Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac
Sobre meu coração
chovem gotas frias de desalento...
turvas são as águas,
Nelas me sinto como um náufrago
Tento retorquir,
flamejando em meio à multidão atingida pela maldição do facciosismo...
Diante desse tempo úmido e frio
Domados atrozmente por avalanches de distorções e invenções
Carregados de vazio,
Sem ideias,
embriagados pelo inculto...
Suas mudanças revelaram-se navalhas
que não cicatrizam
Feridos, desempregados,desabrigados e famintos
Sob marquises pleiteiam acomodação.
Onde está a rosa?
Te tornaste símbolo, carregada em punhos cerrados
Sempre fostes resistente
Precisamos que cresças entre escombrosde pedras brutas
Que floresças nos corações e mentes,
que transforme a melancolia em esperança.
A FORÇA DO SENHOR
Eu venho Senhor,
Das minhas lutas te falar,
Eu venho te pedir forças,
Para a caminhada continuar!
Senhor ouve a minha voz,
Já não consigo carregar a cruz,
Senhor toma as minhas mãos,
E guia-me para a tua luz!
Não me deixe no meio do caminho,
Me ensina a lutar e vencer,
Transformando essa estrada de espinho,
Em flores que um dia eu possa colher!
De Rodivaldo Brito em 14.10.1978
SE SOU EU OU VOCÊ
Quando em teus olhos me afundo,
Fico encantado com o que vejo,
Parecem rios caudalosos e profundos,
Que sempre mergulho pra desvendar teus segredos!
Te beijar não é nenhum sacrifício,
Eu morreria sem poder respirar,
É uma droga que me controla, meu vício,
É onde me realizo quando quero te amar!
Teu sorriso tem tudo que nem consigo dizer,
A imagem que me deixa mais apaixonado,
Sem ele não sei se consigo sobreviver,
Um dia sem te ver sorrir é um dia desperdiçado!
Sou como uma peça tua que não consegue se desprender,
Preso a ti como um nó que não consegue se desatar,
Que já nem sei se sou eu ou você...
Porque amar é ter tanto a dizer e não conseguir explicar!
De Rodivaldo Brito em 04.08.2019
NA HORA DA CEIA
Na hora da ceia,
Minha alma anseia,
Quer repousar em ti Jesus!
Participo do pão,
Declamando um refrão,
Foi lá na cruz...
Bebo o vinho,
Te ouvindo com carinho,
- foi por ti que eu me fiz maldito!
Vem na memória,
A tua trajetória,
A história do ser mais bendito!
Eu, que sou tão culpado,
Por teu sangue sou lavado,
No vermelho carmesim!
Que não falte aos meus pecados,
O perdão tão esperado,
Que trouxeste para mim!
Rodivaldo Brito em 05.08.2019
ADEUS O ÚLTIMO CARINHO DO REJEITADO
Enquanto a vista alcançava, na tarde ligeira,
Teu corpo, a cada passada, desaparecia,
Num último esforço, a imagem derradeira,
De quem ainda há pouco, o adeus me garantia!
Porque partiste, me deixando de lágrimas banhado?
Tomado por tantos tornados e tempestades,
Não sabes que te amo e que por ti tudo tenho dado,
Porque me abandonas com tamanha crueldade?
Porque teu coração inconstante não responde?
Arde em chamas num instante, logo depois esquece,
Uma hora aparece, outra hora se esconde,
Quem não te ama amor, não te conhece!
Desaparece quando cresce na companhia,
Na ventania carrega os nossos melhores anos,
E conquista a confiança de quem já desistia,
Acabando com o sonho de tantos planos!
Porque mergulhei nesse mar turbulento,
E não procurei evitar esse resultado?
Hoje vendo você partir, disse pra mim mesmo: como me arrependo!
De viver esse adeus, o último carinho do rejeitado!
De Rodivaldo Brito em 16.08.2019
A FLOR E A PRAGA
Numa certa manhã, uma flor desabrocha,
Nasce Linda, com cores vivas e vibrantes,
Sua beleza é incomparável, estonteante,
Veio do galho mais forte, firme como uma rocha.
