Poemas sobre o Mundo
Todo dia quando cai a noite
E escuridão engole o Mundo
E todo mundo se recolhe
E avalia as suas escolhas
Uma noite só não basta
Você se desgasta
Sozinho, parado
Pensando, talvez, nas folhas
Que voam ao sabor dos ventos
Crepitando pelo vasto mundo
Você ouve na escuridão
A suave melodia da noite
batendo na sua janela
Noite, deusa misteriosa
Quem é ela
E o que será que quer comigo
Volte logo, luz do dia
E tira de mim este medo
Por favor, volte mais cedo
Tanta gente tem seus amores
Que guarda em segredo
Eu guardo este medo
e mais nada
Pois a noite e a madrugada
Parece que a tudo sabem
E guardam as piores tempestades
Pra que elas desabem
Pertinho da minha janela
Noite, deusa misteriosa
Por que é que ela
Judia de mim
tanto assim?
Hoje eu estive pensando
Conversei comigo mesmo
e conclui:
Se houvesse neste Mundo
Alguém
Uma só pessoa
Que me ouvisse e conhecesse
Talvez
A ela eu perguntasse
O que foi que eu fiz e quis
e vi e vivi
Tentaria resgatar
a memória perdida
das coisas que eu não tenho mais certeza
Se realmente vivi nesta vida
Se houvesse, nesta vida duvidosa
Uma única alma boa
Que me contasse
Se minha vida realmente valeu à pena
Que pena!
Não me recordo de mais nada
Quase nada mais eu sei
Acerca de mim mesmo
Esqueci de quase tudo
Às vezes eu até
Chego a sentir
As dores aludidas
Em tantos poemas anteriores
Mas não tenho mais certeza
Se eu realmente as vivi
As senti
Ou se eu simplesmente
As menti
Por mais que eu seja visto
como incompreensível
Por este mundo complicado
Eu creio que vou morrer
Sem também compreendê-lo.
Por mais que cada gesto meu
Repleto de amor e desprendimento
seja, a cada dia mais
repelido somente com indiferença
Eu creio que vou morrer
Sem levar comigo qualquer sentimento
de vingança, ingratidão ou ofensa
Por mais que eu saiba
O quanto de tristeza vou sentir
Por distorcerem aquilo que eu digo
Simplesmente
Por não haverem prestado
A mínima ou a devida atenção
é a vida
Tudo isso me vem do coração
e eu não vou me calar
mesmo sabendo que eu digo
Em português
A quem só lê javanês
E mesmo que nada esteja igual
e eu esteja sempre
Nos fundos do quintal deste mundo
eu vou permanecer pra sempre lá
e tenho certeza
Que um dia haverão de me procurar
pra me dizer
Que finalmente a minha piada
inteligente e sem graça
realmente, anos mais tarde
Fez muita gente rir
Principalmente pelo fato
de eu não estar mais aqui.
Todo mundo já viu terra
Todo mundo já viu grama
E sabe o que é frio ou calor
Todo mundo já viu o Sol
E sentiu medo do escuro
Todo mundo já quis saber
O que tinha atrás do muro
Todo mundo, às vezes erra
Todo mundo, um dia se escondeu
debaixo de alguma cama
Todo mundo já sentiu dor
Todo mundo assistiu futebol
Todo mundo um dia
Teve medo do futuro
E nem todo mundo
se esqueceu de tudo isso
Todo mundo conhece a Lua
Mas nem todos sabem
que lá não tem ar
E de tantos sonhos que tem
que nem lhe cabem
Parece até que vivem lá
Estive olhando o mundo
analisando friamente
com os olhos, a mente e o coração
o quanto a vida pode ser
Ao mesmo tempo boa ou ruim
pois tudo depende
de coisas que a gente simplesmente
não põe na balança enquanto vive
pois, apesar de viver pensando
Não cuida muito bem
dos pensamentos que nos vêm
cultivando valores falhos
houve dias que vivi à toa
e me foram muito mais produtivos
que outros dias de ativo trabalho
noutras vezes, após
mergulhar as minhas mãos
em um vespeiro
é que fui perceber
a minha afoitez incauta
Mais tarde percebi
que os dinheiros que eu não ganhei
não fizeram-me a mínima falta
diante das palavras de carinho
que muitas vezes eu podia ouvir
e não ouvi
As pétalas das flores
que o vento espalhou
subindo ao Céu
enquanto eu suplicava
que elas não subissem
Se ontem eu soubesse
metade do que eu sei agora
eu teria roubado e aberto
as gaiolas de passarinhos
de todos os meus vizinhos
a permitir que eles também
fossem embora
Contudo, optei por falar
Quando era hora de calar
e me calei, simplesmente
Quando uma simples palavra minha
Teria feito que este mundo
Se tornasse um lugar melhor
pra muita gente
Tem horas em que a gente
simplesmente se cansa
e passa a ver este Mundo
de um jeito que antes não via
e percebe que deixou de pesar
muita coisa na balança desta vida
enquanto vivia
Um dia
todo mundo queria
Que um dia
Todo mundo fosse feliz
e assim estaria
tudo pronto e acabado
Mas o que ninguém sabia
é que esse dia
talvez já tivesse chegado
Mas todo mundo
estava muito ocupado
Sonhando
ou vivendo o sonho errado
e assim
mais um dia foi passando
enquanto todo mundo procurava
aquilo que mais queria
e estava ali
o tempo todo.
