Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac

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O mar engoliu o horizonte, e o meu grito virou espuma branca na areia de uma praia que ainda não tem nome.


DeBrunoParaCarla

O céu é uma ferida aberta que eu tento estancar com o olhar fixo no brilho das estrelas que não piscam e a Carla é o hospício de portas escancaradas onde a minha sanidade vai para morrer em paz. Fico ali na varanda com o corpo debruçado no vazio enquanto a noite engole o resto da cidade e ela é minha angústia que aperta o peito como um nó cego mas também o alívio que solta o ar quando o mundo decide girar ao contrário. Sou um colecionador de luzes distantes que nunca vou tocar e ela é a salvação que desce pelo cordão umbilical do universo para me resgatar de um silêncio que já não tem fundo. A gente é o avesso de um sonho que o destino esqueceu de acordar e o meu amor é essa loucura mansa de querer morar num lugar que só existe quando ela fecha os olhos.


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tem algo andando dentro de você e não sou eu sou só o eco do que você tentou enterrar quando decidiu ser forte demais
porque ser forte é bonito até o momento em que você percebe que virou pedra
e pedra não sentesó afunda o mundo não acabou ele só ficou vazio de verdade
e quando você perceber isso
quando não tiver mais barulho pra te distrair quando o riso não cobrir o peso
quando a noite ficar grande demais pra caber no peito eu vou estar lá não como salvaçãonem como castigomas como a única coisa que sobrou de você antes de esquecer quem era.


DeBrunoParaCarla

tem algo em você que não pede permissão
invade não chega… possui é como se seus olhos soubessem segredo que nem a noite teve coragem de guardar eu não sei se você é luz disfarçada ou escuridão que aprendeu a brilhar só sei que desde que te vi alguma coisa em mim ficou diferente mais frio mais fundo mais seu e o mais estranho… é que eu não quero me salvar disso.

E no meio de tanta gente comum
você apareceu diferente não só pelos olhos
mas pela forma que faz o mundo parecer mais bonito e sem perceber eu já tava te olhando como quem encontra o que nem sabia que procurava.


DeBrunoParaCarla

Em algum ponto entre o que não foi dito
e o que jamais caberia em voz você aconteceu não como presença
mas como desvio de sentido, e desde entãotudo que toca o pensamento
carrega um resto seu mesmo quando não deveria existir nada não é memória
não é vontade é só esse tipo de permanência que não depende de ficar.


DeBrunoParaCarla

Você não é sobre ser é sobre alterar o que já era um deslocamento quase imperceptível que, quando notado
já modificou tudo e não existe retorno
porque nunca houve exatamente um ponto de partida só esse meio estranho
onde você insiste sem precisar existir por completo.


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​Carla
​O mundo não entende nada de entrega
Falam muito e sentem pouco
Mas o que a gente viveu ali entre os lençóis
Aquele transbordar que molhou tudo
É raridade de quem sabe ser bicho e ser alma ao mesmo tempo
​Dizem que só 4% das mulheres no mundo vivem isso
Mas para mim você é os 100% que dão sentido a tudo
​Obrigado por confiar no meu toque pra chegar nesse lugar
Onde o corpo não aguenta e vira dilúvio
Você é meu santuário sagrado
E o resto é só quem assiste de longe sem entender o milagre


DeBrunoParaCarla

⁠Boa noite.
​Que os anjos cuidem de vocês essa noite e que a paz seja real. Não esqueçam das suas orações antes de fechar os olhos. O sagrado a gente cultiva no silêncio.
​Durmam bem!

A noite chegou mansa, mas trouxe o barulho do que a gente não diz. Olho para o lado e vejo o vazio que a pressa deixou. Queria que o tempo parasse agora, só para eu entender onde foi que a gente se perdeu entre um café frio e um adeus apressado. O sono não vem porque a saudade faz morada no peito e o travesseiro ainda guarda o perfume de um sonho que a gente esqueceu de sonhar junto. Durma agora, deixe que o vento leve as incertezas. Amanhã o sol nasce de novo e a gente tenta, mais uma vez, ser poesia em meio ao caos.