Uma praga surgiu imponente na madrugada,
Vindo no meio do excesso de adubação,
Num ambiente sem qualquer irrigação,
Se alojou nas pétalas da flor tão desejada.
Durantes dias a flor lutou contra a praga,
Mas suas forças se esvaíram. E desanimada,
Sem os cuidados necessários, murchou.
O amor é como um jardim florido que a todos agrada,
Mas sem cuidados, é como uma flor que não é regada.
A praga se dissemina onde ninguém tratou.
De Rodivaldo Brito em 26.08.2019
MANHÃ DOURADA
A noite ia alta, o orvalho caia no escurecer,
Em paz descansava da labuta do dia,
Algumas mechas no céu anunciavam o alvorecer,
A lua já cansada, aos poucos se recolhia!
Veio um som com batidas taciturnas,
Despertando-me do sono, eu ainda dormente,
Disse então : " quem me acorda nesta hora noturna,
Me tirando do sono cruelmente?"
Uma voz ecoou lá de fora : "sou eu, quem tu querias,
Estou aqui, não reconhece?
Voltei antes do que previa. Abre a porta e teu amor me oferece,
Deixa eu entrar, pois já nasce um novo dia!"
E eu a deixava entrar, com os primeiros raios da manhã dourada,
Ela trazia de volta a minha alegria,
Com coragem venceu o frio da madrugada,
E os perigos da noite que eu tanto temia.
De Rodivaldo Brito em 31.08. 2019
O QUE NINGUÉM CONSEGUE VER
Ainda que tudo diga que é proibido sonhar,
Jamais perca a esperança e não duvide no que você crer,
Porque a fé em Deus é o que te faz enxergar,
O que ninguém mais consegue ver!
Não importa o que possa acontecer,
Deus não te deixará sozinho nessa caminhada,
Confie nele, e descanse no seu querer,
Ele estará em cada curva dessa estrada!
Um dia a tempestade vai chegar,
Você vai sofrer e ninguém vai te socorrer,
O vento forte vai pedir tua morte e querer te levar,
Mas nao deixe o desânimo te vencer!
Sem Deus na proa, o barco afunda,
Sem o seu amor, quem te consola?
Porque onde ele mora, tudo muda,
E quando ele toca, tudo se transforma!
De Rodivaldo Brito em 12 09 2019
-Gratidão
Eu sou grato…
grato por viver e sonhar
poder sorrir e cantar…
grato por poder comer e beber
dançar e correr…
grato por poder aprender e errar
cair e levantar…
Sou grato por tudo e por todos
e na hora de minha partida
espero ter ajudado esse mundo
nem que seja apenas um pouco…
Sou grato pois sei que não vim em vão.
-Mundo de um poeta
Como é o mundo de um poeta?
aaaah como eu posso te explicar?
o mundo de um poeta é impossível de se decifrar
estão sempre dançando nas emoções
as vezes se encontram num mundo de ilusões
mas estão sempre iluminando o mundo com seus poemas em versos de canções.
"Descontrolado
Alucinado
Paranoico
Abusado
Obsessivo
Compulsivo", disse.
um animal empalhado em sua estante
ela é um demônio
em forma de anjo
e
as palavras tuas
me feriram
igual fere a um casulo
de borboleta.
Luzes e movimentação sem meus óculos.
Parecem pequenas estrelas se rachando e partindo ao meio, embora fossem todas coloridas de vermelho.
