Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac
Poeta, quando te livrares
da ilusão arcaica da rima
saberás compreender
o enigma que Ariadne,
a musa de Apolo
te soprar...
....então serás capaz
de alcançar uma obra-prima...
Poetas são ervas daninhas
Poetas são como ervas daninhas
em qualquer encosta
em qualquer mar ou porto
em qualquer terra árida
nasce um poeta.
Em qualquer lugar, onde houver injustiça
sofrimento, guerras, fome e desesperança
haverá também um poeta
inventando sonhos, construindo pontes
pintando ilusões com as cores da esperança.
O mundo é injusto com todos os homens
mas com o poeta chega a ser cruel
tira-lhe tudo que se aproveita
depois cospe em seu rosto
e joga as suas cinzas
no mar da eternidade.
Escuto vozes
Dizem que os poetas
-... ouvem vozes,
vozes das musas
voz de anjos, vozes...
Não é verdade,
a única voz que escuto,
quando escrevo
é minha própria voz.
A voz do medo,
de voz do absurdo
a voz do desespero
a voz da humanidade.
A voz da guerra
a voz do preconceito
a voz da ilusão
a voz da esperança.
Quero continuar a ouvir,
vozes, vozes do futuro
vozes que sonham
vozes que acreditam.
Que ouvir vozes é um sinal
um sinal de humanidade
um sinal de que Deus se importa
mesmo que os homens
não acreditem, eu ouço
vozes...
Evan do Carmo 24/06/2016
O que sei de caos?
O que sei de caos?
Quase tudo,
tenho um coração quebrado
e uma alma em farrapos
eu sou humano.
O que sei de caos?
Quase tudo,
pois quem inventou o amor
se esqueceu de avisar
sobre o engano.
O que sei de caos?
Quase tudo,
pois quem inventou a esperança
esqueceu de falar
do desengano.
O que sei de caos?
Quase tudo,
pois quem inventou a fé,
se esqueceu de avisar
do caos humano.
O que sei de caos?
Quase tudo,
tenho um coração quebrado
e uma alma em farrapos
eu sou humano.
O que sei de caos?
Quase tudo,
pois que ensinou sobre a paz
se esqueceu de explicar
a razão e a necessidade
da guera...
Evan do Carmo 09/07/2016
ENTRE A MESA E A CAMA
Entre a mesa e a cama
Um espaço a ser percorrido
Com a imaginação do corpo
Com a cumplicidade dos olhos
Com as mãos e os dentes do vinho.
A boca saliva, degustando o amor
Em goles de suspiros e de saudade
Entre a mesa e cama há um limbo
Que purifica as almas “encarnadas”
Onde os amantes recuperam a santidade,
Entre a mesa e a cama, o prazer
O brilho do mundo e o encantamento
Entre a mesa e a cama, o sonho
A conquista, o delírio de estar vivo.
Evan do Carmo 21/07/2016
A discussão sobre a morte
Falamos da morte como inexorável,
às vezes tentando ignorar
sua postura austera,
intransigente, inquebrantável...
Não há entre os homens vivos
nem entre os mortos, entre sábios ou tolos
alguém que saiba responder,
além de delírios ou hipóteses
o que é a morte, nem o que lhe segue,
qual sua verdadeira causa ou intenção...
Poetas e pensadores, não raro a descrevem,
arriscam seus palpites, outros falam em tese:
“a morte é o fim de tudo, ou início de nada.”
a sonhos e a pesadelos se atribui teorias,
doutrinas bem intencionadas...
a morte poderia ser, mas ela não é
não há Por vir, nem De vir,
tudo é abismo e talvez....
Mas se a vida ignorasse a morte,
se não houvesse pesar nem temor,
físico, metafísico ou moral?
A morte não seria o que é
nem o que não é...
a morte é apenas uma rima
que o homem tenta decifrar...
mas lhe falta tempo, espaço e sorte.
Evan do Carmo
“De Angra a Parati!
Sonhos e alucinações me são frequentes
ao me lembrar do que nunca houve entre nós,
como um aceno teu, um sorriso complacente
de ti para para mim, nem mesmo em pensamentos
me foram reveladas as tuas intenções
as imagens são curvas, sombras, calafrios
às vezes pesadelos.
Do teu corpo sinuoso nunca senti sequer o perfume
no máximo uma dança, de corpo presente
e de alma distante... um aperto de mão
um breve adeus, até breve,
quem sabe um telefonema.
