Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac
"Minha esperança é que os meus alunos, com o tempo, consolidem um genuíno estilo brasileiro de alta cultura: inseparavelmente popular e erudito, engraçado até ao ponto de matar de rir, com clarões de lucidez escandalosa que parecem loucura à primeira vista. Sem folclorismos veados. Profundamente cristão sob uma aparência enganosamente obscena. Aristóteles no programa do Alborghetti. Cogito ergo Mussum. Isso há de acontecer, se Deus quiser."
Os frankfurtianos só pensavam em deleitar-se esteticamente com a destruição geral. É inacreditável que alguém possa lê-los por anos a fio sem perceber isso. É muita devoção hipnótica.
No dia em que eu me dirigir a esses tipinhos em tom respeitoso, terei me tornado, como escritor, indigno de todo respeito.
Na inveja de bens materiais resta sempre a esperança de obtê-los um dia, mas, se são bens intelectuais ou espirituais, quanto mais alguém os inveja, mais os perde, levando junto para o ralo o que possa restar de honra e moralidade. Esse tipo de inveja leva à degradação total, sem limites.
A virtude da fé significa que o homem, uma vez tendo aprendido pela razão e pela evidência uma verdade, permanecerá fiel a ela, mesmo quando sua imaginação, seus sentimentos ou sua vontade – para não falar de fatores coercitivos meramente externos, como a opinião grupal ou a pressão das circunstâncias – o inclinarem em sentido oposto. Dentro do campo cristão, a concepção não é diferente, desde que a teologia escolástica, com Santo Tomás de Aquino à frente, declara que a fé não é uma atitude de sentimentos – e muito menos de algum impulso obscuro, inexplicável e ‘subconsciente’ – porém uma decisão do intelecto e da Vontade.
Para o isentismo, só há duas posições políticas dignas de respeito: o comunismo e a neutralidade. O anticomunismo é uma aberração extremista.
Para mim existe uma diferença radical e invencível entre a música autenticamente popular, ou folclórica, e a música comercial ou industrializada. Só me interesso pela primeira.
Quando um imbecil reduz todas as questões morais a puro blá-blá-blá 'ideológico' e só dá importância a economia e administração, ele é algo mais que um imbecil: é um servo de Satanás para quem a morte de milhões de pessoas não passa de um detalhe irrelevante.
Conhecer o sentido da vida pressupõe conhecer o sentido das coisas que vão acontecendo enquanto ela se passa. Mas a apreensão desse sentido às vezes implica o conhecimento de forças terríveis, forças de escala histórica, social, planetária ou supra-planetária. [...] A maior parte das pessoas não deseja, por medo, levantar os olhos para ver o que determina a sua vida. Mas a aquisição do sentido da vida pressupõe a aquisição do sentido do cenário cósmico em que você está; não em si mesmo, como se faz ecologicamente, mas como cenário da peça que é a sua vida. Partindo do ponto onde você está, a consciência pode ir se alargando em círculos concêntricos cada vez maiores, para compreender gradativamente o conjunto de fatores que determinam objetivamente a sua existência. E à medida que esta consciência se amplia, mais nítido se torna o dever pessoal que dá sentido à sua vida. E aí você não busca mais proteção na inconsciência covarde (fingida no começo, mas que com o tempo se torna inconsciência mesmo), e sim no dever, que lhe infunde coragem cada vez maior.
Quando Deus quer que você aprenda a arte da dialética, Ele manda um diabinho contradizer tudo o que você pensa. 'A dialética — ensinava Hegel — é o espírito de contradição sistematizado.'
Nenhum historiador sério, seja protestante ou católico, jamais contestou que a Igreja reformada, na Alemanha, na Inglaterra e na Suíça, embora pregando a livre interpretação do texto bíblico, reprimiu com severidade e violência as opiniões divergentes, sendo esse aliás o motivo pelo qual muitas comunidades protestantes desses países fugiram para a América. Foi SÓ NA AMÉRICA que a liberdade de opinião e culto floresceu realmente. Ninguém tem o direito de negar a realidade e ainda imaginar que faz isso por zelo religioso. A mentira que se orgulha de si mesma é a definição mesma da soberba diabólica.
