Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac
Sigo a vida distraída, tentando esquecer que pessoas sobrepujam outros seres, agridem, matam, desrespeitam, roubam e há doenças, fome e guerra no mundo.
O que pode salvar este mundo distorcido?
O meu sorriso?
O meu café?
O meu poema?
Da janela
Elas, as árvores estão descabeladas
verdinhas, verdinhas
saúdam o vento gelado
dançam os verdes desmantelados.
"Em minha alma enterrei um desejo,
na porção mais profunda que pude encontrar,
mas ao vê-lo fecundo brotando em meu peito,
reguei os seus lírios com esperançar."
Incrível viver tantos amores errados até achar o certo.
O certo é quando ao te olhar te despe sem te tocar.
Ao te abraçar forte é como se juntasse todos os teus pedaços
E o grito de amor não vem do corpo, vem da alma.
Pra sempre direi nunca
nunca em teu peito
farei morada,
como do meu
faço morada sua,
nunca dormirei
no aconchego
dos teus braços,
e te ofereço os meus,
nem poderei brilhar
tempestades
da calmaria
dos seus olhos,
e brilhas tempestades
da calmaria dos meus,
nunca fará
de meus olhos
janela da sua alma,
não como faço
dos seus...
janela perpétua
de minha alma..
se pudesse
com seus olhos
ouvir o som
das minhas palavras,
e com seus ouvidos
ler,
meus versos
borrados e sem rima,
saberia que
meus sonhos
fizeram gaiolas
para si,
e como
pássaros tristes
cantam lamentos
dia e noite,
querendo voar
até seu peito,
saberia que
eu não busquei
que fosse você
quem
me faria sonhar...
se você pudesse
dar ao menos,
um beijo
no menor
dos meus
sentimentos,
eu não diria
a palavra nunca,
nunca diria..
No corredor da morte
quais palavras buscar para expressar o abortar voluntário dos sentimentos que dão vida as flores
nada que se diga esclarece o que parece ser, mas não é
é deste arremedo de poema de onde as letras sangram que meus sentimentos expressam um silêncio a dizer que Te Amo
se soubesses o quanto me dói, rasga a alma escrever tais palavras, expressar os gritos de minha alma
posto que o Amor foi tudo que expressei, e não foi suficiente, bem disseram que o Amor vai muito além do que pobres palavras podem expressar
ainda assim, tal qual o último pedido de um condenado no corredor da morte, suplico-lhe
atente seus olhos a onomatopeia dos meus versos rotos
não é a alma a busca do reencontro onde de dois se tornam um e um de dois?
como, quando e porque nunca importa
vê, ouve o silêncio no desabrochar das flores, sinta o aroma no abrir das pétalas
a suavidade do pólem que escapa ao toque da borboleta e sobe rasgando o firmamento chegando as estrelas e as fazendo sorrir
eis que tua divindade se faz presente, te venero
como um sacrílego, temo olhar-te, muito menos tocar-te
no entanto, tal qual uma divindade, em ti sinto o desprezar pela morte, sinto em ti o tempo como um eternizar este sentir
não serei mais um dos que morrem enquanto Amam e deixam versos na alma sem expo-los a sua Amada
cada sentir, tu o saberás, enquanto seus ouvidos estiverem abertos a ler-me
jamais enterrarei em minha alma e meu coração, o mínimo sentir que seja..
Os sonhos muitas vezes são só enganos,
idealizamos, inventamos, mas é uma sensação tão boa, que criam imagens tão poderosas e tão verdadeiras, que nos fazem vibrar.
Ah, eu adoro sonhar.
A chuva faz pirilampos nas poças
que pulam de um lado a outro
respingando brilhos frescos.
A minha loucura vê o que quer e faz troça.
Sei como pesa
o peso da ausência,
a essência da alegria,
e a magia da presença.
A importância e a beleza
da certeza que leva
alguém a me esperar.
Detalhes bons que ficam
entre tantos outros,
que são ruins e
que também marcam
como as palavras que ouvi,
direcionadas para alguém
que não era eu.
Certamente erros,
consequências automáticas
da insanidade juvenil.
Imperfeição entre pureza,
sujeira entre sentimento,
logo então me resta a refletir,
amei e fui amado,
cuidei e senti os
melhores cuidados,
errei e também senti os
erros sobre mim.
Bruxona
Meu reflexo em você,
uma mulher de muitas vidas
incapaz de se explicar em prosa.
Enigmática, atrai olhares de lua cheia
reluzindo antigas memórias
em corações de pedra
lapidados por uma cabalística solidão.
Faz da inteligência, vaidade
e amplifica seus condutores de energia
acendendo tudo ao redor.
Intuitiva, Bruxona, sente, arde, sabe!
Carrega uma fogueira no peito,
prestes a acender ou apagar
qualquer incêndio no coração.
Tenho obsessão por riscos,
gosto de percorrer vazios,
a sensação do abismo
satisfaz meus prazeres
beijando o indizível.
Meu coração suculento
cansou de ser sedento
agora é apenas um estômago faminto
de porcarias que o mate satisfatoriamente!
O prazer de sentir
em teus olhos atentos percebo a avidez de tua boca, a lenta loucura que estremece algum lugar dentro de mim.
O paraíso.
Eu sei como voar
É quando sinto o hálito da alegria bombear meu corpo e a ansiedade vai embora.
É quando sem querer o coração dispara e acelera os filetes dos desejos.
É um sonho feito pandorga, solta no imenso céu azul, onde também me solto, livre das amarras que me prendem.
E voo liberta e pujante, para reter o amor em meus instantes.
que bondade tem Deus!
presenteou o menino com a aptidão
de observar os ipês amarelos
e ouvir o cantar do sabiá-laranjeira
ela escreve a lápis arranca as folhas, porem com os punhos sobre a mesa em outra folha ela registra minuciosamente com detalhes,
E as palavras surgem como Uma composição ela preenche aquelas folhas
O poeta é inventor
Um poema é ilusão
Expressão de sentimento
Mera imaginação
Distante da realidade
Pura criatividade
Ninguém fala em verso, não
Eu escrevo pra esquecer,
E a vida ignorar,
Só de ilusão viver,
O real esfumaçar!
Num mundo de ficção,
Eu vivo dizendo não
Ao mal pra não se chegar!
Eu nunca saberei o que de fato você sentiu por mim.
Foi tão fácil você me olhar e dizer: chegamos ao fim!
Nem mesmo uma despedida justa. Um último beijo.
Um momento só nós dois com você no meu peito.
O Passado
As vezes bate uma saudade que dói no peito.
É como querer abraçar a brisa,
e só sentir o frio de um passo no vazio.
Lá onde tudo começou, o começo.
Olhar para trás, é ver a vida ao avesso.
Sentir que a felicidade escorria na face lisa da idade.
Um passado caro, depositado no banco da inocência,
seu preço, era a conveniência.
Conviver em rodas, mesas fartas de alegria,
compartilhando histórias de uma pura verdade.
Éramos celebridades que corriam de pés desnudos
no tapete verde.
Não havia regalias. Menino, menina, boneca, carrinho,
elástico, tudo era um laço, perdia quem não participava.
Apontar o dedo, somente para as estrelas,
Elas eram testemunhas das noites em volta da fogueira,
que debulhava faíscas numa tela pintada de nostalgia.
O calor que aquecia,
era o manto da nobreza que ali existia.
Uma vida cheia, preenchida, não havia espaço
para medidas vazias.
Relicário de moedas do tempo,
que hoje, nenhum diploma,
status pode trazer a rica vida que
se teve um dia.