Assim me encontro, impávido,
com um incerto destino desafortunado
sempre na expectativa enfadonha
de um dia voltar a te encontrar
como quem anda por estradas perigosas
curvas, florestas e praias desertas
de Angra a Parati!”
― Evan Do Carmo
"Aproveite o meu verbo-salivo,
pois ainda há pulso
mesmo anêmico e frio
parece vivo
este meu discurso
sobre a pedra
sobre o rio...."
UNIVERSO CAOS
Imagine um turbilhão de partículas flutuando no abismo. É a isto que cognominamos de universo. Partículas de todos os tamanhos e formas, fruto de um caos, desgoverno sem propósito.
E o homem, apenas mais uma partícula atômica empurrada pelas leis naturais, física e gravitacional.
A inteligência lutando em vão contra a perversidade do caos, com o fim de organizar, elaborar sistemas, classificar espécies e formas que garantam a sua existência duvidosa. Qual a condição e a possibilidade do homem reverter este fato que é o caos universal?
Mesmo que todos os homens, como partículas integrantes deste sistema sem objetivo se tornassem inteligentes, a ponto de desenvolver instrumentos para se isolar dos demais sistemas caóticos, não seria possível contornar nosso destino abismal, pois as inteligências difeririam e, logo estaria formado outro
caos dentro do caos, as ideologias, cada grupo "inteligente" apontado apenas para seu umbigo, e a desunião causaria a destruição da espécie. Eis o mundo atual.
MUSA DE MONET
Guardei o teu retrato
No horizonte da ilusão
Depois do arco-íris
Surgiu uma distração.
Um vulto de mulher
Andando devagar
Em minha direção
Musa de Monet
Pensei fosse você.
O amor é mesmo infante
Virou hoje um fantasma
Quem foi um dia amante.
Evan do Carmo
O sabiá
Um sabiá canta no meu quintal.
Toda manhã ao pé da minha janela,
Um canto melancólico, ele parece contar
Uma história triste, porém singela.
Às vezes penso, que o sabiá que canta o dia inteiro
No meu pé de laranjeira é um lobo solitário,
Que vive entre as estações
E canta pra sobreviver, não porque é necessário.
Eu o vejo pela vidraça da Janela,
Por vezes embaçada de neve ou de poeira.
O sabiá, assim como eu,
Escolheu a solidão como companheira.
O sabiá sabe, assim como eu sei
Que o que era sublime e tão bonito
Ao mudar de estação se perde tudo
Seu canto fica mudo...Tudo cai no infinito.
ECOS
Se a palavra me encanta
Eu sou encantado
Num verse que vem
Lá do coração
Fazendo da rima
Razão dessa vida
Eu sigo essa trilha
Sem perder a mão.
Não digo obrigado
Porque eu não sei
De onde é que vem
Essa inspiração
Apenas eu vou
Seguindo o caminho
Como um passarinho
De arribação.
Olhando pro céu
Vejo o infinito
E do silêncio
Eu escuto grito
E tendo o meu resto
De pranto banhado
Fico admirado
Com o inaudito.
Na beleza humana
De um homem que sofre
Mas no sofrimento
Encontra razão
Eu um simples humano
De essência tirana
Não percebo a gana
Da humanização.
Não vejo o amor
Nos olhos de quem
Diz que a filho ama
Porém escraviza
E em nome talvez
Do que chama progresso
Em um retrocesso
Me tira a camisa.
Sou apenas tristeza
Nas coisas que digo
Não sirvo de abrigo
Para a ilusão
Porque ancorado
Na realidade
A dor me invade
E me rouba o perdão.
XIII - Emissário de um rei desconhecido
Emissário de um rei desconhecido
Eu cumpro informes instruções de além,
E as bruscas frases que aos meus lábios vêm
Soam-me a um outro e anómalo sentido...
Inconscientemente me divido
Entre mim e a missão que o meu ser tem,
E a glória do meu Rei dá-me o desdém
Por este humano povo entre quem lido...
Não sei se existe o Rei que me mandou
Minha missão será eu a esquecer,
Meu orgulho o deserto em que em mim estou...
Mas há! Eu sinto-me altas tradições
De antes de tempo e espaço e vida e ser...
Já viram Deus as minhas sensações...
Venha inspiração e faça de mim morada,
que em meu seio seja tua casa.
Eu, que nada sou sem ti,
ainda sinto que habitas em mim, desde o primeiro dia em que lhe senti.