Mas todo mundo, ao mesmo tempo
Estava olhando pro outro lado
Nesta vida e neste Mundo
Só existe uma certeza:
Sempre haverão outros
E outros e outros e mais outros
e depois deles
Virão outros e depois
Mais outros
Assim como outros
Houveram antes
e existem outros hoje
Amanhã, pode ter certeza
de que outros haverão no vir
e depois deles outros
Haja o que houver
Seja o que for
Haverá sempre outros
Esta é a única certeza
Não existe outra.
EdsonRicardoPaiva
Eu creio que assim como eu
Todo mundo atravessa,
em algum momento
Aquelas horas
em que os pensamentos
São sempre ruins
E que eu sei, com toda certeza
Que mais ninguém precisa de mim
Tem horas que a gente se arrepende
Se arrepende realmente
Por não ter lido
Tudo aquilo que não leu
Nessas horas
Quase nada faz sentido
E até a luz do Sol me surpreende
E eu sinto que mesmo o Sol
é por demais limitado
E apesar tentar
Não pode fazer muita coisa por mim
Nesses dias
Todas as soluções se escondem
E todos os fantasmas do passado
Saltam das paredes
e vem ter, aqui comigo assim
E o coração sofre, apertado
Apartado de mim
Ele bate apressado
Nessas horas, normalmente
Eu percebo o quanto
Pra mim se tornou coisa normal
Não ter ninguém ao meu lado
O que a gente precisava, realmente
Era um mundo mais positivo
Mais abraços e menos discursos
Menos ira e prepotência
um pouco menos de mentira
De gente que fosse lá
E visse a cara da verdade
Ao invés de tanta credulidade
Menos aplausos pra tanta indecência
Um pouco mais de livros
Um pouco mais de voos de pássaros
E mais água pura nos cântaros
Menos gols combinados
Menos troféus comprados
Nenhum resultado tratado
Cansei-me se ser enganado
E que daqui a cem anos
Só houvesse verdades nos arquivos
Basta de corte nos orçamentos
Somente quando o destino do gasto
For o refestelo e o repasto do povo
Basta de tirar o ovo da ave
Cansei de ver bola na trave
Não cheguei até aqui
Pra contar somente com a sorte
O que a gente precisava
Há de ser bem mais ativo
Precisamos de mais coisas belas
Em vez de telas pintadas de morte
e tantas mortes ao vivo
Precisamos de mais arte
Mais ciência
Mais fotos de Marte
Mais festas de aniversário
Mais festas no calendário
Um pouco mais de alegria
Um pouco mais de trabalho
Precisamos disso urgente
Antes que se acabe o dia.
