Poemas Vinicius de Moraes de Mar

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⁠Não consigo dormir.
Rolo pra todos os lados, e enfim, perdi.
Levantei-me no meio da madrugada.

Não sabia o que me encomodava.
Nenhum pensamento durava muito.
Cada assunto que meu cérebro buscava pensar findava já na introdução. Não tinham desenvolvimento, muito menos conclusão. Era como seu eu pescasse e fisgasse peixes que não me serviam e então eu os lançava de volta no rio.
Peguei um livro e extraí os trechos filosóficos para passar o tempo. Cada trecho com seu autor indicado logo abaixo.
Quando percebi, já estava amanhecendo.
E acompanhado a mutação lenta das trevas em luz, me dei conta.
Não estava amanhecendo.
A terra é que estava girando.
Pra mim foi a maior descoberta, mesmo sabendo que isso já acontecia.
O ponto onde eu me encontrava, não era mais diante do Sol e sim de uma estrela mais próxima que as outras tantas do universo.
Me senti totalmente alienado, mas de maneira iluminada.
A manhã está mesmo chegando?
Incrível! Não pode ser!
O que está acontecendo?
Foi nesse instante que tive o maior insight
da minha vida, até aquele momento.
O dia nunca mais raiará.
A noite nunca mais cairá.
O tempo como eu conhecia se desfez bem ali e se mostrou como algo jamais imaginado por mim.
Não há dia, não há noite.
Dia e noite são apenas um.
Não há verão e inverno também não há,
Outono já não existe e primavera jaz.
O mundo mudou?
Acho que nada no mundo mudou.
Apenas giramos num carrocel sem cavalos.
Sempre foi assim.
O dia nunca existiu e a noite não é o que eu pensava.

A madrugada, a manhã, a tardinha e a noite Só existem dentro de mim, nas minhas percepções, assim como as estações do ano, que também não existe.

Inserida por LuisAbreu

⁠As cores da paisagem
há cores na estação.
O trem partiu no horário
levou você,
ficou partido o coração.

Toda parte é só metade,
toda partida, solidão.
Sinto tua falta,
mas preciso — com razão —
abrir de novo o coração,
achar outra parte,
partir
pra nova estação.

Inserida por mardoniobarros

⁠Algoritmos criam bolhas afetivas que aumentam a solidão.

Trocar alteridade real por simulacros é celebrar a convivência sem presença.

Inserida por I004145959

⁠Tudo é movimento
a água vira vapor,
vira gelo que espera,
vira rio que leva e lava,
vira chuva que cai e rega.

tudo é transformação.
fases,
estados,
o mesmo corpo em transição.

a matéria muda —
não se perde,
se refaz.
a essência escorre
pra nunca mais
ser igual.

Inserida por mardoniobarros

⁠A terra, o barro
a mão divina molda o homem.
o homem moldado
cria com imaginação:
faz o tijolo,
o artefato,
o vidro,
a edificação.

a casa que acolhe,
o muro que cerca,
a ponte que atravessa,
a plataforma que eleva.

do pó que vira forma,
do gesto que vira chão —
Deus sopra essência,
o homem faz invenção.

e assim,
a terra respira arquitetura:
matéria que sonha
em cada construção.

Inserida por mardoniobarros

⁠Há coisas frequentemente associadas a meninos, a meninas e a todos os gêneros.

O erro está em transformá-las em “réguas fixas” que aprisionam a liberdade e reforçam estereótipos.

Inserida por I004145959

Há coisas frequentemente associadas a meninos, a meninas e a todos os gêneros.

No entanto, esses elementos não deveriam ser usados como padrões rígidos para definir ou limitar o que cada pessoa pode ou deve fazer.

A crítica está em transformar essas referências sociais em regras inflexíveis, que acabam por restringir a liberdade individual e alimentar estereótipos.

Inserida por I004145959

POeMA DE SEGUNDA

A semana começa.
O dia termina.
O tempo voa.

