Poemas sobre quem Realmente eu sou
A estrangeira
Estrangeira vinda de um lugar qualquer
Hoje eu preciso conhecer o teu jardim
Essa beleza que trazes junto ao peito
É um delírio total para mim, sem fim
Me contaram que és muito solitária
E que tu és repreendida pelos pais
Tua banda favorita não é do Brasil
E que preferes pintar com o azul anil
Me contaram que tu não lês poesia
E que trocas o romance pelo terror
Talvez quem disse seja uma inimiga
Que ainda não percebeu o teu valor
E eu lhe conto: que incrível o efeito
Do vento que antes passou por mim
Associei às conquistas adolescentes
Quando, de repente, pensei em ti
Demonstras em gestos carinhosos
Que, de fria, não tens quase nada
Desejaria se, realmente, fria fosses
Que a minha vida fosse congelada.
Super-heróis
Frequentemente sonho que estou voando
Que posso levitar ou atravessar paredes
Eu nunca me vesti como os super-heróis
Mas que bom seria poder contar com eles
Nós somos minúsculos diante das injustiças
Crianças são assassinadas na Faixa de Gaza
O Super-Homem, se real fosse, deprimido
Provavelmente ficaria trancafiado em casa
Precisamos de poderes especiais todo dia
Para superarmos a insensibilidade imensa
A segurança inexiste entre quatro paredes
E as novas gerações permanecem tensas
Sangue é entretenimento para as massas
Terrorismo na manchete dos telejornais
O homem baleado está na capa da revista
Desvirtuadamente esperamos por mais
No intervalo das notícias, o horário eleitoral
Então o voto se torna uma escolha aleatória
Vamos girando a roleta sem ouvir propostas
No lugar de tentar construir outra história
Temos escolhas, mas não sabemos escolher
Nos acostumamos com uma realidade desigual
Enquanto assisto filmes com os super-heróis
Logo penso que eles não seriam no mundo real.
Uma era que já era
Ei, história inacabada, não venha ocupar meu tempo
Que hoje eu não estou para meias palavras e gestos
Rascunhos de felicidade, agora, não me completam
Esqueça o marujo que lhe declarou sendo honesto
Poderia esperar uma eternidade por um sinal teu
Nada acharia além de um afastamento crescente
Tu acompanhas de camarote o sofrimento alheio
Imagino que concordes com gente pisando gente
Se alguém obtém algo com facilidade, despreza
Se alguém obtém algo com dificuldade, preza
É por isso que tu estás em Netuno e eu na Terra
E é por isso que, assumidamente, lhe quis à beça
Só que não sonho mais contigo como outrora
Nem penso na possibilidade de me reapaixonar
Eu amadureci, é verdade, não se vive de saudade
Me dediquei por inteiro e descarto a tua metade
Excluo o teu contato e é para que tu percebas
Vais perder tudo, lidaste com a situação errada
Mal sabes o que fazes, és dispersa no caminho
Se a tua realidade é ventania, virará redemoinho
Quem acha que comanda, pode se equivocar
Mesmo tendo um imenso séquito de devotos
Bom saber que o questionamento é permitido
Havendo repressão, teu império seria mantido.
Este terno
Vê se você muda
Eu tô falando sério
Ler Pablo Neruda
É cheio de mistério
Vento de regresso
Vidas a conflitar
Outra gambiarra
Não irá me chocar
Uh... tira logo este terno
Você nunca avisa
É frio e impontual
Vejo no seu punho
Uma atração fatal
Estufa bem o peito
Antes da mancada
Ao menos você ri
Na hora marcada
Uh... eu já tirei este terno.
Quero-quero
Me pergunto o que eu quero
Quero-quero beleza florestal
Voo rasante na incredulidade
Por um porquê fora do banal
Tenho certeza destas dúvidas
De anos atrás, de poucos dias
Elas apenas mudam de forma
Mas nunca foram esclarecidas
A maioria quer ir a um lugar
O destino é pouco importante
Se almeja a dispersão rápida
Fugir do ontem dali em diante
Melhor se ninguém procurasse
Chega, aproveita e rememora
São tão poucos querendo ficar
Sabedoria mesmo é ir embora
Quero-quero o que não tenho
Ponto de chegada e um pódio
Conquista que compense suar
Chamar sal de cloreto de sódio.
