Poemas sobre quem Realmente eu sou
O mais interessante é que eu sempre seguia um padrão invariável,
logando no primeiro símbolo e pulando para o terceiro, depois
voltava ao segundo para em seguida saltar para o quarto. Simples assim,
consecutivamente, criptógrafo por criptógrafo, numa simbiótica
relação de interdependência e inviolável relação de cumplicidade.
Era inegável o vínculo de criptopacionalidade do qual
dependíamos. Desse vínculo dependia nossa privacidade e segurança mútua.
Dinheiro, Ah!, nunca tive,
nem tenho,
Mas não subestimo meu engenho.
Não fui, nem fiquei, eu ainda venho;
Nunca me entrego, eu me empenho;
Não brigo e nem guardo mágoas,
eu me contenho;
Eu não finjo crer, na realidade me atenho;
Jamais me convenço, eu me convenho;
Não rejeito alimento algum, apenas me abstenho.
Na vida, bastar-me-ia a paz de tu'alma em Minh'alma, se tão somente humilde eu fosse.
Mas meu egoísmo natural e intrínseco insiste em seu voraz descontentamento, insuflando-me ao pecado.
Impotentes, nostr'almas em constante torpor de cega paixão, rendem-se impotentes,
quais inocentes púberes em reincidente pecado.
Bastar-me-ia tua lucidez, não fosse o fato de não poder assim ser.
Sou falto de razão, afoito ao erro.
Tu, oposto de mim, és senão a razão, pelo menos a sensatez.
Sou pedra de tropeço, não caias por mim, pois paixão é fogo abrasador;
é vento enlouquecido que tudo destrói, afoito ao desejo e indiferente ao erro.
Assim sou eu, planta do deserto, insensível ao calor e ao frio.
Tu és flor delicada, embora forte como raiz profunda.
Na dor ou ventura, és forte e serena como o cândido luar do paraíso.
Bem sabeis: amor é como brisa que acalma, mas a paixão cega e corrompe os sentidos.
N'amor sou fiel e guerreiro, mas o discernimento não guia meus passos.
Sou pedra de tropeço. Não caias por mim, pois vivo em trevas.
Segue teu caminho de luz, mas sem mim, pois desconheço a razão.
Foi preciso adentrar o túnel negro pelo qual acessava-se o poço
para eu cair na real e compreender que o poço não tem fundo - é apenas
o vazio abismal e sombrio em sua negritude tenebrosa e mortal. Foi então
que eu me voltei para meus dons naturais - dádivas de Deus -, e percebi
que neles residia meu resgate e minha salvação. Neles estavam a luz da
vida, e não podiam mais ser ignorados. Ou eu recorria a eles em busca
de abrigo e socorro naquele momento crucial, ou indubitável, inequívoca
e iminentemente sucumbiria ao caos absoluto numa sarjeta qualquer da vida.
Era enfim o tudo ou o nada. A sorte estava lançada para mim. Não tinha mais
como ignorar a covardia e o medo mórbidos que sempre haviam comandado
meus passos numa negativa constante e cega, resumidos num prazer doentio
e compassivo com a indolência que conduz à pobreza, ao desprezo dos
homens e à condenação dos deuses.
Vislumbram-me olhos que confundem e desnorteiam os fracos;
Vislumbram-me olhos estranhos que eu conheço;
Vislumbram-me estranhos olhos que me assustam e fascinam;
Vislumbram-me olhos que deslumbram minh'alma e entorpecem minha cândida loucura;
Vislumbram-me olhos que cegam-me mente, logica e razão;
Vislumbram-me olhos que dizem num sussurrado e retumbante clamor:
"O pecado não seria proibido, se tao somente não fosse ele o pecado"
Vislumbram-me doces e ingênuos olhos que teriam tudo para aprender,
se tão somente já não lhes faltasse o rubor da inocência e do pudor.
Vislumbram-me, enfim, olhos de pecado.
Muitas vezes, a vida se torna pesada e difícil de suportar. E eu me sinto extremamente exausto, confuso e sufocado,
como que me afogando num abismo de águas profundas e negras. Em momentos nebulosos assim, a dor da
solidão é mais perversa e tortuosa que as muitas linhas profundas a sangrar em meus braços.
Meus lúgubres devaneios são o clamor da vida prestes a ceder ao quase inevitável. Mas meu esvair-se na escuridão,
longe de ser desesperador, é pura placidez; mórbida, talvez, mas atenuante e profundamente apaziguadora,
suave como uma serena brisa do paraíso. É em suma tudo que preciso para relaxar em meu etéreo padecer.
Vida esta que segue em penumbra, cercada pelo vazio e o som de ecos distantes, oriundos de minha alma
quase sempre entorpecida. Meu tudo se resume a um absoluto nada. Quem sou, no flagelo desta escuridão?
Pode uma sombra existir sem a luz? Qual a utilidade da luz sem a escuridão?
Fui um dia talvez, um frágil clamor de vida que subitamente se esvaiu na solidão de sua própria ignorância?
Você sabe que eu não controlo minhas emoções e muito menos minhas ações, e que eu posso machucar você mesmo sem querer.
Alexandra Rhaella
(13/06/2018)
O silêncio é
a única forma
que eu tenho
de poder
comunicar
contigo. Os dias
são silenciosamente
barulhentos.
Meu amor
quando fores caminhar
não esqueças de vestir
aquele radiante sorriso
que eu te ofereci
quando acordaste.
A madrugada
estava escura
e muito triste,
eu escrevi
o nosso beijo
naquela escuridão
e ela amanheceu.
Tu nem imaginas
quantas vezes
eu escrevi
o teu nome
na areia da praia.
O mar sorriu
e de maré baixa
repentinamente
passou para
maré de águas vivas.
É assim que
eu quero estar contigo
a contemplar o nada
e atordoados pelo amor,
do nada, construímos
o nosso interno mundo.
Somente Tu e Eu
Somente tu consegues
ver as minhas tempestades.
Somente tu consegues
ouvir o meu silêncio.
Somente tu consegues
decifrar o Amor.
Somente tu e eu.
A Lua e Eu
Muitas noites disse olá à Lua
e a nua Lua respondia-me:
serei tua até a tua vida amanhecer.
Se eu pudesse transformar
o meu poema em realidade
escolheria aquela parte
onde não existe realidade.
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