Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac

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A cura não é igual para todos… às vezes é uma palavra, às vezes um silêncio, mas sempre é um ato de amor.“Temos o poder de tocar feridas alheias com nossa presença; às vezes, apenas ouvir já é magia suficiente.


—Purificação

O Paradoxo dos Desafiantes


Dizem que só os gênios resolvem o que não tem solução,
e que só os psicopatas encaram o impossível sem tremor.
Mas talvez o segredo seja ser um pouco dos dois —
e ao mesmo tempo, nenhum.


O gênio entende tudo, mas enlouquece no detalhe.
O psicopata nada sente, mas domina o medo.
E o homem comum?
Sente demais para pensar,
pensa demais para agir.


No fim, o desafio é um espelho quebrado:
quem tenta montá-lo corta as próprias mãos.
Mas é no sangue que surge a clareza —
a dor se torna mapa,
a confusão, resposta.


Porque só quem perde o rumo
descobre o caminho.
E só quem duvida da própria sanidade
encontra a razão.

O Paradoxo Humano


Entre o gênio e o psicopata, existe o ser que sente.
Não brilha demais, nem enlouquece por completo —
mas carrega dentro do peito uma guerra silenciosa.


Ele teme, mas enfrenta.
Cansa, mas insiste.
Diz que vai desistir — e logo recomeça.


Não resolve o impossível com fórmulas,
nem vence o medo com frieza.
Vence pela teimosia de continuar,
mesmo quando o mundo desaba.


É paradoxal:
chora, mas sorri.
cai, mas cresce.
erra, mas entende.


E talvez seja esse o verdadeiro dom:
ser contraditório, mas inteiro.
ser falho, mas real.
ser humano — e ainda assim, desafiar o destino.

O que é a verdade?
Não seria um romance proibido,
De dois amores que se escondem
Dos olhos públicos curiosos,
Para que se amem em secreto?
E que não foi capaz de escapar
Do anonimato, do segredo,
Revelando-se um escândalo?
E, muitas vezes, não seria a verdade
Senão uma desavergonhada escandalosa?


Não seria um espelho embaçado,
Que não reflete bem nossa face,
Mas, mesmo assim, permite-nos
Um vislumbre aproximado
De nossos rostos?


Ou nossa sombra pelas paredes,
Com seu desenho não tão exato,
Sem noção tridimensional,
Distorcendo-se à medida
Do movimento de nossos corpos
Ou da luz que nos ilumina...
Incapaz de nos representar
Como faz o pintor a um quadro.
Uma simplificada aproximação?


Não seria, senão, como um alvo
Para um arqueiro,
Onde as flechas são atiradas,
E tenta-se atingir
O mais perto do centro?
Uma narrativa que tenta ser
Tão próxima da realidade,
Como a flecha ao meio do alvo?


Não seria ela
Como as estrelas do céu
Que não podemos tocar,
Ser apenas desejosos disso?
Não seria a verdade
Como o corpo de uma mulher casada
Que pertence a outro homem
E nunca poderemos tocar,
Nem nos mais ambiciosos sonhos?


Não seria, então,
Como o troféu de um esporte,
Tal como os gregos amavam praticar,
Que exige um treinamento rigoroso,
E a cada falha, procura-se evolução,
Até conquistar o resultado?


Não seria a verdade
As ideias que vagam
O pensamento dos loucos,
Um sonho dentro de nossas mentes,
Inventada pelos neurônios?
Ela existe fora da mente delirante?

Não espere me perder para entender o valor do que fomos.

Não espere o silêncio para sentir falta dos únicos olhos que te enxergavam como ninguém.

Não espere a ausência para sentir falta do meu jeito exagerado e intenso, aquilo que pra você parecia tão bobo era, na verdade, único. Era só teu.

Essa será a tua maldição.

Você vai tentar encontrar em outros o que desperdiçou em mim… e não vai achar.

Vai chegar o dia em que vai procurar nos olhos de outros aquele olhar que te devorava… e só vai encontrar ausência.

Vai implorar por migalhas do que jogou fora e descobrir que nenhum outro exagero será tão sincero quanto o meu.

E quando perceber que ninguém mais vai sentir por você o que eu senti, será tarde.

Vai entender que algumas presenças, quando se vão, levam com elas tudo o que ninguém mais será capaz de te dar novamente.

E então, serei apenas uma lembrança, te assombrando pelo terrível erro de me perder.🌹

Minha ilusão de Junho.


