Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac
Um homem sem alta cultura espiritual munido de um diploma de ciências é um inimigo de espécie humana.
Para refutar os resultados de uma experiência, é preciso partir DAS MESMAS premissas que a formularam. Não da sua negação. Quem não sabe isso e se diz cientista é um CHARLATÃO, e mais charlatão ainda se carregado de diplomas.
Os idiotas vivem me acusando de pretender ter razão em tudo quanto argumento. E eles, por acaso, argumentam em favor do que não acreditam?
Um homem lusófono seriamente culto domina a sua língua cada vez melhor quanto mais leia livros em línguas estrangeiras.
O talento mais notável da mídia nacional ou internacional é a sua destreza em fazer-se passar, ante as massas, como um arremedo persuasivo da autoridade intelectual e até científica.
A coisa MAIS DECISIVA para o futuro da democracia em qualquer lugar do mundo é que o povo -- a totalidade dos consumidores, eleitores e pagadores de impostos -- tenha voz ativa na distribuição das verbas de pesquisa científica, hoje monopólio de um reduzido círculo de políticos, burocratas e bilionários. Sem isso, a democracia nunca passará de uma camada de verniz populista adornando um sistema tirânico e prepotente de dominação hierárquica. Quem seleciona o que se pode perguntar e o que se deve calar determina a forma visível do mundo e tem assim o domínio completo da conduta coletiva. O poder intelectual é impessoal e de longo prazo, mas, no cômputo final, é sempre o mais decisivo. Os cientistas devem ser forçados a investigar O QUE O POVO QUER SABER, e não só o que interessa à elite que os comanda.
No cristianismo e no judaísmo a apologética, com sua componente polêmica essencial, é uma das partes mais importantes da formação do sacerdote, e no Islam (onde não há sacerdócio formal), ela é obrigação estrita de todo crente. A polêmica com os descrentes e com os fiéis de outras religiões constitui – para nos atermos só aos textos clássicos do cristianismo – pelo menos uma quarta parte dos trezentos volumes (de mil páginas cada) da Patrística Latina e dos quatrocentos da Grega. Todas as Sumas católicas nada fazem senão reproduzir polêmicas correntes da época, e todo o imenso desenvolvimento da dialética como arte da discussão, entre Aristóteles e Hegel, foi devido exclusivamente ao clero católico, o que seria realmente um esforço inexplicável se tudo fosse para fugir das polêmicas. Mais modernamente, os jesuítas se tornaram célebres por sua habilidade argumentativa, e não há uma só objeção ao dogma católico que não tenha produzido centenas de livros e folhetos jesuíticos em resposta.
Quem domina as universidades e a mídia domina o país. Pouco importa quem é o governante nominal. E pouco importam as preferências do eleitorado.
De onde vêm os membros da elite, TODOS ELES? Vêm da UNIVERSIDADE. Quem domina a universidade hoje dominará o país em vinte ou trinta anos. Eleger um presidente sem levar isso em conta é o mesmo que puxar a cereja na esperança de com isso trazer o bolo junto.
O romance é essencialmente a história de uma alma contra sociedade. O herói do romance é sempre alguém que tem algum problema com a sociedade, alguém que não se encaixa na sociedade, ou porque ela é complexa demais e ele não a entende. Ou porque, ao contrário, crê que ela o rebaixa e ele não aceita esse rebaixamento, ele quer se sobrepor, quer vencer a sociedade, como é o caso de Raskólnikof no Crime e Castigo; ou Rastignac nas Ilusões Perdidas de Balzac. Vocês vêem que o surgimento de todo um gênero literário, que é o gênero mais importante dos últimos dois séculos é definido pela inexistência de harmonia entre o homem interior e a sociedade.
A espontaneidade sonsa com que os liberais imaginam como a coisa mais natural do mundo a adaptação dos valores morais às exigências da economia coincide em gênero, número e grau com a concepção gramsciana da 'ética' como ajuste entre as normas da conduta popular e 'o estado das forças produtivas'. Surrados com duas mãos, os valores morais se dissolvem a olhos vistos, e aí liberais e gramscianos nos oferecem gentilmente seus respectivos diagnósticos da situação, nos quais a ação deles próprios NUNCA é um dos fatores em jogo.
"Nas situações difíceis da vida, tanto faz você estar calmo ou nervoso. O que importa é enxergar a situação corretamente e fazer o que é preciso fazer. Uns fazem isso melhor quando estão calmos, outros quando estão nervosos. Esqueça a porra do seu estado de espírito e concentre-se nos fatos."
"Para o indivíduo, o sofrimento pode ser o princípio da sabedoria. Para a comunidade, é o motor da violência, que puxa o carro da história na direção da fornalha ardente em cuja beirada um cartaz anuncia: 'Justiça e Paz'."
"Aos trinta e poucos anos, minha inteligência recebeu um reforço inigualável com a leitura das 'investigações Lógicas' e da 'Crise das Ciências Européias' de Edmund Husserl. É preciso lê-los com lápis e papel ao alcance, como livros de matemática. O esforço pode levar meses ou anos, mas é imensamente recompensador. Ninguém jamais será um filósofo se não levou umas boas doses de Husserl na veia."
"Se você quer destruir a sua inteligência de uma vez por todas, só admita como verdade o que possa provar. Descartes criou a fórmula perfeita da imbecilização. De tudo o que sabemos por evidência imediata, só uma parcela infinitesimal pode ser retida na memória até transmutar-se em discurso e poder, em seguida, ser decomposta como prova."
"Se a verdade, como dizia Aristóteles, só existe no juízo, ela só se efetiva no ato de julgar, na presença do juízo à consciência individual vivente que o formula, no instante em que o formula. Foi por isso mesmo que Deus não se encarnou numa teoria, nem numa idéia, nem numa comunidade, mas em UM ser humano concreto. Por isso mesmo, toda discussão pretensamente filosófica entre 'correntes' e 'escolas' é vigarice do princípio ao fim."
Uma coisa óbvia, e cada vez mais desconhecida, é que de nenhuma descoberta científica, verdadeira ou falsa, se pode tirar alguma conclusão filosófica ou teológica válida.
"É absolutamente impossível provar cientificamente a veracidade de qualquer 'consenso científico'. Apela-se ao consenso justamente porque não se tem prova de nada. Prova só existe no ato de pensá-la, e só quem pensa é o indivíduo singular concreto. 'Coletividade' só tem existência metonímica, e desde quando um ser metonímico pode provar alguma coisa?"
A divinização do espaço na ideologia científica corresponde, na ideologia político-social, a divinização do tempo.
É evidente que reduzir o sentido da vida ao sentido da História é encerrá-lo na dimensão temporal voltando as costas para a eternidade.