Aquela guria (que eu amo)
Eu amo aquela guria mais que tudo no mundo porque ela esteve comigo quando eu menos mereci e mais necessitei, da mesma forma que eu enxuguei o seu choro e na solidão do meu quarto chorei. Eu a amo porque ela me fez lembrar que sou capaz de verdadeiramente amar outra pessoa, que, no caso, é aquela guria.
O escolhido
Aquele foi um olhar de amor, eu pensei
Uma mulher sempre percebe, eu concluí
Como se pontos tivessem sido entregues
Como se esquecesse o que me trouxe ali
Um homem de verdade não diz "te amo"
De forma gratuita e indiscriminadamente
Entretanto, o denuncia de outros modos
Também retumbantes e desesperadamente
O amor feminino costuma despertar temor
É bem mais fácil envolver-se com outras
Do que com a garota que escolheu você
E você nunca a acha em quaisquer bocas
Aí existe a fuga desenfreada e cansativa
Negando a si mesmo a maior obviedade
Gostar por gostar você gostou de tantas
Ela você ama e já comenta toda a cidade
O sentimento latente bate na sua porta
Ele se chama Amor e pede para entrar
Você pensa muito porque não percebeu
A sua disposição imensa em se entregar.
O resgate
Um fantasma voltou a me assombrar
Eu o vi em todas as fotos, estava lá
Eu estou sentindo-me desesperado
Até escrevi um mirabolante recado
Achava que havia me livrado, errei
Estou palpitando, mas no fundo sei
Há muito tempo não me sentia assim
Com motivo pra sonhar antes do fim
Ela nunca será minha, porém é linda
Uma intuição dizia que a veria ainda
Cá estamos, na loucura e sobriedade
Estranhos mesmo na mesma cidade
Que pena da minha própria pessoa
Logo eu que estava bem numa boa
Subestimei o poder da madrugada
E, no caso, resgatei a minha amada.
Tudo o que eu faço
Sim, eu faço absurdos
Tomo banho no escuro
Jogo tabuleiro sozinho
Pra poder te conquistar
Danço tango de tanga
Invento um outro hino
Me despeço do mundo
Pra tentar me declarar
Flerto com o abismo
Faço perfil sem foto
Sou ateu na catedral
Pra você se lembrar
Viajo até Bangladesh
Vou de pijama à rua
Salto de parapente
Pra você se tocar
Aprendo mandarim
Saio na madrugada
Escrevo cem cartas
Pra esse fogo cessar
Gosto de beterraba
Encanto a serpente
Uso terno e gravata
Pra esse lance rolar.
Ao natural
Se desse pra te tirar da memória
Eu já teria te deletado do sistema
Só que eu lembro de quase tudo
E estou com um baita problema
Na areia da praia ou na calçada
A saudade leva o mesmo nome
Até no lado de lá deste planeta
Não há outra a quem eu chame
Política, economia e sociedade
Fico atento às novidades todas
Mas sem nenhuma notícia tua
De Dubai, as experiências boas
Sinto em segredo, sei esconder
Falar sobre tudo sem me expor
Evocando os teus olhos verdes
Crise fiscal só me causa torpor
Foi um prazer ter te conhecido
Na contramão da miopia geral
Uma observação atenta saberia
Que só por ti escrevo ao natural.
Boas ações
Deixa eu fingir que me importo
Com a ação que subiu neste dia
Com as lamentações do padeiro
Deixa, é questão de ter simpatia
Vou levar a sério todo o diálogo
Só pra ver até onde pode chegar
Se der problema, a gente resolve
A vadiagem não autoriza a parar
Vou estar com um cara supimpa
Que se convenceu de que é o rei
Ele contará seus feitos incríveis
E eu, como se imagina, fingirei
Uma zombaria sutil e divertida
Na palhaçada que é ter vínculo
Suportando horas prolongadas
Com qualquer vivente ridículo
Sou protagonista de boas ações
Ajudo um desesperado por mês
Em nome do marketing pessoal
É hora de atender outro freguês.
