Poesia Agua de Mario Quintana
Feliz é a sorte da inocente dorsal?
Esquecendo o mundo e o mundo a esqueceu.
O brilho eterno da mente sem lembranças.
Aceita todas as preces e abre mão de todos os desejos.
Ontem anoiteceu e eu nao consegui encher as estrelas
Hoje amanheceu e nao consegui ver o sol
Tudo isso por que voce nao consegue enchergar o quanto eu te amo...
eu estaria mentindo se dissesse
que você me deixa sem palavras
a verdade é que você deixa minha
língua tão fraca que ela esquece
a linguagem que fala
Dentro...
Eu sinto o arder;
Eu sinto o mover;
Eu sinto o quente;
Eu sinto a conexão da gente...
Ouça! Houve junção, é um corpo somente que arde, move, esquenta e vive, é eterno até que chegue a explosão revolucionando dois em um só então.
Agora não somos dois. Dentro há uma infinita união.
Deus permitiu a existência das quedas d'água para aprendermos quanta força de trabalho e renovação podemos extrair de nossas próprias quedas.
A água inteira do mar não pode afundar um navio, a menos que ela invada seu interior. Da mesma forma, a negatividade do mundo não pode te derrubar... A menos que você permita que ela permaneça dentro de você.
... acaso os lábios tocariam levemente a pele antes de encontrarem a água, e, sendo a sede muita, sofregamente iriam recolher no côncavo as últimas gotas, acordando assim, quem sabe, uma outra secura.
Mas não estou triste, e tampouco alegre, não estou sentindo nada, pode jogar água fervida no meu peito, eu não vou gritar, eu não vou levantar, eu não estou aqui, ninguém está me vendo, eu não estou me vendo.
É como um útero cinza que habito:
ar, água, vias de sangue
circulam entre mim e sonhos.
Ruas se entrecruzam
com alguma surpresa:
trompas.
Na esquina, pode estar
qualquer forma de claustro, desespero,
antes mesmo do fim:
ovário.
A indiferença se disfarça de beleza, proximidade:
religiões, bares, barracas
de comida urbana disputam convivas.
O tempo não nos absolve
dessa correria encardida.
Dias nos fazem deixar um pouco do que somos
para trás:
placenta em lixo hospitalar.
Murmúrio de água na clepsidra gotejante,
Lentas gotas de som no relógio da torre,
Fio de areia na ampulheta vigilante,
Leve sombra azulando a pedra do quadrante,
Assim se escoa a hora, assim se vive e morre...
Homem, que fazes tu? Para quê tanta lida,
Tão doidas ambições, tanto ódio e tanta ameaça?
Procuremos somente a beleza, que a vida
É um punhado infantil de areia ressequida,
Um som de água ou de bronze e uma sombra que passa...
" Já andei descalço em dunas ferventes,
senti o calor subir pelo corpo e precisei de água
já estendi as mãos a ingratos que não souberam dizer valeu
vi o mundo mudar, crianças crescerem
vi amores confundidos com amizades
e amizades maiores que amores
vi filhos deixarem suas casas
e suas mães chorando
já vi filhos chorando
a ausência de suas mães
e ai o mundo foi escola, lar
tribunal e verdade
já vi arrependimentos verterem em olhos cansados, vermelhos
e a dor acompanhar até o fim
vi mãos que nunca deram nem pediram perdão
já andei de sandálias novas e isso foi muito bom
conheci realidades, duras e belas sociedades
conheci o amor e a beleza da vida
conheci colo de mãe
e lá foi o melhor lugar do mundo...
De todas as palavras escolhi água,
porque lágrima, chuva, porque mar
porque saliva, bátega, nascente
porque rio, porque sede, porque fonte.
De todas as palavras escolhi dar.
De todas as palavras escolhi flor
porque terra, papoila, cor, semente
porque rosa, recado, porque pele
porque pétala, pólen, porque vento.
De todas as palavras escolhi mel.
De todas as palavras escolhi voz
porque cantiga, riso, porque amor
porque partilha, boca, porque nós
porque segredo, água, mel e flor.
