Poemas Vinicius de Moraes de Mar
Mergulhei fundo no mar do amor,
Perdi o ar, quase me afoguei.
Lutei até a superfície
E lá estava você,
No raso,
Com medo de se molhar.
No fundo do mar,
Um grito abafado,
Sem respiração.
O fim chega.
Cada parte de nós
Um dia será saudade,
Lembrança e fuga.
Somos retalhos
De uma felicidade inexistente.
Juro que não vou mais chorar,
Embora a dor ainda seja um mar.
Guardo o que foi no peito apertado,
Um amor lindo, hoje, passado.
Teu nome é um espinho a ferir,
No silêncio que escolhi para seguir.
Mas cada lágrima que agora seco,
É um adeus que à saudade ofereço.
O palco da vida precisa de sol,
Não desta peça fria, sem farol.
Juro, de novo, que não vou mais ceder,
Vou aprender a ser, sem você.
Rio errante
O rio corre pro mar, livre em sua longa trajetória... seu objetivo uma hora alcança,
Sinuante e audaz, na eterna esperança que nunca se desfaz.
Desvios e obstáculos seu caminho traçam,
na teia da vida, as sombras o abraçam.
Cada pedra, um desafio, cada curva, uma lição...
Na busca incessante do seu destino, não deixa de entoar leve e borbulhante canto sem qualquer desencanto.
A água murmura segredos de quem sempre ficou
nos braços da correnteza, até o dia em que a liberdade suavemente ecoou.
Deságua no oceano, onde o céu encontra a terra,
misturando suas águas, a jornada enfim em segundos se encerra.
Mas enquanto houver um sonho, um fluxo a pulsar,
o rio será sempre errante, continuará sempre a esperançar.
Um peso morto
O frio da madrugada gela meu corpo.
Inerte estou à beira do mar...
Minha mente a divagar...
Como um barquinho perdido sem rumo pelas ondas a rodar.
Abandonada emocionalmente
Tento colocar minhas coisas num melhor lugar...
No meio de uma bagunça que não é pouca... tenho a impressão de que vou ficar... louca...
Do mar espero que venha o conforto
Entro nele devagar... o corpo mais frio começa a ficar...
Boio mansamente nas águas salgadas meu corpo s salgar...
Deixo a onda me levar...
A boiar... a boiar...
O sol nasce no horizonte.
O calor de volta traz.
Volto pra areia silenciosamente...
Minha dor no fundo do mar...
Novo dia.
Esperança.
Alegrias?
Deixará meu caminho de ser torto?
Deixarei eu de ser pro mundo um peso morto?
Deixarei de ser um peso morto...
renascerei em brisa leve, um novo alento,
a sombra se dissolverá em luz,
e o silêncio cantará promessas novas,
nascerá uma força das profundezas de mim que me erguerá e libertará,
vivendo eu, enfim, solto, em paz e vento?
Eis aí um pensamento que me traz na brisa um alento...
Nas ondas do mar
Nasce o sol nas ondas do verde mar,
Em dança suave, a brisa bailando, bailando... a tudo encantar.
Sussurros de espuma, segredos antigos,
cantos de sereias, sonhos amigos.
O balanço das águas embala a razão,
em cada gota, surgindo se vê uma nova canção.
Navegar é sentir, com o corpo e a alma,
a liberdade e a paz que embalam e trazem enorme calma.
Entre horizontes, meu barco desliza...
a luz do entardecer, uma suave brisa.
mares de esperança, surpresas a florir,
no coração do oceano, só quero existir e existir .
Que as ondas me abracem, me envolvam, me guiem...
Nesse azul profundo onde os sentimentos indeléveis flutuam.
Mar verde, brisa suave, eternamente a sonhar,
Nessa viagem infinita, hei de sempre navegar.
VER DE CIMA
Olhe os telhados, as aves, o mar...
A serra se aconchega a cordilheira
Derrama a cachoeira
E acolhe o vale ternamente
É assim que se ver de cima
As nuvens são travesseiros dourados
Para as divindades dos crepúsculos,
Ou para as crenças de nossas fantasias...
O rio serpenteia em busca de um encontro
Onde repouse no olhar, numa navegação,
Nas redes de um pescador
De cima se ver assim
Então fecha tuas asas no topo da montanha
E perceba que os últimos raios do ocaso
É comemorado pelos pardais, pelas cigarras
Pelos morcegos, pelos insetos,
Por todas as insignificâncias
Que torna tudo grandioso e contemplativo
E alimenta essa necessidade de voar bem alto.