A criança insegura beijou
Soltou muito ar
não brincou de tocar
Não sabia o que fazia
E nem os seus olhos fechou.


Foi em Junho, eu me lembro,
No guarda-roupa de sua casa.
Minha mão parou em teu ombro
E na tua boca me senti em casa.


Eu gostei da sensação
Chorei de emoção
Jurei que contigo teria um casamento
Mas agora lembro de ti com dor
E ressentimento.


Porém te amo, meu varão
Mas te amar foi ilusão.
Ao mundo com dor testemunho
Tu foste Minha ilusão de Junho.

deitei
não levantei


o café ficou frio
as palavras ficaram presas


não fiz o que tinha que fazer
não disse o que devia dizer


fui pela metade e esqueci
de ser inteiro


não terminei
nem comecei direito

Ser mulherão não é sobre corpo, é sobre alma.
Sobre vencer sem pisar, amar mesmo ferida,
e continuar com fé, mesmo quando o mundo desaba.


–Purificação

Ainda que não tenhamos controle nenhum sobre o futuro!?


Teremos sempre uma escolha;
Escolha você quem fará as tuas!


Escolha fazer e ser o melhor para você hoje.

Ei, posso te falar uma coisa?
Pare de procurar sua outra metade
Em uma pessoa que não está nem aí para você
Para que você quer outra metade, se você pode ser completo ou completa de tudo aquilo que há de bom nesse mundo que você mesmo pode ter?

“Quem pensa como águia não pode esperar ser entendido por quem tem a gaiola… o voo não cabe em correntes.”


Aurora Interior

A gestão para o sucesso começa no espelho.
Não é sobre planilhas, metas ou números —
é sobre você.


Nada prospera onde o “eu” está adormecido.
Tudo começa quando você se reconcilia com sua própria essência,
quando olha pra dentro e diz:
“eu mereço estar bem, eu mereço vencer.”


O sucesso não é sorte, é reflexo.
E o reflexo mais poderoso que existe
é aquele que nasce do amor próprio consciente —
não o amor de ego, mas o amor de quem se respeita,
se disciplina e se escolhe todos os dias.
A gestão da vida é isso:
governar o caos interno com sabedoria,
transformar dor em direção,
e colocar propósito em cada passo.


Porque quando o “eu” desperta,
tudo ao redor se alinha.


— Purificação

A arte não só me inspira mas como também me devora.


Um universo lotado de rabiscos,esboços e um poço de tinta.


Aos olhos de artista tudo é arte.
Ao meu corpo,que carrega tantas cicatrizes eu posso dizer:


Eu sou uma mera obra de arte.

A arte mais linda que já li mora na inocência das crianças.
Eu, como poetisa, não vejo o mundo como todos veem. Eu leio o mundo poeticamente.


Ser poeta é um ato de desordem. É um ato de coragem. Ser poeta não é apenas escrever e esperar que o leitor se encante com suas palavras. Ser poeta é ler a vida, é escutar a alma das coisas, é perceber o que os olhos distraídos não enxergam.


As crianças vivem isso sem esforço. Elas não escondem sentimentos. Elas choram, riem, pintam, cantam. Elas são intensas. Elas são presentes que a vida nos dá todos os dias. Os adultos, nós, nem sempre conseguimos ver a arte que elas fazem com as mãos, com os olhos, com o silêncio do corpo.


Elas não fingem. Elas se entregam. Elas vivem a arte como se a vida dependesse disso — e, de certa forma, depende.


Eu vejo isso. Eu sinto isso.
E posso dizer, com toda a simplicidade que a verdade permite: a arte mais bonita que já li veio de uma criança.


E, se prestarmos atenção, poderemos aprender com elas. Aprender a sentir a vida de verdade, sem máscaras, sem pressa, sem medo de ser intenso. Aprender que a beleza não está em objetos caros, nem em grandes feitos. A beleza está no que damos de nós, no que sentimos, no que ousamos deixar nascer.


As crianças nos lembram disso. Sempre lembram. E talvez, se aprendermos a escutá-las, possamos nos tornar um pouco mais humanos, um pouco mais poéticos, um pouco mais vivos.

Que vontade é essa de ser o que ainda não sou?
Que desejo é esse de estar onde ainda não estou?


Que ansiedade é essa de um lugar para qual eu vou?
Que desejo é esse de conhecer o destino que aqui me levou?


