Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac
Ciência é, por definição, a confrontação de hipóteses [...]. Não se faz ciência acumulando opiniões convergentes, mas buscando laboriosamente a verdade entre visões divergentes.
Cadeia não foi feita para recuperar ou fazer justiça com ninguém. Foi feita apenas para separar aqueles que não prestam da sociedade.
Tudo o que não seja feito para a glória de Nosso Senhor Jesus Cristo é futilidade, e às vezes crime.
A doutrina cristã do livre artítrio é uma ANTROPOLOGIA FILOSÓFICA, não uma psicologia. Ela se refere à espécie humana enquanto tal, no seu sentido mais universal e genérico, e não ao indivíduo concreto tomado num momento dado da sua existência real. "O homem" tem livre arbítrio, mas ESTE homem, ESTE indivíduo, pode estar privado do exercício do livre arbítrio como está privado, em maior ou menor grau, do uso da razão. É a diferença entre o pecado isolado e o VÍCIO. Dizer que todo pecador tem a qualquer momento a liberdade de se abster do seu pecado vicioso, só não o fazendo porque não quer, é confundir o universal com o particular, o necessário com o contingente, a essência com o acidente, e proceder como os maus pastores de que fala Mateus, 23:4: "Eles atam fardos pesados e os colocam sobre os ombros dos homens. No entanto, eles próprios não se dispõem a levantar um só dedo para movê-los."
Do mesmo modo que não se aprende a lutar boxe estudando manuais sem nunca subir no ringue, não se aprende a discutir estudando "lógica" ou "retórica", mas acompanhando com atenção as grandes discussões filosóficas que se desenrolaram ao longo da História.
Mutatis mutandis, nenhuma argumentação filosófica pode nada contra uma teologia, a não ser que ela própria se transforme numa espécie de teologia invertida, que negue aqueles fatos em vez de afirmá-los -- com o que deixará de atender ao princípio da auto-inteligibilidade e, portanto, de ser uma filosofia.
NÃO HÁ mais forças políticas mundiais em que uma consciência cristã possa buscar abrigo. Todas são demônios. Estamos sozinhos, nossas forças estão espalhadas e esfareladas pelo mundo, e nossas lideranças estão infestadas de traidores. Mas se você não tem sequer a coragem de enxergar a realidade, como pode ter a pretensão de mudá-la? Este é o primeiro passo: reconhecer que não temos protetores no mundo. Nossa proteção está em Deus e somente n'Ele.
Quem nivela a sonegação a corrupção, não percebe a diferença entre fugir ilegalmente do roubo estatal e roubar do Estado um dinheiro que ele roubo de terceiros.
A missão da filosofia política não é inventar uma sociedade melhor (ou mais provavelmente pior), mas criar os instrumentos intelectuais que permitam compreender as sociedades existentes, e assim ajudar as pessoas -- governantes e povo -- a avaliar as conseqüências das suas decisões e escolhas. A filosofia política não julga a sociedade existente pela comparação com um modelo ideai, mas pelos critérios gerais da conduta humana estabelecidos por uma sã filosofia moral sedimentada pela experiência e pela razão. Se não há uma filosofia moral superior aos condicionamentos socioculturais das épocas, então estes se tornam os juízes soberanos de si mesmos e se instaura o império do fato consumado, o governo dos mais cínicos e brutais.
Não há nada mais repugnante, para um político brasileiro, do que a idéia de ser apenas um representante, obediente aos representados. E, se estes querem cobrar dele o serviço para o qual foi eleito, é ditadura. Democracia é a classe política fazer o que bem entende.
"No meio cultural subdesenvolvido, o maior risco que você corre não é o de permanecer inculto. Isso você pode superar mediante o estudo. O maior risco é o da alienação, o de viver num mundo de idéias gerais que não têm nada a ver com a sua existência concreta."
Quem quer ser respeitado sem precisar respeitar nada é uma alma criminosa que tem de ser banida não só da vida pública, mas de todo convívio decente.
O realismo objetivo em ciência política não consiste em abster-nos de juízos de valor -- o que é aliás impossível --, mas em impedir que os nossos temores, desejos e esperanças obscureçam a nossa visão da realidade.
Se você sente que não tem o direito de defender o cristianismo com vigor feroz por estar cheio de pecados, não cometa mais um defendendo-o com tibieza e pusilanimidade.
Quando você já não busca a aprovação de qualquer meio social presente, mas de Aristóteles, de Dante, de Sto. Tomás, de Shakespeare e de Leibniz, você sabe que dela não resultará provavelmente nenhum benefício exterior, mas apenas a aquisição daquela consistência íntima, daquela sinceridade profunda que lhe permitirá ser de fato 'alguém', não aos olhos dos outros, mas da comunidade supratemporal do conhecimento, ainda que ao preço de tornar-se relativamente incompreensível aos contemporâneos. A partir desse momento você está habilitado a dizer como Dom Quijote: 'Yo sé quien soy' – e a opinião dos circunstantes não pode afetar em nada aquilo que você apreendeu mediante vivência espiritual direta, solitária, sem mais testemunha ou interlocutor além da comunidade dos sábios mortos. Quando Sto. Tomás de Aquino recomendava 'Tem sempre diante de ti o olhar dos mestres', ele sabia o quanto a integração da alma no diálogo supratemporal pode custar em solidão de espírito, mas também sabia que essa solidão é o único terreno onde germina o desejo de conhecer a Deus (a não ser, é claro, que o próprio Deus decida falar com você por outros meios).
No tempo em que os sábios não eram nem funcionários públicos nem apadrinhados de fundações bilionárias, cada um deles sabia que a unanimidade da opinião humana era, se não um critério de veracidade, ao menos um forte indício de racionalidade e probabilidade. No mundo moderno, ao contrário, a zé-lite acadêmica acha que todo mundo é louco ou burro, menos ela.
Perguntar não ofende, só aterroriza: Por que, nesta época de maravilhas tecnológicas sem fim, na qual todo o conhecimento universal está à disposição de cada zé-mané proprietário de um celular, as pessoas, mesmo dotadas de instrução universitária, ficam cada vez mais burras?
