Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac

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Hugo de S. Victor explicava que pensar é transitar de uma idéia à outra (seja vagando pela floresta das analogias, seja subindo ou descendo na escala das proposições, do geral para o particular e vice-versa). Meditar, ao contrário é retroceder metodicamente desde um pensamento até seu fundamento ou raiz na experiência que o tornou possível.

Inserida por LEandRO_ALissON

"O 'eu' é aquele que responde por aquilo que sabe, e, mais ainda, por aquilo que ele sabe que sabe. O mais elevado autoconhecimento não consiste senão na admissão de um saber prévio assumido responsavelmente."

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O eu que responde – o eu responsável – é a realidade humana mais direta, universal e permanente. Mesmo culturas que não chegaram a ter uma noção clara da individualidade psíquica já sabiam disso, como o prova o fato de que em todas elas quem é chamado a responder por seus atos é o autor deles, não um terceiro. Não há sociedade, por mais primitiva, onde as noções de autoria, culpa e mérito não estejam perfeitamente identificadas entre si.

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A consciência responsável é a verdadeira situação do ser humano no mundo. Observa-se isto nas interações mais simples, onde aquele que fala sempre espera que o outro o compreenda: não apenas que apreenda o sentido de uma frase, mas que adivinhe uma intenção e por trás dela capte a presença de um eu consciente semelhante ao seu.

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O eu responsável é um dos fundamentos primários da sociedade humana. Ele é a origem de todas as idéias, criações, instituições, leis, hábitos, estruturas. Tudo o que, na sociedade, não possa ser rastreado até sua origem no eu consciente assume a aparência de coisa externa vinda ao mundo por pura magia espontânea. É o coeficiente de fantasmagoria que resta em toda sociedade por efeito da alienação e da perda de memória.

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"Consciência, no sentido forte da palavra, é autoconsciência atual, responsável – é algo que só pode existir no indivíduo real, presente, atuante. Consciência genérica, abstrata, é um puro fetiche lógico."

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Um filósofo é, afinal, um especialista em unidade: raramente ele enunciará alguma proposição solta, sem raiz em princípios gerais e sem uma rede de conexões com a totalidade de suas idéias. Um bom leitor de filosofia não se perde na discussão de detalhes isolados, mas, guiado por um instinto de coerência que já o torna um pouco filósofo, busca por trás de tudo os princípios e fundamentos.

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⁠"Para você saber o sentido de uma coisa, primeiro precisa saber que coisa é esta. 'Que é que eu sou?', 'Onde é que eu estou?', 'Que é que eu estou fazendo aqui?' [...] Por exemplo: Você deseja realmente saber todos os impulsos hereditários malignos que herdou de seus antepassados? [...] A isto Dante chama descida aos infernos: reconhecer as possibilidades inferiores que ainda estão em você. [...] Então, se não quer, não adianta ir rezar, porque a função do Espírito Santo é revelar precisamente isso para você."

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⁠"Quando acontece uma grande desgraça, o indivíduo se pergunta 'por que isso aconteceu a mim?'. Boa pergunta, mas antes de perguntar pela desgraça, já devia ter perguntado uma série de outras coisas. [...] Na verdade, se o indivíduo passar a vida toda ignorando solenemente tudo o que se passa, quando ocorrer a desgraça ele também não vai entender, vai ficar ainda mais burro do que estava antes."

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A mais perfeita forma de amizade somente é possível para aqueles que buscam a Verdade. Pessoas mundanas, por melhores que sejam, jamais conhecerão a dimensão espiritual de um verdadeiro amigo.

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Em filosofia, toda expressão é provisória e requer o acúmulo praticamente interminável de esclarecimentos. Mas ao público brasileiro de hoje falta algo mais que a consciência disso. Falta o sentido mesmo da ligação orgânica entre as asserções e os argumentos que as embasam.

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Em filosofia [...], nenhuma proposição significa nada quando considerada independentemente das razões que a ela conduzem. Nas discussões vulgares, ao contrário, cada afirmação vale por si; os argumentos podem torná-la mais aceitável, mas nada lhe acrescentam: sobra-lhes apenas a função de floreados enfáticos, destinados a sublinhar e colorir uma decisão tomada antes e independentemente deles.

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A precaução mais elementar, ao ler os escritos de um filósofo, é lembrar que nossas objeções mais imediatas já devem ter-lhe ocorrido e podem estar respondidas, ao menos de maneira implícita, em alguma outra parte de sua obra.