Eu nasci
Numa tarde de segunda-feira
Eu vim ao Mundo
e não houve escolha
Não houve festa
e nem muita alegria
Eu vim a este Mundo
e somei mais um
Como nascem os bichos
e nascem as folhas
Exceto a ciência de Deus
Não houve nenhum segredo
A vida ofereceu-me uma estrada
A única opção que me havia
Era escolher a calçada
Eu trilhei o lado sem medo
Pois, depois que já estamos no Mundo
A pior parte já passou
Vivê-la triste é um erro Crasso
Com alegria, talvez seja ledo
Mas a alegria é sempre melhor
E melhora mais ainda
Se faço isso desde cedo
E desde aquele dia
Se não tenho servido pra nada
Ao menos trago um sorriso no rosto
E tento
Não atrapalhar mais ainda
A paisagem cada vez mais sofrida
deste Mundo
Onde me puseram
Nos braços da minha mãe
ela foi a única que sorriu
Naquela tarde de segunda-feira
em que eu cheguei
Depois daquele dia
eu aprendi a sorrir, mesmo sem vontade
Mas naquele dia
Eu confesso que chorei
Chorei de verdade
Talvez eu esteja
Já a meio caminho
daquele lugar
Onde todo Mundo um dia
Precisa chegar
Mas não há como saber
Eu bem que gostaria
de quem sabe...não ter vindo
Pois olhando à minha volta
Me vem a clara impressão
de que estamos voltando
Parece que estamos perdidos
Carecendo de um Norte
ou de um Oriente
Navegamos desorientados
Ao sabor da própria sorte
a confiar na própria astúcia
Enquanto a tempestade não chega
e o lobo não vem
Talvez eu esteja a meio caminho
Mas acho muito mais provável
Que o lugar não seja este
Nem a estrada seja esta
Existe algo escondido
Diante de mim
Diante de nós
Distante de todos
E enquanto não o sabemos
Vivemos, aparentemente juntos
Mas no fundo, todos já percebemos
O quanto ainda nos sentimos
Meninos perdidos
Almas sós.
Quando eu nasci
Meu pai me deu um nome
Que o Mundo
Sempre tentou tirar de mim.
E enquanto eu crescia
Minha mãe me ensinava a amar
e me esquivar das coisas ruins
todo dia
Mas o Mundo ainda tentava
Tirar tudo isso de mim
Porém, antes disso tudo
Antes mesmo que eu nascesse
Deus dotou-me de um escudo
E antes de eu ter um nome
Ele me deu o dom de ser um homem
Antes que eu soubesse o que é amor
Ele me preparou
Pra enfrentar as dores deste Mundo
Com um largo e profundo sorriso
Deus dotou-me de uma luz
Que os olhos ruins deste Mundo
Não enxergam
Há pessoas que não vivem
Vagam feito cegas
Estragam-se e esmagam-se
Mas as Coisas de Deus são assim
E no fim
Essa luz
Não apagam
Tampouco a tiram de mim
Prosseguem tentando...delirantes
Porém, hoje
Essa luz brilha mais do que antes
E não há quem a tire de mim.
Se eu pudesse cuidar do mundo
Como quem guarda um jardim
Se eu pudesse escolher as sementes
Se eu fosse um bom jardineiro
Ou algo semelhante
Plantaria um jardim de verdade
E cultivava somente verdades
E o melhor que houvesse
do amor e da amizade
Mas, por mais sementes que se espalhem
Muita coisa falha, abaixo do Céu
Muita coisa falta em meu jardim
Assim como falta
Um maior entendimento
Pra que todo mundo soubesse
Que neste jardim
Onde quase nada cresce
Poderá nascer a qualquer momento
Aquilo que há de varrer deste mundo
Todos os jardins do mundo.
De janeiro a janeiro
Por muito tempo andei perdido
Pelos caminhos do mundo
Tudo aquilo, no final
Nem me parecia ser
de todo mal
E em resumo
Seria esquecido um dia
Bastaria
Permanecer calado
e ouvir o que o mundo fala
Qualquer tolo
Demonstra sabedoria
Quando se cala
Mas somente o silêncio
é algo que não vale à pena
ser esquecido
Enquanto se perde tempo
Vagando em vão
Em um mundo
Que também anda perdido
e repleto de perdição
Até que um dia
Se percebe
Que a melhor visão
Não se encontra nos olhos de ver
E existe algo bem melhor
e mais profundo
Uma Luz que nos afaga
Um carinho que vem no vento
Mas que muita gente não sente
E vaga perdida no mundo
Cada pessoa
Que Deus coloca neste mundo
Traz consigo uma verdade
E Deus lhe confia
A possibilidade
de melhorar
Um pouco este lugar
E dividir
Com as pessoas ao redor
Aquilo
Que de melhor puder
Trazer e dividir
Alguns fazem Ciência
Outras fazem Arte
Outras mais, exemplificam
Outras, coitadas
Por pensar
Somente em si mesmas
e não conseguirem fazer
Nada de original
e fazem igual
A quem só quem faz o Mal
E enquanto a Deus Convier
Lá de cima, Deus aguarda
Que cada homem e cada mulher
Aprenda
E enquanto isso
Cá embaixo
Uns vivem
Outros se encaixam
Conforme lhes convém
E cada um
Vai deixando no mundo
Um pouco daquilo que tem
Até não restar mais ninguém
Pensa
e espera
Pensa
e aprende
Observa
Que este Mundo
Na qualidade de esfera
Gira
E girando surpreende
Tanto a gente
Às vezes
Nos alcança
Manso como um sonho
Encontre o ponto de equilíbrio
e duvide da conclusão
Que a tua dúbia interpretação
Inquestionavelmente aceita
Como se ele fosse
Tão branco quanto os lençóis
da cama
Sobre a qual se deita
Sem sono
e quando menos pensa
Aquela densa atmosfera te envolve
e devolve pensamentos
Nos quais há muito nem lembrava
de havê-los um dia pensado
Os pensamentos
Tem todo o tempo
deste
E de tantos outros mundos
Eles te espreitam
e te esperam
Quando voltam
No teu sono profundo
Parece
Que não passou-se
Sequer um segundo.
