Poesia
Trabalho
Há pessoas que fariam o dobro do que você faz pela metade que você ganha. Por isso, valorize o seu emprego.
Eu e o tempo
Sorri o tempo ao meu lamento,
O que será que ele pensa?
Que minha luta parece perdida?
Ele sorri e balança a cabeça.
Eu de longe sigo e me questiono,
O que esse tempo sabe que eu não sei?
Ele se vira e prossegue sua caminhada,
Eu perplexo caminho também.
Me faço de sombra e lhe sigo,
Me perguntando onde ira parar,
Eu com minha aguçada curiosidade,
Procuro no caminho a resposta encontrar.
Ele apenas segue sem parada ou morada,
Numa constante busca do absoluto,
Sem entender onde ele me leva,
Apenas o sigo contando os minutos.
Você é aquele porre gostoso de uma sexta-feira tediosa.
Aquele dia que se estende a semana toda, sem pausa pra um breve suspiro que alivie ao menos o peso do meu próprio corpo.
Contaria os diasse soubesse com exatidão o dia exato onde tudo da certo e nada me tire a paz.
Sem previsão, caminha as horas, os dias, um após o outro, sem pressa, mas também sem demora.
Gritaria pelo dia, bradaria pelo tempo sem meu folego poupar, só pra ter um breve agora, se não fosse pedir exaustivamentedemais.
Mas que tolice minha, falar pelos cantos encharcados, alimentar essa sede do gosto do porre de uma sexta-feira.
Descanso, quanto mais rápido adormecer, mais rápido o tempo passa, sempre funciona e ele chega sem pressa, mas também sem demora.
Seis dias e seis noites; tão previsível estar aqui, embriagado de você, até perder o rumo da vigésima quarta casa do tempo, sem tic, sem toc.
O agora se estende, quando não se tem noção do tempo e você, esseporre, duraria como um felizes para sempre.
Lyu Somah
A fotografia da alma
E quem dera poder te guardar em minhas fotografias, registrar a alegria da sua alma perante meu sorriso bobo e largo, diante da beleza dos seus olhos; janela que me encanta com brilhos intensos, olhos famintos e insaciáveis.
Sede da alma que a fotografia não sentiu, mas era de ti o meu desespero em saciar essa vontade que me consumia; queria, ao menos, uma gota poder te guardar; registrar em um único lugar tudo que eu queria ter para a eternidade.
Sou fotografo amador, como amar não dispensa dor; da alma não sou excelência, apenas aprendi a ser aprendiz nessa existência.
Minha foto favorita é a que me faz companhia.
Chamo-te hoje,
Porque pensar-te
É a lâmina mais feroz.
Êxtase de te revelar segredos,
E te acolher no ventre, ó vagabundo,
Entre o pranto e o anoitecer,
Estremecendo vagas de solidão em aguaceiros de poesia.
Ó desconhecido de todos os desalentos,
Escancarando vida no umbral da porta,
Imaginei-te somente!
E, guardiã da tristeza intrínseca,
Baptizei-te alento,
Prenúncio de temporal.
Grito-te ainda,
Porque o silêncio a bailar entre risonhos girassóis,
É o tempo mais sublime,
Ânsia de ansiar
Nossos corpos esculpidos
Num sopro de infinito.
© Célia Moura – Do livro “Enquanto Sangram As Rosas…” (2011)
A Pastelaria Defronte À Casa Vazia De Mim
Na pastelaria defronte à casa vazia de mim
onde habito
distraio-me nas gargalhadas imbecis
das gentes rotineiras que absorvem meias de leite e galões
fazendo uma espécie de orquestra
com o autocarro parado adiante
falando da vida alheia
com a boca tão cheia
que chegam a cuspir “gafanhotos”espaciais
apanhando os mais incautos.
São raras as vezes que passo por lá,
mas gosto de observar o saltitar dos pardais em busca de migalhas.
Na pastelaria defronte à casa
onde ainda habito
o álcool ameniza as mágoas,
a marijuana devolve-lhes
os sonhos mais banais
e as crianças vagueiam soltas sem jantar
brincando e comendo gomas e chocolates.
Se ao menos fossem como os pardais da manhã a saltitar entre as mesas,
se ao menos fossem como alguns cães que certas senhoras
levam a passear aos quais compram bolos de arroz ou com eles dividem a tosta mista!
Quão estéril é a pastelaria defronte a esta casa vazia de mim!
Mulher
quem és tu?
Não sei.
Como não sabes!
E sabes ao menos de onde vens?
Não sei.
Que fazes tu da vida?