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"A objetividade é, em última análise, humildade perante o real – a humildade da inteligência. É talvez a mais difícil das virtudes. Não é coisa que se conquiste sem uma ascese interior, dificilmente acessível a pessoas que, como os jornalistas, vivem num meio antes propenso à tagarelice do que à reflexão. A probabilidade de que a massa dos jornalistas alcance essas alturas é a mesma de que todos os homens do mundo se tornem virtuosos por força das normas legais."

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Uma das muitas causas do seu desaparecimento [do leitor autêntico], no nosso país, é que a formação dos jovens leitores — e falo dos melhores — se faz sob uma influência predominantemente anglófona. Ninguém lê mais em francês, espanhol, italiano ou latim. Muito menos lê os clássicos portugueses. Como os princípios da estilística inglesa são intransponíveis para o português, esses leitores acabam perdendo o ouvido para o próprio idioma. Quando lêem, não captam as nuances de sentido nem a ordem musical. Quando escrevem, imitam trejeitos ingleses que não dão certo em português e terminam em pura macaquice. E não falo só de trejeitos lingüísticos, mas psicológicos — de certos cacoetes de percepção que são típicos da intelectualidade norte-americana.

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Liberal education é, para resumir, a educação da mente para os debates culturais e cívicos mediante a leitura meditada dos clássicos. Acabo de escrever esta palavra, 'clássicos', e já vejo que não sou compreendido. A falta de uma liberal education dá a esse termo a acepção estrita de obras literárias famosas e antigas, lidas por lazer ou obrigação escolar. Um clássico, no sentido de Adler, não é sempre uma obra de literatura: entre os clássicos há livros sobre eletricidade e fisiologia animal, os milagres de Cristo e a constituição romana: coisas que ninguém hoje leria por lazer e que geralmente são deixadas aos especialistas. Mas um clássico não é um livro para especialistas. É um livro que deu origem aos termos, conceitos e valores que usamos na vida diária e nos debates públicos. É um livro para o homem comum que pretenda ser o cidadão consciente de uma democracia. Clássicos são livros que criaram as noções de realidade e fantasia, senso comum e extravagância, razão e irrazão, liberdade e tirania, absoluto e relativo – as noções que usamos diariamente para expressar nossos pontos de vista. Só que, quando o fazemos sem uma educação liberal, limitamo-nos a repetir um script que não compreendemos. Nossas palavras não têm fundo, não refletem uma longa experiência humana nem um sólido senso de realidade, apenas a superfície verbal do momento, as ilusões de um vocabulário prêt-à-porter. A educação liberal consiste não somente em dar esses livros a ler, mas em ensinar a lê-los segundo uma técnica de compreensão e interpretação que começa com os eruditos greco-romanos e atravessa, como um fio condutor, toda a história da consciência ocidental.

Inserida por LEandRO_ALissON

⁠"Quando começamos a fazer perguntas filosóficas no tempo da nossa adolescência é exatamente a isto que estamos procurando: um refúgio intelectual contra a complexidade e o tamanho de uma realidade que nos abarca, e que não controlamos de maneira alguma. É isto o que os fulanos chamam de busca da verdade quando é exatamente o contrário. É a busca de um refúgio [...] intelectual contra a complexidade do real."

Inserida por LEandRO_ALissON

⁠"Esta é a medida máxima que a inteligência humana pode alcançar: a participação consciente e lúcida numa realidade que ela não pode abarcar. Ou seja, não sabemos quais são os limites da realidade, qual é o quadro inteiro, nem a resposta final, mas sabemos onde estamos, o que estamos fazendo aqui e sabemos o que está acontecendo."

Inserida por LEandRO_ALissON

⁠"O máximo que o filósofo pode fazer é tentar dar aos seus ouvintes aqueles momentos de lucidez que são a expectativa da Vida Eterna. Lembrar a Vida Eterna é a função máxima do filósofo: entender a vida transitória, o momento que passa e a situação real em que se vive, e puxar a alma da consciência viva da situação para a recordação da esperança da Vida Eterna (que é mais que esperança, é certeza)."

Inserida por LEandRO_ALissON

"Sou contra política partidária nas escolas, mas favorável a todas ideologias nas escolas! Assim os alunos terão uma ampla visão para fazer suas opções"⁠

Inserida por ZeBarros