Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac

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À Virgem Santíssima
Cheia de Graça, Mãe de Misericórdia


N'um sonho todo feito de incerteza,
De nocturna e indizível ansiedade,
É que eu vi teu olhar de piedade
E (mais que piedade) de tristeza...

Não era o vulgar brilho da beleza,
Nem o ardor banal da mocidade...
Era outra luz, era outra suavidade,
Que até nem sei se as há na natureza...

Um místico sofrer... uma ventura
Feita só do perdão, só da ternura
E da paz da nossa hora derradeira...

Ó visão, visão triste e piedosa!
Fita-me assim calada, assim chorosa...
E deixa-me sonhar a vida inteira!

À volta de incerto fogo
Brincaram as minhas mãos.
... E foi a vida o seu jogo!

Julguei possuir estrelas
Só por vê-las.
Ai! Como estrelas andaram
Misteriosas e distantes
As almas que me encantaram
Por instantes!

Em ritmo discreto, brando,
Fui brincando, fui brincando
Com o amor, com a vaidade...

— E a que sentimentos vãos
Fiquei devendo talvez
A minha felicidade!

Escultura

Seu corpo é como uma escultura grega
Formulado por seus lindos jovens seios
Seu rosto oval brilha como reluzente mármore molhado
Seu cabelo negro, escuro como a noite
Dança suavemente como uma folha ao ser açoitando levemente pelo vento frio
O calor do seu corpo é como o fogo inflamável em volta do combustível
Seus olhos castanhos é como casca seca de um esbelta e Formosa árvore do verão, ou como o puro e doce mel
A brancura reluzente em torno das pupilas escuras e abundantes pestanas sedosas
Suas sobrancelhas suaves e arqueadas como as penas de um pássaro
Seus lábios moldurado e macios como a pele de uma criança
E sua maravilhosa pele negra filha da mãe África.

MORFINA


Embora, eu seja maior que todo esse "nada" existencial em mim,
desatino a ficar preso nos mesmos entulhos que o passado me criou.
Nenhuma morfina poderia fazer passar tudo que se criou,
e de certa forma, fui eu, o culpado de toda essa dor.

Embora você roubasse todas as cenas,
nunca imaginei que apagaria a minha preferida: nossa história.

Os naufrágios são belos
sentimo-nos tão vivos entre as ilhas, acreditas?
e temos saudades desse mar
que derruba primeiro no nosso corpo
tudo o que seremos depois

José Tolentino Mendonça
Baldios. Lisboa: Assírio & Alvim, 2010.

Nota: Trecho do poema Murmúrios do mar.

...Mais

E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos. E por vezes

encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos.

Abrace mais e julgue menos.
Somos breves.
Estamos todos cumprindo nossa jornada. Respeite os diferentes modos de viver.
E lembre - se que suas verdades são apenas suas, não são verdades universais.

SIMBIOSE

Vamos nos misturar.
Nos tornar um
Transladar nossas essências
Numa indecência inocente
Sem pudor, declarar
o nosso amor...

Não há dúvida ou paradoxos
Não há medo, não há dor.
Na saliva e no suor
Há beleza
Há arte
Há poesia
Uma harmonia que preenche o cosmo
Paixão em homogeneidade
Minha pele na tua
Minha nudez nas tuas mãos
Na compleição dos gestos
Na pureza dos complexos
Nos movimentos aleatórios
Simbióticos
Com plexo e sem nexo
Somos o côncavo e o convexo
Somos razão e emoção
No meu
No teu
Coração.

Sagitariana


Parar
de fazer mil coisas ao mesmo tempo
de bater de encontro às coisas
de encontrar elefantes dentro das lojas

Sou de porcelana

Tudo que sou e tenho

O tempo é uma caminhada, muito pó na estrada, a verdade da direção existe, coberta de um turbante triste, a mulher árabe, a vaca indiana, o buda, a quem bate um papo com Maomé, ui, calafrio, aqui no meu Brasil, arrepio, a livre expressão, seria a bela canção, mas a imagem está comprometida, muita balela envergando o caráter da família, bom, o vento do norte, cheiro forte, o pecado, a morte, ai quem não admira uma princesa de bicicleta, uma Dinamarca discreta, valorização do garí que vence a desigualdade e esse reinado sucumbido, falo que pode ser e não tem sido, o pensar diferente, trafegar na mente de um novo progresso, pois esse imenso universo carente de Salomão e Davi, que ainda possa emergir, quero estar aqui, pelo silêncio que dita, que a arte não minta e possa esculpir, lá do sertão que o canal morreu, a poeira corroeu e ainda que não se reconheça, que a garganta que arrebenta e nada diz, ao que clamo e aguardo, a petição composta, quem sabe se o pensar fugaz e a poesia confere a sensatez impedindo o desdenho por tudo que sou e tenho, a poesia que sente, fala e não mente.