"É utópico. A única alternativa possível é a economia liberal com uma população cristã." [Sobre a alternativa distributista, ou distributivista, de Chesterton e Belloc]
No Brasil, se um sujeito escreve bons livros, educa milhares de pessoas e desperta por toda parte vocações criadoras, não faltará quem acredite que falar mal dele é uma realização ainda mais grandiosa.
O método brasileiro de leitura consiste em impressionar-se positiva ou negativamente com algumas palavras e enxergar nelas o sentido do texto; ou em adivinhar esse sentido por meio de conjeturas sobre as ligações do autor com grupos, partidos e interesses que ele na maior parte dos casos desconhece.
O mais grosseiro vício de pensamento – e o efeito mais visível do analfabetismo funcional – é a 'ignoratio elenchi': a incapacidade de perceber qual o ponto em discussão. Seu sinal mais patente é a dissolução do específico no genérico. Por exemplo, se estamos discutindo a questão da Eucaristia nas doutrinas de Lutero e Calvino, o analfabeto funcional transforma isso logo num confronto geral de protestantismo e catolicismo, e dispara contra a igreja adversária todas as acusações mais disparatadas que lhe vêm à cabeça, sem notar que cada uma delas não apenas é incapaz de resolver a questão inicial, mas levanta, por si mesma, uma discussão em separado, em geral tão difícil e complicada quanto a primeira. [...] É evidente que nenhuma discussão racional sobrevive a essa operação, a qual dissolve todas as questões num confronto geral de torcidas – uma disputa 'política' no sentido de Carl Schmitt, impossível de ser arbitrada senão pelo recenseamento do número de gritos.
O Fábio Salgado de Carvalho, assim como o Raphael De Paola e mais meia dúzia, está entre os alunos mais qualificados para prosseguir o meu trabalho -- e até dar-lhe um 'upgrade' -- quando eu bater as botas ou ficar gagá.
Todo o espírito da esquerda universal se condensa e se revela num único episódio exemplar: Stalin ajudando Hitler a construir o seu exército -- fazendo de um partideco provinciano um flagelo mundial -- e depois posando de heroizinho antifascista.
É claro que, para cada domínio especial do conhecimento e da vida, uma faculdade em particular se destaca, ainda que sem se desligar das outras: o raciocínio lógico nas ciências, a imaginação na arte, o sentimento e a memória no conhecimento de si, a fé e a vontade na busca de Deus. Mas, sem a inteligência, que é cada uma dessas funções, ou a justaposição mecânica de todas elas, senão uma forma requintada de fetichismo? Que é uma imaginação que não intelige o que concebe, um sentimento que não se enxerga a si mesmo, uma razão que raciocina sem compreender, uma fé que aposta às cegas, sem a visão clara dos motivos de crer? São cacos de humanidade, jogados num porão escuro onde cegos tateiam em busca de vestígios de si mesmos. Toda “cultura” que se construa em cima disso não será jamais senão um monumento à miséria humana, um macabro sacrifício diante dos ídolos.
"Entre o 'Jesus histórico' e o 'Jesus da fé' -- isto é, aquele que os documentos antigos atestam e aquele que aparece no imaginário das épocas posteriores --, há um elemento mediador, sem o qual a unidade dos dois se torna invisível: o Jesus operador de milagres, cuja presença e ação tem mais provas do que a existência de qualquer personagem histórico de qualquer época. Ignorando esse terceiro elemento, o pateta compara duas abstrações e acha que fez um grande trabalho histórico."
"Os sentimentos pessoais estão proibidos. Você só pode sentir de acordo com o que o grupo de pressão manda. O caso da Claudia Jimenez é exemplar. Se ela sente que era lésbica só por timidez de arranjar homem, ela não pode dizer isso em público, pois será acusada de 'trair-se a si mesma', como se a autenticidade dos sentimentos dela não fosse matéria de foro íntimo, mas de decisão alheia."