Sexta chegou —
e o tempo foi pouco.
Sábado passou,
domingo é sala de espera pra segunda.

Tudo recomeça.
A roda gira:
tempo, trabalho, tropeço e o vôo.

E a vida?
Bilhete de ida
pra um tempo qualquer
Pra uns, curto.
Pra outros, um pouco mais.

No fim,
somos só isso:
passageiros do tempo,
com hora marcada.

Inserida por mardoniobarros

Faz-me ouvir a tua voz, ó Deus.
Faz-me, ó Deus, sentir a beleza do teu olhar.
Resplandece, ó minha alma, o brilho do olhar do teu Deus, Senhor.

Ó beleza imensa,
a ti anseia minha alma e todo o meu ser.
Busco-te nos campos dos lírios,
nos pastos serenos,
no silêncio onde tu repousas,
onde o amor habita
e a fonte eterna jamais se apaga.⁠

Inserida por alan_almeida

⁠Se não vês Deus no brilho inocente de uma criança,
ou na luz mansa do sol que nasce,
não o verás em nenhum outro lugar.

Inserida por alan_almeida

⁠Quem vive junto tende a cuidar mais, não porque ame mais, mas por estar mais perto.

A distância não justifica ausência, mas deixa claro que é injusto exigir dedicação igual de quem não mora junto.

Inserida por I004145959

⁠Diagnósticos sem medida matam a subjetividade.

Na pós-modernidade, traços de personalidade viram enfermidades.

Inserida por I004145959

⁠Pobre e miserável é o meu coração,
que custa entender o poder do perdão.
Mas, com Ele, sinto que há cura na reconciliação.

Inserida por alan_almeida

⁠minha dopamina cacheada I

ainda que me drogue
eu não mudaria meu vicio
continuaria dopado
viciado, em tal sentimento.

um cão preso em canil
com sua vontade de fugir.
e ainda que o joguem ossos
ele não morde com vontade
mas com saudade, de seu viver
de tal desejo infantil

admito que o vejo correr
livre.
e me lembro de tal dia
que eu parecia correr
como um cachorro no cio
direto pra você
enquanto tento não enlouquecer
dopado de dopamina.
dopado de você!

Inserida por onirico

⁠Um centraliza para aparecer; o outro cede para se esconder.

Ambos manipulam — um pela ação, o outro pela omissão — um sofre pela solidão e outro pela submissão.

Inserida por I004145959

⁠O ladrão é visto por muitos como vítima social; e o cidadão é quem neste jogo desigual?

Até que ponto a explicação social justifica a absolvição moral?

Inserida por I004145959

⁠Somos química viva — elementos da tabela periódica em perfeita união.

Enquanto essa organização persiste, vivemos; quando se desfaz, a vida cessa, e retornamos à química da natureza, participando do ciclo contínuo da matéria em constante transformação.

Inserida por I004145959

Há mais representação do que representatividade.

A inclusão é mero insumo para aumentar o consumo.

Inserida por I004145959

⁠Do cartão de ponto à conexão 24 horas, quando o trabalho invade a esfera privada; da precarização do trabalho com freelancers, motoristas e entregadores de aplicativos à automação que substitui empregos; da economia da atenção ao capitalismo de vigilância; do consumo que define identidade à fragmentação da experiência coletiva — cada um em sua bolha informacional; e do sucesso que virou imperativo moral de autocobrança, na cultura do desempenho e da comparação constante.

Essa dimensão revela como o capitalismo digital coloniza desejos, comportamentos, valores e modos de vida, redesenhando a organização social e subjetiva.

Vivemos uma época de contradições, em que a liberdade aparente se converte em obrigação de reinventar-se, vender-se e melhorar constantemente, enquanto opressão e autonomia coexistem de forma complexa, exigindo reflexão crítica para compreender e responder aos desafios dessa transformação.

Inserida por I004145959

O sucesso virou imperativo moral,
a identidade se molda no consumo,
e o trabalho invade a esfera privada.

Inserida por I004145959