Poesia
Amo mesmo: (Simplicidade)
é o sereno do anoitecer,
o bem-te-vi no raiar do Sol,
a brisa fina pelo amanhecer.
Gosto do gosto da chuva,
o orvalho deitado nas flores,
o cheiro de terra molhada e turva.
No jardim a borboleta a revoar,
e a vida assim segue seu versejar.
Vento:
Vem vento, vem vento;
vai soprando,
vendo, assoviando,
cabelos balançando.
Sopra vento, sopra vento;
num tiquinho a toa,
ou na vida,
que num sopro,
voa.
O Amor;
Mesmo guardado, ou,
até mesmo acorrentado.
O amor é rebelde...
não segue molde...
Nem barreiras,
nem tem maneiras.
Amar:
Cheiro bom.
Cheiro de pele.
Gosto salgado.
Gosto doce.
Cheiro misturado.
Gosto bom!
Misturado ao suor.
Escorrendo pela vida,
um fino fio condutor.
Leve & Breve
E que o vento leve
embora, e tão breve,
tudo o que for breve,
e o que não for leve.
E a espera seja breve,
o coração mais leve,
e a alma se eleve,
pois a vida é breve.
O Tempo
Na maior parte do tempo,
é do tempo que sou feito,
do vazio, cheio ou imperfeito,
Na maior parte do tempo.
Horas, minutos e segundos.
Como se vazio, o peito,
em demasia, o deleito,
em transe e moribundo.
Na maior parte do tempo;
No vazio me aprofundo,
e me toma o passatempo.
Num mergulho profundo,
vagueio contra o tempo,
ansioso e nauseabundo.
Lua, Luar
Ah, se eu pudesse tocar-te
desenhar-te com o dedo
Pálida, branca como gelo.
Solitário, hei de amar-te.
Ah, se eu pudesse descrever,
este encontro entre nós,
o desejo de estarmos sós,
no lampejo, dou-me a escrever:
"- O fino véu translucido,
banha-me de corpo inteiro,
que jaz prazenteiro,
do meu eu, esmorecido.
Todo eu já combalido,
de minh'alma esvanecido,
pois, de ti entorpecido,
meu eu tenho carecido.
Hoje doudo por inteiro,
no silêncio matreiro,
Fugaz e sorrateiro,
ser d'alma poeteiro."
Ah, se pudesse o nevoeiro,
não me deixar arrefecido,
minh'alma teria oferecido,
como amante... fiel escudeiro.
Tão pálida sua luz sombria,
farta-me de tal maneira,
e ao meu coração esgueira,
quente dentre a noite fria.
A face da terra acaricia,
luzente como um ser divino,
toca nest'alma de menino,
que no gélido sereno, ardia.
Como amantes de histórias antigas,
Deusas, homens e meninos,
finda o espírito, tais desatinos,
nesta e noutras épocas vindouras.
Dominante o nevoeiro,
descansa no campo enegrecido,
Pálida, repousa sobre o outeiro,
e finda o campo enegrecido.
Incêndio e Silêncios
No contorcer do corpo lascivo,
o meu pensar divaga disperso
aos lábios que declamam em versos
versos que rasgam véu paraíso.
Te leio qual livro indiviso
da boca ao umbigo e ventre
d'onde tu pulsas d'as margens quentes
Meus dedos, um ardente aviso
Febril, e entreaberta treme
tua voz arqueja agonia,
e tua boca em versos geme.
Te possuo, em fel fantasia, —
de corpo e verbo se consome,
sem pudor, verso e poesia.
Caminhando pelo passado
Caminhando pelo Recife
Sons estranhos me aparecem:
ao passado o presente assiste,
e algo estranho me acontece.
É Pernambuco da capitania,
que Duarte Coelho já sentia
sua força impoluta,
tendo ouro como açúcar,
doces brisas pelas ruas.