E porque poesia e porque adeus
de todas as palavras escolhi dor.
Poe a sua melhor roupa
Aquela camisa verde água que combina tanto com os seus olhos...
me encontre no jardim
Estarei com aquele vestido floral azul que você acha engraçado
O vento dança com os meus poucos fios de cabelo
Os pássaros saboreiam Pitanga com tanta ternura
Meu amor,
Irei te esperar
Com todos os beijos que jamais lhe entreguei.
Já é quase noite
O sol está se pondo
Na vitrola toca Tom Jobim
"Só tinha de ser com você".
Da roça...
Da roça, das mão suja de terra, que é de prantá,
Sô fia do mato, doce quinem água de mina,
Meus véi trabaiva na roça, pra famia sustentá,
O zói enche d’agua do tanto que admira.
Sô poeta lá da grota, dos versim de roça,
Carrego na voiz a sanfona e a viola,
Sô o disco de vinil da veia vitrola,
Minhas rima mantém viva aquelas moda.
Inda lembro do rádio vermeio do meu veio avô,
Da casa de assoaio alto, do chêro das marmita dos trabaiadô,
O café margoso pra curá as pinga de onte enquanto escutava,
Se eu tô aqui é purquê meu povo da roça abriu os camim na inxada.
Só cunverso nos verso cas palavra de antigamente,
Pra honrrá quem veio antes de eu e me firmô nesse chão,
Foi na roça que pai e mãe prantô pros fí coiê mais na frente,
Passano dificudade e guentano humilhação.
Meu povo era brabo demais da conta, pensa num povo bão,
Parece que iscuto a voiz dos meu véi quando iscuto os modão,
Meu peito dói de tanta farta que faiz, oi ai,
Vovô resmungava nos canto e parecia poesia, até dava paiz.
Da roça sim sinhô. Essa poeta aqui é fia do sertão,
Não herdô terra nem fazenda, mais nunca se invergonhô,
E eu vô falá procêis, tentano num chorá, guenta coração!
Eu tenho um orgulho danado doncovim e da muié que eu sô.
Busca
Ias como a seca em busca da chuva,
E antes eras como a pura
E límpida água do mundo;
Não cansavas, nem por um segundo,
A banhar a vida cruel e bruta!
Ias como a beleza enraizada,
Não havia outro alguém,
E outro alguém cantava
A delicadeza que só tu tens!
Cantavas e cantavas e choravas,
Quando esse alguém sumia;
Havia outro alguém,
E outro alguém havia,
Onde o teu olhar nem sonhava!
Vi-te fraquejar – num pulo! –,
As cores todas se esvaindo...
Fostes só, e só sumindo
Envolta num pálido casulo!
Perdi-te, então, à vista...
E a névoa espessa te envolveu.
Em um fino invólucro
De estabanado artista:
Tudo, tudo em mim morreu.
aqui no fundo do mar, em sombria água
busquei redenção como náufrago fantasma
para sempre vivendo nos versos esquecidos
na escuridão do fundo do mar em um livro
Riz de Ferelas
Livro de poesia Novos Ventos
Dissolvida em tua água fui potável
Sem você, meu equilíbrio, coitados!
Me bebem agora amargo e indigesto
Eu gostava mais de me sentir na tua pele
De me derreter no teu suor
Eu só sabia quem era eu
Me confundindo um pouco com você
Agora imagina isso
Do rio inteiro que eu sou
Você prefere ver só a margem
Naveguei outros oceanos
Naufraguei incontáveis vezes
Nadei, nadei
E morri na tua praia.
" Dizem que somos setenta por cento água, se isso é verdade, todo obeso(a), deve ter a temperatura corporal um pouco mais baixa, por isso não evapora na quantidade ideal...
(OBS - sou gordo e observo que a minha pele parece ser um pouco fria, por isso como um pouco mais para gerar calor e energia. Hahaha!!! )
" A água está fervente,
vem cá tomar um café,
se demorar um pouco
ganha também cafuné
e se insistir,
pode ficar até quando quiser...