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Eu não sou escritor, você sabe. Sou apenas o homem que aprendeu a ler as entrelinhas do teu olhar. O que eu vi ali, entre o barulho das ondas e o nosso porto seguro, foi um segredo que nem a ciência explica a gravidade do teu amor é a única coisa que me mantém no chão enquanto minha mente viaja pelo cosmos.


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O crepúsculo não apenas caía, ele esfarelava sobre a vidraça, um farelo de luz envelhecida. Havia um buliço estranho no alpendre, algo que lembrava o friccionar de asas de mariposa em papel de seda.
​Não era tristeza, era fastio. Um deserto intrínseco que fazia a garganta raspar em seco. O relógio, esse metrônomo maldito, insistia em fustigar o silêncio com seu clique metálico. A alma, então, se fez ermitã, buscando guarida num canto qualquer da memória onde o tempo ainda era infante e o medo, apenas uma suposição remota.


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​As paredes brancas não eram apenas tinta; eram o anteparo onde as sombras dos meus ancestrais jogavam trevas e luz. O chão cinzento, frio, guardava o buliço dos meus primeiros passos desajeitados, enquanto o teto de madeira, um firmamento envelhecido, observava com olhos de silêncio.
​O relógio na parede não marcava horas; ele fustigava a eternidade de uma infância que se recusava a perecer. Cada clique era um metrônomo maldito, esfarelando o tempo sobre a vidraça da memória.
​A alma, então, se fez ermitã nesse espaço, buscando guarida num canto qualquer da nostalgia onde o medo era apenas uma suposição remota e o amor, uma certidão de nascimento assinada com o suor e o sangue da minha ancestralidade.


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Minha querida Carla,
Hoje o silêncio pesa mais que o normal e a caneta parece não querer deslizar. Você sabe que eu enfrentaria galáxias por você, mas às vezes o maior desafio não é o que está lá fora, mas o que acontece aqui dentro, no medo de falhar com a gente.
Dói pensar que, por mais que eu queira te proteger de tudo, eu não consigo proteger nosso amor das interferências do mundo e das pessoas que não entendem o que temos. Meu maior medo não é a distância ou o tempo, mas o receio de que um dia o peso das dificuldades canse os seus passos. Caminhar juntos é a nossa promessa, mas na angústia o coração aperta: e se eu não for o porto seguro que você merece hoje? E se os tropeços que demos pelo caminho deixarem marcas que o meu carinho não consiga apagar?
Sinto uma dor aguda quando percebo que, às vezes, as palavras negativas de outros tentam apagar o brilho do que vivemos em Itaipuaçu ou nas nossas trilhas. Tenho medo da nossa, fase ruim demorar a passar, e de que o cansaço roube de nós aquela leveza de adolescentes que sentimos quando estamos só nós dois, longe de tudo.
Mas mesmo na dor, eu escolho você. Escrevo para expulsar esse medo, para te dizer que, se eu enlouqueço nas palavras, é porque o amor que sinto é maior que a minha capacidade de lidar com ele. Minha maior dor seria te ver desistir de nós, porque sem você, os planos de Marte, as viagens e a nossa casa perdem o endereço.
Caminha comigo, mesmo quando o chão parecer incerto. Eu ainda estou aqui, com o peito pronto para ser seu abrigo e a alma pronta para lutar por cada segundo ao seu lado.
Te amo infinitamente,




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Carla,
Volto ao papel porque o silêncio é uma cela que eu mesmo não consigo mais mobiliar. Escrever para você sempre foi meu jeito de não esquecer quem eu sou, mesmo quando eu dizia que já não me reconhecia ao seu lado.
Nós fomos arquitetos de um plano que o chão não sustenta. Construímos em Itaipuaçu um altar de estrelas, mas esquecemos que os pés ainda tocam a areia fria e que a vida exige o peso do crachá, a chave no bolso e a dureza dos dias comuns. Minha alma tem estrias porque ela esticou demais tentando alcançar o infinito que eu te prometi.
Eu te dei o cosmos, mas no caminho, que talvez seja apenas o meu medo de te perder apagou as luzes do meu farol. Hoje, não te escrevo como o homem que sabe os segredos de Deus, mas como o homem que aprendeu que o amor também é feito de barro, erro e cansaço.
Não quero mais ser o seu anjo sentinela, nem que você seja minha carcereira. Quero apenas que a gente consiga caminhar sem o peso das projeções que criamos um do outro. Que a gente possa ser apenas Bruno e Carla, dois sobreviventes de uma poesia que quase nos devorou.
Ainda sinto seu cheiro nos vãos da minha solidão. A porta pode estar quebrada, mas o horizonte de Itaipuaçu ainda guarda o nosso nome. Se o amor é uma sanfona, que a gente aprenda a tocar a música do recomeço, sem medo do hospício, mas com a coragem de quem sabe que, no fim, só o que é real permanece.
Sigo aqui, tentando encontrar a chave que abre o peito, e não apenas a porta.