Soldados e suas espadas,
navios em suas esquadras,
e, olhando em direção ao mar,
corsários a passar,
disputando este lugar,
lutando sem cansar,
como hoje lutamos nós,
o egoísmo é o grande algoz,
pois pertence a humanidade,
vejo isso nesta cidade,
em relances de verdade.
O Recife é imortal,
é pedra fundamental,
de feito excepcional
produzido por Nassau.
Nassau é a Ponte
do passado ao presente.
O Capibaribe que nos diga!
Em suas águas o abriga,
como uma imensa Veneza
de rara e eterna beleza,
pedra de valiosos quilates,
como provam os mascates
cujas vozes ecoam por toda parte,
por ruas, entradas e becos,
seus comércios e apetrechos.
Na Rua da Praia houve até revolução,
Por aqui Insurreição.
Sua história é contada com muita devoção,
pois de história nós entendemos,
com vários ilustres convivemos:
Matias de Albuquerque, Henrique Dias, Gilberto Freire,
Paes de Andrade, Frei Caneca, Abreu e Lima,
Joaquim Nabuco, José Mariano, Paulo Freire,
Capiba, Luiz Gonzaga, Oliveira Lima,
Hermilo Borba Filho, Álvaro Lins,
Ariano Suassuna como cidadão, Nélson Ferreira,
João Cabral de Melo Neto, Osnan Lins,
Antônio de Figueiredo e Manoel Bandeira.
Conhecidos pela democracia, insurgência,
muita coragem, senso de igualdade,
ideário cívico, inteligência,
muita força e heroicidade.
Estando longe ou perto,
a saudade é sem igual,
sentimento de muita emoção,
que vai do frevo do Carnaval
à fogueira do São João.
Permita-me uma aliteração:
“Recife reino reluzente
dos Poetas ausentes”.
A minh’alma transborda
caminhando pela orla,
tudo vejo no ar da simplicidade:
águas, pontes, casas e grades
caminhando por esta cidade.
Teu beijo
Sinto- me leve,
vagarosamente em movimento,
tudo muito de repente,
partindo nas asas do vento
Acho que vou longe,
não sei porquê, não sei pra onde,
mas de uma coisa eu sei,
num relance, num instante
Percebo-me no universo,
na carona de um cometa,
entre correntes de estrelas,
dando voltas em silhuetas
Viagem de uma vida,
na fantasia de um desejo,
quando despego de tua boca,
quando deixo o teu beijo
Às vezes, distraída, chegam-me estrofes tão nítidas e familiares, como se fossem memórias de tempos esquecidos.
No entanto, quando tento aprisioná-las no papel, elas se desvanecem da mesma forma que surgem.
Creio que não passam de breves lampejos de linhas de outras vidas.
Sou apenas um sertanejo
cheio de inspiração.
Não tenho grana no bolso,
mas tenho no coração
um cofre cheio de amor
por alguém que é a flor
mais linda do meu sertão.
REENCONTRO
Em meio a versos
estou entregue...
Imersa num instante
que já me é distante.
Sem relutar
apanho o que resta:
Palavras,
Poesias trocadas
tencionadas...
Reveladoras
de quanto anseio
o reencontro.
Declaro a todos os que ouvem as palavras da profecia deste livro: se alguém lhe acrescentar algo, Deus lhe acrescentará as pragas descritas neste livro.
Apocalipse 22:18
Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça.
Romanos 1:18
Eis que esta foi a maldade de Sodoma, tua irmã: soberba, fartura de pão e abundância de ociosidade teve ela e suas filhas; mas nunca esforçou a mão do pobre e do necessitado.
Ezequiel 16:49
Afasta de mim a vaidade e a palavra mentirosa; não me dês nem a pobreza nem a riqueza; mantém-me do pão da minha porção acostumada.
Provérbios 30:8
A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo.
2 Coríntios 12:9
Oito pontos bíblicos:
Escrituras; Razão; Consciência; Moral; Tradição; Ritual; Criação; Experiência.