La na terra dos meus antepassados, sentei-me numa mesa num café a beira do mar, pedi um café. Acendi um cigarro,
e disse, a partir de hoje nunca mais fracassarei, nunca mais vou fracassar. Olhei para o céu e disse Deus hoje entrego tudo nas suas mãos, tudo sim , e prometo jamais blasfemar.
Voltei e o tempo passou e nada mudou porque eu nao mudei. Não entreguei nada a Deus, agia por instinto. E falava pra todo mundo meus planos e nada dava certo.
Pedi um Café enquanto observa as ondas as gaivotas, e lá distante ao fundo do mar os navios, em meio a névoa que quase os envolviam
Nada dava certo. Mudei de casa, mudei os planos, e tudo errado. Mudei de casa de novo, fui direto ao resgate do passado. E comecei a questionar, estou fazendo tudo errado falando demais como sempre...pensei, ponderei. Entregue tudo nas mãos de Deus, entregue tudo nas,mãos de Deus. Gritei pra mim e nao falar a niguem sobre seus planos, e os planos fracassaram, porque, quais foram os motivos, ansiedade. Não era falta de confiança. Confia erga as mãos para o alto e confia. Você se sentirá como uma águia. Então voe.!
Sonia Solange da Silveira
Ssolsevilha
Pietisa do cerrado
Acordar
Sinto-me a boiar
No mar do esquecimento.
Todos os dias passam
Como ponteiros apressados,
Relógios antecipando
O dia em que entrarei
Na morada do silêncio.
O sentido se esvaiu
Como purpurina ao vento.
Minha vontade
Foi tragada
Pelo espírito da dúvida.
Caminho em busca
De algo abstrato,
Para que meus anseios,
Lançados sobre a terra,
Não pereçam sem significado.
SaMarSi
Eu sei quem sou.
A sua opinião não é necessária.
Não escrevo para receber curtidas.
Basta que leiam.
Quero provocar.
Mexer onde ninguém toca,
onde o véu permanece
e a ilusão toma conta.
Quero apenas que saiam
da zona de conforto
e encontrem o “eu” oculto.
Se você leu
e se incomodou, de alguma forma,
com o que escrevi,
então eu consegui
o que eu queria.
A Mãe e o Olhar
Edineurai SaMarSi
Quando eu era criança, a vizinha perdeu o único filho — quase homem… ainda menino.
Eu a observava.
Sempre fui boa nisso.
Depois disso, ela nunca mais foi a mesma.
A casa seguia arrumada,
as portas abertas,
o café no horário.
Mas os olhos…
ah, os olhos…
Eram fundos.
Vazios.
Fazia tudo como antes.
A vida seguia.
Mas, em seus olhos, algo havia mudado.
Não tinham mais alma, não tinham mais vida…
As tentativas de sorriso eram falsas, assim como a vontade de continuar.
Eu me lembrava de antes — da sua alegria, da família feliz — e, com a minha inocência de menina, pensava:
“Logo isso passa.”
Não passou.
O tempo andou.
Cresci.
Tornei-me adulta.
Ela se mudou, mas, quando a via, mesmo de longe, aquele olhar continuava o mesmo — parado naquele dia.
Como se a alma tivesse saído devagarinho
e ido atrás dele.
Eu não entendia…
Até ser mãe.
E perceber que há dores
que não enterram só um corpo —
enterram o mundo inteiro
dentro do peito de quem fica.
E alguns dias…
simplesmente não passam.
ACORDA, PORTUGAL!
O horizonte encolheu. Trocaram o mar e as estrelas, que alargam a alma, por agendas estreitas e por um comercialismo triste, sem luz própria.
Desviámo-nos do rumo. Deixámos de ser a expressão audaz do espírito que descobriu mundos para nos perdermos em figurinos alheios, longe da nossa terra e do nosso povo.
É tempo de levantar o olhar. De voltar a sentir o sal e a nocturna claridade. De reencontrar, nas ondas e no céu, a perspectiva que nos foi roubada.
Acorda
Há pessoas tão imersas em sua própria bolha, em seu mar de ignorância, que vendem os próprios olhos. Calam-se, negam a realidade e contradizem os fatos da vida.
O ego do ignorante é insaciável. Sempre quer mais, sem nunca buscar ser mais. Afunda-se em sua própria escuridão, tendo como única superficialidade a própria vida, esmagando-se sob a pressão do próprio ego e morrendo espiritualmente de hipotermia, congelado pela própria incapacidade de sentir empatia e humildade.