Não faço nada.
Como não fazes nada?!
Todos fazem algo, todos têm sonhos,
Que é feito dos teus sonhos?
Asfixiei-os.
Porquê?
Talvez por me causarem uma ilusão desmedida,
não sei.
Doiam-me na alma e no corpo inteiro.
Mulher, tu és totalmente alucinada,
Louca!
Sou sim.
Todos os dias te chamo
envolta no negrume
desta minha alma vazia.
Todos os dias emudecem gritos
na garganta
paridos nesta agonia
de viver sem saber para quê!
Ninguém sabe
de que néctar nos lambuzámos,
de que luz nos incendiámos
na lânguida tela, primordial e eterna
inebriada de papoilas
e trigo por ceifar.
Ninguém soube,
nem eu sequer
o quanto te amei.
Todos os dias te chamo
e tu vens afoito, sorridente
comemorar comigo Vida
ao entardecer na tapada.
E com amoras nos olhos
samambaias no rosto
adormeces-me neste exílio
de terra fecundada
onde me dou por inteira,
sangue, pele, artérias
indignação
e coisa nenhuma.
Todos os dias me adormeces
num beijo de colibri
para que esta dor imensa
renasça flor.
Aos meus dias de pranto,
às vertigens ocas
espaços inexplorados
e às virgens destrambelhadas
o meu aplauso.
Às flores de lótus
quimeras incendiadas
de paz e opala
minha rendição.
À poesia, mãe amada
companheira de glória e infortúnio,
única e dedicada amiga
todas as pérolas,
poemas, almas decepadas
ouro, platina,
filhos que amei
sem parir e chorei.
Agonia que jamais ousei
de meu ventre
amor aos pedaços
pela enseada de azul e nada.
À poesia e somente a ela
todas as alegrias,
todas as tragédias!
Nascem-me das mãos
madrugadas de afronta,
enquanto do meu ventre
gritam araras
em agonia
No lagar da morte
aprecia-se o vinho
enquanto gemem os dias
absurdamente iguais
mordendo pétalas,
as mais belas.
Nasce-me dos olhos
a fome com rosto de meninos
mas é em becos sorridentes
onde meu fado habita
que a morte se esgueira
expande, agiganta-se
num leito de beijos.
Nascem-me das mãos
madrugadas de afronta,
mas é na face uterina da noite
que se incendeiam os dias
e nessa luz imensa
acalma-se a agonia
deste meu ventre de pranto
Quando te deitares comigo
não pises as camélias
que trago no olhar
e me afagam a púbis
neste vale encantado
de luxúria
entre lençóis,
nem beijes a nudez
do meu silêncio.
É tarde meu amor,
tão tarde.
Peço-te
que teu cálice transborde,
enlouquecidamente
a saudade
que me morde as entranhas,
enquanto eu…
…eu apenas trago corais nos sentidos
e asas nos pés.
© Célia Moura, in “No Hálito de Afródite”
QUEM É O POETA
O poeta não é só as palavra
Que escreve;
Não é só os versos
Que completa ...
O poeta é a emoção que
Que doe no peito,
É o grito que ficou preso na garganta;
É a lágrima que mareja dos olhos;
É o medo do futuro
E a esperança de dias melhores.
O poeta é tudo que escreve;
O poeta não é todo mundo...
Mas diz o que todo mundo
Queria dizer...
em minha mente.
caos completo.
quando vejo teu sorriso.
tudo se desfaz.
vem a calmaria.
dentro de mim.
como o fim de uma tempestade.
correr por todos os lados
na vida interminável
com sonhos e frustrações.
o que perder, o que ganhar?
às vezes nada faz sentido...
entra no poema
que no caminho
te explico.
segue aquele poeta
aquela vida
siga em frente
não pare!
na próxima esquina
o futuro.
teu olhar
que cativa
é maravilhoso
expressando sentimento
declamando poesias
como cintilar
de uma estrela
encantando o céu
da minha alma.
o pânico dentro de mim
o medo do fim
não chegar em lugar nenhum
sem jejum
deixo a dor dominar
sem ninguém para amar
dizem que a vida é bela
não sei se essa ou aquela
não sei para onde ir
já pensei em fugir
e só fiquei
porque te encontrei.
o coração bate forte
quando contemplo tua face
fico encantado
sem reação
você me deixa sem palavras.
você e a poesia mais bela
que eu queria declamar.
chegar no topo
a caminhada longa
o dia atual
olhar e não ver nada
a desistência
a resistência
na força a potência
rasgando o verso
para chegar no alto
sem cair no desatino
do tempo.