Como a luz de freio de um carro.
guardei as fitas cassete que você gravou para mim
com músicas do rádio
apertava o rec junto com o play para gravar
as fitas cassete
cortava as propagandas que às vezes invadiam a música
não posso mais tocar
as músicas que você gravou para mim direto do rádio
não tenho mais toca-fitas
restou sua mensagem gravada na secretária eletrônica
na mini fita cassete da secretária eletrônica do aparelho de fax
não posso mais escutar
seu último recado gravado na mini fita cassete
não tenho mais secretaria eletrônica que use mini fitas cassete
(elas também morreram)
tenho apenas caixa postal que grava mensagens de voz
de quem ainda deixa mensagens de voz
que serão apagadas em trinta dias
#RIP
os e-mails continuam a chegar
também as cartas
a página do facebook segue sem
atividade
inúmeros cadastros em infinitos sites
senhas irrecuperáveis
boletos de entidades beneficentes
convites, promoções, corretores insistentes
revistas e jornais: volte a ser um assinante
estamos com saudade
não se pode mais
morrer em paz
a impertinência da cura.
arrancaram meus caninos,
tenho as gengivas suturadas à mostra.
de medo: tormenta
[mãos de pólvora afagando o fogo]
na estrada de terra
da cidade vazia
a criança preta empunha um pedaço de pau.
ela está nua e vê-se um corpo tão prematuro
quanto ruínas.
a boca intumescida da criança preta gutura
morte ao rei!
e na aridez inalcançável dos pés descalços
resiste
a criança tão criança e velha,
sozinha e livre –
o sino da igreja abandonada toca todo dia na hora errada.
toda noite vem o homem
vestido de branco e
digo a ele
é impossível domar a água
I just sit on the ground in your way
o homem vestido de branco
anota a minha doença num papel.
Poucos homens despertaram em mim
o desejo de ser eu mesma.
Dois, talvez três em toda a vida.
O primeiro meu pai, que,
quando nasci,
perdeu-se amorosamente em mim
até se achar outra vez
mais tarde
não saberia precisar
esquecido de não ser, voltando a ser
homem.
Não tenho irmãos.
Tenho um primo que certa vez derrubei
no chão sem querer enquanto brincávamos.
Foi quando entendi
que o trabalho do ódio
é mapear circunstâncias
aleatórias
em torno de feridas alheias
que nem são nossas
portanto alheias
aprendidas.
É bonito como a criança resiste ao ódio,
se assim lhe permitem.
"Andei procurando sentidos que pudessem levar-me do náufrago ao porto.
Desembarquei em ti Bahia.
Solo que me era pouco conhecido.
Pisei na tua terra, banhei-me em tuas águas, abracei teus nativos e respeitei tua mata.
De ti não quero distância, quero teu mel, tua pimenta, dançar com os Pataxós e fazer eternas lembranças.
Agradeço teu conforto, teu zelo, teu alvoroço,
que sem nenhum esforço faz de mim um todo".
Ela é paz em meio a guerra,
Guerra em meio a paz!
Sentimento que se desperta,
Se corre sem ir atrás!
Ela é brisa e ventania,
Depende da intensidade!
Ela é ritmo, responsa e alegria,
Bondade com sabor de maldade!
Ela é show de Rock,
Com tons de Djavan!
Meu coração já acorda a esperando,
Domingo a domingo, manhã a manhã!
Ela é conexão rara,
Mente inquieta em construção!
Ela é tatuagem sem marca,
Tatuado: dona do teu coração!
Ela tem sabor de vinho doce,
Sem perder sua magia!
Quem dera se o que me bastasse fosse,
Ser sentenciado só a tua companhia!
Ela é solidão cativa,
Silêncio que fala sem tocar!
Ela é brega bem pai d'égua,
Daquelas que dá vontade de namorar!
Ela é rua que encosta na tua,
Falar que ela é linda é pleonasmo!
Despir sua alma nua,
Foi mais do que uma poesia,
Foi um golaço!
Ela é mistério,
Com mil segredos e um para desvendar!
Ela é menina ou é mulher?
Ela pode ser o que quiser,
Onde ela for estar.
Ela é horizonte,
Latitude 0 puro verão!
Dona do amor de quem não se esconde,
A dizer que é louco por ela,
Sem ser louco em vão.
E na geração que tenta ser de tudo,
Inclusive não ser o que se é!
Ela mesma responde a pergunta que te fiz:
Ela é menina!
Ela é mulher!
#EJr.