Giovane Silva Santos

A Flor e Eu

Estou só, na companhia de uma flor,
e posso com fidelidade, sem culpa confessar
que suas pétalas acariciaram meu ser
Enquanto, seu perfume diluía a minha dor.

Sinto que ela pode me ouvir, e sem rancor,
mesmo sendo meiga e inanimada
Contei dos meus lamentos sobre o amor
e os desabafos de minha infância roubada.

Também solitária, caída ao chão
Ali mesmo, compartilhamos os nossos medos.
E só por uma noite ela foi
a guardiã mais sincera dos meus segredos.

Dividimos sem preconceito algum
as marcas que nos foram deixadas
As cicatrizes que o tempo não levou
e a vida renovou com suas garras.

Queria que esta flor rosada,
não sofresse a ação do tempo.
Nem, que perdesse sua forma
ou caísse, ao ser violentada pelo vento.

Assim como ela, eu choro
não por covardia, nem por falsidade,
Choro, por ter tido a alma ferida,
choro também por sentir saudade.
Também tive algumas pétalas arrancadas,
por puro prazer, de quem sente ao nos fazer maldade.

Se você tem medo de escrever algo,
isso é um bom sinal.
Suponho que você sabe que está
escrevendo a
verdade quando está aterrorizado.

Hoje sinto minha maior sequela
Aquele vazio que você deixo aqui dentro de mim
É uma saudade absurda que carrego comigo.

A vida


Ela é vista muito bem nos olhos de alguns

Ela é passageira para quem perde tempo

É valiosa para quem sabe viver bem

É significativa quanto é bem expressiva


Viver é ser sábio com arte

E poucas pessoas são os artistas

Mas a vida não é só alegria e nem tristezas

Não é só amor e muito menos dor


Para uns a vida é mais longa

Para outros é mais curta

Uns sabem jogar bem com ela

Outros desperdiçam as oportunidades


De fato a vida é uma só

E deve ser bem vívida

Mais aproveitada

E leve possível


Viva muito bem hoje e sempre

Agradeça a Deus por você existir

Pois mais cedo ou mais tarde

Você prestará contas quem a concedeu

"E homens se perguntam:
__Qual o sabor dos lábios dela?
Ao que os pássaros respondem:
__Eles tem o sabor da fruta proibida que marca com pecado o corpo do amante.
As abelhas contra atacam os pássaros:
__Eles tem o sabor do mais puro néctar, colhido de uma flor virgem e que torna o corpo livre do pecado.
Ao que o sonhador poeta apenas sussurra:
__É O SABOR DO AMOR, ONDE O PECADO E A PUREZA SE MISTURAM E ME TORNAM UM ETERNO APAIXONADO."

Parábola do Homem Sábio

Um dia um homem sábio morreu. No reino dos céus encontrou-se face a face com o Senhor Deus. Este perguntou-lhe:
“Tu, que és sábio e viveste inúmeros anos, diz-me o que aprendeste de realmente importante.”
Respondeu o homem sábio:
“Uma só coisa aprendi de realmente importante: a ignorar os mestres.”
O Senhor Deus olhou-o num demorado silêncio.
Depois voltou-lhe as costas e foi-se embora.
Aquele que tem ouvidos que ouça!

IRA

Surgiu do leito do rio sem margens
Cantando a serenata do silêncio,
Do mar de desejos que a pele esconde,
Trazia sal no corpo inviolável.

Banhando-se no sol da estranha tarde
Cabelo aos pés mulher completamente,
Tatuou nas retinas dos meus olhos,
A forma perfeita da tez morena.

Com a lâmina dos raios penetrantes,
Arando fortemente as minhas carnes,
Espalhou sementes de dor e espanto.

Deixando-me abraçado à sua sombra,
Desceu no hálito da boca da argila
E, ali, adormeceu profundamente.

Pele preta
Quem é esse neguinho
Dos olhos escuros
Cabelo preto
Da pela preta?
Quem é esse neguinho
Que veste bonito
Sorriso branco
Da pele preta?
Que é esse neguinho
Que corre descalço
E sonha com a vida
Da pele preta?
Quem é esse neguinho
Que se sente sozinho
Rodeado de gente
Da pele preta?
Que é esse neguinho
Que parece comigo
Tem o mesmo sorriso
E da pele preta?
Quem é esse neguinho
Da pele preta
Acorda de manhã
Toma o seu café
Já sei, ele chama Tairan.

CANTO DA ESPERANÇA


De João Batista do Lago


A sinfonia da insensatez em toda pressa
Reverbera o prenúncio de toda guerra
Imanência de estados totalitários
Sujeitando a honra de povos na terra


A nota colonizadora é a dó maior
Gerando mortandade com seus fuzis
Prostrando sobre a pátria todos os civis
Famélicos soldados do vão ouro negro


Até quando os senhores donos do mundo
Plantarão toda infinda desgraçada sorte
Subjugando toda uma nação até a morte?


Há de chegar o dia da nova esperança
Há por certo de se compor sinfonia nova
O mundo será jardim de almas crianças