas do arco-íris ao chover,
Custei a observar todas as rosas,
Sentir todos os aromas,
Entender as diferenças,
Na complexidade do jardim,
Fui costurando como um vestido,
Tomando cuidado com os detalhes,
Cada rosa é uma única,
No meio de todas as outras,
Parecem iguais,
Mas quando te olhei vestida no altar,
Compreendi sua beleza singular,
Sua história particular.
Quando estamos numa guerra, ou numa pandemia, ficamos todos desnivelados. Resta o poder dos misericordiosos.
Quando só há política, o amor se perde. Não existe lugares melhores e piores. Existem pessoas
que fazem a diferença nos lugares.
Árvore de Natal 2.0
Natal está chegando,
e minha casa irei enfeitar,
Tempo breve e especial,
que marca a passagem,
Seus enfeites pendurados,
Me fazem lembrar,
O passado dos que estiveram,
O presente dos que estão,
O futuro dos que estarão,
Tudo é tão decorado,
Os detalhes com cuidado,
Natal é um momento mágico,
O passar dos anos,
Vai mostrando,
Que não é apenas uma data,
Da mesa colorida,
Dos enfeites colocados com entrega,
Da casa cheia à luz de velas,
E com o tempo vai se esvaziando,
Quando se monta a árvore,
Bate a nostalgia da saudade,
Das gargalhadas da ceia,
Dos sinos natalinos soando,
Dos anjinhos pendurados,
Das bolinhas balançando,
Dos piscas-piscas,
Acendendo e apagando,
Como estrelas,
Que enfeitam lá em cima o céu,
Que também acendem e apagam,
Com o tempo quem monta árvore,
Vai entendendo o significado,
Da noite de Natal.
Ciclo sem fim
Vem primavera, vem com suas pétalas!
Traga sonhos, deixe-os voar!
Folhas q nascem, secam, caem, surgindo novamente!
Assim como a esperança!
Tens sempre que regar!
Pra cultivá-las!
Secam, caem, brotam novamente!
Transmutando-se!
Num ciclo sem fim!
Novas vidas em novas pétalas!
Novas oportunidades em novas folhas!
Nada se repete assim como cada dia q passa!
Gotas de orvalho!
Q caem na terra!
Recicla!
Num ciclo sem fim!
Sambando na chuva da noite (versão 2)
Sou como sou e você é como é, então somos como somos, ou talvez somos dois patos alucinados a banhar amores na poça. Não exijo nada de você e nem você de mim, apenas sua eufórica e irritante grasnada.
Então vamos nos jogar na chuva, molhar nossas cabeças. esquecer nossas diferenças, nossos devaneios, nossas mesquinharias e competições do dia-a-dia, se estamos aqui, juntamos nossas penas cheias de manias e ideais, nossos dissabores do cotidiano e nossas desavenças morrem afogadas na água.
Vamos nos jogar na chuva, e molhar nossa consciência, batizar nossas idéias, esquecer nossas bobeiras e acender nossas malicias, somos apenas dois palhaços notívagos do luar querendo se divertir.
Tentando chacoalhar com nossas malicias, inquietar em nossos romances em cantigas noturnas o samba do amor. Podemos nos esquecer nesse sambar, esquecer dos barulhos do mundo até o amanhecer.
Ouro que Cega.
Ouro não vê, mas cega o olhar.
De quem, com sede, o começa a buscar.
Na ânsia de ter, o homem se engana:
pensa ganhar e a si profana.
Constrói impérios, destrói o chão.
Perde o afeto, fere o irmão.
Com sua ganância, sonha com poder.
Mas seu maior tesouro deixa de viver.
E qual é esse bem, tão puro e singelo?
É o riso do filho, o amor mais belo.
A paz no almoço, o toque na mão.
As coisas que moram no coração.
Na corrida por ouro, a alma se esvazia.
E o que era calor vira noite fria.
Pois nenhum ouro no mundo compensará.
O que, por cegueira, deixou de amar.
Tem os que passam,
como o vento discreto,
levando o tempo,
deixando o espaço.
E tem os que partem,
quebrando silêncios,
desfazendo vínculos,
partindo mais que o chão.
Mas há os que ficam,
mesmo invisíveis,
morando na ausência,
presos na memória.
E há também os que retornam,
não com os pés,
mas com o olhar que resta,
com a palavra que ecoa.
São esses que fazem morada,
não no tempo,
não no espaço…
…mas no coração
de quem os sentiu,
mesmo quando tudo
já parecia passado.
Nas asas do vento, confesso meu desejo,
Um sentimento verdadeiro, sem receio.
O coração fala, sem pedir licença,
E a poesia revela a mais doce essência.
Não busco controle, apenas confidenciar,
Que em meu ser, um carinho vi florescer.
Respeito seu caminho, seu amor presente,
E, com humildade, minha alma se abre, contente.
Seu sorriso, tesouro raro e brilhante,
Inspira versos, de amor tão vibrante.
A felicidade que em seus olhos reluz,
Reflete a luz do sol, que a alma seduz.
Que essa poesia, simples e singela,
Toque seu coração, em doce sinfonia.
E se não for recíproco o sentimento,
A amizade será nosso belo alento.
Teus lábios são como um sonho de mel
Que me transportam a um mundo de desejos
Sinto uma vontade inabalável
De te beijar com todo o meu anseio
Às vezes, a vida nos separa
Mas meu coração sempre te procura
Quero sentir teus lábios
Estar perto de ti, ser teu
Cada curva, cada forma, cada cor
Revela o segredo de tua beleza
Tão sedutora, tão fascinante
Que me faz sonhar com a delicadeza
Lábios, tão próximos, tão distantes
Uma promessa de felicidade e de amor
Um desejo ardente, um sentimento forte
Que me faz querer ser teu protetor
MÃE DE TODAS AS HORAS
Ela ouvi a nossa voz,
E nos livra das mãos do algoz.
Ela nos escuta amorosamente
E sabe do sentimento da nossa mente.
Nos momentos de escuridão,
Ela nos reconhece corporalmente.
Mãe, é guerreira, forte e valente,
Tem dentro de si um imenso coração,
Para defender o filho na hora da aflição.
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