Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac
A civilização brasileira é estética e lúdica. O pessoal só liga para o que é sentimento, impressão e divertimento; todo mundo quer se sentir bem. Eles não levam as coisas à sério, não acreditam em realidade. Pra eles, é tudo sonho, brincadeira, carnaval...
Assim como nem toda crença é legítima, nem toda dúvida é legítima. A dúvida precisa provar suas razões de duvidar.
O pragmatismo grosso, a superficialidade da experiência religiosa, o desprezo pelo conhecimento, a redução das atividades do espírito ao mínimo necessário para a conquista do emprego (inclusive universitário), a subordinação da inteligência aos interesses partidários, tais são as causas estruturais e constantes do fracasso desse povo.
A pretensa autoridade do 'consenso científico' reduz a racionalidade da ciência a uma questão do número de votos.
Os cineastas de Hollywood amam tanto os pobres e desprezam de tal modo os ricos que ninguém diria que eles ganham tanto dinheiro com isso.
É logicamente IMPOSSÍVEL traçar QUALQUER conexão lógica entre a idéia das liberdades civis e a da propriedade estatal dos meios de produção. São esquemas não somente heterogêneos, mas logicamente – e materialmente – antagônicos. Qualquer ginasiano pode perceber isso tão logo informado do sentido desses conceitos. Daí a minha convicção de que qualquer fé no socialismo, por tênue e matizada que seja, é uma prova contundente de inferioridade intelectual.
Se há uma coisa que, quanto mais você perde, menos sente falta dela, é a inteligência. Uso a palavra não no sentido vulgar de habilidadezinhas mensuráveis, mas no de percepção da realidade. Quanto menos você percebe, menos percebe que não percebe.
"'Ciência' é um ideal de conhecimento. Cada praticante de uma das ciências tem de provar que aquilo que ele faz está à altura desse ideal, em vez de utilizar o prestígio do ideal como manto embelezador daquilo que ele faz."
O mundo é sempre mais complexo do que você pensa, e você tem de ficar permanentemente aberto a ele; tem de deixar que a realidade te ensine.
Deixe para ter opiniões quando elas valerem alguma coisa. Como é que você sabe o que a sua opinião vale? Vale o trabalho que você teve para obtê-la. Quanto esforço custou essa opinião? Por exemplo, quantos livros você leu para ter essa opinião? Um?
Uma identidade nacional é a memória dos grandes feitos realizados em comum. Foi a partir de 2013-2015 que o povo brasileiro começou a escrever a sua história em vez de recebê-la pronta. Espero que tome gosto pela coisa e nunca mais se deixe conduzir por seus próprios representantes e empregados.
Um diploma de filosofia significa que seus professores lhe deram (ou dizem ter dado) os conhecimentos mínimos indispensáveis para que você venha talvez a se tornar um filósofo -- não que você já seja um desde o instante em que recebe o diploma.
Desde logo, o conteúdo afirmativo da fé é dado de uma vez por todas (na Revelação), e seu significado, embora possa ser progressivamente mais e melhor compreendido, não muda. A ciência, por seu lado, é apenas um ideal cognitivo – o ideal de um conhecimento perfeitamente demonstrado – que não pressupõe como verdadeira nenhuma afirmação científica em particular e é portanto um ideal puramente formal. O conceito de 'ciência', por si, nada nos diz sobre o mundo real. Ele não tem, por si, nenhum conteúdo positivo, ele é um juízo condicional, segundo o qual determinado conhecimento, se atender a determinadas exigências lógicas e metodológicas, será um conhecimento científico.
Vocês já repararam que NEM UM ÚNICO filósofo ou escritor de renome escreveu algo contra o meu trabalho, só zés-manés fracassados e invejosos?
O sujeito achar que um diploma de filosofia pela USP faz dele um filósofo é uma idéia tão idiota quanto imaginar que um diploma de História da Pintura faz dele um pintor. Nem um único filósofo foi jamais formado pela USP ou por qualquer outra universidade brasileira e, pelo andar da carruagem, jamais o será.
Uma vez compreendido que, se a filosofia de Platão (e portanto também forçosamente as de Sócrates e Aristóteles) é essencialmente EDUCAÇÃO, e educação da consciência, fica aí esclarecido, sem margem para dúvidas, qual deve ser o papel da filosofia no conjunto da vida social e política: é o mesmo papel que cabe a todo e qualquer trabalho educacional. Não cabe ao educador premoldar o futuro de seus estudantes, mas apenas ajudá-los a encontrar e realizar o seu próprio destino. Por essa mesma razão não lhe cabe reformar a sociedade, mas apenas preparar as novas gerações para que, em caso de necessidade, e se isto corresponder às suas vocações pessoais, possam reformá-la como bem o entendam, inspirando-se indiretamente nos valores aprendidos do filósofo mas sem se prender a alguma fórmula que ele, aliás, jamais deve lhes transmitir. A intervenção da filosofia na política só se revela frutífera quando é indireta, sutil e de longo prazo.
"Minha esperança é que os meus alunos, com o tempo, consolidem um genuíno estilo brasileiro de alta cultura: inseparavelmente popular e erudito, engraçado até ao ponto de matar de rir, com clarões de lucidez escandalosa que parecem loucura à primeira vista. Sem folclorismos veados. Profundamente cristão sob uma aparência enganosamente obscena. Aristóteles no programa do Alborghetti. Cogito ergo Mussum. Isso há de acontecer, se Deus quiser."
Os frankfurtianos só pensavam em deleitar-se esteticamente com a destruição geral. É inacreditável que alguém possa lê-los por anos a fio sem perceber isso. É muita devoção hipnótica.
No dia em que eu me dirigir a esses tipinhos em tom respeitoso, terei me tornado, como escritor, indigno de todo respeito.
Na inveja de bens materiais resta sempre a esperança de obtê-los um dia, mas, se são bens intelectuais ou espirituais, quanto mais alguém os inveja, mais os perde, levando junto para o ralo o que possa restar de honra e moralidade. Esse tipo de inveja leva à degradação total, sem limites.