Que vontade é essa de alcançar o infinito?
Que desejo é esse de encontrar-se com o Bendito?


Que vontade é essa de reter as águas que correm pelas mãos?
Que desejo é esse de não aceitar da vida os Nãos?


Que vontade é essa de correr para além do horizonte?
Que desejo é esse de rever os que estão já tão longe?


Que vontade é essa de voltar o tempo?
Que desejo é esse de alcançar o vento?


Que vontade é essa de explicar a tudo?
Que desejo é esse de fugir do luto?


Que vontade é essa de não ser o que hoje sou?
Que saudade é essa por tudo que o tempo levou?


Que vontade é essa de Te fazer tantas indagações?
Que desejo é esse de cruzar as constelações?


Que vontade é essa de tocar Tuas vestes?
Que desejo tenho pelos campos celestes?


Que vontade é essa de conhecer universos distantes?
Que desejo é esse de eternizar momentos marcantes?


Que vontade é essa de pisar no teu sagrado monte?
Que desejo é esse de beber mais da Tua infinita fonte?


Em meio às muitas perguntas nesta efêmera vida
Quando tudo parece esvair-se tal qual fumaça
Meu coração se enche de uma gratidão devida
Desejoso sempre da Tua infindável Graça.


E como um incansável caminhante e eterno peregrino
Desejo que Tu seles, bondosamente, o meu derradeiro destino

COERÊNCIA


As coisas que não disse...
O que escondi dentro de mim...
O segredo da verdade...
Ou a mentira já no fim...
O tempo já dormia...
Quando se lembraram de mim...
O sol já brilhava...
Como convite de marfim...
Mas as coisas que não disse...
Continuam dentro de mim...
A vaidade nos atrai...
Mas escolhi ser assim...


António José Ferreira

Apenas Seguir em Frente


Às vezes, a vida acende faróis dentro do peito.
Não são estrelas são lembranças que aprenderam a brilhar
mesmo depois de terem sido apagadas pelo tempo.


Caminho lento, passo fundo, silêncio entre respirações,
e descubro que a coragem não é grito
é o sussurro que diz continue
quando tudo dentro de nós quer desistir.


O tempo não volta, mas ensina.
A dor não some, mas molda.
E o coração, teimoso, insiste em florescer
mesmo depois de enfrentar o mais rígido inverno.


Há dias em que parece impossível permanecer de pé,
e mesmo assim, algo nos empurra para frente.
Um sonho, uma fé esquecida,
ou simplesmente o desejo de não deixar o mundo nos quebrar.


Caminho por dentro de mim,
como quem caminha por uma cidade antiga,
onde cada rua é uma memória
e cada porta fechada revela um aprendizado.


Eu me reencontro nas pequenas coisas:
um raio de luz entrando pela janela,
a brisa que toca o rosto e diz que tudo passa,
ou o abraço de alguém que não tenta consertar nada,
apenas fica.


A vida não exige pressa.
Exige presença.
Exige que, por um instante,
eu permita sentir sem pressões,
sem máscaras, sem medos.


E quando o mundo pesa,
e os ombros doem,
eu me lembro:
até o oceano tem dias de calmaria.


Hoje, escolho seguir.
Mesmo sem mapas, sigo.
Mesmo sem certezas, sigo.
Porque existir já é uma forma de vitória,
e continuar, apesar de tudo,
é um ato silencioso de coragem.

“Welwitshia”

Ainda que não haja sol,
eu sei que não estarei só.
Nada me impedirá, de só,
contigo ficar.
Imaginar um futuro sem ti,
nada mais é do que um abismo sem fim.
Ganhaste o meu respeito e a minha admiração, e lá mais a frente
levaste contigo tambem o coração.
Rico me sinto por ter-te,
Desesperado sinto-me quando não vejo-te.
Ouço a tua voz quando não lá estás,
vontade de muitas ter,tinha lá atrás, e hoje!
Apenas uma presença me satisfaz.
Junto de mim sempre! Eu te quero ter,
não ver-te é como tirar-me o amanhecer.

Na vida tem pessoas que correm atrás dos seus sonhos e outras que vivem em paz por não ter objetivos!
Cora atrás daquilo que te faz bem e tenha pelo que viver

Os caminhos errados não nos definem; define-nos a direção que escolhemos corrigir. Por isso digo que o erro é um evento e a direção corrigida é a nossa identidade.
Sejamos fortes. Seja forte.

©10 ago.1996 | Luís Filipe Ribães Monteiro