Tive o desprazer de estar do outro lado: o lado das pessoas ignorantes. Todas reunidas em um só ambiente. Inexoráveis. Olhares cansados, sombrios, disfarçando a própria intolerância através de um livro que nem sequer leram por inteiro. Sempre os mesmos, escondendo seus atos atrás de desculpas fúteis, suficientes apenas para aqueles que não suportam o esforço de abrir os próprios olhos, pois nasceram cegos pela criação de quem também escolheu se vendar.
Ouvindo o barulho do mar,
Sentado na areia,
Com esse céu azul bonito,
Que se perde no infinito,
Tenho vontade de dar um grito,
Onde estás minha sereia.
Olhos bonitos
Ela tem olhos bonitos
Da cor do mar
Seus olhos são verdes
Além disso, seus olhos brilham
Ao sol
Ela tem sorte de ter olhos verdes
Eles foram dados a ela pelo pai
Além disso, ela tem cabelo loiro
Ela é uma mulher linda
Também estou muito feliz por ela
À noite ela está sempre dormindo como um tronco
Ficávamos olhando aquele vasto mar por anos
Em cima daquele cais
Criando vários planos.
Nunca nos imaginaríamos um par de casais.
Como um casal de golfinhos
Que nós avistamos ao olhar para o Horizonte.
Para dentro daquele mar azulzinho
O sol logo se misturou com ele
Formando mais um casal
Logo nos despedimos com tristeza
Nunca mais nos víamos depois.
Com aquela injusta certeza, se iríamos nos ver novamente.
Com clareza pensei - vamos nos encontrar de novo, tenho certeza -
Aguardei ansiosamente, mas não aconteceu.
Infelizmente acabamos adormecendo muito.
Uma coisa boa aconteceu depois,
Nos se encontramos no mesmo cais.
Em paz depois de tanto tempo.
Da lua, de lua.
Feita de sol, sal, mar e ondas.
Sobre avencas, ervas daninhas, e flores silvestres.
🌬️ Ouçam o sussurro que vem de onde o mar toca o vazio.
🐚 Eles dizem que o caminho para a casa de nossos pais foram cobertos pela areia do tempo, e que as pontes de pedra caíram. Mas eu lhes digo: as almas não precisam de estradas. Elas se movem pela margem, pelo instinto do que um dia foi seu.
🌪️ O tempo do aprendizado confortável acabou. Agora, o conhecimento não será mais entregue em taças de cristal, mas derramado como fumaça densa sobre suas cabeças. Ele entrará pelos poros, torcendo as certezas da mente até que o ’eu‘ que vocês conhecem se dissolva no ar.
〰️ Não temam a perda do rosto. No lugar onde as sombras se reúnem, a individualidade é a única barreira para o verdadeiro poder. Quando você não souber mais onde termina o seu fôlego e onde começa o comando do invisível, aí sim você terá chegado em casa.
🌬️ O ar engolirá os fracos que tentarem se segurar nas margens por medo. Mas aos que ousaram permanecer na costa e aceitaram ser o canal do invisível, a estes não resta o vazio... resta-lhes apenas o peso e a glória do Comando.
🔱 Pois o rastro das sombras termina onde o infinito começa. Que cada alma reconheça o curso do seu próprio rio e não tema a força da correnteza. O intuito é, e sempre foi, o deságue final: o instante em que a jornada cansa e o espírito se rende ao oceano que o gerou. Que toda criatura retorne ao Criador, pois no abraço da origem, o caminho apagado se torna, enfim, presença.
👑 Que as águas conduzam o que o comando ordenou!
Um peso morto
O frio da madrugada gela meu corpo.
Inerte estou à beira do mar...
Minha mente a divagar...
Como um barquinho perdido no mar.
Abandonada emocionalmente
Tento colocar minhas coisas no lugar...
No meio de tanta bagunça louca... tenho a impressão de que vou ficar...
Do mar vem o conforto
Entro devagar... o corpo mais frio começa a ficar...
Boio nas águas salgadas...
Deixo as ondas me levar...
A boiar... a boiar...
O sol nasce no horizonte.
O calor de volta traz.
Volto pra areia silenciosamente...
Minha dor no fundo do mar...
Novo dia.
Esperança.
Alegrias?
Deixará meu caminho de ser torto?
Deixarei eu de ser pro mundo um peso morto?
Seus olhos azuis...
de um azul profundo do céu, do ar, do mar
neles navego segura
e não me importo de naufragar...
em seus braços
cada apertado abraço
mais leve me faz ficar...
no seu corpo meu corpo porto seguro a encontrar...
e a vida de leve levar
no mesmo caminho seus olhos azuis
pra sempre vão me guiar...
por que me faltam palavras
quando alto quero gritar?
Sussurro: te amo, te amo, te amo...
vou com este amor pra onde ele quiser me levar...