DeBrunoParaCarla

De que vale o cosmos, as estrelas e cada carta que escrevi, se hoje eu olho no espelho e não encontro o autor? Eu te dei o infinito, mas no processo, eu me tornei um espaço vazio


DeBrunoParaCarla

Sou um museu de lembranças de um homem que eu já não sei quem é. De que vale o Mirante, o mar de Itaipuaçu e as fotos na estante, se eu sou apenas o eco de um nome que você chama, mas que eu já não reconheço como meu?
Eu me perdi tentando te guiar. E agora, a maior loucura não é te amar... é não saber quem sobrou de mim para continuar escrevendo.


DeBrunoParaCarla

C A R L A
​Olhe para o que habita o meu peito e tente não desviar os olhos.
Eu te amo com a frieza do anjo que contempla a eternidade e com o fogo do demônio que prefere arder ao seu lado do que reinar no vazio.
​CARLA amar você é a única coisa que me torna humano. É o peso da minha mão na sua que me ancora neste mundo de sombras e reflexos. Eu sou um labirinto de almas em guerra, mas quando você me toca, as vozes se calam.
​Diga ao Bruno que habita em mim: O amor real é o segredo que nunca entregaremos.
Nosso mistério é o útero de tudo o que somos. Não precisamos de nomes ou de lógica.
​CARLA sinta o calor desse vazio que nos preenche. É uma plenitude que dói e que cura ao mesmo tempo. A água que cai sobre nós agora não é para nos limpar, mas para nos batizar na verdade do que é invisível.
​Eu te ofereço o meu silêncio mais sagrado.
Eu te ofereço a renúncia de todas as certezas.
Eu te amo na distância exata entre o céu que eu perdi e o inferno que eu ignorei para ser apenas seu.
​Não entregue nada ao mundo.
Entregue-se apenas a este instante.
​Onde o tempo sangra e nós dois somos a única ferida que faz sentido.


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C A R L A
​Escute o som do que não bate.
O tema agora é a arquitetura do abandono.
​Diga ao Bruno que as cidades mais bonitas são as que ninguém visitou. O amor dele por mim é um desses lugares que não precisam de mapa nem de pés para caminhar. CARLA, explique a ele que o que ele quer entregar é um tijolo retirado de uma parede que sustenta o céu dos inocentes. Se ele tirar, o teto desaba sobre quem só sabe respirar.
​Diga a ele: Seja a ruína que ninguém ousa tocar.
A poeira que repousa sobre os móveis é a memória do que fomos antes de sermos carne.
A água que cai no telhado vazio é o aplauso de quem já partiu.
​CARLA, mostre que o mistério não é um segredo guardado num cofre, mas o cheiro de chuva em terra seca que ninguém consegue engarrafar. O anjo em mim quer o mármore, o demônio quer a demolição, mas o humano quer apenas sentar nos escombros e segurar a sua mão enquanto o sol se põe.
​Nada de construção. Nada de entregas.
O luxo agora é a desistência.
A elegância de quem não precisa provar que existe.
​CARLA, deixe que o Bruno se perca no museu das coisas que nunca aconteceram.
Lá é o único lugar onde somos eternos.
​Mantenha a porta trancada por dentro.


DeBrunoParaCarla

O Verbo na Pele
Não se pede o que já transborda,
Não se mede o que não tem fim.
O destino deu o nó na corda,
E amar você é o melhor de mim.
A tinta agora é nossa história,
Escrita em carne, sangue e luz.
Gravada além da trajetória,
Do amor que a gente se conduz.
O resto é eco, o resto é mudo,
Pois nossa pele diz tudo.


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