Edson Ricardo Paiva
As coisas que eu mais gosto
Nesta vida
São exatamente
As coisas mais bobas do mundo
Gosto do pão sem nada
de ver as crianças brincando
Acordar de madrugada
e sentir a brisa gelada
Enquanto converso
Com as Estrelas amigas
Gosto de procurar
As mensagens que Deus espalha
Nos lugares mais improváveis
E depois
Juntando tudo
Gosto de enxergar a Deus
Como um todo
Gosto de lembrar do passado
e pensar nos amigos distantes
Que nem se lembram que eu existo
Gosto de conversar com mendigos
Gosto de tomar chuva,
Andar descalço,
dar risada sem motivo
sem ter que explicar porquê
Gosto de sonhar,
Gosto de me iludir,
Gosto de confiar,
Gosto de cantar aquelas canções
das quais ninguém nem se lembra
Andar sem rumo e sem pressa
Gosto de olhar
a vela queimando no escuro
E estar na janela
Quando a paisagem não se move
Gosto de dividir
Gosto de gostar de viver
E gosto muito de você
Só não gosto quando me perguntam
O Porquê.
Francamente
Tem coisas que não se explica
A gente simplesmente
Sente
Eu creio já ter visto
Todas as portas
que o mundo pode fechar
E eu as vi fechadas
Eu as vi pelo lado de fora
Eu creio já ter vivido
Todas as horas ruins
Que os relógios
Podem demarcar
E eu as vivi
Sem nenhuma pressa
E eu creio ter tido esperança
em cada manhã
Que a vida me pôde dar
Sem carregar relógios
Pra poder olhar as horas
Respirando alegremente
O ar de cada Aurora
E sem me importar
Se aquilo que eu tanto desejo
Demora
Agora
Depois de tanto viver
Eu consigo enxergar
O lado doce, belo e bom
Daquilo que outrora
Me pareceu ruim
Pois trago em mim
Uma alma um tanto leve
E por mais breve
Que me seja essa visão
Eu vejo flores
Em cada porta, cada janela
e cada portão
Que o mundo me fecha
Pois eu sei que existe
em algum lugar
Alguém que me queira bem
E que há de me deixar entrar
Sempre
Que me vir chegar
Edson Ricardo Paiva
Eu não aceito
Viver em um mundo
Em que as coisas sejam
Todo dia do mesmo jeito
Não quero aceitar essa lógica
Tão trágica
Onde se admite
A inexistência da mágica
Um mundo
Onde tudo faz sentido
E pra tudo
Existe uma explicação
Enquanto
Eu olho ao meu redor
E enxergo uma infinidade
de absurdos
Que o mundo aceita, simplesmente
Como fatos consumados
Prefiro conversar com as nuvens
E viver em uma época
Em que todos os relógios
Andem também para trás
Um mundo mais suave
Sem vozes tão graves
Talvez até
Sem gravidade
Pra que a mente possa
realmente voar
Sem medo de altura ou de queda
Eu quero viver em um mundo
Onde o adulto se cala
Enquanto a criança fala
E ambos seriam a mesma pessoa
O mais triste é
Que essa outra dimensão existe
Bastaria pra nós
Aceitá-la
Nem todo ouro do mundo
é suficiente
Pra comprar ou devolver
A paz perdida que se foi
Juntamente àquela lágrima
Chorada em segredo
No escuro
Nem o conhecimento
de todos os segredos
Guardados
No fundo dos Oceanos
Nos confins do Universo
e no passado
Perdido e esquecido
Podem desvendar a dor
daquele amor verdadeiro
Que alguém desprezou
e sem querer
O perdeu
Pois
Por tanto querer
Não o viu
Não o reconheceu
e nem acreditou
Mas tudo um dia se acaba
e de tanto esperar
pra acontecer
Acabou