Quando ela entrou no rock bar
Quando ela entrou no rock bar
Eu estava olhando pela janela
Meia-noite e quinze de sábado
Acreditei numa vida mais bela
Todas as ações espalhafatosas
Ao menos refletiam a verdade
Cabeça no lugar não foi o forte
Mas confie: não faltou vontade
É fácil perceber interesse real
Ainda tenho alma e me dedico
Nada espero ganhar em troca
De afeições puras não abdico
Não importa o que pensarão
Jogados num mundo carente
Homens e mulheres imóveis
Gente sem coração de gente
Sim, eu faria tudo outra vez
Devoto das causas perdidas
Um cara estranho a olho nu
Entre as chegadas e partidas
Quando ela entrou no rock bar
Eu estava saltando de alegria
Sem tempo para ver o relógio
Apaixonado por uma melodia.
Contemplação
O que tu me entregas é tão pouco
Mas não me imagino sem ter isto
Eu não apostaria no nosso futuro
Só que por algum motivo insisto
Quando vejo teu riso espontâneo
Sou transportado a anos dourados
Com a mágica que nos torna livres
E prontos para os dias ensolarados
É um milagre contemplar a beleza
Quando a realidade fecha portas
Erguendo barreiras em sequência
Nos afastando das melhores rotas
Como eu gostaria de tê-la uma vez!
Por um minuto, em tom de despedida
A ponto de confundir com uma ilusão
Doce que nem a mulher mais querida.
Siga-me
Eu vou te mostrar o outro lado
Quando a esperança terminar
Não restando motivo pra viver
Sem uma causa pra acreditar
Eu vou te levar pra luz eterna
Um lugar com garantia de paz
Que quem conheceu não troca
Porque creio que você é capaz
Me chame por qualquer nome
Eu fui, eu sou e irei prosseguir
Um guia às almas perturbadas
O que sabe o que está por vir
Não preciso de fé pra aparecer
Você nem chamou e estou aqui
Pronto pra te apresentar o céu
Cada vez mais envolvido por ti
Buscam por mim externamente
Porque estão longe da verdade
Eu existo no interior de cada um
No princípio de toda a vontade.
Ela era a luz e desligou.
Apagou sem ruído.
Sem eco.
Só ausência ficou .
Disse pra eu entender,
como se sentir fosse opcional.
Como se o peito fosse máquina,
feito de lonsdaleíta,
imune ao impacto com a terra.
Arquivou a gente
em um triste adeus .
Simples assim.
Um comando.
Uma pasta nova.
Sem passado.
Mas aqui…
nada foi deletado.
Os sonhos continuam rodando em loop.
Os sentimentos em arquivos corrompidos,
impossíveis de abrir sem dor.
Ela seguiu.
E eu fiquei sozinho
nesse intervalo estranho
entre o que acabou
e o que ainda insiste em existir.
O amor morreu nela.
Aqui, não morrerá.
Em mimrespira baixinho,
como sistema antigo,
que ninguém usa mais…
mas nunca desliga
permanecendo em stand-by ..
"Eu consegui sobreviver à minha própria merda, e agora, para minha surpresa, encontro alguém que não me deixa louco. Talvez seja o uísque que fala, mas eu sinto que encontrei um refúgio na tempestade. Não é que eu tenha mudado, é que ela gosta de tempestades."
Red Duck,
Crônicas: de Guerra
Livro 3, 1985
Sem a filosofia eu não teria intelecto.
Sem a ciência eu não teria conhecimento.
Sem a poesia eu não teria alma.
Sem alma eu não poderia amar.
Sem amor eu não poderia fazer música.
Se não pudesse fazer música, certamente não teria o porquê viver.
poema novo!
Um dia frio estranho e chuvoso, lagrimas rolando no meu rosto. E eu aqui parado na janela olhando para o nada. talvez vendo as gotas de chuva na calçada.
Pensamentos que me levam pra longe... Me perco no horizonte.
Lembro da minha infância. Eu parado do mesmo jeito que estou agora, vendo minha mãe chegando em casa... cansada, molhada, carregando sacola pesada. minha mãe é uma guerreira de fé... um exemplo de mulher.
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