Não se afaste, não recue, não se desperdice,
esteja aqui, sendo serena, intensa e transcrevendo-me .
Tereza
Era uma cidadezinha pequena,
sem alma, sem empatia,
sem alianças.
Nela havia beleza,
nas montanhas,
no céu e nas crianças.
Toda sua cultura foi esmagada,
por religião, fofocas e trapaças.
E foram as primeiras noites sem dança,
sem amor, mas com vitalidade e esperança.
"Andei procurando sentidos que pudessem levar-me do náufrago ao porto.
Desembarquei em ti Bahia.
Solo que me era pouco conhecido.
Pisei na tua terra, banhei-me em tuas águas, abracei teus nativos e respeitei tua mata.
De ti não quero distância, quero teu mel, tua pimenta, dançar com os Pataxós e fazer eternas lembranças.
Agradeço teu conforto, teu zelo, teu alvoroço,
que sem nenhum esforço faz de mim um todo".
A Bahia tem uma magia que é só dela!
Ela ensina, cura e recupera.
São processos mágicos, lentos que te fazem perceber o gosto e a importância do vento.
É banho de mar de dia, banho de mar a noite, tira seus medos como uma mãe que te apresenta o escudo e a foice!
Por aqui também existe banho de sol e lua, dança na rua, que cativa os nativos, os visitantes e toma tua alma nua.
Eu, humana falha, aceito todo o poder, toda a sabedoria que ela vem me ensinando a cada dia, e é por isso que eu lhe digo, SOU LOUCA POR TI BAHIA!
Minha Primeira alamanda /18/01/16 19:57:06
Minha primeira alamanda …
flor tão bela ,flor amarela
amarelo ovo ...amarelo ouro
orgulhosa exibe também
seus frágeis e tenros botões
que despontam
num tom mais escuro
amarelo amarronzado
amarelo ocre , ouso definir
Minha primeira alamanda !
promessa de vida nova
flores em abundância
flores que trazem mais energia
ao meu pequeno quintal
que fica mais cheio de vida
mais alegre e colorido
Minha primeira alamanda
Flor bela, embora inodora
Mas , que importa?
pequena , frágil mas altiva
balança ao sabor do vento
com uma suave curvatura
é como se respondesse
ao meu sorriso de acolhimento
pelo seu primeiro despontar .( Edite )
Que possamos sorrir sempre ao despontar da “primeira flor de alamanda” no cultivo de nossos sonhos sonhos !
Hoje o dia pede aconchego ...
Depois da chuva intensa de ontem
Relâmpagos e trovões à distância
Enxurrada intensa ultrapassando a calçada .
Nada que deixe a pessoa assustada
Ao contrário de tantos por aí
prejudicados pela chuva de desce as encostas
derrubando tantas moradas
Deixando a tantos desalojados
Eu olho através dos frisos do portão da garagem
Vejo a enxurrada forte
Capaz de derrubar alguém que por ali tente atravessar
Eu até me arrisco e abro o portão
Debaixo da cobertura observo
A noite está baça
os fortes respingos no asfalto
parecem voltar em forma de fumaça
Não há ninguém na rua .
Tudo é silêncio
Apenas o som da chuva no telhado
O chuá , chuá da enxurrada
quebrando o silêncio da noite
O dia vem surgindo , chove ainda
Fininho, fininho
Chuvinha calma e mansinha
É possível ver através da vidraça
A manhã ainda está silenciosa
o calorão foi embora
Vontade de ficar aqui ociosa
Aconchegada na cama ainda morna
Hoje não vou trabalhar
Ah, mas hoje é sabado
Bora madornar
Ouvindo a chuva constante
cantante ,
ecoando diistante...
editelima 60
Quadro tão lindo
cheio de ternura e magia
Me recorda Maria Eduarda
Assim tão pequenina
debruçada sobre os livros
como se dali viesse
tudo que lhe fortalecia
E é claro que isso acontecia
Tanta imaginação voando
estacionando aqui e acolá
Fez dela essa menina encantadora
de palavreado manso e sedutor
Ah, minha Dudinha tão pequenininha
Mas de uma imaginação tão grande
que saudades a vovó tem
Dessa sua infantilidade inocente
que preenchia a vida da gente
Hoje já mais crescida
Está quase adolescente
se deixar,
trocas o livro pelo celular
Mas o que ficou na mente gravado
com certeza é subsídio lacrado
que te direciona para uma escolha eficiente
